Anjo

A palavra hebraica ml’k, como o termo grego angelos,é geralmente traduzida como “mensageiro”.

A Bíblia hebraica usa o termo em raras ocasiões ao falar de um mensageiro humano (Gn 32:3), mas normalmente o termo se refere a seres celestiais que servem ao único Deus, Yhwh.

Os autores bíblicos usam termos adicionais ao falar de tais seres, especialmente aqueles com forma animal – por exemplo, serafins (Is 6:2-4) e querubins ou seres com corpo de touro, asas e rosto de humano, que sustentam o trono de Yhwh ou voam pelos céus (Ez 9:3, Ez 10, Sl 18:10, Sl 99:1). Os textos bíblicos chamam os seres celestiais que louvam a Deus qedoshim (“santos”; Sl 89:5, Sl 89:7), ou b’nei elim ou elohim (ambos podem ser traduzidos como “deuses” ou “seres divinos”; Gn 6:2, Sl 29:1, Sl 82:6, Jó 1:6).

Apesar de fequentemente referir-se a um ser celestial a quem Yhwh envia em missão, às vezes em Gênesis e Juízes (talvez alguns outros lugares também, como Êxodo 3), o termo parece se referir não a um anjo no sentido de um ser celestial, mas uma manifestação em menor escala de Yhwh.

O mal’akh Yhwh nestes casos é a mesma pessoa que Yhwh, mas não todos de Yhwh. Portanto, não é que o Anjo de Yhwh nestes casos esteja no lugar de Yhwh; em vez disso, o Anjo é Yhwh em uma manifestação mais acessível. Exemplos deste uso do termo mal’akh são Êx 3:2, Êx 23:20-21, Êx 33:1-3 e Jz 6:11-14.

Octateuco

O octateuco, em grego “oito partes [de um livro]” designa os primeiros oito livros da Bíblia, conforme a ordem da Septuaginta: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes e Rute. Essa ordem é diferente daquela do Texto Massorético da Bíblia Hebraica.

A antologia em octateuco foi popular entre editores bizantino. Em formato de códice, era capaz de conter boa parte da do Antigo Testamento, principalmente o conteúdo narrativo anterior ao período dos reis.

O octateuco é o cânon da comunidade judaica etíope Beta Israel, ao qual chama de Orit.

Outros octateucos notáveis são o Topkapi Graecus 8 (Octateuco de Seraglio); o Octateuco  Ottobonianus.

Comentaristas sobre o octateucos incluem Procópio de Gaza, Teodoreto de Chipre, Wicbouldus e André de São Vítor,

O octateuco não deve ser confundido com o octateuco clementino, uma coleção de normas eclesiásticas existentes em copta, siríaco, árabe, grego e latim, dos quais se destaca o MS Gen 322, Glasgow Octateuch.

Laquis

Laquis, em hebraico  לָכִישׁ, foi uma antiga cidade de Judá, situada no sul da Sefelá,

Hoje identificada com Tell ed-Duweir (Tel Lakhish), ocupou uma posição estratégica no caminho de Jerusalem ao Egito. No final do reino de Judá teve entre 6.000 e 7.500 habitantes.

A cidade é mencionada em vários livros do Antigo Testamento.

Em Js 10:3, 5, 23 e 31–35, Laquis e seu rei enfrentam os israelitas. Em Js 12:11, o rei de Laquis é mencionado como um dos trinta e um reis conquistados por Josué. A cidade é atribuída à tribo de Judá em Js 15:39.

Roboão fez fortificações em 2 Crônicas 11:9. Em 2 Reis 14:19 e 2 Crônicas 25:27, Amazias de Judá foge para Laquis depois de ter sido derrotado por Jeoás de Israel, mas é capturado e executado.

Miquéias 1:13 adverte os moradores de Laquis que a destruição de Samaria pelos assírios logo se espalhará para Judá. 2 Reis 18:14 menciona o Cerco de Laquis. Ezequias envia uma mensagem oferecendo tributo a Senaqueribe em troca da cidade. Os assírios deixam Laquis para Jerusalém (Cf. 2 Crônicas 32:9, 2 Reis 19:8; Is 36:2; 37:8.

Jeremias 34:7 lista Laquis como uma das três últimas cidades fortificadas em Judá a cair para o rei babilônico Nabucodonosor II. Neemias 11:30, aparece como novo reestabelecimento no período persa.

ARQUEOLOGIA

Em Laquis foram encontradas as ôstracas ou cartas de Laquis. Um comandante da guarnição local escreveu por volta do cerco de Jerusalém pelos babilônios em 589-586 a.C.

