Conteúdo comum dos evangelhos

Se extrair dos quatro evangelhos somente as frases comuns (sem considerar total coincidência vocabular nem temas compartilhados) teremos o seguinte texto:

[as boas-novas de Jesus Cristo]

  1. João veio a batizar no deserto,
  2. e a pregar o batismo de arrependimento para remissão dos pecados. 
  3. E toda a província da Judeia e todos os hierosolimitanos saíam até ele; e eram batizados
  4. por ele no rio Jordão, confessando seus pecados. 
  5. E aconteceu que, naqueles dias, Jesus de Nazaré da Galileia veio, e foi batizado por João no Jordão. 
  6. Jesus veio para a Galileia,
  7. entrou na sinagoga e começou a ensinar. 
  8. “Levanta-te, toma o teu leito, e anda”? 
  9. E logo ele se levantou, tomou o leito, e saiu na presença de todos,
  10. E foram-se a um lugar deserto à parte. 
  11. Mas aos viram ir, e muitos o reconheceram. Então correram para lá a pé de todas as cidades, chegaram antes deles. 
  12. Quando saiu, viu uma grande multidão, e começou a lhes ensinar muitas coisas. 
  13. E quando já era tarde, os seus discípulos vieram a ele, e disseram: O lugar é deserto, e a hora já é tarde. 
  14. Despede-os, para eles irem aos campos e aldeias circunvizinhos, e comprarem comida
  15. Mas ele respondeu: Dai-lhes vós mesmos de comer.
  16. disseram: Cinco, e dois peixes. 
  17. E mandou-lhes que fizessem sentar a todos em grupos
  18. E sentaram-se repartidos de cinquenta em cinquenta. 
  19. Ele tomous os cinco pães e os dois peixes, levantou os olhos ao céu, abençoou, e partiu os pães, e os deu aos discípulos, para que os pusessem diante deles. E os dois peixes repartiu com todos. 
  20. Todos comeram e se saciaram. 
  21. E dos pedaços de pão e dos peixes levantaram doze cestos cheios.
  22. Saiu Jesus com seus discípulos para as aldeias de Cesaréia de Filipe; e no caminho perguntou-lhes: Quem dizem os homens que sou eu?
  23. Eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Um dos profetas.
  24. Ele lhes perguntou: Mas vós, quem dizeis que sou eu? Respondeu-lhe Pedro: Tu és o Cristo.
  25. Ordenou-lhes Jesus que a ninguém falassem a respeito dele.
  26. E quando chegaram perto de Jerusalém,
  27. E trouxeram o jumentinho a Jesus, e lançaram sobre ele suas roupas, e sentou-se sobre ele. 
  28. E muitos estendiam suas roupas pelo caminho, e outros cortavam ramos das árvores, e os espalhavam pelo caminho. 
  29. E os que iam adiante, e os que seguiam, clamavam: Hosana, bendito o que vem no Nome do Senhor! 
  30. Bendito o Reino
  31. E vieram a Jerusalém; e entrando Jesus no Templo, começou a expulsar aos que vendiam dizendo-lhes: Não está escrito: Minha casa será chamada casa de oração? Mas vós a tendes feito esconderijo de assaltantes! 
  32. E estando ele em Betânia, em casa de Simão o Leproso, sentado, veio uma mulher, que tinha um vaso de alabastro, de óleo perfumado de nardo puro, de muito preço, e quebrando o vaso de alabastro, derramou-o sobre a cabeça dele. 
  33. E houve alguns que se irritaram em si mesmos, e disseram: Para que foi feito este desperdício do óleo perfumado? 
  34. Porque isto podia ter sido vendido por mais de trezentos dinheiros, e seria dado aos pobres. E reclamavam contra ela. 
  35. Porém Jesus disse: Deixai-a; por que a incomodais? Ela tem me feito boa obra. 
  36. Porque pobres sempre tendes convosco; e quando quiserdes, podeis lhes fazer bem; porém a mim, nem sempre me tendes. 
  37. Esta fez o que podia; se adiantou para ungir meu corpo, para sepultura. 
  38. Em verdade vos digo, que onde quer que em todo o mundo este Evangelho for pregado, também o que esta fez será dito em sua memória. 
  39. E Pedro lhe disse: Ainda que todos se ofendam, não porém eu. 
  40. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo, que hoje, nesta noite, antes que o galo cante duas vezes, me negarás três vezes. 
  41. Mas ele muito mais dizia: Ainda que me seja necessário morrer contigo, em maneira nenhuma te negarei. E todos diziam também da mesma maneira. 
  42. E vieram ao lugar, cujo nome era Getsêmani, e seus discípulos
  43. E logo veio Judas e com ele uma grande multidão, com espadas e bastões, da parte dos chefes dos sacerdotes, e dos escribas, e dos anciãos. 
  44. E um dos que estavam presentes ali puxando a espada, feriu ao servo do sumo sacerdote, e cortou-lhe a orelha. 
  45. E respondendo Jesus, disse-lhes: Como a assaltante, com espadas e bastões, saístes para me prender? 
