Hendíade

Hendíade é uma figura de retórica que usa dois nomes ou substantivos coordenados em vez de um substantivo e seu atributo. Por extensão, é o uso de duas palavras para expressar um só conceito. Em português a expressão “barba e bigode” para expressar completude é um exemplo.

E servirá de sinal e de testemunho ao Senhor dos Exércitos na terra do Egito, porque ao Senhor clamarão por causa dos opressores, e ele lhes enviará um Redentor e Protetor que os livrará. Is 19:20

Heveus

Os heveus, em hebraico: hivim, חוים, eram um grupo de descendentes de Canaã, filho de Cão, de acordo com a Tabela das Nações em Gn 10:17.

No livro de Josué e Juízes os heveus viviam na região montanhosa do Líbano, de Lebo Hamath (Jz3: 3) ao Monte Hermon (Js 11: 3). O Texto Masorético faz confusão entre “heveus” e “horitas” acerca de outros locais em diversas passagens de Josué e Samuel, possivelmente pela semelhança das letras hebraicas Vav e Resh, enquanto a Septuaginta registra “horita”.

O censo de Davi incluiu cidades dos heveus (2 Sm 24: 1–7) e durante o reinado de Salomão aparecem como parte do trabalho escravo para seus projetos de construção (1 Re 9:20–21, 2 Cr 8:7-8).

Hagiógrafa

Designação grega e latina para os “Escritos” (os Ketuvim) parte da terceira divisão da Bíblia Hebraica, junto da Lei (Torá) e dos Profetas.

Os livros da hagiógrafa incluem Salmos, Jó, Provérbios, Rute, Cânticos dos Cânticos (Cantares), Qoheleth (Eclesiastes), Lamentações, Ester, Daniel, Esdras, Neemias e 1–2 Crônicas.

Herodes, o Grande

Herodes I, cognominado de Herodes, o Grande, (Ἡρῴδης, Hērōdēs), foi rei dos judeus de 37 a.C. a 4 a.C. e membro mais prominente da família herodiana.

Filho de um idumeu incorporado ao povo de israel pelos macabeus, Herodes ganhou a simpatia dos seus senhores romanos e foi um rei-vassalo em total lealdade a Roma.

Realizou programas de construção grandiosos, como a reforma do templo de Jerusalém e a construção de Cesareia.

De acordo com Mt 2:1-18, Lc 1:5, o nascimento de Jesus ocorreu enquanto Herodes era rei.

Após a morte de Herodes , Augusto dividiu seu reino. Para Arquelau coube o título de etnarca e metade do território (Judeia, Idumeia e Samaria). A outra metade foi dividida em duas tetrarquias: Antipas recebeu Galiléia e Pereia; Filipe recebeu Bataneia, Traconites e Auranites.

Código de Hamurabi

É um conjunto de leis compiladas durante o reinado de Hamurabi em c.1750 a.C. na Babilônia. Constitui um importante paralelo bíblico, principalmente para as normas de Êx 20-23.

Não se trata de um código legal no sentido moderno, mas uma compilação de normas, a maioria de leis casuísticas (aquelas que declaram uma ordem ou proibição condicional). Outras compilações legais já existiam em várias sociedades mesopotâmicas, mas o Código de Hamurabi é o mais completo.

O rei Hamurabi, do Antigo Império Babilônico, expulsou invasores, juntou cidades vizinhas e fez da Babilônia a capital. Seu código é provavelmente uma compilação de decisões tipicamente invocadas por analogia no direito costumeiro mesopotâmico. Não há indicações de que tenha sido citado ou empregado por subsunção.

Esta estela foi encomendada por Hamurabi, provavelmente após seu 35º ano de reinado, quando ele derrotou Zimri-Lim, governante de Mari. É um monumento monolítico talhado em rocha de diorito. Compreende 46 colunas escritas em acádio. São 282 normas legais em 3.600 linhas. A numeração vai até 282, mas a cláusula 13 foi excluída por provável motivo de mau agouro. Possui 2,25 m de altura, 1,50 m de circunferência na parte superior e 1,90 m na base.

