Números

Livro que relata parte da peregrinação dos israelitas do Sinai até a planície de Moabe, antes da entrada na Terra Prometida. O título remete ao censo com o qual o livro começa (1-4). No entanto, o livro possui gêneros textuais diversos. Há prescrições de purificação (5:1⁠–⁠10:10 ), as quais incluem as regras do voto de nazireado (6:1-21) e da bênção sacerdotal (6:22-27). Continua com as narrativas da peregrinação até Parã (10:11-12), o envio de espiões  (13:1⁠–⁠15:41 ), uma coleção de passagens diversas entre Parã e Moabe (16-36), incluindo os eventos e profecias de Balaão (22:1-25:18).

Levítico

Levítico, cujo nome refere-se aos assistentes do santuário membros da tribo de Levi não contados entre as famílias sacerdotais, registra os regulamentos dos sacrifícios, das leis de pureza e da prática de santidade para o povo de Israel.

Notavelmente, apresenta uma das antigas versões da regra áurea ou do grande mandamento: “Como o natural, entre vós será o estrangeiro que peregrina convosco; amá-lo-eis como a vós mesmos, pois estrangeiros fostes na terra do Egito. Eu sou o Senhor, vosso Deus”. (Lv 19:34).

Tematicamente, o livro de Levítico situa-se na construção do santuário quando o povo de Israel estava acampado no Sinai. O livro continua com as instruções já apresentadas acerca do santuário desde Êxodo 25 e é continuado por outras instruções até Números 10. Estruturalmente são cinco grandes blocos:

  1. capítulos 1 a 7: o sistema sacrificial.
  2. capítulos 8 a 10: o papel sacerdotal de Aarão e dos aarônidas.
  3. capítulos 11 a 15: as purezas alimentar e ritual.
  4. capítulo 16: procedimentos para o Dia da Expiação (Yom Kippur).
  5. capítulos 17 a 26, o “código de santidade” por sua ênfase na santificação e pureza.

BIBLIOGRAFIA
Elliger, Karl. Leviticus. Tübingen: JCB Mohr Paul Siebeck, 1966.

Rendtorff, Rolf; Robert A. Kugler; Sarah Smith Bartlet, eds. The book of Leviticus: composition and reception. Vol. 3. Brill, 2003.

Schwartz, Baruch J. “Leviticus.” In The Jewish Study Bible. Edited by A. Berlin and M. Z. Brettler, 203–280. New York: Oxford University Press, 2004.

William H. Durham

William Howard Durham (1873–1912) foi pioneiro da obra pentecostal em Chicago, sendo proponente do entendimento doutrinário da obra consumada do calvário, dentro da teologia do evangelho pleno.

BIOGRAFIA

Durham nasceu em uma área rural do Kentucky. Aos dezoito anos tornou-se membro da Igreja Batista, mas somente experimentou a conversão em 1898, enquanto vivia em Minnesota, sob influência do movimento de Santidade. Tornou-se ministro credenciado da World’s Faith Missionary Association, um organismo de cooperação entre pregadores do movimento de Santidade. Em 1903 assumiu o pastorado da Gospel Mission Church, uma missão (sala de culto em área comercial) de santidade independente na North Avenue, Chicago. Visitou o avivamento da Rua Azusa em 1907, recebendo a efusão do Espírito Santo. A partir disso, sua Missão da North Avenue se tornou um dos centros de difusão do pentecostalismo no Norte dos Estados Unidos e no exterior, principalmente pela adesão de comunidades imigrantes italianas, escandinavas e persas. Enquanto pregava em Los Angeles, Durham desenvolveu uma doença respiratória. Retornou a Chicago onde morreu aos trinta e nove anos.

Foi mentor ou influenciou pioneiros como Louis Francescon, Giacomo Lombardi, Pietro Ottolini, John Perrou, Daniel Berg, Gunnar Vingren, F.A. Sandgren, Robert e Aimee Semple McPherson, T.K. Leonard, Andrew Urshan, Howard Goss, E.N. Bell, A.H. Argue, Frank Ewart, Cora Harris Mcilravy e Dorothy Wright.

