Ósculo santo

Ósculo santo ou beijo da paz é uma forma se saudar entre a comunidade cristã primitiva. Aparece em finais de cartas como 2 Co 13:12; Rm 16:16; 1 Co 16:20; 1 Ts 5:26, 1 Pe 5:14, cf. Lc 7:45.

Gen. Rab. 70.12 diz “todo beijo é indecente exceto nessas três situações: beijar alguém em cargo superior, beijar quando se reúne, beijar quando se parte”.

Contemporaneamente, faz parte da liturgia e cotidiano de diversos grupos cristãos, sobretudo primitivistas.

Óstraco

“Caco de cerâmica” na Septuaginta é ostrakon (Jó 2:8; Sl 21:16 LXX [22:15])

Conchas, cacos de pedra ou fragmentos de cerâmica usados para a escrita com tinta ou riscos sobre a superfície lisa.

Na Grécia escrevia o nome do cidadão a ser banido, daí o ostracismo.

A abundância de cacos de cerâmica tornava-os um meio barato e fácil para a escrita. Seriva para documentos curtos, como cartas, quirógrafos, recibos, listas e notas. Embora inadequado para documentos mais longos, como os livros bíblicos, ostraca pode ter sido usado para registrar oráculos proféticos e provérbios. Um bom número de óstracos coptas registram trechos bíblicos, interpretados como de função apotropaicas.

Alguns sítios arqueológicos providenciaram abundantes óstracos, como Arad, Hesbon, Samaria e as cartas de Láquis. Mais de setenta óstracos foram encontrados em um armazém em um dos palácios de Samaria. Maior parte eram para o controle de azeite e vinho pagas como impostos ao rei, datadas do início do século VIII a.C. (reinado de Jeroboão II). Em 1935 e 1938, vinte e um óstracos foram encontrados nas escavações da antiga Láquis. A maioria delas são cartas escritas por um oficial, pouco antes da captura da cidade pelos babilônios em 589-588 a.C.

Oseias

Oseias, filho de Beeri, foi um profeta do Reino do Norte (Israel). O nome significa “Yahweh salva”.

Teria profetizou durante a segunda metade do século VIII, próximo à época de Amós, durante o reinado do rei Jeroboão II (785-743 a.C.). Era um período de estabilidade para Israel, mas a Assíria estava começando a se levantar.

Seu casamento com Gomer e seus filhos são uma metáfora prolongada ou símbolo da infidelidade de Israel. Profetizando em uma época de prosperidade, não viu a queda de Israel

É um dos mais difíceis livros proféticos, com o hebraico muito difícil e às vezes parece um tanto obscuro. Junto de Amós é considerado um dos primeiros profetas literários, aqueles com livros, e um dos mais antigos livros a antigir sua forma canônica. No período persa ou helenista passou a integrar a coletânea dos Doze Profetas, a qual reúne os Profetas Menores.

Obadias

O menor livro da Bíblia Hebraica/Antigo Testamento inspirou textos muitas vezes maiores que ele. Sua mensagem é simples: Deus pune a violência e injustiça. Entretanto, seu conteúdo desperta muita fascinação pelas questões que levanta.

Pouco se sabe de Obadias (Heb. “Servo do Senhor”). O Talmude é cheio de lendas sobre ele, mas sem valor histórico. Alguns comentadores acreditam que Obadias, semelhantemente ao também desconhecido Malaquias, seja um título e não um nome próprio. É aceito que o profeta vivera no reino do sul, Judá.

É um livro difícil de datar, sendo sua composição estimada entre 853 a 400 a.C. Houve dois momentos em que o reino de Israel foi ameaçado pelos edomitas:

  • 853-841 a.C.: quando Jerusalém foi invadida pelos filisteus e árabes, no reinado de Jeorão (2 Re 8:20-22; 2 Cr 21:8-20), fazendo Obadias contemporâneo de Eliseu.
  • 605-586 a.C.: durante o cerco e conquista de Jerusalém por Nabucodonosor, o que faria Obadias contemporâneo de Jeremias.

Aparentemente o livro foi escrito depois de uma invasão com sucesso ao reino de Israel-Judá, onde os edomitas tomaram parte. A profecia de Obadias é, portanto, contra o povo de Edom, que são descendentes de Esaú (Gen. 36:8-9).

Houve conflitos entre os israelitas e edomitas durante o êxodo (Nm 20:14-21) e continuou até a sujeição de Davi (2 Sm 8:14). No reinado de Jeorão, os edomitas se revoltaram (2 Re 8:20-22; 2 Cr 21:8-10) e escolheram um rei para si. A inimizade entre Israel e Edom continuou após o exílio Babilônico e Malaquias profetizou o fim dessa nação (Ml 1:3-4). Mais tarde os Nabateus, povo árabe, conquistaram Edom e o povo dispersou pelo Negebe, passando a serem conhecidos como idumeus. Por volta de 120 a.C. foram subjugados por rei macabeu João Hircano, que obrigou muito deles a circuncidarem e aceitarem a Lei de Moisés.

Este pequeno livro, o menor do AT, difere dos outros profetas na ausência da mensagem de “arrependa ou seja destruído”, mas indica a inexorável destruição dos inimigos do povo de Deus como consequências de suas prévias ações.

Serve para relembrar que Deus pode tratar os membros da mesma família (Esaú e Jacó) tanto com perdão ou com ira, conforme seus atos. Toda violência e injustiça é pecado e Deus não deixará impune. A impressão é que a fortaleza e segurança que as montanhas de Edom proporcionavam, fizeram que o edomitas se sentissem auto-confiantes, visto que nem mesmo o culto a algum deus é registrado deles. Há uma escola de pensamento que vê o livro de Obadias como uma alegoria da punição do pecado em geral pelo Messias.