Atarote

Atarote é nome para três localidades bíblicas.

  1. Quirbete Atarote localiza-se a noroeste de Dibom (Nm 32:3, 34) em território da tribo de Gade. Foi conquistada por Mesa, rei de Moabe, o qual levou vasos de um templo de Yahweh que aparentemente existia no local, segundo a Estela de Mesa.
  2. A atual Tel el-Mazar, uma cidade na fronteira leste de Efraim (Js 16:7).
  3. Atarote-adar (Js 16:5; 18:13), uma povoação fronteiriça entre Efraim e Benjamim, atual Kefer ‘Aqab.

Samos

Em grego Σάμος, é uma pequena ilha do Mar Egeu, próximo à Ásia Menor. Foi um santuário e local de jogos dedicados a deusa Hera. É um sítio com várias inscrições, ruinas e esculturas. Um objeto de montaria estimado ser do século IX a.C. em aramaico é a mais antiga atestação da escrita alfabética em área cultural grega. Em sua terceira viagem missionária Paulo passou por lá (At 20:15).

Siquém

Siquém, em hebraico שְׁכֶם, shekhem, “ombro”, é uma cidade mencionada várias vezes e cenário de muitos eventos na Bíblia. Localiza-se no moderno sítio arqueológico de Tel Balata, próximo a Nablus na Palestina.

Estava localizada na região central de Canaã (e depois no termo de Efraim), na passagem entre o Monte Ebal e Monte Gerizim. Controlava uma importante rota comercial e tinha um vale fértil a leste.

A ocupação pré-histórica como cidade é datada do calcolítico (4o milênio). Da idade do Bronze restam vestígios de um templo-fortaleza dedicado a Baal-Berit (o Senhor da Aliança) (Jz 8:33; 9:4,46). Artefatos com inscrições proto-cananeias e algumas tabuletas em escrita acadiana atestam a conexão da cidade com outras nações do Antigo Oriente Médio. Seu nome aparece na estela da Sebek-khu (c.1880-1840 a.C.) e nas Cartas de Amarna (XIII a.C.). A Carta de Siquém (século XIV a.C.) com a cobrança dos honorários de um professor é a mais antiga atestação de escolas e atividades escribais no território de Canaã.

Siquém foi a primeira cidade visitada por Abraão em sua migração de Harã (Gn 12:6). Sob a grande árvore (terebinto) de Moré em Siquém Deus apareceu a Abraão. Nesse terebinto Abraão edificou um altar e ofereceu sacrifícios.

A passagem de Abraão por Siquém constitui uma dificuldade bíblica. No discurso de Estevão em Atos 7:2-53, Abraão, ao invés de Jacó, comprou o terreno em Siquém dos filhos de Hamor (cf. At 7:16 com Gn 33:18-19; 23:3-20).

Siquém figura com mais destaque nas tradições associadas a Jacó. Em seu retorno de Padam-Aram comprou um lote de terra em Canaã próximo a Siquém, onde ergueu um altar a El Elohe Israel.

Enquanto a família de Jacó vivia estacionada perto da cidade, ocorreu o estupro de Diná (Gn 34) pelo príncipe de mesmo nome da cidade, Siquém filho de Hamor. Quando Siquém propôs casamento com Diná, os filhos de Jacó Simeão e Levi enganaram os homens da cidade. Os irmãos persuadiram-nos a serem circuncidados (brit-milah) como requisito para o casamento. Simeão e Levi massacraram os homens enquanto convalesciam da circuncisão. Temendo retaliação, Jacó fugiu para Betel, enterrando os deuses levados por seu clã sob o terebinto.

Na saída do Egito, os israelitas trouxeram o corpo mumificado de José e o enterraram em uma tumba perto da cidade (Js 24:32). 

Em Siquém, Josué renovou a aliança (berit) do Sinai com os líderes tribais de Israel, talvez venha aí a designação do santuário do Deus da Aliança (El-Berit) ou Senhor da Aliança (Baal-Berit) (Js 24). No loteamento da terra, foi reservada como uma cidade de refúgio levítica coatita (Js 21:20-21). O santuário de Siquém pode ter sido o primeiro local centralizado de culto dos israelitas (Noth, 1996).

Bo período dos juízes, Abimeleque, filho de Gideão, vivia com uma concubina em Siquém. Com apoio dos siquemitas, conseguiu ser aclamado rei (Jz 9:1-6) e matou seus potenciais concorrentes: seus irmãos, exceto a Jotão que escapou. A ascenção de Abimeleque, custeada pelo templo Baal-Berit durou somente três anos, pois o povo de Siquém decidiu substituí-lo por Gaal, filho de Edede. Abimeleque atacou a cidade e seu templo-fortaleza de Baal Berit, onde boa parte da população se refugiou. Abimeleque pôs fogo no templo.

Contrário ao senso comum, a cidade principal dos samaritanos nunca foi Samaria, mas Siquém, dada sua proximidade com o Monte Gerezim. No século II a.C. o historiador e poeta samaritano Teodoto escreveu um épico sobre Siquém, dos quais quarenta e sete hexâmetros são preservados por Eusébio.

Roboão teria sido coroado rei em Siquém (1Re 12:1), mas logo a cidade serviu como capital de Jeroboão (1Re 12:25), antes da transferência da capital do Reino do Norte para Samaria.