Durham escreveu vários artigos de cunho teológico, os quais publicava em seu periódico de tiragem ocasional, Pentecostal Testimony. Publicou também pequenos tratados e uma coletânea de mensagens recebidas profeticamente para edificação devocional.

OBRA CONSUMADA DO CALVÁRIO

Junto de Albert Sydney Copley (1860-1945), Durham foi o responsável pela conceptualização teológica do movimento pentecostal com base na teologia de Keswick.

Em sumário, a doutrina da obra consumada do calvário considerava que a fé viva que justifica uma pessoa a leva a Cristo. Na plenitude da obra perfeita de Cristo tudo está completo não apenas no que diz respeito à santificação, mas tudo o que diga respeito à salvação. Os regenerados em Cristo devem permanecer nele, receber e andar no Espírito, apegar-se à fé, crescer na graça e no conhecimento de Deus. Assim, não haveria uma segunda bênção ou experiência distinta e definitiva de santificação.

Este entendimento resultou na ruptura dos pentecostais da obra consumada com pentecostais de matriz wesleyana a partir de 1910.

SAIBA MAIS

Anderson, Robert Mapes. Vision of the Disinherited : The Making of American Pentecostalism. New York: Oxford University Press, 1979.

Blumhofer, Edith Waldvogel. The ‘Overcoming Life’: A Study in the Reformed Evangelical Origins of Pentecostalism. Tese doutoral. Cambridge, Massachusetts: Harvard University, 1977.

Clayton, Allen L. “The Significance of William H. Durham for Pentecostal Historiography.” Pneuma: The Journal of the Society for Pentecostal Studies 1: 27–42, 1979.

Faupel, D. William. The Everlasting Gospel: The Significance of Eschatology in the Development of Pentecostal Thought. Sheffield: Sheffield Academic Press, 1996.

Jacobsen, Douglas. Thinking in the Spirit: Theologies of the Early Pentecostal Movement. Bloomington, IN: Indiana University Press, 2003. 

Richmann, Christopher J.  “William H. Durham and Early Pentecostalism: A Multifaceted Reassessment”. Pneuma 37, no. 2 (2015): 224-243.


COMO REFERENCIAR

ALVES, Leonardo Marcondes (ed.). William H. Durham. Círculo de Cultura Bíblica, 2021. Disponível em: https://circulodeculturabiblica.org/2021/07/04/william-h-durham/. Acesso em: 04 jul. 2021.

Livro de Jó

O livro de Jó é uma série de discursos e diálogos que exploram as questões do sofrimento imerecido, o problema da teodiceia (por que há o mal no mundo), a natureza e o propósito da vida piedosa. A provação e restauração de Jó, bem como sua paciência, se tornaram proverbiais.

Está classificado na Bíblia Hebraica entre os Escritos (Ketuvim ou Hagiógrafos) e nas Bíblias protestantes como livro poético ou sapiencial, situado entre os livros históricos e proféticos.

COMPOSIÇÃO E CONTEXTO

É uma obra anônima. Uma nota final presente na Septuaginta referencia uma versão siríaca que localiza Uz em Edom e Jó como descendente de Esaú. Essa hipótese edomita tem apoio de materiais pseudepígrafos e do targum de Jó de Qumran. Autores recentes como Pfeiffer e Amzallag defendem essa hipótese. Edom era conhecido por sua sabedoria (Jeremias 49: 7; Obadias 8; 1 Reis 4:30).

Situar o tempo e cena da narrativa, bem como o local e época de sua composição ou textualização são tarefas conjecturais, dado a ausência de informações. As alusões na parte poética ao ferro como um material cotidiano (Jó 19:24; 20:24; 28:2; 40:18; 41:27) situa a narrativa na Idade do Ferro (1200–550 a.C.). Tal período é congruente com as alusões aos sabeus (Jó 1:15) que emergiram como povo entre 1200-800 a.C. e existiram como estado até 275 d.C. Embora a terra de Uz seja desconhecida, vários costumes (sacrifícios patriarcais, Jó 1: 5; agropastoralismo de oásis; as filhas receberem herança junto com os filhos, Jó 42:15) bem como ausência de menções aos israelitas, ambienta Jó em uma região fora do antigo Israel. Fora do livro, Jó é mencionado em Ezequiel 14:14–20 e Tiago 5:11.

