Anglicanismo

O anglicanismo é um ramo da cristandade que reivindica a continuidade das tradições históricas do cristianismo surgido na Inglaterra e, de lá, para o mundo. Com a separação da Igreja da Inglaterra de outras autoridades (como o papado) durante a Reforma, essa denominação ganhou características próprias, sendo chamada de via média entre o catolicismo e o protestantismo.

As bases doutrinárias sõs os credos Apostólico e Niceno, a leitura da Bíblia em vernáculo, a celebração do batismo e da Eucaristia , bem como o tríplice ofício eclesiástico de diácono, presbítero e bispo. O Livro de Oração Comum ou equivalente unifica a espiritualidade anglicana. Mantém uma visão positiva do direito canônico. Permite uma amplitude de diversidade teológica e litúrgica ao redor do mundo.

O monarca inglês mantém o ofício de Defensor da Fé, como líder secular da Igreja da Inglaterra. O Arcebispo da Cantuária mantém uma posição de primeiro entre seus pares, líderes de outras igrejas nacionais da Comunhão Anglicana. Em alguns países são chamados de Epicospais. No Brasil, estão presentes com a Igreja Episcopal Anglicana. Em Portugal estão organizados na Igreja Católica Evangélica Lusitana.

Há vertentes anglicanas independentes que observam alguns elementos denominacionais anglicanos.

Anabatismo

O anabatismo é um movimento e sistema teológico originário da Reforma Radical no século XVI, fundamentado em uma vida de discipulado voluntário na Igreja como Corpo de Cristo.

Levando os princípios reformadores de retorno obediente às Escrituras, os anabatistas apareceram em vários lugares entre os anos 1520 e 1560. Depois de malfadadas experiências polítcas, guerras e perseguições, floresceram as vertentes pacifistas como os mennonitas na Holanda, os hutteritas na Áustria e os Schwenkenfelders na Europa Central. Mais tarde houve outros desdobramentos como os Amish, os Collegiantes, os Dunkers, os Irmãos Mennonitas, dentre outros.

Em comum com os batistas, os anabatistas observam o batismo consciente do crente em idade adulta, mas diferem em nuances teológicas. Enquanto os batistas emergiram de um ambiente puritano em uma matriz anglicana, os anabatistas retiveram as influências zwinglianas e erasmianas.

Perseguidos, os anabatistas encontraram refúgios em áreas fronteiriças, quer na Rússia, quer nas Américas.

Valdense

Os valdenses são um povo e denominação originários de um movimento popular na Idade Média que, perseguidos como heréticos, continuaram e abraçaram a Reforma.

O movimento tem origem quando um mercador em Lyon, Pedro Valdo (1140? – 1217?), passou por uma experiência de conversão em 1173. Pregando um retorno aos mandamentos dos evangelhos e uma pobreza voluntária, atraiu seguidores, sendo também chamados Pobres de Lyon. Proibidos de pregar e excomungados em 1181, os valdenses esparramaram-se pela Europa central e Itália, sobretudo nos Vales Valdenses.

Perseguidos pela Inquisição e com cruzadas, sobreviveram em regiões remotas e ocultando sua fé. Em uma reunião em Chanforan, nos Vales Valdenses, em 1532, uniram-se ao ramo Reformado do protestantismo.

Somente em 1848 ganharam liberdade e segurança para o culto. Nos anos seguintes, migraram em massa para o Uruguai, França e Estados Unidos. Nesse último país organizaram várias congregações, dentre ela a Primeira Igreja Presbiteriana Italiana de Chicago, formada principalmente por emigrados da comunidade de Favale di Malvaro, na Ligúria.

No século XX a Igreja Evangélica Valdense aproximou-se dos metodistas italianos formando a União Evangélica Valdo-Metodista na Itália. No Uruguai e Argentina formam a Igreja Evangélica Valdense do Rio da Prata.

Dada sua antiguidade, atribuíram aos valdeses lendas: de que remontam da época dos apóstolos, de que faz parte de uma cadeia de sucessão marginal de crentes, de que guardavam o sábado, de que esposavam doutrinas protestantes já na Idade Média, dentre outras refudadas pela própria historiografia valdense.