Os relevos de Laquis são um conjunto decorativos nos palácios assírios que narram a história da vitória assíria sobre o reino de Judá durante o cerco de Laquis em 701 aC. Esculpido entre 700 e 681 aC, no palácio de Senaqueribe em Nínive.

Também foram encontrados vários selos de argila estampados com LMLK (“ao rei” ou “do rei”). São selos estampados nas alças de grandes jarros de armazenamento emitidos pela primeira vez no reinado do rei Ezequias (por volta de 700 aC).

Olympus Angelelli

Olympus Guglielmo Angelelli (1883-1962), ancião e pioneiro pentecostal ítalo-americano estabelecido em Pittsburgh, Pennsilvânia.

Nascido em Manziana, nos arredores de Roma, emigrou aos Estados Unidos em 1898, onde morou em Pittsburgh.

Converteu-se ao ser evangelizado pelo seu irmão Archimedes em 1907 em Erie. Logo após ser batizado nas águas foi batizado no Espírito Santo.

Apesar de pouca educação, passou a estudar no Pittsburgh Bible Institute, onde uma professora italiana dava aula nessa língua.

Em 1928 organizou a Italian Christian Church de Pittsburgh e em pouco anos a congregação adquiriu um imponente prédio da Igreja Presbiteriana na 211 Shady Avenue, East Liberty.

Angelelli assumiu responsabilidades além da sua congregação local, assistindo outras igrejas italianas do oeste do estado da Pennsilvânia, Ohio e West Virginia. Serita também um dos cinco superintendentes da Igreja Cristã da América do Norte (CCNA).

Ítala

A Vetus Latina ou Itala são as diferentes traduções surgidas anteriormente da Vulgata de Jerônimo. Os primeiros indícios da Ítala remontam de citações patrísticas do século II. Utilizada popularmente nos cultos, mesmo depois da publicação da Vulgata no século V continuou em uso. Os grandes códices da Vetus Latina foram produzidos até 1250.

Jafé

Jafé, em hebraico יֶפֶת, foi um dos três filhos de Noé.

Jafé aparece no relato do dilúvio (Gn 6-10). Elencado como o terceiro filho de Noé (Gn 5:32; 1 Cr 1:4). A família de Jafé repovoou a Terra junto com os outros filhos de Noé, Sem e Cão, mediante seus sete filhos e sete netos. Tais descendentes são mencionados de modo passageiro em Isaías e Ezequiel (Is 66:19; Ez 27:13; 32:26; 38:2-3, 6). 39:1, 6).

Teologia de Mercersburg

Teologia de Mercersburg foi uma corrente teológica da Igreja Reformada Alemã, o equivalente reformado à tendência “High Church” do anglicanismo, com ênfases na restauração litúrgica e sacramental, bem como uma cristologia realista na Igreja.

HISTÓRIA

O nome remete a uma pequena cidade na Pensilvânia onde havia um seminário reformado alemão e o Marshall College. O movimento foi particularmente ativo entre 1836 e 1860, mas sua origem remonta à vinda da Alemanha do teólogo Frederick Rauch (1806-1841). Em 1839 foi organizada a Sociedade para a Promoção da União Cristã, tendo como vice-presidente Rauch.

Outros docentes do seminário, John Williamson Nevin (1803-1886), Philip Schaff (1819-1893) e Emanuel Vogel Gerhart (1817-1904) foram os líderes do movimento, o qual ganhou destaque com a publicação de The Anxious Bench (1843), de Nevin, que atacou os métodos os avivalistas. No ano seguinte, Schaff deu uma palestra sobre os princípios do protestantismo e criticou o mentalismo — a adesão intelectual a uma suposta ortodoxia — esposada pelos puritanos e em sua época pelos princetonianos.

A escola de Mercersburg buscou na patrística e nos reformadores reafirmar uma ortodoxia que fosse evangélica e católica. Propunham uma adesão ao catecismo de Heidelberg sem as interpretações puritanas ou do calvinismo avivalista edwardiano. Por esse motivo, consideravam a expiação como realizada pela pessoa de Cristo e não limitada à sua morte. Assim, os cristãos estão unidos ontologicamente não apenas com Jesus, mas um com os outros — visivelmente na Igreja.

Schaff, um meticuloso historiador da Igreja, instia em analizar o desenvolvimento doutrinário dentro de seus contextos históricos. Para tal, escreveu várias obras de ampla recepção, inclusive sobre a história dos credos e confissões cristãs.

