Susanna Colantonio

Susanna Maria Antonietta Colantonio Lewen (1891-1980), também chamada Susie Colantonio, foi evangelista e pregadora ítalo-americana. Foi uma das primeiras pessoas após o avivamento de Chicago partir para a Itália e formar um núcleo de crentes batizados pelo Espírito Santo.

Nascida em Chicago do casal de abruzzenses Michele Colantonio (1857 – 1949) e Fiorangela “Florence” Balzano (1872-1917). Sua família converteu-se a Cristo e participava da Primeira Igreja Presbiteriana Italiana de Chicago, da qual sua tia Rosina Balzano Francescon, irmã de Fiorangela, ocupava funções de liderança.

A família retornou para a Itália, quando Susanna tinha 15 ano. Duas vilas, Castel San Vincezo e Castellone al Volturno, província de Isérnia, Abruzzos, foram evangelizadas pela família. Na região foi formada uma igreja ligada aos valdenses.

Após seu retorno a Chicago, Susanna estranhou as mudanças em sua igreja e começou a frequentar a escola dominical na missão North Avenue de William Durham e a Congregação Italiana então sem nome reunida na West Grand Avenue. Depois de experimentar a efusão no Espírito Santo com diversos sinais, seus pais presbiterianos proibíram-na de congregar.

Em casa, continuou a buscar os dons do Espírito Santo, quando teve seu batismo com sinal de falar em novas línguas. A partir disso, seus pais decidiram voltar para a Itália, o que aconteceu por volta do início de 1908.

No sítio da família em Castellone al Volturno ela começou a pregar Atos 2 sobre o derramamento do Espírito Santo nos últimos dias. Depois de alguma resistência paterna, toda a família aceitou seu testemunho e começaram a realizar cultos. Alguns dias depois Susanna batizou várias pessoas em um riacho do sítio.

Susie permanceu por quatro anos, pastoreando ovelhas na fazenda da família. Mantinha sua fé pela leitura da Bíblia e cânticos. Testemunhou vários milagres de atendimento de necessidade de alimentos e curas.

Tendo já esquecido a língua inglesa e rejeitado seu repatrio aos EUA por razões médicas, compareceu ao consulado americano. Nessa ocasião, teve sua habilidade de falar inglês fluentemente renovada.

Retornou sozinha os Estados Unidos e conheceu um ex-monge franciscano. Após conduzi-lo a Cristo, casaram-se em 1914 no Michigan. Seu marido John Dean Lewen (Lewan ou Lewandowski) (1895-1951) trabalhava como gráfico e depois tornou-se ministro do evangelho. O casal viajou muito os Estados Unidos dando testemunho e exortando as congregações pentecostais.

BIBLIGRAFIA

FamilySearch


Colantonio Lewen, Susanna M., The Story of My Life, Chicago: s.d.

Miriam Castiglione

Miriam Castiglione (1946-1982) historiadora e antropóloga italiana, investigou o pentecostalismo como religião popular no sul da Itália.

Filha de um pastor valdense, estudou história contemporânea na Universidade de Bari. Influenciada pela meridionalística do antropólogo Ernesto di Martino e do historiador Vittorio Lanternari, investigou com métodos etnológicos e de história oral a difusão pentecostal na província da Apúlia.

Empregou suas análises críticas para fortalecer movimentos populares evangélicos, colaborando com partidos políticos, teatros populares, comunidades de base e grupos juvenis.

Como professora contratada do Instituto de História Moderna da Faculdade de Letras e Filosofia da Universidade de Bari coordenou um grupo de estudos sobre o movimento pentecostal italiano na região meridional da Itália.

BIBLIOGRAFIA SELETA

Castiglione, Miriam. “Aspetti e Problemi Del Pentecostalismo Contemporeano.” Tese dottorale di etnologia, Università di Bari, 1970.

Castiglione, Miriam. “Aspetti Della Diffusione Del Movimento Pentecostale in Puglia.” Uomo e Cultura 9 (1972): 102–118.

Castiglione, Miriam; Henry Mottu. Religione Popolare in Un’ottica Protestante: Gramsci, Cultura Subalterna e Lotte Contadine. Torino: Claudiana, 1970.

SOBRE

Peyrot, Bruna. Una Donna Nomade. Miriam Castiglione Una Protestante in Puglia. Collana: I Grandi Piccoli. Profili. Roma: Lavoro, 2000.

Domenico Zaccardi

Domenico Zaccardi (1900-1978). Ancião na Itália e um dos principais dirigentes das igrejas pentecostais ditas dos “santissimi” ou “zaccardiani”.