Evangelho Pleno

Os termos Full Gospel, Evangelho Completo, o Evangelho Pleno ou “Todo o Evangelho” descrevem a doutrina que se originou nos avivamentos do século XIX após a Guerra Civil Americana, com pessoas como Albert Benjamin Simpson para as doutrinas de uma completa obra regenerativa realizada em Cristo acompanhada por ação do Espírito Santo.

A expressão “evangelho completo” refere-se a Rm 15:18-19, que na versão King James aparece “I have fully preached the Gospel of Christ.”

Porque não ousaria dizer coisa alguma, que Cristo por mim não tenha feito, para obediência dos gentios, por palavra e por obras; 19 pelo poder dos sinais e prodígios, na virtude do Espírito de Deus; de maneira que, desde Jerusalém e arredores até ao Ilírico, tenho pregado o evangelho de Jesus Cristo.

A expressão tem sido utilizada por algumas igrejas do movimento pentecostal italiano, como a Church of the Full Gospel em Chicago e no púlpito e no selo da Assemblee di Dio in Italia, em Roma. Nesse conceito, a proclamação do evangelho seria mediante palavra, obras, sinais e prodígios por virtudo do Espírito Santo.

Nova Conexão Metodista

A Nova Conexão Metodista, pejorativamente chamada de Killhamites, foi uma denominação metodista britânica existente entre 1797 e 1907. Sua ênfase na participação leiga e a redação de seus artigos de fé infuenciaram muitas denominações evangélicas posteriores.

Depois da morte de John Wesley 1791, o metodismo britânico tornou-se rapidamente institucionalizado enquanto algumas lideranças insistiam em manter o movimento subordinado à Igreja Anglicana. Em reação, Alexander Kilham (1762 – 1798), um pregador itinerante metodista, defendia a independência denominacional para os metodistas.

Kilham propôs que os membros leigos deveriam participar da gestão da Igreja, havendo representação igual com os ministros nas conferências decisórias. Kilham defendia que o ministério não deveria possuir autoridade oficial ou prerrogativa pastoral, mas deveria apenas executar seus ministérios de acordo com as diretrizes das congregações e das conferências.

Na conferência dos metodistas britânicos em 1796, Kilham foi expulso. Em seguida, nas cidades industrais vários metodistas das classes trabalhadoras e de classe média educada aderiram à Nova Conexão Metodista organizada por Kilham. No entanto, morreria no ano seguinte.

A segunda esposa de Kilham, Hannah Spurr Kilham (1774–1832), com quem se casou poucos meses antes de sua morte, foi missionária e linguista no oeste da África.

A Nova Conexão Metodista fez parte da vertente radical do metodismo do século XIX. Essa vertente mantinha a soteriologia wesleyana, mas insistia em um primitivismo quanto à eclesiologia e um ativismo social em prol dos desfavorecidos. A NCM foi formada em 1797, os Metodistas Primitivos em 1807, os Cristãos da Bíblia em 1815, os Metodistas Livres em 1860 e o Exército de Salvação em 1865.

Recebiam a alcunha de “Thomas Paine Methodists” pelos valores democráticos que os inspiravam. Em suas reuniões, as pregações eram seguidas por uma discussão livre.

Catherine e William Booth, o fundador do Exército de Salvação, foram membros da Nova Conexão Metodista e inspiram em seus Artigos de Fé para a redigir os pontos de doutrina de seu novo movimento.

Em 1907 a Nova Conexão Metodista, então com 37 mil membros, uniu-se com outras denominações metodistas britânicas para formar a Methodist Church of Great Britain.

BIBLIOGRAFIA

Blackwell, J. Life of Alexander Kilham. 1838.

Kilham, Alexander; Thom, William. Out-lines of a constitution; proposed for the examination, amendment and acceptance, of the members of the Methodist New Itinerancy. 1797.

Thompson, Edward Palmer. The making of the English working class. 1968.

Congregação Cristã na América do Norte

Este ensaio foi um trabalho que resumia para fins didáticos o desenvolvimento histórico da Congregação Cristã na América do Norte. No entanto, ainda serve como uma introdução à sua história como um movimento global.

Scotch Baptists

Grupo primitivista batista que existiu na Escócia da metade do século XVIII ao XIX.