A linguagem do livro é complexa e cheia de singularidades. Esse caráter excepcional de estilo e linguagem, com muitos termos desconhecidos levaram às hipóteses de serem aramaísmos, uma suposta tradução de outra língua, arcaísmos ou uma variante dialetal, sobretudo edomita. O prólogo e epílogo são em prosa, com uma linguagem equiparada à de outros livros da Hagiógrafa (Crônicas, Esdras, Neemias, Ester, Eclesiastes) do período persa, com uma notória ausência de aramaísmos. No epílogo há menção de uma unidade monetária, a quesitá (Jó 42:11), a qual aparece apenas em Gênesis 33:19 e Josué 24:32. Já na parte em poesia abundam linguagem peculiares e hapax legomena, especialmente nas falas de Deus. Foi sugerido que a obra teria sido escrita originalmente em um dialeto edomeu, árabe ou uma variante arcaica do hebraico e depois traduzida para o hebraico em sua forma canônica.

Outra tradição situa Jó no período patriarcal e atribui autoria a Moisés. Essa hipótese aparece de forma contraditória no Talmud (Bava Batra 14b-15a), com poucos biblistas contemporâneos (como Christensen ou Sarna) considerando plausível sua antiguidade anterior à Idade do Ferro.

I. Prólogo (em prosa): a calamidade de Jó (Jó 1-2)

II. Poema (Jó 3-42:6)

a. Solilóquio de abertura de Jó (Jó 3)

b. Diálogos com amigos (Jó 4-27)

1. Primeiro ciclo de diálogos (Jó 4-14)

2. Segundo ciclo de diálogos (Jó15-21)

3. Terceiro ciclo de diálogos (Jó 22-27)

c. Monólogos (Jó 28-37)

1. Meditação sobre a inacessibilidade da sabedoria (Jó 28)

2. O solilóquio final de Jó e alegações finais (Jó 29-31)

3.  O discurso de Eliú (Jó 32-37)

d. Diálogos com Deus (Jó 38: 1-42: 6)

1. A primeira resposta de Deus no redemoinho (Jó 38: 1-40: 2)

2. A primeira resposta de Jó (Jó 40: 3-5)

3. A segunda resposta de Deus (Jó 40: 6-41: 34)

4. A segunda resposta de Jó (Jó 42: 1-6)

III. Epílogo (em prosa): restauração de Jó (Jó 42: 7-17)

SAIBA MAIS

Amzallag, Nissim. Esau in Jerusalem: The Rise of a Seirite Religious Elite in
Zion in the Persian Period.
Cahiers de la Revue Biblique 85. Pendé, J.
Gabalda et Cie, 2015.

Bloom, Harold. The Book of Job. Chelsea House Publishers, 1988.

Christensen, Duane L. “Job and the age of the patriarchs in Old Testament narrative.” Perspectives in religious studies 13.3 (1986): 225-228.

Foster, Frank H. “Is the Book of Job a Translation from an Arabic Original?” The American Journal of Semitic Languages and Literatures, 49 (1932) 21–45.1932. p.651.

Hurvitz, Avi “The Date of the Prose-Tale of Job Linguistically Reconsidered,” HTR 67 (1974): 17–34.

Peiffer, Robert “Edomite Wisdom,” ZAW 44 (1926): 13-25.

Pfeiffer, Robert. Introduction to the Old Testament. New York: Harper & Brothers, 1941, p. 670.

Sarna, Nahum M. Understanding Genesis. Vol. 1. Heritage of Biblical Israel, 1966, p. 84.

Tur Sinai, Naphtali H. The Book of Job: A New Commentary. Jerusalem: Kiryath Sepher, 1967.


COMO REFERENCIAR

ALVES, Leonardo Marcondes (ed.). Livro de Jó. Círculo de Cultura Bíblica, 2021. Disponível em:  https://circulodeculturabiblica.org/2021/07/04/livro-de-jo/ Acesso em: 04 jul. 2021.


