Chumbo

O chumbo (עֹפֶרֶת, oferet, em hebraico; μόλυβδος, molybdos, em grego) é um metal mencionado algumas vezes na Bíblia, refletindo seu uso e conhecimento na antiguidade.

No Antigo Testamento, oferet é mencionado em contextos que sugerem sua utilização em metalurgia e como peso. Em Êxodo 15:10, no cântico de Moisés após a travessia do Mar Vermelho, os inimigos de Israel são descritos afundando “como chumbo (oferet) nas águas impetuosas”. Números 31:22 lista o chumbo (oferet) entre os metais que precisam ser purificados pelo fogo após a batalha contra os midianitas. Ezequiel 22:18-22 usa o chumbo (oferet) como parte de uma metáfora, descrevendo a casa de Israel como escória de diversos metais, incluindo o chumbo, que será derretida no fogo da ira divina. Zacarias 5:7-8 apresenta uma visão de um efa (medida de capacidade) contendo uma mulher, que representa a impiedade, e que é coberto com um peso de chumbo (oferet). Em Jó 19:24, Jó expressa o desejo de que suas palavras fossem gravadas com um estilete de ferro em chumbo (oferet).

No Novo Testamento, o termo grego μόλυβδος (molybdos) não é diretamente mencionado. A principal referência ao chumbo na Bíblia, portanto, encontra-se no Antigo Testamento, onde é associado ao seu peso, uso em metalurgia e, simbolicamente, à impureza e ao juízo

Cobre

O cobre (נְחֹשֶׁת, neḥoshet, em hebraico; χαλκός, chalkós, em grego) é um metal amplamente mencionado na Bíblia, refletindo sua importância na antiguidade.

No Antigo Testamento, neḥoshet frequentemente se refere ao cobre em si, mas também pode designar bronze, uma liga de cobre e estanho. O cobre é mencionado desde os primórdios da civilização, com Tubalcaim sendo descrito como “o forjador de todo o instrumento cortante de cobre e de ferro” (Gênesis 4:22). A região de Canaã era rica em cobre, como indicado em Deuteronômio 8:9: “terra em que comerás o pão sem escassez, e nada te faltará nela; terra cujas pedras são ferro, e de cujos montes 1 cavarás o cobre (neḥoshet)”. O cobre era usado para fabricar uma variedade de objetos: armas (1 Samuel 17:5-6), utensílios (Êxodo 27:3), espelhos (Êxodo 38:8), instrumentos musicais (1 Crônicas 15:19) e partes do Tabernáculo e do Templo (Êxodo 25-40; 1 Reis 7).

No Novo Testamento, χαλκός (chalkós) também se refere ao cobre ou bronze, e, por vezes, a moedas de cobre (Marcos 6:8; 12:41). Em 2 Timóteo 4:14, Paulo menciona Alexandre, o latoeiro (ὁ χαλκεύς, ho chalkeús, “o cobreiro”), que lhe causou muitos males. O cobre, em alguns contextos bíblicos, simboliza força e resistência (Jó 6:12; Jeremias 1:18). Em Apocalipse 1:15 e 2:18, os pés do Filho do Homem são descritos como semelhantes ao bronze (chalkolibánō, um termo composto que sugere um metal brilhante e refinado) reluzente.

Carbúnculo

Carbúnculo, derivado do latim carbunculus (pequeno carvão), é um termo arcaico usado em algumas traduções da Bíblia para se referir a uma pedra preciosa de cor vermelha brilhante.

No Antigo Testamento, o termo geralmente traduz a palavra hebraica נֹפֶךְ (nofekh) ou, menos frequentemente, בָּרֶקֶת (bareqet). Em Êxodo 28:17 e 39:10, nofekh é a terceira pedra da primeira fileira do peitoral do sumo sacerdote. Ezequiel 28:13 também inclui nofekh na lista de pedras preciosas do rei de Tiro.

A Septuaginta traduz nofekh como ἄνθραξ (anthrax), literalmente “carvão”, reforçando a associação com a cor vermelha intensa. Bareqet, por outro lado, aparece em Êxodo 28:17 como a primeira pedra da segunda fileira do peitoral, e é traduzida na Septuaginta como σμάραγδος (smáragdos), geralmente associado à esmeralda, embora a identificação exata seja incerta. A Vulgata usa carbunculus para traduzir tanto nofekh quanto bareqet em alguns contextos. A identificação mineralógica precisa dessas pedras é complexa.

O “carbúnculo” bíblico, portanto, não se refere a um mineral específico, mas provavelmente a várias gemas vermelhas, como granada (especialmente piropo), rubi ou espinélio vermelho. O elemento crucial é a cor vermelha intensa, semelhante a um carvão em brasa, que simbolizava beleza, raridade e valor, tornando-o apropriado para adornar o sumo sacerdote e figuras de autoridade. Não há menção direta de “carbúnculo” no Novo Testamento grego.

Codex Babylonicus Petropolitanus

O Codex Babylonicus Petropolitanus, também conhecido como Códice dos Profetas de Petersburgo (designado como VP), é um manuscrito massorético fundamental da Bíblia Hebraica, preservado na Biblioteca Nacional da Rússia, em São Petersburgo. Datado do ano 916 d.C., o códice contém os Profetas Posteriores (Isaías, Jeremias, Ezequiel e os Doze Profetas Menores), acompanhados da Massorá magna e parva.

Sua importância reside em ser um dos mais antigos manuscritos existentes que preservam o texto massorético com a vocalização babilônica, um sistema de sinais vocálicos e de acentuação distinto do sistema tiberiense, mais comum. O sistema babilônico, desenvolvido por comunidades judaicas na Babilônia, oferece uma perspectiva valiosa sobre a pronúncia e a interpretação textual da Bíblia Hebraica em um período e região específicos.

Cenáculo

Cenáculo (ἀνάγαιον, anagaion; עֲלִיָּה, aliyah) refere-se ao aposento superior de uma casa em Jerusalém, onde Jesus celebrou a Última Ceia com seus discípulos (Marcos 14:15; Lucas 22:12). O termo grego anagaion (usado em Marcos e Lucas) e seu sinônimo ὑπερῷον (hyperōon, usado em Atos) denotam um cômodo localizado no andar de cima de uma residência, frequentemente amplo e utilizado para refeições e reuniões.

O Cenáculo, além da Última Ceia, foi o lugar onde os apóstolos se reuniram após a ascensão de Jesus (Atos 1:13) e onde ocorreu o Pentecostes, o derramamento do Espírito Santo (Atos 2:1-4). Essa associação faz do Cenáculo um dos primeiros centros de culto cristão.

Embora a localização exata do Cenáculo original seja incerta, a tradição cristã, desde o período bizantino, aponta para um local no Monte Sião, em Jerusalém. A estrutura atual, conhecida como o Cenáculo (ou Sala da Última Ceia), é uma construção medieval, provavelmente do período das Cruzadas, e não a construção original dos tempos bíblicos. O local, todavia, é um importante ponto de peregrinação e simboliza os eventos ocorridos no anagaion bíblico.