Pilgram Marpeck 

Pilgram Marpeck (morte em 1556) foi um teólogo e líder anabatista do sul da Alemanha.

Sua obra teológica maior foi a Verantwortung (Apologia ou Defesa). Explica o batismo e a santa ceia.

Um escritor influente em sua época, mas esquecido mesmo entre os anabatistas posteriores, recebeu um renovado interesse no século XX como um expoente do pensamento teológico da Reforma anabatista. Stephen Boyd resume sua avaliação:

Pesquisas recentes se concentraram na importância e implicações da encarnação para a cristologia, soteriologia (salvação), eclesiologia, ética, teologia sacramental (comunhão) e hermenêutica de Marpeck. (…) Em seus argumentos com Schwenckfeld, Entfelder e Bünderlin, Marpeck afirmou a divindade de Cristo, mas enfatizou a humanidade física e histórica de Cristo. O “Espírito irrestrito”, derramado na morte de Cristo, reuniu aqueles que voluntariamente o receberam no “corpo não glorificado” de Cristo na terra, que esperava a união com seu “corpo glorificado” no céu. A recepção do Espírito, justificação, que é selada pelo batismo, a “aliança da boa consciência” (Sebastian Franck, Bernhard Rothmann, Schiemer e Schlaffer), reordena progressivamente a vida (Schwenckfeld, Theologie Deutsch), afeta a santificação e leva à um compromisso com a justiça, não apenas internamente perante Deus, mas também externamente perante a humanidade. Por causa da natureza irrestrita do Espírito de Cristo, Marpeck criticou a busca dessa justiça por meio da espada civil (por exemplo, seus argumentos contra teólogos protestantes e católicos) ou legalismo coercitivo (por exemplo, sua objeção a essas tendências entre os huteritas e irmãos suíços). Devido ao caráter decisivo da encarnação, ele insiste que a Antiga e a Nova Aliança devem ser distinguidas (Schwenckfeld) e que a Bíblia é compreendida adequadamente apenas no contexto de e por toda a comunidade de crentes. — Stephen B. Boyd

BIBLIOGRAFIA

Boyd, Stephen B. Pilgram Marpeck: His life and social theology. Duke University Press, 1992.

Marbeck, Pilgram, and William Klassen. “The Writings of Pilgram Marpeck.” Classics of the radical reformation 2 (1978).

Loserth, Johann, John C. Wenger, Harold S. Bender and Stephen B. Boyd. “Marpeck, Pilgram (d. 1556).” Global Anabaptist Mennonite Encyclopedia Online. 1987. Web. 1 Sep 2022. https://gameo.org/index.php?title=Marpeck,_Pilgram_(d._1556)&oldid=166258.

Massorá

Massorá parva (pequena) e massorá magna (grande) são notas marginais feitas pelos massoretas, copistas eruditos judeus medievais, no texto bíblico hebraico.

Por volta de 600 d.C., os massoretas desenvolveram um sistema de vogais e marcas de acento para registar com precisão a pronúncia e o significado das palavras bíblicas.

Os massoretas também marcaram situações contra erros de cópia e correções de erros existentes. Os massoretos empregavam técnicas e metodologias das anotações críticas alexandrinas e do cristianismo principalmente em Orígenes, Jerônimo e do Livro siríaco de Palavras e Leituras (Smohe w-qroyoto).

A massorá parva são notas detalhadas sobre variantes de escrita (ortografias), informações sobre a frequência de determinadas palavras e até mesmo orientações sobre onde consideravam necessária uma leitura diferente do texto consonantal transmitido.

A massorá magna são listas de passagens inteiras do texto bíblico com alguma variante ortográfica característica, uma sequência particular de palavras ou outra peculiaridade. Aparecem no topo e no pé das páginas dos manuscritos massoréticos.

Annie Marston

Annie Wright Marston, também Annie Westland Marston (1852 – 1937) foi uma autora, apoiadora de trabalho missionário, teóloga e professora de escola dominical inglesa.