Charles Hodge e a chamada Escola de Princeton fizeram frente à teologia de Mercersburg. O uso de tipologias (“cristianismo petrino”, “cristianismo joanino” e “cristianismo paulino”) dentro de um arcaboço hegeliano e a contextualização histórica das doutrinas cristãs fizeram que Hodge e os princetonianos desconfiassem da teologia de Mercersburg como se fosse mais uma vertente do racionalismo alemão. Também consideravam essa escola muito aberta às diversas denominações sem se firmaram em absolutas proposições doutrinárias. Por fim, o sensos comum realista e uma visão positivista da teologia pelos princetonianos chocava-se com a contextualização histórica do dogma pelos teólogos de Mercersburg.

TEOLOGIA

A teologia de Mercersburg é sobretudo cristológica e, especificamente, encarnacional. Um sumário dela é apresentado por G. W. Richards:

Na encarnação, o Filho de Deus assumiu a caída humana natureza, santificando-a assim em união real, orgânica e eterna com Ele próprio. A natureza humana, criada n’Ele, é o meio e a forma da revelação de Deus, de sua vontade e de todos os atos de Cristo, que, seguindo uns aos outros segundo a lei da ordem natural do ser, constituem as objetivas realidades ou fundamento da salvação cristã. A glorificada humanidade de Cristo continua a ser o único meio de comunicação graciosa de Deus para a humanidade, e de toda aproximação real do homem a Deus, e comunhão com Ele.

Richards (1940, 48).

O relacionamento salvítico com Cristo ocorre pela identidade da pessoa com a igreja de Cristo. Essa posição constratava tanto com os avivalistas quanto com o conversionismo individualista americano que ensinavam que a obra de salvação seria para o indivíduo e não para a Igreja.

A obra expiatória seria mais na plenitude da vida de Cristo. Essa soteriologia encarnacional reformada alemã de Mercerburg contrastava com os modelos puritanos, edwardianos, avivalistas e princetonianos de uma expiação centrada somente na morte de Cristo.

Em Cristo todos os homens são regenerados e unidos como membros de seu corpo, o organismo espiritual, que é a Igreja. A Igreja estende por todas as épocas e inclui todos os povos. Por isso, nenhuma fórmula doutrinária ou estrutura organizacional pode ser final. Assim, a Igreja deve modificar seus ensinamentos de acordo com seu conhecimento progressivo da verdade.

Consideravam a Igreja como uma instituição divina em oposição a uma meramente humana associação de crentes. Também enfatizavam a realidade universal (a catolicidade) da Igreja em oposição à orientação sectária e denominacional.

A vida em Cristo seria somente possível com integral comunhão da Palavra e o sacramento, administrados sob a autoridade da Igreja. Por isso, rejeitavam a premissa de “a Bíblia mais o julgamento privado” do individualismo evangélico e do realismo do senso comum da Escola de Princeton, os quais colocavam a razão individual ao patamar de avaliador da verdade. Para a escola de Mercersburgo a história da Igreja bem como os ensinamentos e sacramentos por ela administrados deveriam guiar a compreensão da fé ensinada pelas Escrituras. Esses critérios resultam da obra de Cristo presente da Igreja pelo Espírito Santo.

LEGADO

A teologia de Mercersburg fez do idealismo alemão e do hegelianismo um dinamismo realista que considerava a harmonia do crente com a Igreja e com Cristo. Essa oposição romântica ao individualismo gerou reações tanto dos avivalistas quanto do senso comum realista de Princeton. Embora nunca numericamente relevante, o legado de Mercersburg sobrevive no ecumenismo, na paleo-ortodoxia e na revalorização litúrgica.

No começo do século XX, a teologia de Mercesburg foi substituída em círculos reformados teuto-americanos pela neo-ortodoxia. Ainda assim, subsiste em um legado denominacional na Igreja Metodista Unida e na Igreja Unida de Cristo. Institucionalmente, a Merscersburg Society publica The New Mercersburg Review e realiza eventos regulares sobre essa teologia. Em 2012, Wipf e Stock começou a publicar a The Mercersburg Theology Study Series.

Em comum com o pentecostalismo, a teologia Reformada de Mercersburg possui uma interpretação da Ceia do Senhor em tensão entre o memorialismo e alguma forma de presença real.

Dada a importância dada à história da Igreja, a historiografia e a produção literalmente enciclopédica de Schaff também são legados ainda duradouros.

BIBLIOGRAFIA

Gerhart, Emanuel Vogel. Institutes of the Christian Religion. Vol. 1. Funk & Wagnalls Company, 1894.

Nevin, John Williamson. The Mystical Presence: A Vindication of the Reformed or Calvinistic Doctrine of the Holy Eucharist. JB Lippincott, 1867.

Nevin, John Williamson. History and genius of the Heidelberg catechism. German Reformed Church, 1847.