Domenico Zaccardi era um construtor originário de Castel del Giudice (Isernia). No final dos anos 1920 ou início dos anos 1930 mudou-se para Roma onde se converteu em 1930 após ser evangelizado por Antonio Serlenga (1894-1969).

Com uma crise na igreja de Roma, Serlenga e Zaccardi assumiram a presidência como anciãos. Por um tempo, Zaccardi ficou responsável pelas reuniões de jovens. Em 1935 coincide um cisma com o início da perseguição fascista. Sob a presidência de ambos a igreja foi reorganizada como uma rede clandestina, mas sob um controle comportamental rígido. Como consequência, havia três grupos de crentes operando de forma independente em Roma e nos arredores na província do Lácio.

Em 1943, já com um pouco de liberdade política houve uma tentativa de reconciliação dos diversos grupos de Roma. No entanto, em 1945 houve uma cisão definitiva e o grupo guiado por Serlenga e Zaccardi, então o maior em Roma, se retirou da comunhão com outras igrejas na Itália e exterior.

Sob a liderança de Zaccardi as igrejas orientadas por ele cresceu nos anos 1950-1970 para outras regiões da Itália, mas sempre mantendo o caráter isolado e reservado.

FONTES E BIBLIOGRAFIA

A.A. filho de um ancião da época de Zaccardi e criado nessa igreja.

Alla, Stefano. “I Zaccardiani: Un Componente Del Movimento Pentecostale Italiano.” Facolta Pentecostale di Scienza Religiosa Pentecostale. Caserta, 2014.

Crocetti, Sergio. …È Stato Necessario Scrivervi. Roma, 2002.

Merafina, Antonio. “Alcuni Aspetti Della Diffusione Del Movimento Pentecostale Nel Territorio Pugliese.” Tesi di Laurea in storia, Università di Bari, 1967.

Olivieri, Alessandra. Il Mondo Non È Più per Me. 1. ed. Società Mediterranea 2. Castrovillari, CS: Teda, 1989.

Giacomo Lombardi

Giacomo Lombardi (alternativamente James Joseph Lombardi), foi um missionário do início do avivamento italiano. Ordenado ancião em Chicago, esteve em missões em várias localidades da América do Norte, Argentina, Brasil, Itália, Eritreia e Oriente Médio.

Cronologia extraída de diversos documentos e fontes primárias.

1862- Nasce a 3 de outubro no povoado de Prezza, L’Aquila, Itália com o nome Giacomo Giuseppe Lombardi.

Começa a trabalhar jovem como jornaleiro (trabalhador braçal no campo).

1870s – Mais tarde se torna ferroviário especializado. Talvez foi nesa época que teve educação formal como geômetra (topógrafo) ou técnico de engenharia ferroviária.

1888 – Casa-se com Annunziata Colella.
1892 – Emigra para os Estados Unidos, onde acha trabalho braçal.
1894 – Chega a Chicago. Evangelizado provavelmente por Alberto diCicco e M. Nardi, torna-se membro da First Italian Presbyterian Church.
1907- Final do ano: participa dos cultos da congregação italiana de W. Grand Avenue e é curado milagrosamente.
1907- 8 de dezembro: batizado no Espírito Santo.
1908 – Janeiro: batizado nas águas, provavelmente por William H. Durham.
1908 – Fevereiro: ordenado ancião em Chicago.