Filha de um pastor e médico batista, envolveu-se com o movimento de Keswick. Em 1877, enquanto lecionava a escola dominical para meninas em Keswick, suas pupilas pediram versos da Bíblia para memorizar durante a semana. A prática teve tão grande retorno que Annie escreveu para Children’s Special Service Mission para publicar cartões ou filipetas com listas de versos bíblicos para a memorização infantil.

A prática de memorização de versos, seus cartões e sua recitação semanal antecedem os recitativos dos salmos presentes nas reuniões de jovens da Congregação Cristã.

A irmã de Annie, Eleanor Agnes Marston viajou como missionária em 1887 da Missão do Interior da China. Eleanor conheceu e casou-se com seu colega missionário Cecil Charles Polhill. Cecil era um dos chamados Cambridge Seven, jovens aristocratas que fizeram um voto de serem evangelistas e missionários. O casal desenvolveu várias missões evangelísticas e sociais na China e no Tibete, mesmo enfrentando violência. Cecil ainda visitaria Azusa Street e foi um dos pioneiros pentecostais no Reino Unido.

Veio de uma família ávida pela literatura. O avô Stephen Marson, também pastor batista, criou uma escola e biblioteca. O tipo John Marson e o primo Phillp Burke Marson foram literatos. Annie manteve a tradição familiar, sendo escritora de diversos gêneros.

Annie escreveu vários hinos que eram cantados nas convenções de Keswick. Autorou três livros didáticos que ensinavam geografia, história e antropologia da China, Índia e África para crianças. Inovou ao escrever sob a perspectiva das crianças desses países e sintetizar informações que ela recebia de primeira mão de seus contatos missionários.

Escreveu ainda outros livros (alguns sob pseudônimos) visando a educação moral das crianças, especialmente meninas.

Coautorou a biografia de sua irmã Eleonora e escreveu um livro sobre o Tibete.

Suas reflexões teológicas centravam-se na ação do Espírito Santo, ministério e missão — tópicos sobre os quais também publicou.

John Mill

John Mill (1645-1707) filólogo e crítico textual do Novo Testamento inglês. Viveu e é contado entre os “Caroline Divines”.

Em 1707 saiu seu Novum testamentum græcum, cum lectionibus variantibus MSS. exemplar, versionum, editionum SS. patrum et scriptorum ecclesiasticorum, et in easdem nolis, publicado em Oxford. Essa edição crítica levou trinta anos e avançou a erudição do Novo Testamento, pela inclusão do aparato com as leituras variantes.

Sua edição reimprimiu o texto de Stephanus de 1550, mas exibiu a evidência de 30.000 variantes textuais de manuscritos gregos, pais da igreja e outras versões antigas. O grande número de variantes foi bastante inquietante para alguns tradicionalistas, mas a defesa de Mill pelo filólogo Richard Bentley garantiu a recepção de seu trabalho e a continuidade da crítica textual como disciplina legítima no protestantismo inglês. Bentley argumentou que Mill não era responsável pelas diferenças entre os vários manuscritos, pois apenas as apontou.

Sarah Monod

Alexandrine Elisabeth Sarah Monod (1836 – 1912) foi uma diaconisa, filantropa e feminista evangélica francesa.

Nasceu em Lyon, filha de Hannah Honyman e Adolphe Monod, uma família pastoral huguenote aderente ao réveil. A quarta de sete filhos, Sarah era a mais ativa no ministério desde sua infância.

Depois das mortes dos pais, Sarah juntou-se às Diaconisas de Reuilly em Paris. Com as diaconisas, serviu cuidando dos feridos na Guerra Franco-Prussiana (1870-1871).

Monod passou a dirigir as Diaconisas de Reuilly. Expandiu a atuação ministerial com programas de reeducação prisional e da campanha pelo abolicionismo — o movimento a favor de liberar a prostituição.

