Atos dos Apóstolos

Livro do Novo Testamento no qual é relatado como Espírito Santo guia a primitiva Igreja Cristã de Jerusalém a Roma.

Este livro possui mesma origem autoral de Lucas (cf. Atos 1:1) e continua desse Evangelho e em grego é Πράξεις Ἀποστόλων, Práxeis Apostólōn.

Relata que após a ascenção de Cristo aos céus (1) aconteceu o Pentecostes, a vinda do Espírito Santo, quando os crentes falaram em línguas (2). A igreja cresceu a partir de Jerusalém (2:22–12:24). Boa parte do livro é sobre o trabalho missionário de Paulo/Saulo (8-28) que passou de perseguidor (7:58–8) a um cristão fervoroso depois de sua conversão (9, 22, 26). Paulo, acompanhado de Barnabé, faz a primeira viagem missionária pela Ásia Menor (13:4–14:26). A Igreja enfrenta questões internas sobre a observância de normas da Lei mosaica e um concílio em Jerusalém delibera para que os cristãos não judeus cumpram alguns preceitos (15). Paulo, agora acompanhado de Silas, faz uma segunda viagem missionária, dessa vez alcançando a Grécia europeia (15:36–18:22. Na terceira viagem missionária, Paulo passa pelas igrejas da Ásia e Grécia (18:23-21:17). Em uma viagem a Jerusalém é preso (21:27-36) até ser enviado a Roma para ser julgado (22-28).

Evangelho de João

apresenta como Jesus Cristo, o Logos (Verbo, Palavra) divino, se revela à humanidade para proporcioná-la uma relação íntima com Deus. Distinto dos outros três evangelhos, há discursos mais longos de Jesus.

COMPOSIÇÃO

O Quarto Evangelho é tradicionalmente atribuído a João, filho de Zebedeu, um dos Doze (ver Mc 1,19; 3,17; etc.), identificado como o “discípulo amado”. O evangelho pode ter sido escrito por discípulos de João ou alguém a quem ele ditou (ver Jo 21.24n.). A data de sua composição é estimada ser de cerca de 90 d.C.

Apesar de hoje não ser identificado como o mesmo autor de outra literatura joanina — as três epístolas e o Apocalipse — geralmente é agrupado juntos, devido um alinhamento temático. A tradição localiza sua composição na Ásia Menor, em Éfeso.

Seu contexto parece estar situado em um ambiente desafiador: perseguição romana, tensões com judeus, negação docética da humanidade de Jesus e apelo aos discípulos de João Batista.

TEMAS

O evangelho de João apresenta vários conteúdos distintos dos evangelhos sinóticos. Seus sinais e discursos também são únicos.

Os sete “Eu sou” enunciados, uma diferente ordem cronológica, antíteses (“luz” x “trevas”) e comparações fazem dessa narrativa singular.

É possivel que o evangelho de João tenha sido estruturado ou aproveitado elementos estilístico de gêneros dramáticos gregos.

ESBOÇO
Prólogo e o encontro com João Batista e os primeiros discípulos (1).

Cristo transforma a água em vinho, purifica o templo, instrui sobre o novo nascimento e é testificado por João Batista (2-3).

Encontram-se com uma mulher samaritana (4:1-42),

Jesus realiza vários milagres (4:43-6).

Em Jerusalém, Jesus participa da Festa dos Tabernáculos (7)

Defende uma mulher apanhada em adultério (8:1-11).

Vários ensinos e sinais miraculosos na última semana de Jesus (9-17).

Jesus é preso, julgado, crucificado (18-19).

Sua tumba é encontrada vazia e ele aparece em Jerusalém (20) e na Galileia (21).

Evangelho de Lucas

O terceiro evangelho na ordem canônica do Novo Testamento, chamado de Evangelho segundo Lucas, narra as obras e pregações de Jesus Cristo, principalmente com suas parábolas, demonstrando uma missão cuja compaixão transcende fronteiras dos povos e dos status pessoais.

COMPOSIÇÃO

Tradicionalmente este evangelho leva o nome e é creditado sua autoria a Lucas, um médico (Cl 4:14) gentio e companheiro de viagem de Paulo. É do mesmo autor este evangelho e o livro de Atos. A data mais antiga possível de autoria seria mediatamente após os eventos registrados em Atos 28, c. 62 d.C.

Tanto Lucas quanto Atos são dirigidos a “Teófilo” (Lucas 1:3; Atos 1:1), sobre quem nada mais se sabe. O público mais amplo aparentemente seriam cristãos gentios ou judeus cristãos helênicos, de qualquer forma, uma audiência já familiar sobre Jesus. (Lucas 1:4).

