Coré, Coratitas

Coré, levita, cuja rebelião é mencionada em Nm 16-17. Os filhos de Coré, ou sua linhagem, aparece no censo dos israelitas nas planícies de Moabe (Nm 26:9-11, 58). Adicionalmente, a linhgagem dos coratidas aparence na passagem das filhas de Zelofeade (Nm 27:3).

Vários salmos são atribuídos aos coratitas: 42, 44-49, 84-85, 87-88. Aparecem como ministrando como cantores no tempo de Davi (1 Cr 26:19), com última menção no tempo de Josafá (2 Cr 20:19-19). Depois do exílio aparecem como porteiros e padeiros do templo (1 Cr 9:19, 31).

BIBLIOGRAFIA

Goulder, Michael D. The Psalms of the sons of Korah. Vol. 1. Bloomsbury Publishing, 1982.

Kislev, Itamar. “What Happened to the Sons of Korah? The Ongoing Debate Regarding the Status of the Korahites.” Journal of Biblical Literature 138, no. 3 (2019): 497-511.

Magonet, Jonathan. “The Korah Rebellion.” Journal for the Study of the Old Testament 7, no. 24 (1982): 3-25.

Mitchell, David C. “‘God Will Redeem My Soul from Sheol’: The Psalms of the Sons of Korah.” Journal for the Study of the Old Testament 30, no. 3 (2006): 365-384.

Toy, Crawford Howell. “The Date of the Korah-psalms.” Journal of the Society of Biblical Literature and Exegesis 4, no. 1/2 (1884): 80-92.

Canonização

Canonização refere-se ao processo de estabelecer a canonicidade de textos bíblicos. Especificamente, há três acepções para “cânon”: (1) a regra de fé em coerência com os livros bíblicos; (2) a lista de livros reconhecidos como inspirados para servir como autoridade proveniente de Deus; e (3) o conteúdo textual dos livros canônicos reconhecido como legítimo.

Conversão

Mudança ou retorno devido a um arrependimento. Em grego metanoia e em hebraico teshuvah. Na Bíblia, esses termos podem ser aplicados a Deus ou aos seres humanos em relação a Deus

No sentido de mudança religiosa (ἐπιστρέφω, epistrephō, “mudança de ideia”), era marcado na religião israelita da Antiguidade pela adesão à Torá, especialmente pela circuncisão. No Cristianismo, refere-se à aceitação de Jesus como o Messias, cujo testemunho público iniciação na igreja era pelo batismo.

A conversão se refere a uma mudança dos velhos ser para as práticas de uma nova fé.

Vide, por exemplo, Dt 13:17; Js 24:20; Sl 51:13; Sl 85: 3; Is 6:10, Mc 4:12 ; Jo 12:40; At 28:27, Is 44:22; Is 51:11; Is 55: 7; Jr 3:14; Jr 8: 4-6; Ez 33: 10-16; At 9:35; At 15: 3, At 19; Tg 5: 19-20.

Caverna

Cavidades em uma encosta.

As cavernas eram usadas como locais de habitação (Gn 19:30; Nm 24:21; Ct 2:14, Jr 49:16; Ob 1: 3), refúgio temporário (Jz 6:2; 1Sm 13: 6; 1Sm 22:1) e sepulturas (Gn 23: 17-18; 49:29; Jo 11:38).

As cavernas foram locais para algumas passagens: Ló e suas filhas (Gn 19), a caverna de Macpela para o sepultamento dos patriarcas (Gn 23), Josué e os cinco reis amorreus em Maquedá (Js 10), o encontro de Saul e Davi na caverna de Adulão e Engedi (1 Sm 22-24) e a teofania de Elias na caverna de Horebe (1 Re 19). Era refúgio para os perseguidos (1 Sm 13:6; 14:11), como no caso de Jezabel (1 Re 18:4) e dos heróis da fé (Hb 11:38).

SAIBA MAIS

Graybill, Rhiannon, and Peter J. Sabo. “Caves of the Hebrew Bible: A Speleology.” Biblical interpretation 26, no. 1 (2018): 1-22.