Na época, as regulamentações governamentais penalizavam as mulheres e facilitava abusos, tráfico internacional e facilitava a escravidão das prostitutas. O movimento buscava o direito das mulheres de terem acesso a um respeito moral e a uma família estável. Para garantir esse direito, o movimento abolicionista buscava desenvolver a autonomia das mulheres, assegurando direitos de adquirir habilidades e trabalho. Defendiam também a isonomia jurídica e moral no casamento, o que dificultaria os casos extraconjugais dos homens, então protegidos legalmente pelo monopólio masculino sobre os bens e direitos das esposas.

Considerando que as mulheres não tinham acesso à decisão política, Monod articulou a causa feminina através da rede de evangélicos avivados na Europa Continental e no Império Britânico. Boa parte dessa pauta alcançou sucesso na virada do século XX.

Junto de outras líderes feministas (muitas delas evangélicas, como Julie Siegfried, Isabelle Bogelot e Emilie de Morsier), Monod organizou um congresso internacional de mulheres em Paris, com participantes das Américas e da África.

O Conseil national des femmes françaises foi fundado em 1901, com Monod eleita presidente. Esta organização feminista conseguia reunir e articular mulheres de diversas posições políticas e religiosas, desde socialistas como Louise Saumoneau e Elisabeth Renaud até ativistas do conservadorismo católico como Marie Maugeret. Marcou a transição de uma agenda assistencialista para uma proatividade participatória na esfera pública para abordar os problemas sociais.

Sob sua liderança, o movimento avançou juridicamente nas novas as pautas. Estavam em prioridade dar às mulheres casadas o controle sobre seus salários, regulamentação do trabalho feminino, responsabilização da autoridade parental e políticas de reeducação para menores infratores.

Para garantir educação, oportunidades e ambiente moral, fundou pouco antes de sua morte,com Camille Vernes, o ramo francês da Associação Cristã das Moças, a Union chrétienne des jeunes filles.

Como autora, escreveu biografias (de seu pai e da diaconisa Malvesin), um devocional (oração e culto), além de traduções de literatura feminista cristã.

Devido à sua austeridade e influência, a jornalista Jane Misme dizia que Sarah se vestia como uma Quaker e que era a “papisa do protestantismo”.

Foi homenageada com um logradouro em seu nome em Paris, próximo ao Hospital das Diaconisas de Reuilly.

BIBLIOGRAFIA

Cadier-Rey, Gabrielle. “Autour d’un centenaire Sarah Monod.” Bulletin de la Société de l’Histoire du Protestantisme Français (1903-2015) (2012): 771-792.

Poujol, Geneviève. Un féminisme sous tutelle: les protestantes françaises, 1810-1960. Paris: les Éditions de Paris, 2003.

Clipping: Milagres do Espírito Santo

Em fevereiro e março de 1908 o jornal La Parola dei Socialisti em Chicago publicou duas reportagens sobre os cultos da missão pentecostal italiana de West Grand Avenue. Trata-se de um testemunho importante, ainda que em tons de polêmica, da vida comunitária e de culto.

Bertelli, Giuseppe (ed.), & Alves, Leonardo Marcondes. (2022). Miracles of the Holy Ghost–Apostolic Larceny– and Swindling of Imbeciles. Zenodo. https://doi.org/10.5281/zenodo.6481412

https://doi.org/10.5281/zenodo.6481412

Frank D. Macchia

Frank D. Macchia é um teólogo acadêmico ítalo-americano.

Frank Macchia vem de uma família pioneira na Christian Assembly de Gary Indiana, onde sua avó Antoinette Macchia e seu pai Michael Macchia Sr. foram ministros da Palavra.

Frank Macchia foi um dos primeiro pentecostais no mundo a obter um doutorado em teologia sistemática em uma universidade reconhecida. Concluiu seu doutorado em teologia na Universidade de Basel em 1989 pela pesquisa sobre os líderes avivalistas Johann e Christoph Blumhardt, examinando cura divina e libertação social, sob orientação de Jan Milíč Lochman.