RELAÇÃO COM OUTROS LIVROS

Lucas se parece muito com Marcos e Mateus, perfazendo os chamados três evangelhos sinóticos. Um pouco mais da metade das histórias de Marcos também aparecem em Lucas. Lucas e Mateus compartilham entre si cerca de 230 versos, a maioria de falas de Jesus ausentes em Marcos. Das relações entre esses evangelhos, muitos estudiosos concluem que Marcos e outra fonte também utilizada por Mateus (a Fonte Q) foram empregadas em Lucas.

Lucas-Atos aparece como um contínuo narrativo. Em comum, há um foco na vida coletiva, já a Igreja em Atos, e a ação do Espírito Santo. A relevância dada às mulheres é outro tema comum. Os discursos longos ocorrem nos dois livros.

É o evangelho sinótico com maior quantidade de material exclusivo (Sondergut). O Sondergut de Lucas ocorre primariamente na natividade (capítulos 1 e 2), nas narrativas de viagem (capítulos 9-19) e nas aparições pós-ressurreição (capítulo 24). No material exclusivo de Lucas encontram-se a parábola do Bom Samaritano (Lc 10:25–37) e a parábola do Filho Pródigo (Lc 15:11–32).

ESBOÇO

  1. Prólogo: evangelho escrito depois de uma investigação (1:1-4).
  2. Narrativas da natividade e infância (1:5-2:52).
  3. Ministério João Batista, batismo e a tentação de Jesus (3:1-4:13).
  4. Ministério de Jesus na Galileia (4:14-9:50).
  5. Ensinos e eventos no ministerío Jesus rumo a Jerusalém (9:51-21).
  6. Última ceia e morte de Jesus (22-23).
  7. Aparições pós-ressurreição (24).

Evangelho de Marcos

O evangelho menor e mais antigo da vida, morte e ressurreição de Jesus, que o retrata como o messias não esperado ou compreendido, que foi enviado para morrer pelos pecados do mundo e ressuscitar dos mortos.

Embora seja um livro anônimo, é tradicionalmente atribuído a Marcos, um secretário pessoal do apóstolo Pedro, segundo a tradição patrística.

ESBOÇO ESTRUTURADO

  1. Ministério de João Batista, com o batismo e tentação de Jesus (1:1-13).
  2. Jesus inicia seu ministério na Galileia, com curas, milagres e ensino por parábolas, enfrentando oposições (1:14-6:6).
  3. Jornada para Jerusalém (6-13), realizando milagres e ensinando.
  4. Jesus é preso e crucificado (14-15).
  5. O túmulo vazio e aparição completam sua vitória (16).

Evangelho de Mateus

Evangelho no qual os ensinos e obra de Cristo cumprem a esperança messiânica. Convida uma audiência familiarizada com o Antigo Testamento que se torne discípulos de Jesus, tornando-se partícipe do reino dos céus e formando discípulos entre todas as nações.

O primeiro dos evangelhos no cânone do Novo Testamento, ou seja, o relato da vida, ensinos e obra de vitória sobre a morte de Jesus Cristo. Foi um dos mais copiados textos do Novo Testamento entre os cristãos dos primeiros séculos.

Um dos três evangelhos sinóticos (com passagens paralelas, os outros são Lucas e Marcos), este evangelho anônimo recebeu o título de Evangelho de Mateus no século II.

ESBOÇO

  1. Genealogia (1:1-17)
  2. Nascimento em meio à perseguição (1:18-2:23).
  3. Batismo e tentação (3:1-4:12)
  4. Jesus inicia seu ministério na Galileia (4:12-25).
  5. Sermão da Montanha (5-7).
    1. As beatitudes (5:1-12)
    2. Oração do Pai Nosso (6:1-8).
  6. Vários atos maravilhosos (8:1-9:34).
  7. Jesus é rejeitado (11-16:12),
  8. Ensino por parábolas (13:1-52).
  9. Os discípulos confessam Jesus como Filho de Deus (16:13-20).
  10. Prediz sua morte, Jesus vai a Jerusalém e ensina no Templo (16:21-25:46).
  11. Jesus é preso, julgado e crucificado (26-27).
  12. Ressuscita, instruindo a Grande Comissão (28).

Habacuque

O livro de Habacuque pertence aos Doze, a coleção dos Profetas Menores. O livro de Habacuque é um debate com Deus acerca da violência e da injustiça, mas finaliza com um hino de esperança.

Seu nome em hebraico é חֲבַקּוּק, mas não se sabe exato o significado. A raiz da palavra é relacionada com o verbo “abraçar”. Pouco se sabe de sua vida, seria provavelmente um profeta público.