O grupo iniciou quando dois ex-presbiterianos Robert Carmichael e Archibald McLean (1733–1812) tornaram-se glassitas. Por razões disciplinares, deixaram os glassitas em 1764. No ano seguinte, ficaram convencidos do batismo adulto por imersão. Como não conheciam nenhum batista na Escócia, Carmichael viajou para Londres, onde foi batizado por John Gill. Ao retornar à Escócia, Carmichael batizou outros adeptos e formaram uma igreja aos moldes glassitas, mas com batismo por imersão, conhecidos como Scotch Baptists (batistas escoceses), iniciando sua primeira congregação em Edinburgh.

Apesar de serem não credais ou confessionais, um anúncio de um jornal batista de Londres na década de 1850 revela as práticas e crenças comuns dos Scotch Baptists.

‘Senhor, você me permite perguntar através desse meio do Christian Advocate se houver qualquer pessoa residente em ou perto de Londres, que acredite nas seguintes doutrinas e práticas a serem ensinadas no Novo Testamento e deseje unir-se na comunhão da igreja com aqueles que assim creem:

1. Redenção Particular.

2. Comunicação do conhecimento da verdade salvadora pela Palavra de Deus acompanhada pelo poder do Espírito Santo.

3. Imersão na água numa profissão de crença na verdade.

4. Comunhão semanal na Ceia do Senhor.

5. O ósculo da caridade.

6. A exortação e orações de todos os irmãos nas assembleias da igreja.

7. A leitura constante de porções consideráveis ​​das Escrituras na igreja.

8. Pluralidade de anciãos.

9. Presidência sempre confinada aos anciãos.

10. Atenção à Ceia do Senhor somente sob a presidência de um ancião.

11. Festas de Caridade.

12. Comunhão na Igreja confinada àqueles que são de coração unânime em todas as doutrinas e práticas do Novo Testamento.

Christian Advocate and Scotch Baptist Repository, Beverley, October 1860, p.240.

Diferente dos Glassitas, os Scotch Baptists não apregoavam um separatismo ou uma disciplina rígida, além de serem mais ativos em atividades missionárias.

Havia outros batistas na Escócia, como aqueles influenciados pelos irmãos James Haldane e Robert Haldane, que adotaram alguns princípios e práticas dos Scotch Baptists, inclusive a imersão adulta em 1808. Outros grupos infuenciados pelos batistas ingleses distinguiam-se por suas atitudes moderadas e menos rígidas que os Scotch Baptists. Esses diversos grupos fundiram-se em 1869. Igrejas locais aos poucos perderam as distintivas dos Scotch Baptists até a última congregação, a de Academy Street, Aberdeen, foi dissolvida em 1920.

Houve influências dos Scotch Baptists no movimento das Igrejas de Cristo nos Estados Unidos. Uma congregação local, Kircaldy Church of Christ, em uma cidade no norteste da Escócia é hoje ligada a esse movimento.

BIBLIOGRAFIA

Murray, D. B. (1989). The Scotch Baptist Tradition in Great Britain. Baptist Quarterly: Vol. 33, No. 4, pp. 186-198

Owston, John (1997) “Scotch Baptist Influence on the Disciples of Christ,” Leaven, Vol. 5: 1, 11 https://digitalcommons.pepperdine.edu/leaven/vol5/iss1/11

Camowen Green e primitivistas anglo-americanos

Entre 1800 e 1830 várias igrejas locais independentes que esposavam um evangelicalismo primitivista surgiram na Irlanda, Grã-Bretanha e Canadá. Camowen Green é uma delas.

Em 1804 um dos irmãos Haldanes visitou a Irlanda. Pregou em Omagh, no Ulster, onde convenceu dois irmãos presbiterianos, John e James Buchanan, aos ideais primitivistas de cristianismo. Desde a morte do pastor presbiteriano em 1799, a igreja deles não tinha contratado um pastor adequado. Então, em 1807 começaram a reunir-se para leituras bíblicas e a procurar parâmetros neotestamentários de fé e ordem para a igreja. Esse grupo formou uma igreja livre em Camowen Green perto de Omagh.