Livro das Curas

Suposto livro escondido pelo rei Ezequias, conforme tradição registrada no Talmude (Talmud Babilônico Berakot 10b; Pesahim 56a).

Nos dias dias de Ezequias havia uma lista de fontes de águas terapêuticas. Esta lista, transmitida desde Noé, indicava cada uma para cada enfermidade. Como o povo não estava buscando a Deus em suas doenças, o rei escondeu a lista.

Crescente fértil

Região em forma de lua crescente no Oriente Médio que, em tempos antigos, se estendia do Egito e do Vale do Nilo ao longo da costa leste do Mar Mediterrâneo, passando pelos vales dos rios Tigre e Eufrates até o Golfo Pérsico. Foi a parte mais fértil do Oriente Médio e o berço das primeiras civilizações. O termo foi popularizado pelo arqueólogo James Henry Breasted (1865–1935).

A Crescente Fértil, dependento do autor, refere-se aos atuais Iraque, sudoeste do Irã, Kwaite, sul da Turquia, Síria, o Chipre, Israel, Palestina, Líbano, Jordânia, Egito e Sudão.

VEJA TAMBÉM

Levante

Antigo Oriente Próximo

Cronologia do surgimento da civilização

Uma linha do tempo das principais marcas pré-históricas do Antigo Oriente Próximo.

10000 a.C. Mudanças climáticas iniciam a desertificação da Arábia e do Sahara. As populações respondem com maior mobilidade e estabelecendo-se em oásis. A pressão para garantir a subsistência com poucos recursos força o crescimento de complexidade social e o início de atividades econômicas contínuas no pastoralismo e agricultura.                        

9000 a.C. Em uma planície no norte da Mesopotâmia em uma região que é hoje Turquia floresceu o centro cerimonial de Göbekli Tepe (1000-8800 a.C.). Este seria o templo mais antigo encontrado, composto de monumentos megalíticos em formato de T, decorado com alto relevo de animais e figuras humanas. O espantoso é que essa população não praticava a agricultura, não conhecia a cerâmica, os metais ou a roda. As ricas fauna e flora eram suficientes para manter essa população semi-urbana, sendo comparável ao Jardim do Éden.

8800 a.C. No neolítico inicial (pré-cerâmico) a agricultura de aveia e trigo desenvolve-se na Crescente Fértil, com centros urbanos em em Byblos, Gilgal e Tell es-Sultan (Jericó). Nesse último local, foi erguida uma torre e um muro ao redor da cidade. Mais tarde, em Tell Aswad, no sul da Síria, passou-se a construir casas de adobe, utilizar lâminas de obsidiana, moldar figuras em argila, produzir cestos e a domesticação de animais. 

7500 a.C. O centro cerimonial de Nabta Playa, no Deserto da Núbia, a leste do Nilo, contém vestígios de sacrifícios de animais e de monumentos para a observação astronômica.  

6000 a.C. No Período Ubaid (6500-3800) a agricultura e a domesticação de animais intensificam no sul da Mesopotâmia. Nas várias vilas há o trabalho coordenado de irrigação e avanço da cerâmica. Passam  a usar tijolos secos ao sol. Outras culturas quase contemporâneas e semelhantes na região são as de Samarra, Halaf e Hassuna, nesta última se inicia a fundição de cobre.

4500 a.C. Difusão da metalurgia (cobre) no Oriente Médio e Anatólia. A mineração de cobre em Timna, no deserto do Negev, iniciou-se por volta de 5500 aC e durou até o século I d.C.

4000 a.C. A desertificação do Saara e de áreas na Árabia próximas à Mesopotâmia, Síria e Canaã levam a uma pressão para habitar em sociedades urbanas, com a produção especializada de alimentos, surgindo o comércio e a redistribuição de víveres nos templos que funcionavam como proto-estados.

4000-3100 a.C. Na Mesopotâmia surge a civilização de Uruk I (pré-literária), com cidades-estados, templos, estratificação social, uso de sinetes (bullae) com pictogramas que evoluíram para a escrita.

3300–1200 a.C. Início da Idade do Bronze. A liga de cobre e estanho permitiu desenvolver ferramentas mais duras, ampliando a agricultura e o início da militarização.