Depois de algumas ocupações ministeriais em Illinois, Macchia dedicou-se à carreira acadêmica, princiaplmente como professor de teologia na Vanguard University na Calfórnia. É ministro ordenado das Assemblies of God.

Articulou a teologia pentecostal nos diálogos formais entre pentecostais e a Aliança Mundial de Igrejas Reformadas e na Comissão de Fé e Ordem do Conselho Nacional de Igrejas.

Foi presidente da Society for Pentecostal Studies e editor-chefe de sua revista, PNEUMA.

PENSAMENTO TEOLÓGICO

A teologia de Frank Macchia é construída sobre os temas do reino de Deus e da pneumatologia. Foi um dos teólogos pentecostais que mais aprofundou sobre a glossolalia, a qual dá ênfase primária na intensificação da presença de Deus que essa manifestação acompanha. Assim, sua teologia do batismo no Espírito Santo é menos focada com evidência inicial, examinando a integralidade da vida cristã dos batizados no Espírito.

Há uma preocupação em salientar o papel do Espírito Santo na obra de salvação, corrigindo a ausência de uma pneumatologia na doutrina da justificação como normalmente é tratada pela teologia sistemática protestante. Macchia salienta o papel cooperativo da Trindade na justificação. Relembra o papel do Espírito que decorre da ressurreição de Jesus para a justificação regeneradora, ao invés de uma soteriologia forense.

BIBLIOGRAFIA

Macchia, Frank D. Spirituality and social liberation: the message of the Blumhardts in the light of Wuerttemberg pietism. Scarecrow Press, 1993.

Macchia, Frank. “The Question of Tongues as Initial Evidence: A Review of Initial Evidence, Edited by Gary B. McGee,” Journal of Pentecostal Theology 2 (1993):

Macchia, Frank D. “Tongues as a Sign: Towards a Sacramental Understanding of Pentecostal Experience,” PNEUMA: The Journal of the Society for Pentecostal Studies 15, no. 1 (1993): 68-76.

Macchia, Frank. The Struggle for Global Witness: Shifting Paradigms in Pentecostal Theology. In Globalization of Pentecostalism, ed. Murray Dempster, Byron Klaus, and Douglas Petersen. 8-29. Irvine, CA: Regnum Press, 1999.

Macchia, Frank. Baptized in the Spirit: A Global Pentecostal Theology. Grand Rapids, MI: Zondervan, 2006.

Macchia, Frank D. Justified in the Spirit: Creation, Redemption, and the Triune God. Vol. 2. Wm. B. Eerdmans Publishing, 2010.

Macchia, Frank D. The Trinity, practically speaking. InterVarsity Press, 2012.

Macchia, Frank D. “Pneumatological Feminist/Womanist Theologies: The Importance of Discernment.” Pneuma 35.1 (2013): 61-73.

Thomas, John Christopher, and Frank D. Macchia. Revelation. Wm. B. Eerdmans Publishing, 2016.

Macchia, Frank D. Jesus the Spirit baptizer: Christology in light of Pentecost. William B. Eerdmans Publishing Company, 2018.

Macchia, Frank D. “Baptism in the Holy Spirit-and-Fire: Luke’s Implicitly Pneumatological Theory of Atonement.” Religions 9.2 (2018): 63.

Macchia, Frank D. The Spirit-Baptized Church: A Dogmatic Inquiry. Bloomsbury Publishing, 2020.


Sobre Macchia

de Jong, Marinus. Thy Kingdom Come: Frank Macchia and Jürgen Moltmann on the Spirit and the Kingdom. University of Oxford, 2013.

Harris, I. Leon. “Holy Spirit as communion: Colin Gunton’s pneumatology of communion and Frank Macchia’s pneumatology of Koinonia.” University of Aberdeen, 2014. 

Stephenson, Christopher A. Types of Pentecostal theology: Method, system, spirit. Oxford University Press, 2013.

Værnesbranden, Torgeir. “Baptism in the Spirit : a theological analysis of the phenomenon of Spirit baptism” Mestrado em Teologia, MF, Oslo, 2020.