Schaff, Philip. The Principle of Protestantism as Related to the Present State of the Church. “Publication Office” of the German Reformed Church, 1845.

Fontes secundárias

Barrett, Lee C. “The Distinctive World of Mercersburg Theology: Yearning for God or Relief From Sin?.” Theology today 71.4 (2015): 381-392.

Barrett, Lee C. “Hans Lassen Martensen and the Mercersburg Theology: The Reinforcement of Christocentric Speculation.” In Transatlantic Religion, pp. 168-190. Brill, 2021.

Borneman, Adam S. Church, Sacrament, and American Democracy: The Social and Political Dimensions of John Williamson Nevin’s Theology of Incarnation. Wipf and Stock Publishers, 2011.

Bradnick, David. “What Has Mercersburg to Do with Azusa?: A Pentecostal Consideration of Nevin and Schaff.” Pneuma 38, no. 4 (2016): 411-35.

DeBie, Linden J. Speculative Theology and Common-Sense Religion: Mercersburg and the Conservative Roots of American Religion. Vol. 92. Wipf and Stock Publishers, 2008.

DiPuccio, William. The Dynamic Realism of Mercersburg theology: The romantic pursuit of the ideal in the actual. Diss. Marquette University, 1994.

Evans, William B. A Companion to the Mercersburg Theology: Evangelical Catholicism in the Mid-nineteenth Century. Vol. 44. Wipf and Stock Publishers, 2019.

Littlejohn, W. Bradford. The Mercersburg Theology and the Quest for Reformed Catholicity. Wipf and Stock Publishers, 2009.

Maxwell, Jack M. Worship and Reformed Theology: The Liturgical Lessons of Mercersburg. Vol. 10. Wipf and Stock Publishers, 1976.

Nichols, James Hastings, ed. The Mercersburg Theology. Wipf and Stock Publishers, 2004.

Nichols, James Hastings. Romanticism in American Theology: Nevin and Schaff at Mercersburg. Wipf and Stock Publishers, 2007.

Richards, George W. “The Mercersburg Theology—Its Purpose and Principles.” Church history 20.3 (1951): 42-55.

Richards, George W. “A Forgotten Theology’. Church History, 9.1 (1940):37-50 . doi:10.2307/3160807 

Yrigoyen, Charles. “Emanuel V. Gerhart: Apologist for the Mercersburg Theology.” Journal of Presbyterian History (1962-1985) 57.4 (1979): 485-500.

Diná

Diná, em hebraico דִּינָה‎, “julgada”, foi uma filha de Leia e Jacó. Foi estuprada por Siquém, um príncipe da cidade homônima, despertando a vingança de Simeão e Levi. (Gn 34).

A última menção de Diná na Bíblia aparece quando a família de Jacó se prepara para descer ao Egito. É listada entre os 70 membros da família que desceram juntos (Gênesis 46:15).

BIBLIOGRAFIA

Bechtel, Lyn M. “What If Dinah Is Not Raped? (Genesis 34).” Journal for the Study of the Old Testament 19, no. 62 (1994): 19–36. doi:10.1177/030908929401906202.

Blyth, Caroline. “`Listen to My Voice’: Challenging Dinah’s Silence in Genesis 34.” The Expository Times 120, no. 8 (2009): 385–87.

Blyth, Caroline. “Terrible Silence, Eternal Silence: A Feminist Re-Reading of Dinah’s Voicelessness in Genesis 34.” Biblical Interpretation: A Journal of Contemporary Approaches 17, no. 5 (2009): 483–506.

Johnson, Janell. “Negotiating Masculinities in Dinah’s Story: Honor and Outrage in Genesis 34.” Review & Expositor 115, no. 4 (2018): 529–41. doi:10.1177/0034637318798362.

Klopper, Frances. “Rape and the Case of Dinah : Ethical Responsibilities for Reading Genesis 34.” Old Testament Essays 23, no. 3 (2010): 652–65.

Rofé, Alexander. “Defilement of Virgins in Biblical Law and the Case of Dinah (Genesis 34).” Biblica 86, no. 3 (2005): 369–75.

Ruit, Gavi S. “Rabbinic Commentaries on Genesis 34 and the Construction of Rape Myths.” Journal of Jewish Ethics 3, no. 2 (2017): 247–66.

Shemesh, Yael. “Rape Is Rape Is Rape: The Story of Dinah and Shechem (Genesis 34).” Zeitschrift FÜr Die Alttestamentliche Wissenschaft 119, no. 1 (2007): 2–21.

Thomson, H. “Hermeneutical Reflections on Genesis 34: The Rape of Dinah.” Saint Marks Review 197, no. 197 (2003): 39–40.