Saraiva

Saraiva ou granizo são gotas ou pequenos blocos congelados que precipitam. Aparece na Bíblia como um sinal do julgamento de Deus. O granizo caiu com fogo como uma das dez pragas do Egito (Êx 9:23). Uma tempestade de grandes pedras de granizo destruiu o exército dos amorreus quando eles fogem do exército de Josué (Js 10:11). Ageu menciona Yahweh destruindo plantações com granizo (Ag 2:17). O Apocalipse também descreve o granizo (às vezes misturado com fogo ou sangue) na ira e do julgamento de Deus (Ap 8: 7; 11:19; 16:21).

Sinagoga

As sinagogas eram locais e instituições sociais e religiosas dos israelitas na Antiguidade. Sua existência é atestada a partir do período helenista (do século III a.C. em diante), tanto na Diáspora quanto na Palestina.

Hipóteses outrora acreditadas de que a sinagoga surgiu durante o cativeiro babilônico como substituição do culto do templo ou que no final do século I d.C. houve uma separação entre cristãos — que ficaram com a Igreja — e os judeus, que permaneceram na Sinagoga, não são hoje consideradas válidas.

As sinagogas na Antiguidade eram instituições multifuncionais para leitura das Escrituras, orações, jejuns e festividades bem como fórum, escola, tribunal, tesouraria e arquivos públicos de sua comunidade. Seu culto incluia confissão de fé, oração, leitura das Escrituras, sermão e bênção. Análogos de organizações voluntárias e cultuais existiam em ambientes greco-romanos (collegia) e egípcio (per ankh). Os registros literários, epigráficos e arqueológicos apontam que, de fato, no século I d.C. houve uma profusão de sinagogas ou casas de oração (proseuche). Contudo, há registros arqueológicos anteriores como Schedia (Egito, século III a.C.), Delos (Grécia, século II a.C., congregando samaritanos) e Óstia (próximo a Roma, século I d.C), que atestam a distribuição pela Diáspora e sua antiguidade.

O Novo Testamento registra como as sinagogas foram locais para a pregação de Jesus e depois de seus discípulos, favorecendo a propagação do cristianismo na Diáspora. As homílias anti-judaicas de João Crisóstomos e a legislação anti-sinagoga no século V d.C. indicam que as sinagogas continuaram como local conjunto de vida social e cúltica dos cristãos e judeus por muito tempo.

BIBLIOGRAFIA

Levine, Lee I. The Ancient Synagogue: The First Thousand Years. New Haven: Yale University Press, 2005.

Runnesson, Anders, Donald D. Binder, and Birger Olsson. The Ancient Synagogue from Its Origins to 200 C.E.: A Source Book. Leiden: Brill, 2008.

Período do Segundo Templo

O período do Segundo Templo (539 a.C-70 d.C.) começa quando os israelitas na Judeia, Mesopotâmia e Egito se encontravam sob o domínio persa e puderam reconstruir o templo em Jerusalém e termina com a sua destruição pelos romanos.

Por seis séculos, os israelitas estiveram sob os impérios persa, grego, macabeu e romano.

A cultura religiosa desenvolveu uma série de características como a sacralização do texto da Bíblia, instituições como a sinagoga, a noção do próprio judaísmo como uma identidade religiosa, uma intensa expectativa messiânica, um sentimento de que as obras de inquidades levaram à opressão e diáspora.

O período do Segundo Templo é reconstruído por várias fontes literárias – como os Apócrifos e Pseudepígrafas; obras de autores que escreveram em grego, como o filósofo judeu do século I Filo de Alexandria e o historiador Flávio Josefo; o conjunto de textos descobertos nas cavernas do deserto da Judeia, principalmente os Manuscritos do Mar Morto; o Novo Testamento; e outras fontes.