Código de Hamurabi organizado tematicamente

  • Direito processual: acusações falsas (1-4), alteração de decisões legais (5), questões de testemunhas (7, 9-12).
  • Direito penal: Roubo (6-12, 21-25, 259-260), Compra de propriedade roubada (6-7), sequestro (14), assassinato (153).
  • Escravidão: (15-20) escravidão temporária para pagar dívidas (117-119), mulheres escravizadas e esposas (141, 144, 146-147), filhos de escravos podem adquirir direitos de filhos naturais (171-172), direitos da mãe e dos filhos quando a esposa é livre e o marido é escravo (175-176), marcação para venda (226-227), preço em caso de morte acidental (252), questões de compra (278-282).
  • Soldados: (26-29, 32-35) e esposa de prisioneiros de guerra (133-135)
  • Direito imobiliário: usucapião (30-31), venda ou transferência de título de propriedade (imóvel alugado: 36-38, posse: 39-40), inquilino ou agregado (42-47, 253-256), contratação de alguém para cultivar terra que não tinha sido usada (60-65)
  • Responsabilidade de danos materais: inundação e Irrigação (53-56), pastoreio ilegal (57-58), corte de uma árvore (59)
  • Dívidas: produto da terra como garantia (48-52), escravidão temporária para pagar (117-119), acordos pré-nupciais (151-152)
  • Direito laboral: (256-257, 261, 272-277)
  • Corretagem e comércio: conflitos com o comerciante (100-107)
  • Tabernas: (108-111)
  • Confiar bens a terceiros em custódia: (112-113, 120-126)
  • Restrição ao uso da força para recuperação de posse: (114)
  • Prisioneiros: (115-116)
  • Crimes sexuais e acusações: (127-132), Incesto (154-158)
  • Custos de construção e passivos: (228-233)
  • Custos de envio e responsabilidades: (234-240)
  • Aluguel de animais: (241-249, 268-271)
  • Responsabilidades dos pastores: (262-267)
  • Lesões corporais: (195-205), morte acidental (206-208), aborto (209-214), lesões de um animal (251-252)
  • Profissão médica: (206), custos cirúrgicos e negligência (215-223), custos veterinários e negligência (224-225)
  • Direito de família: abandono: esposa do prisioneiro de guerra (133-135), marido abandona a esposa (136), divórcio: o marido deseja se divorciar da esposa (137-140), a esposa deseja se divorciar do marido (141-143), poligamia: esposa e serva (144-147), a primeira esposa sofre de longa doença (148-149), responsabilidade por dívidas: (151-152), incesto: (154-158), casamento: (159-161), problemas com o dote se a esposa morrer: (162-164), herança: direito da esposa de distribuir os bens dados a ela (150), partilha (166-167), deserdar um filho (168-169), direitos dos filhos da esposa e filhos da serva (170-171), direitos de esposa após a morte do marido (171-172), distribuição do dote quando a esposa morre após o novo casamento (172-174), direitos da mãe e dos filhos quando a esposa é livre e o marido é escravo (175-176), viúva guardiã dos bens dos filhos após novo casamento (177), direitos de herança de uma filha (178-184), adoção: (185-193) cuidados com a criança: (194).

Paralelos entre a Bíblia e o Código de Hamurabi

SAIBA MAIS

Código de Hamurabi: um resumo

Habitantes das cavernas

Os habitantes das cavernas ou trogloditas (grego: Τρωγλοδύται) são pessoas de diversos grupos étnicos que fizeram de cavernas naturais ou escavadas suas habitações.