Pré-milenarismo

O pré-milenismo ou pré-milenarismo é uma teoria interpretativa que entende Apocalipse 20:1-6 como retorno de Cristo à Terra antes do milênio, quando reinará mil anos na terra antes do juízo final. A maioria dos pré-milenistas acredita que mil anos designam um período literal de tempo, mas não necessariamente, pois há quem acredite que o mil anos seja uma hipérbole para um período longo e indeterminado.

Os adeptos dessa interpretação estão divididos entre pré-milenistas históricos e dispensacionais.

Conteúdo comum dos evangelhos

Se extrair dos quatro evangelhos somente as frases comuns (sem considerar total coincidência vocabular nem temas compartilhados) teremos o seguinte texto:

[as boas-novas de Jesus Cristo]

  1. João veio a batizar no deserto,
  2. e a pregar o batismo de arrependimento para remissão dos pecados. 
  3. E toda a província da Judeia e todos os hierosolimitanos saíam até ele; e eram batizados
  4. por ele no rio Jordão, confessando seus pecados. 
  5. E aconteceu que, naqueles dias, Jesus de Nazaré da Galileia veio, e foi batizado por João no Jordão. 
  6. Jesus veio para a Galileia,
  7. entrou na sinagoga e começou a ensinar. 
  8. “Levanta-te, toma o teu leito, e anda”? 
  9. E logo ele se levantou, tomou o leito, e saiu na presença de todos,
  10. E foram-se a um lugar deserto à parte. 
  11. Mas aos viram ir, e muitos o reconheceram. Então correram para lá a pé de todas as cidades, chegaram antes deles. 
  12. Quando saiu, viu uma grande multidão, e começou a lhes ensinar muitas coisas. 
  13. E quando já era tarde, os seus discípulos vieram a ele, e disseram: O lugar é deserto, e a hora já é tarde. 
  14. Despede-os, para eles irem aos campos e aldeias circunvizinhos, e comprarem comida
  15. Mas ele respondeu: Dai-lhes vós mesmos de comer.
  16. disseram: Cinco, e dois peixes. 
  17. E mandou-lhes que fizessem sentar a todos em grupos
  18. E sentaram-se repartidos de cinquenta em cinquenta. 
  19. Ele tomous os cinco pães e os dois peixes, levantou os olhos ao céu, abençoou, e partiu os pães, e os deu aos discípulos, para que os pusessem diante deles. E os dois peixes repartiu com todos. 
  20. Todos comeram e se saciaram. 
  21. E dos pedaços de pão e dos peixes levantaram doze cestos cheios.
  22. Saiu Jesus com seus discípulos para as aldeias de Cesaréia de Filipe; e no caminho perguntou-lhes: Quem dizem os homens que sou eu?
  23. Eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Um dos profetas.
  24. Ele lhes perguntou: Mas vós, quem dizeis que sou eu? Respondeu-lhe Pedro: Tu és o Cristo.
  25. Ordenou-lhes Jesus que a ninguém falassem a respeito dele.
  26. E quando chegaram perto de Jerusalém,
  27. E trouxeram o jumentinho a Jesus, e lançaram sobre ele suas roupas, e sentou-se sobre ele. 
  28. E muitos estendiam suas roupas pelo caminho, e outros cortavam ramos das árvores, e os espalhavam pelo caminho. 
  29. E os que iam adiante, e os que seguiam, clamavam: Hosana, bendito o que vem no Nome do Senhor! 
  30. Bendito o Reino
  31. E vieram a Jerusalém; e entrando Jesus no Templo, começou a expulsar aos que vendiam dizendo-lhes: Não está escrito: Minha casa será chamada casa de oração? Mas vós a tendes feito esconderijo de assaltantes! 
  32. E estando ele em Betânia, em casa de Simão o Leproso, sentado, veio uma mulher, que tinha um vaso de alabastro, de óleo perfumado de nardo puro, de muito preço, e quebrando o vaso de alabastro, derramou-o sobre a cabeça dele. 
  33. E houve alguns que se irritaram em si mesmos, e disseram: Para que foi feito este desperdício do óleo perfumado? 
  34. Porque isto podia ter sido vendido por mais de trezentos dinheiros, e seria dado aos pobres. E reclamavam contra ela. 
  35. Porém Jesus disse: Deixai-a; por que a incomodais? Ela tem me feito boa obra. 
  36. Porque pobres sempre tendes convosco; e quando quiserdes, podeis lhes fazer bem; porém a mim, nem sempre me tendes. 
  37. Esta fez o que podia; se adiantou para ungir meu corpo, para sepultura. 
  38. Em verdade vos digo, que onde quer que em todo o mundo este Evangelho for pregado, também o que esta fez será dito em sua memória. 
  39. E Pedro lhe disse: Ainda que todos se ofendam, não porém eu. 
  40. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo, que hoje, nesta noite, antes que o galo cante duas vezes, me negarás três vezes. 
  41. Mas ele muito mais dizia: Ainda que me seja necessário morrer contigo, em maneira nenhuma te negarei. E todos diziam também da mesma maneira. 
  42. E vieram ao lugar, cujo nome era Getsêmani, e seus discípulos
  43. E logo veio Judas e com ele uma grande multidão, com espadas e bastões, da parte dos chefes dos sacerdotes, e dos escribas, e dos anciãos. 