Os salmos 60:6-8 e 108:7-9 mencionam Siquém e outras localidades potentes na vizinhança.

Em seus relatos da perseguição aos israelitas por Antíoco Seleuco (c.170-164 a.C), Josefo cita uma suposta carta ao rei pedindo não serem perseguidos  (Ant Jud 12:257–264). Nessa carta alegam que seriam “sidônios em Siquém”, não israelitas, embora observassem o sábado. Requisitavam que o templo no Monte Gerizim fosse dedicado a Zeus Hellenios. Josefo identifica esses sidônios com os samaritanos. A carta, suas premissas e suas implicações são disputadas pela historiografia. Os “sidônios em Siquém” poderiam ser invenção de Josefo, subtefúgio de uma comunidade perseguida ou mesmo uma colônia distinta de fenícios, como havia em Marisa e Jamnia do Mar da Galileia.

Já na época de Jesus Siquém não existia mais, pois fora destruída por João Hicarno no início do século II a.C. No entanto, Sicar (Jo 4:5-15), onde havia um poço cavado por Jacó, aparenta ser uma aldeia próxima às ruínas da antiga Siquém.

Na primeira Guerra Judaico-Romana a aldeia próxima Siquém foi destruída pelos romanos (67 d.C.), sendo refundada com o nome de Flavia Neapolis (72 d.C.). Do nome Neápolis deriva a atual designação Nablus.

BIBLIOGRAFIA

Gottwald, Norman K. The Tribes of Yahweh: A Sociology of the Religion of Liberated Israel 1250-1050 BCE. London: SCM Press, 1979.

Hansen, David G. “Shechem: Its Archaeological and Contextual Significance.” Bible and Spade 18 (2005): 33–43.

Lewis, Theodore J. “The Identity and Function of El/Baal Berith.” Journal of Biblical Literature 115 (1996): 401–23

Noth, Martin. The History of Israel. London: Xpress Reprints, 1996.

Wright, G. Ernest. Shechem: The Biography of a Biblical City. New York: McGraw-Hill, 1964.

Sefelá

Sefelá em hebraico שְׁפֵלָה derivado da raiz sh-f-l (baixo) é uma pequena faixa de terra de relevo variável entre a planície costeira e as montanhas centrais de Judá.

Aparece em vários trechos bíblicos (Dt. 1:7; Js 9:1; 12:8; Jr 17:26; 32:44; 33:13; Zc 7:7). Segundo a narrativa bíblica Josué venceu os reis cananeus após a batalha de Aijalom, derrotando-os de Jarmuth a Eglom (Js 10:40). Mais tarde, a tribo de Judá lutou contra os cananeus na Sefelá (Jz 1:9). Em 2 Crônicas 28:18 são enumeradas as cidades da Sefelá ocupadas pelos filisteus no tempo de Acaz: Bete-Semes, Aijalom, Gederote, Socó, Timna e Gimzo. A luta entre os habitantes da Sefelá e os filisteus pela posse da região é refletida em Obadias 1:19. A região foi dada à tribo de Judá (Js 15:33). No período da monarquia de Judá a região abrigava as cidades de Socó, Laquis e Maressa.

Abarim

Em hebraico הָעֲבָרִים significa “além”, “lugar oposto”, “para lá”. É a cadeia de montanhas vistas a partir da margem oeste do Jordão (cf. Gn 50:10-11; Nm 22:1).

Nas Escrituras Hebraicas aparecem o “os montes de Abarim” (Nm 33: 47-48); “Esta montanha de Abarim” (Nm 27:12) ou “esta montanha de Abarim” (Dt 32:49) e“Pilha dos Abarim” (Nm 21:11; 33:44).

Entre seus picos está o Monte Nebo, de onde Moisés viu a terra prometida antes de sua morte (Nm 27:12; Dt 32:49).

Já o nome Abarim, sem o artigo, ocorre em Jr 22:20, para referir a uma região, talvez remota como Líbano e Basã.

Sarepta

Em hebraico צרפת, cidade fenícia entre Tiro e Sidom, no atual Líbano. Obadias 1:2 menciona a cidade como limite de Canaã.

No ciclo de Elias Sarepta aparece sujeita a Sidom (1 Re 17:8-24). O profeta encontrou refúgio na casa de uma viúva em Sarepta, a qual multiplicou a farinha e o azeite além de trazer seu único filho a vida. Este perícope é mencionado por Jesus (Lc 4:26) como um exemplo da amplitude de Deus para os não israelitas (gentios).

O local constitue um importante sítio arqueológico, dado a seu relativo status imperturbado. Situa-se próximo à moderna cidade de Sarafand.

BIBLIOGRAFIA

Pritchard, James B. Recovering Sarepta, a Phoenician City: Excavations at Sarafund, 1969-1974, University Museum of the University of Pennsylvania. Princeton: Princeton University Press, 1978.

Águas de Merom

Águas de Merom ou Lago Hula era um lago de água fresca no norte do Rio Jordão. A única menção na Bíblia ocorre em Josué 11, na batalha entre os israelitas e os cananeus liderados por Jabim, rei de Hazor.

No período romano era chamado em grego de Semechontis ou em hebraico e aramaico de Samko. Outra designação, Hulatha, passou para o árabe Baheiret el-Huleh.

Nos anos 1950, o Lago Hula foi drenado.