1908  – Com seis filhos, deixa seu trabalho para realizar atividades missionárias.
1908 – 15 de julho. Primeira viagem missionária com Louis Francescon a St. Louis e Los Angeles.
1908 – Setembro: deixa a Califórnia para ir em missão à Itália.
1908 – Dezembro: inicia a igreja em Roma.
1909 – Janeiro: Inicia outra igreja na Itália em La Spezia, Ligúria. Nesta cidade Umberto Gazzari já tinha evangelizado alguns parentes e encaminhando-os à Igreja dos Irmãos. Lombardi acha-os por revelação divina e eles recebem o batismo do Espírito Santo. Retorna à Chicago.
1909 –  Setembro: viagem com Francescon e Lucia Menna à Argentina.
1909 – 9 de Outubro. Chegam a Buenos Aires.
1909 –  Novembro:  vão a Tres Arroyo e San Cayetano, província de Buenos Aires.
1909 – 28 de novembro:  Batismo do Espírito Santo entre os crentes em Tres Arroyos
1909 – Dezembro: Francescon e Lombardi presos e expulsos de Tres Arroyos, vão para o Tigre e evangelizam a família Pietrini.
1910 – 8 de março: deixam a Argentina.
1910 – 10 de março: Francescon e Lombardi chegam a São Paulo.
1910 – 18 de abril: Lombardi deixa Francescon no Brasil, enquanto faz uma breve estada em Buenos Aires [não há registro migratório desta viagem] e depois retorna aos Estados Unidos.
1912– 11 de abril: parte com Francescon e Terragnoli para a Europa no navio Carpathia, mas ocorre o naufrágio do Titanic e o navio  no qual viajavam presta socorro.
1912 – Final de abril: Lombardi vai sozinho à Eritreia, então colônia italiana no nordeste da África.
1912 – Maio: Lombardi tenta pregar a mensagem do Espírito Santo na missão valdense e em uma missão adventista escandinava em Asmara. Sem sucesso.
1912 – 26 de maio:  Lombardi batiza um certo barão Amedeo Sarli em Asmara. Um adventista norueguês [Anol Grundsent? E.J. Lorentz?] também aceita o batismo do Espírito Santo.
1912 –7 de junho: Lombardi deixa Asmara.
1912 – 17 de junho: Lombardi chega a Gênova. Visita os crentes em Roma.
1913– Outono: Lombardi parte para Acre. Evangeliza em vários pontos da Palestina.
1913 – Dezembro: por um mês visita e prega a uma dúzia de crentes já batizados pelo Espírito Santo que viviam em Jerusalém, provavelmente a missão iniciada em 1908 por Lucy Leatherman, Charles Leonard e Anna Elizabeth Brown.
1914 – Fevereiro: Lombardi retorna à Itália.
1914 – Março: chega a Milão onde atende a igreja até novembro.
1914 – Novembro: retorno aos Estados Unidos e passa a ocupar o ministério de ancião na congregação que assume o nome de Assemblea Christiana ao inaugurar o prédio na 1350-52 West Erie Street em Chicago.
1917– Verão: visita todas as congregações da Itália.
1919 – Lombardi passa o ano todo na Itália evangelizado e atendendo as igrejas. Evangeliza e inicia igrejas principalmente na Calábria. Aluga e reforma a sala que seria a primeira casa de oração aberta ao público em Roma, na via Principe Amedeo.
1923 – Última viagem missionária. Lombardi passa quase dois anos na Itália. Visita todas as igrejas da época.
1924 – Final do ano: Lombardi retorna a Chicago.
1925 – Lombardi alinha-se com Francescon na questão do sague. Assim, torna-se ancião na igreja que assume o nome de Congregazione Cristiana di Chicago quando essa é formada.
1927– Lombardi participa da primeira convenção das igrejas italianas da América do Norte em Niagara Falls, NY.

1932 – Por um breve período ocorre um desentendimento entre Lombardi e os anciãos da Unorganized Italian Christian Churches of North America, mas logo há uma reconciliação.
1934 – 24 de julho. Lombardi morre em Chicago.

Apesar de descrito como um “un popolano senza istruzione”, um homem simples e sem instrução, na verdade possuía formação técnica de ferroviário. Mantinha jeitos rústicos de camponês e uma franqueza, principalmente para evangelizar e proclamar mensagens intuídas pelo Espírito Santo. Era amigável e brincalhão com as crianças.

Revestido de poder do alto, passou por curas miraculosas e pregava com uma assertividade conforme autorizado pelo Espírito Santo.

Anciãos ordenados por Lombardi:

Foi casado com com Annunziata Colello Lombardi, com a qual teve seis(?) filhos: Giovanni, Enrico, Antonio, Alfredo, Vito e [desconhecido?].

1908-Roma. Michele di Napoli.

1919-Bruzzano Zeffirio. Antonino Praticò.
1919-Badia di Samo. Luigi Maisano.
1919-Gissi. Domenico Pagano.
1923-Roma. Ettore Stappaveccia.
1924-Messina. Carmelo Crisafulli.

BIBLIOGRAFIA

Fontes primárias, publicadas:

(Francescon 1952; Ottolini 1945; Bracco 1956)

Fontes secundárias, publicadas:

(Toppi 1998; Celenta 2011)


COMO REFERENCIAR

ALVES, Leonardo Marcondes. Giacomo Lombardi. Círculo de Cultura Bíblica, 2021. Disponível em: https://circulodeculturabiblica.org/2021/07/21/giacomo-lombardi/. Acesso em: 04 jul. 2021.