  44. E um dos que estavam presentes ali puxando a espada, feriu ao servo do sumo sacerdote, e cortou-lhe a orelha. 
  45. E respondendo Jesus, disse-lhes: Como a assaltante, com espadas e bastões, saístes para me prender? 
  46. Todo dia convosco estava no Templo ensinando, e não me prendestes;
  47. E levaram Jesus ao sumo sacerdote; e juntaram-se a ele todos os chefes dos sacerdotes, e os anciãos, e os escribas. 
  48. E Pedro o seguiu de longe até dentro da sala do sumo sacerdote, e estava sentado juntamente com os trabalhadores, e esquentando-se ao fogo. 
  49. E os chefes dos sacerdotes, e todo o tribunal buscavam testemunho contra Jesus, para o matarem, e não achavam. 
  50. Porque muitos testemunhavam falsamente contra ele; mas os testemunhos não concordavam entre si. 
  51. E levantando-se uns testemunhava falsamente contra ele, dizendo: 
  52. Nós o ouvimos dizer: Eu derrubarei este templo feito de mãos, e em três dias edificarei outro, feito sem mãos. 
  53. E nem assim era o testemunho deles concordante. 
  54. E levantando-se o sumo sacerdote no meio, perguntou a Jesus, dizendo: Não respondes nada? Que testemunham estes contra ti? 
  55. Mas ele calava, e nada respondeu. O sumo sacerdote voltou a lhe perguntar, e disse-lhe: Tu és o Cristo, o Filho do bendito? 
  56. E Jesus disse: Eu sou; e vereis ao Filho do homem sentado à direita do poder, e vir nas nuvens do céu. 
  57. E o sumo sacerdote, rasgando suas roupas, disse: Para que mais necessitamos de testemunhas? 
  58. Tendes ouvido a blasfêmia; que vos parece? E todos o condenaram por culpado de morte. 
  59. E alguns começaram a cuspir nele, e a cobrir-lhe o rosto; e a dar-lhe de socos, e dizer-lhe: Profetiza. E os trabalhadores lhe davam bofetadas. 
  60. E estando Pedro embaixo na sala, veio uma das servas do sumo sacerdote; 
  61. E vendo a Pedro, que se sentava esquentando, olhou para ele, e disse: Também tu estavas com Jesus o Nazareno. 
  62. Mas ele o negou, dizendo: Não conheço, nem sei o que dizes: E saiu-se fora ao alpendre; e cantou o galo. 
  63. E a serva vendo-o outra vez, começou a dizer aos que ali estavam: Este é um deles. 
  64. Mas ele o negou outra vez. E pouco depois disseram os que ali estavam outra vez a Pedro: Verdadeiramente tu és um deles; pois também és galileu,
  65. E ele começou a amaldiçoar e a jurar: Não conheço a esse homem que dizeis.
  66. E logo ao amanhecer, os sumos sacerdotes tiveram conselho com os anciãos, e com os escribas, e com todo o tribunal; e amarrando a Jesus, levaram e entregaram a Pilatos. 
  67. E perguntou-lhe Pilatos: És tu o Rei dos Judeus? E respondendo ele, disse-lhe: Tu o dizes. 
  68. E os chefes dos sacerdotes o acusavam de muitas coisas,
  69. Mas Jesus nada mais respondeu;
  70. E na festa lhes soltava um preso, qualquer que eles pedissem. 
  71. E havia um chamado Barrabás,
  72. E Pilatos lhes respondeu, dizendo: Quereis que vos solte? 
  73. a multidão, para que, ao invés disso, lhes soltasse a Barrabás. 
  74. e entregou a Jesus para que fosse crucificado. 
  75. e o vestiram de suas próprias roupas, e o levaram fora, para o crucificarem. 
  76. E forçaram que levasse sua cruz. 
  77. E o levaram ao lugar de Gólgota, que traduzido é: o lugar da caveira. 
  78. E havendo o crucificado, repartiram suas roupas, lançando sortes sobre elas, quem levaria cada uma. 
  79. E crucificaram com ele dois ladrões, um à sua direita, e outro à esquerda. 
  80. encheu de vinagre uma esponja, e pondo-a em uma cana, dava-lhe de beber,
  81. E Jesus, dando uma grande voz, expirou. 
  82. E vinda já a tarde, porque era a preparação, que é o dia antes de sábado; 
  83. Veio José de Arimateia, honrado membro do conselho, que também esperava o Reino de Deus, e com ousadia foi até Pilatos, e pediu o corpo de Jesus. 
  84. E havendo sido explicado pelo centurião, deu o corpo a José. 
  85. O qual comprou um lençol fino, e tirando-o, envolveu-o no lençol fino, e o pôs em um sepulcro escavado em uma rocha, e revolveu uma pedra à porta do sepulcro. 
  86. E Maria Madalena, e Maria de José, olhavam onde o puseram.
  87. E passado o sábado, Maria Madalena, e Maria de Tiago, e Salomé, compraram especiarias, para virem e o ungirem. 
  88. E manhã muito, o primeiro dia da semana, vieram ao sepulcro, o sol já saindo. 
  89. Porque era muito grande. E observando, viram que já a pedra estava revolta 
  90. E entrando no sepulcro, viram um rapaz sentado à direita, vestido de uma roupa comprida branca; e se espantaram. 
  91. Mas ele lhes disse:
  92. dizei a seus discípulos e a Pedro,
  93. E elas, saindo apressadamente, fugiram do sepulcro; porque o temor e espanto as tinha tomado.