James Buchanan teve contato com John Walker e Thomas Kelly, os quais propunham práticas semelhantes para a vida em igreja. Em 1816 boa parte dos membros emigraram, entre eles James Buchanan. Ele foi nomeado cônsul britânico aos EUA de 1819 a 1843. Buchanan organizou uma igreja semelhante em Nova Iorque, a qual mais tarde se uniria ao movimento das Igrejas de Cristo.

A igreja de Camowen Green desenvolveu uma identidade batista. Depois, na década de 1860, parte deles organizaram uma Assembleia de Irmãos Abertos.

Em 1º de março de 1818, uma assembleia da “igreja do Novo Testamento” em Nova York envivou uma carta circular a igrejas semelhantes em todo o mundo. Dizia que sete anos antes vários cristãos haviam se separado das várias denominações para se reunirem como uma igreja do Novo Testamento. Buscavam comunhão com todos os crentes (evangélicos).

A Igreja, professando a obediência à fé em Jesus Cristo, reunida em Nova York;

Às Igrejas de Cristo espalhados sobre a terra, a quem esta comunicação vir. Graça, misericórdia e paz vos sejam multiplicadas parte de Deus Pai, pelo Espírito Santo e por nosso Senhor Jesus Cristo…

Exigimos a quem recebemos em comunhão que deva crer em seu coração e confessar com a sua boca que Jesus é o Cristo; que ele morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; e que por essa confissão somente, devam ser batizados…

É necessário observar que nossos anciãos trabalhem em seus respectivos trabalhos, para seus sustentos e para não serem pesados à igreja; mas em caso de necessidade, ou se no desempenho do ofício tornar-se necessário, a igreja considera em seu dever e privilégio comunicar liberalmente a eles conforme “digno é o obreiro de seu salário”.

Nas relações de um com outros como cristãos, somos todos irmãos, sem distinção na igreja…As questões e disputas que geralmente ocorrem entre cristãos professantes não têm lugar entre nós…O conhecimento da simples verdade, declarada por nosso Senhor Jesus e seus apóstolos — e a piedade prática derivada desse conhecimento, são as coisas nas quais desejemos prestar atenção.

Não devemos omitir que, em todas nossas medidas e decisões, a unanimidade e não a maioria é considerada a regra bíblica.

William Ovington

Henry Erritt

Jonathan Hatfield

James Saunders

Benjamin Hendrickson

Esta carta teria circulado entre contatos pessoais nas Ilhas Britânicas, Canadá e Estados Unidos. Vinte e uma carta de respostas de congregações independentes nesses países reportaram crenças e práticas semelhantes.

Nas próximas décadas, diversas congregações adenominacionais similares emergiram em diversos países, boa parte integrando-se com outros grupos e movimentos, notoriamente como o Movimento dos Irmãos (de Plymouth) e com as Igrejas de Cristo.

BIBLIOGRAFIA

Anônimo. Letters Concerning their Principles and Order from Assemblies of Believers in 1818-1820. London, 1889.

Walkerites

Os Walkerites foram um grupo evangélico primitivista originários da Irlanda no começo do século XIX.

Teve início com o ministério de John Walker (1768-1833). Filho de um clérigo da Igreja da Irlanda, estudou no Trinity College em Dublim, onde fez amizade com Thomas Kelly. Tornou-se o responsável pela Capela de Bethesda em Dublim, congregação conectada com o ministério de George Whitefield e de Lady Huntingdon, mas pertencente à Igreja da Irlanda.

Por defender de modo irredutível algumas posições teológicas, foi desligado da Igreja da Irlanda 1804. Walker passou a frequentar uma congregação em Stafford Street, Dublim, que se autodenominava “a igreja de Deus” (a church of God), mas eram conhecidos como Walkerites.

