Papiros de Karanis

Karanis foi um assentamento greco-romano em Fayum, Egito. A missão arqueológica da Universidade de Michigan escavou no local de 1924 a 1935.

Uma das principais figuras ligadas a essa missão arqueológica foi David Askren (1875-1939). Askren foi um médico missionário presbiteriano que se instalou no norte do Egito em 1899. Por tratar de trabalhadores rurais egípcios, soube da prática dos camponeses escavarem ruínas em busca de fertilizantes. Askren acabou desenvolvendo relacionamentos com trabalhadores e negociantes egípcios locais e se tornou um canal para a venda de manuscritos. Obteve materiais que agora estão no Smithsonian, Universidade de Columbia, Princeton, Yale, na Universidade de Michigan, na Biblioteca Pierpont Morgan em Nova York e Luther College em Iowa. No início da década de 1930, o Dr. Askren trabalhou com uma equipe da Universidade de Michigan que estava escavando Karanis.

Entre os papiros descobertos em Karanis encontram-se vários fragmentos tando da Bíblia Hebraica quanto do Novo Testamento.

BIBLIOGRAFIA

Wilfong,  Terry G.; Ferrara, Andrew W. S. Karanis Revealed: Discovering the Past and Present of a Michigan Excavation in Egypt. Kelsey Museum publications, 7. Ann Arbor, MI: Kelsey Museum of Archaeology, 2014.

Fonte Q

A fonte de Q (do alemão Quelle, fonte) é uma hipotética fonte comum – oral ou escrita – que os autores dos evangelhos de Mateus e Lucas usaram independentemente de Marcos.

A teoria das duas fontes é dada como a solução primária para o problema sinótico na maioria dos livros introdutórios.

O material compartilhado por Mateus e Lucas, mas não encontrado em Marcos consiste quase inteiramente em ditos de Jesus.

Há a suposição que Mateus foi o seu autor. No século II d.C., Papias disse sobre Mateus ter escrito os Oráculos ou Logia de Jesus. Contudo, outro autor do século II, Irineu, diz que Mateus teria compilado um evangelho em língua semítica, mais tarde traduzido para grego.

A fonte Q conteria as beatitudes, o grande mandamento, diversas parábolas (construção sobre a rocha, ovelha perdida, das bodas, talentos, fermentos, cegos guiando cegos, pássaros dos céus e lírios dos campos), vários ensinos e a oração do Pai Nosso.

BIBLIOGRAFIA

Kloppenborg, John S. Q, the earliest Gospel: an introduction to the original stories and sayings of Jesus. Westminster John Knox Press, 2008.

Inscrições de Kuntillet ʿAjrud

Inscrições epigráficas encontradas em um caravançarai no deserto árido do Sinai central a cerca de 50 km ao sul de Cades-Barneia , datadas ente 801-770 a.C. Atestam ligações comerciais entre o Reino do Norte (Israel) e regiões do sul do Levante e do Egito, na rota do Mar Vermelho ao Mediterrâneo, conhecida hoje como Darb el-Ghazza.

Kuntillet ʿAjrud, em arábe para “Colina solitária dos poços”, floresceu no período Omríada. O sítio arqueológico foi descoberto em 1869 por Edward Palmer (1871), que acreditava ter encontrado Gypsaria, um antigo forte comercial romano na estrada entre Eilat e Gaza. Em hebraico o sítio é chamado Horvat Teman, “extremo sul”.

Escavações realizadas na década de 1970 encontraram dois grandes vasos com desenhos, grafitis e textos intrigantes. Os grafitis retratam várias divindades, humanos, animais e símbolos.

O sítio não possui menção bíblica, mas atesta a plausibilidade da fuga de Elias da perseguição no reino de Israel.

Duas inscrições notórias mencionam várias deidades semíticas, dentre elas “Yahweh e sua Asserá”.