  46. Todo dia convosco estava no Templo ensinando, e não me prendestes;
  47. E levaram Jesus ao sumo sacerdote; e juntaram-se a ele todos os chefes dos sacerdotes, e os anciãos, e os escribas. 
  48. E Pedro o seguiu de longe até dentro da sala do sumo sacerdote, e estava sentado juntamente com os trabalhadores, e esquentando-se ao fogo. 
  49. E os chefes dos sacerdotes, e todo o tribunal buscavam testemunho contra Jesus, para o matarem, e não achavam. 
  50. Porque muitos testemunhavam falsamente contra ele; mas os testemunhos não concordavam entre si. 
  51. E levantando-se uns testemunhava falsamente contra ele, dizendo: 
  52. Nós o ouvimos dizer: Eu derrubarei este templo feito de mãos, e em três dias edificarei outro, feito sem mãos. 
  53. E nem assim era o testemunho deles concordante. 
  54. E levantando-se o sumo sacerdote no meio, perguntou a Jesus, dizendo: Não respondes nada? Que testemunham estes contra ti? 
  55. Mas ele calava, e nada respondeu. O sumo sacerdote voltou a lhe perguntar, e disse-lhe: Tu és o Cristo, o Filho do bendito? 
  56. E Jesus disse: Eu sou; e vereis ao Filho do homem sentado à direita do poder, e vir nas nuvens do céu. 
  57. E o sumo sacerdote, rasgando suas roupas, disse: Para que mais necessitamos de testemunhas? 
  58. Tendes ouvido a blasfêmia; que vos parece? E todos o condenaram por culpado de morte. 
  59. E alguns começaram a cuspir nele, e a cobrir-lhe o rosto; e a dar-lhe de socos, e dizer-lhe: Profetiza. E os trabalhadores lhe davam bofetadas. 
  60. E estando Pedro embaixo na sala, veio uma das servas do sumo sacerdote; 
  61. E vendo a Pedro, que se sentava esquentando, olhou para ele, e disse: Também tu estavas com Jesus o Nazareno. 
  62. Mas ele o negou, dizendo: Não conheço, nem sei o que dizes: E saiu-se fora ao alpendre; e cantou o galo. 
  63. E a serva vendo-o outra vez, começou a dizer aos que ali estavam: Este é um deles. 
  64. Mas ele o negou outra vez. E pouco depois disseram os que ali estavam outra vez a Pedro: Verdadeiramente tu és um deles; pois também és galileu,
  65. E ele começou a amaldiçoar e a jurar: Não conheço a esse homem que dizeis.
  66. E logo ao amanhecer, os sumos sacerdotes tiveram conselho com os anciãos, e com os escribas, e com todo o tribunal; e amarrando a Jesus, levaram e entregaram a Pilatos. 
  67. E perguntou-lhe Pilatos: És tu o Rei dos Judeus? E respondendo ele, disse-lhe: Tu o dizes. 
  68. E os chefes dos sacerdotes o acusavam de muitas coisas,
  69. Mas Jesus nada mais respondeu;
  70. E na festa lhes soltava um preso, qualquer que eles pedissem. 
  71. E havia um chamado Barrabás,
  72. E Pilatos lhes respondeu, dizendo: Quereis que vos solte? 
  73. a multidão, para que, ao invés disso, lhes soltasse a Barrabás. 
  74. e entregou a Jesus para que fosse crucificado. 
  75. e o vestiram de suas próprias roupas, e o levaram fora, para o crucificarem. 
  76. E forçaram que levasse sua cruz. 
  77. E o levaram ao lugar de Gólgota, que traduzido é: o lugar da caveira. 
  78. E havendo o crucificado, repartiram suas roupas, lançando sortes sobre elas, quem levaria cada uma. 
  79. E crucificaram com ele dois ladrões, um à sua direita, e outro à esquerda. 
  80. encheu de vinagre uma esponja, e pondo-a em uma cana, dava-lhe de beber,
  81. E Jesus, dando uma grande voz, expirou. 
  82. E vinda já a tarde, porque era a preparação, que é o dia antes de sábado; 
  83. Veio José de Arimateia, honrado membro do conselho, que também esperava o Reino de Deus, e com ousadia foi até Pilatos, e pediu o corpo de Jesus. 
  84. E havendo sido explicado pelo centurião, deu o corpo a José. 
  85. O qual comprou um lençol fino, e tirando-o, envolveu-o no lençol fino, e o pôs em um sepulcro escavado em uma rocha, e revolveu uma pedra à porta do sepulcro. 
  86. E Maria Madalena, e Maria de José, olhavam onde o puseram.
  87. E passado o sábado, Maria Madalena, e Maria de Tiago, e Salomé, compraram especiarias, para virem e o ungirem. 
  88. E manhã muito, o primeiro dia da semana, vieram ao sepulcro, o sol já saindo. 
  89. Porque era muito grande. E observando, viram que já a pedra estava revolta 
  90. E entrando no sepulcro, viram um rapaz sentado à direita, vestido de uma roupa comprida branca; e se espantaram. 
  91. Mas ele lhes disse:
  92. dizei a seus discípulos e a Pedro,
  93. E elas, saindo apressadamente, fugiram do sepulcro; porque o temor e espanto as tinha tomado.