Teologicamente eram hipercalvinistas, embora não sistematizem sua teologia, a qual era centrada na fé de que “Cristo morreu por nós e assim nos salvou e a todos os homens que crêem nEle” (Martin 1971). Arrependimento significava mudança de mentalidade, não sentimento de culpa ou penitência. Praticavam Santa Ceia semanal restrita somente a membros, ósculo santo e batismo por imersão adulto (mais tarde alguns grupos pararam de fazer batismo, admitindo novos membros pela comunhão). Cada congregação era autônoma e o ministério coletivo era composto por anciãos e diáconos leigos, normalmente quase todos os homens eram reconhecidos para tais funções. Consideravam que o mundo jazia no maligno. E, em razão disso, eram extremamente separatistas, sequer conversando publicamente sobre questões religiosa ou orando com não membros. No entanto, não eram contra diversões públicas ou educação profissional como outros grupos primitivistas. Não guardavam o domingo ou outro dia como sagrado. Recusavam a fazer qualquer tipo de juramento.

Os cultos dominicais era presidido em rodízio. Um ancião abria o serviço, cantava-se um hino, outro membro diriga a primeira oração, outro partia o pão, leitura das Escrituras, exortação, seguiam-se a coleta, hino e a
segunda oração em rodízio de presidência. As leituras consistiam de um salmo, um capítulo do Antigo Testamento e um capítulo do Novo Testamento a cada domingo. A pregação não era definida previamente, mas deixado ao impulso do Espírito Santo. Qualquer membro masculino adulto podia falar, e não necessariamente pregar sobre as Escrituras que foram lidas. Encerrava-se com o ósculo santo. Uma vez por mês havia um estudo bíblico à tarde.

Apesar desse separatismo, o grupo teve tentativas de fusão com os grupos de James Buchanan em Camown Green e com os Kellytes.

Em seu auge, tinha cerca de uma dúzia de igrejas na Irlanda, além de duas grandes congregações em Birmingham e Londres. Em 1834 havia apenas três igrejas Walkerites. O grupo continuou, reunindo em casas. No início do século XX teve um pequenos núcleo na Rússia. A última congregação, a de Dublim, incrementalmente se tornou mais semelhante ao Movimento dos Irmãos, mas fechou em 1921.

BIBLIOGRAFIA

Martin, C.P. “Recollections of the Walkerite or so-called Separatist Meeting in Dublin,” Christian Brethren Research Fellowship Journal 21 (May 1971): 2-10.

Walker, John. ‘A brief account of the people called Separatists’. Essays and correspondences, I. pp 550-560.

Walker, John. Seven letters to a friend on the Primitive Christianity. (1819). Essays and correspondences, I. p. 409.

Kellytes

Grupo evangélico primitivista irlandês fundado pelo ex-ministro anglicano Thomas Kelly (1769- 1855).

Kelly era filho de um juiz irlandês. Educado em uma vertente evangélica, em 1792 foi ordenado ministro anglicano. Contudo, suas pregações fora da estrutura da Igreja da Irlanda levou-o a separar-se em 1802.

Fundou igrejas independentes em vários lugares na Irlanda e Escócia. Com sua fortuna familiar, Kelly construiu igrejas em Athy, Portarlington, Wexford, Waterford e outros lugares.

Nessas igrejas havia um presbítero reconhecido, mas nenhuma ordenação formal ou ministério exclusivo. Praticavam a pregação extemporânea e o batismo dos crentes.

Junto dos Walkerites e da igreja independente de Camowen Green, os kellytes integravam um movimento de retorno ao cristianismo primitivo. Esse movimentos compartilharam muito das práticas e eclesiologia do Movimento dos Irmãos (de Plymouth) que viria ter origem na Irlanda na década de 1820.

John Walker e Thomas Kelly tentaram unir seus movimentos. Entretanto, diante da recusa de Kelly em dizer que John Wesley estava no inferno, tal união foi interrompida. Teologicamente, Kelly tendia a um calvinismo moderado e era aderente da expiação geral.

Kelly foi um autor de hinos muito prolífico. A edição de 1853 de seu hinário possuía 765 hinos. Um número considerável deles chegou aos hinários dos irmãos e dos anglicanos.

Depois da morte de Kelly suas igrejas foram extintas em poucos anos.

SAIBA MAIS

Akenson, Donald H. Discovering the End of Time: Irish Evangelicals in the Age of Daniel O’Connell. McGill-Queen’s Press-MQUP, 2016.

Carter, Grayson. Anglican evangelicals: Protestant secessions from the via media, c. 1800-1850. Wipf and Stock Publishers, 2015.