Durante o mesolítico, a cultura Natufiana (13 050-7 750 a.C.) adotou uma vida semi-sedentária, abrigando-se em cavernas e acampamentos. Sua economia baseava-se na colheita de grãos selvagens para produzir pão e cerveja e na caça de gazelas. Domesticavam cachorros e demonstravam hierarquização social em seus cemitérios. Essa cultura recebe o nome de seu principal sítio arqueológico, Natuf, onde está a Caverna de Shuqba, a 28 km a noroeste de Jerusalém nas montanhas da Judeia. Na caverna de Ain Sakhri (Belém) foi encontrada uma das mais antigas esculturas representando um casal, os Amantes de Ain Sakhri (9 000 a.C.).

O uso de cavernas para moradias e aldeias continuou depois da emergência de sociedades sedentárias a partir do neolítico.

Como outras regiões com longa história de uso de cavernas e grutas para habitações (Capadócia, os pueblos do Sudoeste americano, os sassi de Matera na Itália, as vilas escavadas da Tunísia, Uplistsikhe), a região sul da Palestina, Jordânia e norte da Arábia foi o lar de povos como os midianitas, thamud, edomitas e nabateus. Os sítios de Madain Saleh e Petra ainda causam admiração dos visitantes por suas grandiosidades.

Apesar de as cavernas de Altamira e Lascaux revelarem a sensibilidades dos habitantes das cavernas, o habitantes das aldeias e cidades edificadas passaram a discriminar esses moradores como rústicos.

O livro de Jó menciona:

1Mas agora se riem de mim os de menos idade do que eu, e cujos pais eu teria desdenhado de pôr com os cães do meu rebanho. 2De que também me serviria a força das suas mãos, força de homens cuja velhice esgotou-lhes o vigor? 3De míngua e fome se debilitaram; e recolhiam-se para os lugares secos, tenebrosos, assolados e desertos. 4Apanhavam malvas junto aos arbustos, e o seu mantimento eram raízes dos zimbros. 5Do meio dos homens eram expulsos (gritava-se contra eles como contra um ladrão), 6para habitarem nos barrancos dos vales e nas cavernas da terra e das rochas. 7Bramavam entre os arbustos e ajuntavam-se debaixo das urtigas. 8Eram filhos de doidos e filhos de gente sem nome e da terra eram expulsos. Jó 30:1-6.

Em vários locais do mundo da Antiguidade são mencionados habitantes das cavernas por geógrafos e historiadores gregos e romanos, incluindo Heródoto, Agatárquides, Diodoro Sículo, Estrabão, Plínio, Josefo, Tácito (século I dC), Cláudio Aeliano, Porfírio.

A vida em cavernas se mantém constante na região até os dias atuais.

No distrito de Masafer Yatta, na parte sul da Cisjordânia, cerca de 1.500 palestinos em uma dezena de aldeias vivem em cavernas.

De acordo com a pesquisa de Ali Qleibo, um antropólogo palestino que estuda essas comunidades, as tribos do sul de Jerusalém aos arredores de Berseba eram todas comunidades de habitantes das cavernas até o século XIX. Ali Qleibo registra a prática de oferendas de alimentos em altares, blocos rústicos de pedra, ainda praticado por essa população, embora não identifiquem tais atos como violação dos preceitos do islam.

BIBLIOGRAFIA

Al Jazeera. The last cave dwellers of Palestine. 2015. https://www.aljazeera.com/gallery/2015/8/8/the-last-cave-dwellers-of-palestine/

Herodes Antipas

Em grego Ἡρῴδης Ἀντίπας, (c.25 a.C.-depois de 39 d.C.), era filho de Herodes, o Grande, e de Maltace. Herodes Antipas aparece no Novo Testamento com maior frequência do que qualquer outro membro da família herodiana, sendo referido apenas como “Herodes”.

Os ministérios de João Batista e Jesus ocorreram durante seu governo. É mencionado brevemente (Mc 8:15; Lc 3:1; 8:3; At 13:1), mas foi o interrogador de Jesus depois que Pilatos o enviou (Lc 23:2-15). Lucas registra outro incidente anterior quando Antipas buscava Jesus para matá-lo (Lc 13:31–35). Quando vários fariseus alertaram Jesus, ele chamou Antipas de “raposa”. A igreja primitiva implicou Antipas na morte de Jesus junto com Pilatos, os gentios e o povo de Israel (At 4:25-27).