Risveglio

O risveglio italiano (réveil em francês, revival em inglês, Erweckung em alemão) fez parte de vários movimentos de renovação espiritual ou avivamento que no século XIX se espalharam pela Europa continental.

Na década de 1810 iniciou-se um avivamento em Genebra, animado por pregadores ingleses depois da derrota de Napoleão, logo se esparramou pela Itália por ação de Félix Neff.

Este avivamento foi movidos por um ímpeto missionário. Essas missões muitas vezes foram realizado não pelas estruturas organizacionais das denominações, mas por associações livres de crentes, bem como um fervor reformista dentro das Igrejas, que também poderia levar à separação em comunidades livres. Na Itália ocorreu um avivamento entre as igrejas valdenses, as igrejas livres (Chiesa Cristiana Libera in Italia e Chiesa dei Fratelli) e as denominações fundadas por missionários de língua inglesa (batistas, metodistas, anglicanos, Exército de Salvação).

A repressão ultramontana e o reacionarismo político dificultaram a pregação do evangelho na Itália, mas abriram muitas possibilidades no exterior. Muitos exilados por razões políticas também encontraram o evangelho, formando igrejas italianas em Londres e Genebra. Uma consequência foi a aliança entre ativistas liberais e evangélicos, defendendo uma Itália unida na qual haveria uma “Igreja livre em um Estado livre” (Libera chiesa in libero stato). Coincidia também com o anseio pela emancipação civil e a justiça social.

A migração, de crentes ou não, possibilitou a formação de igrejas longes do controle paroquial católico. Assim, surgiram comunidades evangélicas italianas no Uruguai, Argentina, Brasil, mas seria especialmente nos Estados Unidos que um movimento evangélico floresceria.

Dentre os principais atores se destacam Paolo Geymonat, Conde Piero Guicciardini, Bonaventura Mazzarella, Pietro Taglialatela, Alessandro Gavazzi, Carolina Dalgas, dentre outros.

Em 1861 nasceu o Reino da Itália. Nele, os evangélicos criaram escolas para os analfabetos, orfanatos, eram próximos aos imigrantes, apoiavam os mais necessitados, faziam contribuições importantes no campo da cultura, especialmente na investigação histórica ou na filologia bíblica. Renasceu o interesse pela hinologia, pela diaconia e pelas escolas dominicais.

Em muitos aspectos o risveglio lançou os trilhos para depois florescer o grande avivamento pentecostal.

Paolo Geymonat

Paolo Geymonat (1827 – 1907) foi pastor valdense e professor da Faculdade de Teologia valdense. Como evangelista e teólogo do movimento de risveglio influenciou a formação espiritual de uma geração de evangélicos italianos.

Estudou na Genebra na École de Théologie de l’Oratoire, ligada ao réveil, o movimento de avivamento entre os suíços. Esteve por um breve período em Württemberg para aperfeiçoar sua educação.

Em 1849, foi enviado a Florença e Roma para apoiar a missão de evangelização iniciada na esteira do movimento do Risorgimento. Em Florença se juntou ao pastor Bartolomeo Malan na obra de evangelização. Descoberto pela polícia durante uma reunião de oração, Geymonat foi preso e expulso do Grão-Ducado da Toscana.

Posteriormente trabalhou em Turim e a partir de 1851 em Gênova e onde teve Bonaventura Mazzarella como colaborador. Nessa época atendeu os novos convertidos da cidadezinha de Favale di Malvaro, maior parte da família de menestreis, os Cereghino.

Com a fundação da Escola de Teologia de Torre Pellice foi chamado para lecionar. A transferência da Escola de Teologia para Florença resultou na organização da Igreja Valdense naquela cidade.

Junto com Alessandro Gavazzi, Geymonat buscava a unificação das Igrejas Evangélicas Italianas e foi incumbido de fazer um estudo doutrinal sobre a possibilidade de alcançar esta união.

Depois de sua emeritação em setembro de 1902 faleceria em Florença.

Sua teologia é tipicamente do réveil genebrino. Para Geymonat a fé se expressa como uma experiência íntima de comunhão com Cristo, por meio da qual Deus revelou a verdade. Defendia a doutrina da inspiração plenária da Bíblia e do alcance universal do sacrifício de Jesus Cristo.

Foi professor de Filippo Grilli, ao qual transmitiu sua teologia à Primeira Igreja Presbiteriana Italiana de Chicago, formada por muitos convertidos ou seus descendentes do trabalho evangelístico de Geymonat.