Quiliasmo

Doutrina que haverá um reino divino na Terra por um milênio, conforme interpretação de Apocalipse 20:1-6.
As teorias escatológicas que consideram a existência literal do reino milenar são o pré-milenarismo (crença que Cristo reinará por mil anos antes do juízo final), pós-milenarismo (crença que a segunda vinda de Cristo e o juízo final serão precedidos por um reino de mil anos). Já o amilenarismo é o nome dado às teorias que consideram que o reino de Cristo será nos céus ou algo simbólico.

Arminianismo

Sistemas teológicos da família reformada que enfocam a justiça de Deus e enfatizam a responsabilidade humana na salvação. Também referido como sinergismo (cooperação).

Dentre seus formuladores estão os teólogos holandeses Jacobus Arminius (1560 – 1609) e Hugo Grotius (1583– 1645), bem como a Igreja Remonstrante. Nos países de língua inglesa, esse sistema foi reconceptualizado por John Wesley.

Arianismo

Doutrina que declara que o Filho foi criado pelo Pai, sendo subordinado. E que o Espírito Santo do Filho, sendo seu atributo, mas não possuíndo pessoalidade. Cada manifestação da Trindade seria de um substância diferente. Este movimento surgiu em Alexandria, Egito, no século IV d.C., foi condenado como heresia nos concílios de Niceia e Constantinopla, sobreviveu como uma denominação independente entre povos germânicos até o século VII d.C. O bispo ariano Ulfilas (c.311-c.380) fez uma das mais antigas traduções compreendendo o Novo Testamento e partes do Antigo Testamento para língua gótica, servindo de importante testemunho para a crítica textual bíblica.