Quiliasmo

Doutrina que haverá um reino divino na Terra por um milênio, conforme interpretação de Apocalipse 20:1-6.
As teorias escatológicas que consideram a existência literal do reino milenar são o pré-milenarismo (crença que Cristo reinará por mil anos antes do juízo final), pós-milenarismo (crença que a segunda vinda de Cristo e o juízo final serão precedidos por um reino de mil anos). Já o amilenarismo é o nome dado às teorias que consideram que o reino de Cristo será nos céus ou algo simbólico.

Arminianismo

Sistemas teológicos da família reformada que enfocam a justiça de Deus e enfatizam a responsabilidade humana na salvação. Também referido como sinergismo (cooperação).

Dentre seus formuladores estão os teólogos holandeses Jacobus Arminius (1560 – 1609) e Hugo Grotius (1583– 1645), bem como a Igreja Remonstrante. Nos países de língua inglesa, esse sistema foi reconceptualizado por John Wesley.

Arianismo

Doutrina que declara que o Filho foi criado pelo Pai, sendo subordinado. E que o Espírito Santo do Filho, sendo seu atributo, mas não possuíndo pessoalidade. Cada manifestação da Trindade seria de um substância diferente. Este movimento surgiu em Alexandria, Egito, no século IV d.C., foi condenado como heresia nos concílios de Niceia e Constantinopla, sobreviveu como uma denominação independente entre povos germânicos até o século VII d.C. O bispo ariano Ulfilas (c.311-c.380) fez uma das mais antigas traduções compreendendo o Novo Testamento e partes do Antigo Testamento para língua gótica, servindo de importante testemunho para a crítica textual bíblica.

Cosmos

Cosmos ou cosmo vem do grego κόσμος, “ordem, arrajo em harmonia”. Desde Pitágoras o termo ganhou o sentido de ordem do universo em oposição ao caos. No Novo Testamento, o termo conota as coisas da Terra em oposição às coisas celestiais. A descrição do universo, seu funcionamento e destino é a cosmologia, da qual faz parte a cosmogonia, relato sobre sua origem.

Em astronomia o termo cosmovisão se refere à perspectiva sobre a estrutura do universo. Esse termo foi incorporado à filosofia e à antropologia para se referir a alguns elementos da visão de mundo compartilhada por certo grupo sociocultural ou até mesmo indivíduo. Entre alguns círculos apologéticos e polemistas o termo é empregado incorretamente como um conjunto discreto de pressupostos sobre a realidade (o que seria a ontologia) ou sobre meios de obtenção o conhecimento (cujo termo técnico seria epistemologia).

Êxodo

Êxodo, em grego “partida” ou “saída”, e refere-se à saída dos israelitas do Egito. O título hebraico é Ve-eleh shemoth, as primeiras palavras do libro “e estes são os nomes”.

Continua onde termina o livro de Gênesis: com os israelitas no Egito. Entretanto, o povo de Israel é reduzido à escravidão (1). Deus emprega Moisés para libertar Israel (2-4). Contudo, o Faraó resiste e Deus responde enviando pragas ao Egito que cuminam com a morte do primogênito (5-13). Israel se prepara para a libertação celebrando a Páscoa. Depois da passagem miraculosa pelo mar e um cântico de vitória, o povo de Israel viaja pelo Deserto do Sinai, murmurando ao longo do caminho (14-18). No monte Sinai, Israel recebe os Dez Mandamentos e forma uma relação de aliança com Deus (19-24). Enquanto Moisés está recebendo instruções adicionais, Israel se rebelou construindo o bezerro de ouro (32). O povo Israel então constrói o tabernáculo conforme as instruções recebidas (25-40).

SAIBA MAIS
Sarna, Nahum. Exploring Exodus: The Origins of Biblical Israel. New York: Schocken Books, 1986.

Gênesis

É o livro que relata as origens do cosmo, de várias instituições e do povo hebreu. Chamado em hebraico Bereshith, ou seja, “no início”, a primeira palavra do livro e de Gênesis, “criação” ou “geração”, em grego. Tradicionalmente, Gênesis é o primeiro livro que integra o Pentateuco ou Torá.

Divide-se em duas partes principais. A primeira parte (1-11) é a História Primeva, com os relatos sobre a cosmogonia, o pecado original, as primeiras tecnologias, as gerações, o dilúvio e a dispersão após a Torre de Babel. A segunda parte (12-50) compreende os ciclos dos patriarcas Abraão (10-25:18), Isaque (25: 19-35: 29), Jacó e seus filhos, especialmente José no Egito (36-50).

Sua autoria é anônima. Desde o período helenístico sua autoria foi atribuída diversamente a Moisés, José, Samuel, Esdras e grupos de escribas.