Fontes extra-bíblicas adicionaram lendas sobre o profeta. A porção apócrifa adicional ao Livro de Daniel, chamado de Bel e o Dragão, menciona Habacuque trazendo comida a Daniel quando esse estava na cova dos leões. O Talmude identifica-o com o filho da viúva ressuscitado por Eliseu (2 Re 4). Tuiserskan, cidade na antiga região de Ecbatana (noroeste do Irã), possui um mausoléu onde a tradição reivindica que esteja sepultado o profeta.

Escrito por volta do ano 620-610 a.C., quando o Império Caldeu (neobabilônico) levantou-se. Os babilônios derrotaram a aliança assiro-egípcia, tornando-se a potência da região. Foi escrito em Judá e nesse tempo o Reino do Norte, Israel já havia sido conquistado e dispersado pelos assírios. Habacuque seria um profeta pré-exílico, contemporâneo de Jeremias e talvez de Naum e Sofonias.

ESTRUTURA E TEMAS

São dois diálogos e um salmo. Existe a possibilidade de que o Primeiro Diálogo tenha sido escrito logo após o reinado de Josias, quando o reino de Judá se corrompeu sob influência de Joaquim (2 Re 23:36-24:7). Direcionado ao Reino de Judá, anuncia a vinda dos caldeus para punir sua iniquidade. O Segundo Diálogo teria sido às vésperas da invasão Babilônica, cuja violência foi demonstrada na Batalha de Carquemis e na conquista de Nínive. No segundo diálogo dá esperança de restauração futura e punição da violência babilônica.

O manuscrito mais antigo foi encontrado na caverna de ‘ain Feshka, no Mar Morto, contendo os capítulos 1 e 2. Outro manuscrito de Habacuque encontrado lá contém uma peshat, comentário ao estilo mishnaico, datado do século I a.C.

TEMAS

Deus pode parecer não estar atuando, mas está. O Senhor tem um propósito maior. Deus pune a injustiça. Deus escuta e responde as orações, embora as respostas não possam ser aquilo que se esperava. Deus é justo, santo e poderoso. A vida do justo deve ser fundamentada na fidelidade.

Habacuque, ao contrário dos outros profetas que voltavam suas profecias contra as nações, apresenta um diálogo entre o profeta e Deus. Trata-se de uma teodiceia, um enfrentamento da questão dos motivos para o mal, como o Livro de Jó.

Livro de Jeremias

Nos turbulentos anos que antecederam a queda do Reino de Judá, o profeta Jeremias apela para que depositem a confiança em Deus meio às desaventuras, não em alianças políticas ou nas forças militares. Também denuncia as falsas profecias que apregoavam uma prosperidade que Deus não prometeu.

Embora não haja uma organização estritamente cronológica ou temática no arranjo do livro de Jeremias, os seguintes blocos são discerníveis: vocação de Jeremias e profecias contra Judá e Jerusalém (1-24), juízo contra Jerusalém e as nações (25:1-14), o copo da ira (25:1-15–38), Jeremias lida com outros profetas (26-29), o livro da Consolação e oráculos da esperança (30-33), queda de Jerusalém e fuga ao Egito (34-35), juízo contra as nações (46-51), destruição de Jerusalém (52).

Livro de Isaías

Livro profético sobre os perigos, queda e restauração da nação israelita, conclama confiar em Deus. O Senhor resgatará e renovará um povo fiel e obediente para si mesmo, das cinzas do fracasso e exílio de Israel, por meio da vinda de seu Rei Servo (o Messias).

Em uma série de profecias e algumas narrativas, Isaías denuncia corrupção moral e idólatra. Diante da ameça assíria promete esperança em um futuro transformado por Deus (1–39, também chamado de Primeiro Isaías). Anuncia o fim do exílio e a libertação do povo israelita mediante a intervenção do rei da Pérsia (40-55, outra nomenclatura para essa seção é Deutero-Isaías). Critica a vida sem arrependimento, o faccionalismo pelo controle do Templo (55-56, conhecido em círculos acadêmicos como Trito-Isaías).

Lamentações

Séries de poemas de lamentos acerca da queda de Jerusalém. Apesar de seu desesperador, renova esperanças de uma restauração vindicada por Deus.

Na homilética, uma frase resume o livro: “em sua justa ira, ó Senhor, lembre-se da misericórdia!”

Tradicionalmente atribuído a Jeremias, seu teor e linguagem é semelhante aos escritos da escola jeremíada, como o apócrifo livro de Baruque. No cânone hebraico, no entanto, é listado entre a hagiógrafa ou ketuvim (Escritos).