Educado em Roma, Antipas era o único herdeiro de Herodes, o Grande, mas este antes de morrer mudou seu testamento dividindo seu reino em quatro: a Arquelau, Filipe, Salomé e Antipas. (Josefo Antiguidades 17.188; Guerra Judaica 1.620-646).

Antipas e Arquelau contestaram o testamento e Augusto César nomeou Antipas tetrarca da Galileia e Pereia, onde governou por 43 anos.

Um político astuto e negociador, fundou a cidade de Tiberíades (em homenagem a Tibério) e a povoou com gente pobre e escravos libertos.

A primeira esposa de Antipas era filha de Aretas, rei da Arábia Pétrea. Durante uma viagem a Roma, Antipas se hospedou com seu irmão Herodes II e se apaixonou por Herodias, sua cunhada. O incidente levou à guerra com seu ex-sogro e à morte de João Batista, que censurou a relação adúltera.

Aretas, aproveitando as complicações sucessórias pela morte do imperador Tibério (37 d.C.), tomou posse de Damasco (2 Co 11:32; At 9:25). Talvez coincida com a época quando Paulo voltou da Arábia para Damasco.

Em 39 d.C., o imperador Gaio Calígula nomeou Herodes Agripa como rei do antigo reino de Herodes, o Grande. Então, Herodias convenceu Antipas a ir a Roma e persuadir o imperador a torná-lo rei. Mas, Agripa insinuou a César que Antipas tinha intenção de revolta. Antipas e Herodias foram banidos para Lyon, na Gália e o território de Antipas foi incorporado ao de Agripa (Josefo, Antiguidades Judaicas 18.240-55; Guerra Judaica 2.181-83).

Herodias

Em grego Ἡρῳδιάς, filha de Aristóbulo IV e Berenice, sendo neta de Herodes, o Grande e irmã de Herodes Agripa I.

Herodias casou-se duas vezes com seus tios. Primeiro, com Herodes (Filipe) mencionado em Mt 14: 3), de quem deu à luz uma filha, Salomé. Depois, com Herodes Antipas, quando os dois se divorciaram de seus respectivos cônjuges.

Segundo Josefo Herodes Antipas havia sido casado com a filha de Aretas, rei-vassalo da Arábia Pétrea. Quando Antipas convenceu Herodias a se casar com ele, a filha de Aretas enviou a Herodíades a Maquero, na fronteira entre os territórios de Aretas e Herodes, sem nenhum dos quais soubesse de suas intenções. Estorou uma guerra entre Aretas e Antipas, na qual Antipas perdeu seu exército (Josefo, Antiguidades Judaicas, 18.109-115).

A censura pública por João Batista desse casamento irritou Herodes (Lc 3:19-20; 9:7-9) e inflamou a retaliação de Herodias, que fez Salomé pedir a cabeça de João Batista (Mt 14:3-12; Mc 6:17-29).

Herodianos

Em grego Ἡρῳδιανοί, “seguidors de Herodes”. Talvez um partido ou facção político-religiosa que apoiavam Herodes Antipas.

Aparecem junto dos fariseus na questão do pagamento de impostos a César (Mt 22: 15-22; Mc 12: 13-17).

Aparece em um só outro lugar em Marcos (3: 6). Embora muitas variantes de Marcos 8:15 contenha ao invés “de Herodes” apareça “dos herodianos” (p45 G W Θ f1 f13 28 205 565 1365 l76 l673 l813 l1223 iti itk vgms copsa(mss) arm geo).

Há uma hipótese de que os herodianos seriam os mesmos que os betusianos ou boetusianos, um ramo dos saduceus. Simão filho de Boeto de Alexandria ou o próprio Boeto foi feito sumo sacerdote por volta de 25 ou 24 a.C. por Herodes, o Grande, para casar-se com sua filha Mariamne (Josefo, Antiguidades Judaicas 15.9.3; 19.6.2.