As evidências arqueológicas de Jerusalém, Massada e outros locais ajudam a reconstruir uma imagem de como a cultura judaica emergiu dos resquícios da antiga cultura israelita e se desenvolveu no que mais tarde seria conhecido como cristianismo e judaísmo rabínico.

Soteriologia transformativa

As soteriologias transformativas são modelos que explicam o papel dos ensinos e obra de Jesus Cristo para a salvação centrados em seus efeitos transformativos.

No cristianismo oriental a salvação é compreendida como um processo de se tornar participante da natureza divina (2 Pe 1:4) ou de redenção (resgate).

No ocidente, por influência de Agostinho, surgiram diversas outras soteriologias forenses (aquela que visa declarar o ser humano pecador justo diante de Deus). Nessa linha se desenvolveram o catolicismo romano com uma soteriologia penal-sacramental, a soteriologia da satisfação de Anselmo, a justiça imputada de Lutero, da substituição vicária de Calvino, da sinergia de Armínio, a justificação governamental de Grócio, dentre outras.

Alternativamente, os anabatistas enfocaram nos efeitos da salvação ao invés do início de seu processo como os reformadores magistrais. Essa perspectiva transformativa foi reproduzida entre os pietistas e afetou o pensamento dos avivalistas, especialmente de John Wesley. Wesley combinou uma soteriologia forense magistral arminiana com a soteriologia transformativa. Em outros desdobramentos, a soteriologia de Keswick adotou uma ênfase transformativa.

O pentecostalismo clássico abraçou plenamente a soteriologia transformativa na fórmula quádrupla de que Jesus Cristo salva, batiza com o Espírito Santo, cura e é o rei vindouro. Dependente e passivo em uma relação da graça, essas ações transformam o indíviduo, agrega-o à Igreja, transforma o corpo e o mundo por milagres sanatórios e espera o reino de justiça.

Um subgrupo pentecostal, influenciados pela soteriologia de Keswick, refinou esse conceito na doutrina da Obra Plena do Calvário. Por ela, a salvação concorre ação do Triúno Deus completada objetivamente na morte, ressurreição e envio do Espírito Santo por Jesus Cristo. Em uma eleição corporativa o pecado é limpado. A justificação não ocorre separadamente da conversão e do novo nascimento, visto ser a salvação um processo regenerativo. Assim, por esse ato de graça para toda humanidade, os crentes são regenerados pela fé nessa obra plena e, revestidos de poder do Espírito Santo, caminham em santificação rumo à glória eterna.

BIBLIOGRAFIA

Kraus, C. N. (1992) Interpreting the atonement in the Anabaptist-Mennonite tradition. Mennonite quarterly review, 66(3), 291–311.

Macchia, Frank D. Justified in the Spirit: Creation, Redemption, and the Triune God. Vol. 2. Wm. B. Eerdmans Publishing, 2010.

Olson, Roger E. Arminian theology: Myths and realities. Downers Grove, Illinois: InterVarsity Press, 2006.

VEJA TAMBÉM

Justificação

Graça

Salvação

Soteriologia forense

Sangar

Um dos libertadores de Israel no período dos juízes. Teria matado 600 filisteus com uma aguilhada de boi (Texto Massorético) ou uma relha de arado (Septuaginta).

Seu nome aparenta ser hurrita. É chamado de “filho de Anate”, mas não se sabe se é um patronímico ou uma alusão ao seu feito guerreiro (Anate era a personificação da deusa da batalha e destruição na mitologia sírio-cananeia).

Aparece brevemente em um versículo (Jz 3:30) que em alguns manuscritos gregos aparece antes de Jz 16:1. Adicionalmente, o cântico de Débora alude a ele (Jz 5).

Embora não seja chamado de juiz, tradicionalmente é contado entre eles.

Senaqueribe

Senaqueribe, em hebraico סַנְחֵרִיב, reinou de 705 a681 aC. como segundo rei da dinastia dos sargônidas da Assíria, fundada por seu pai Sargão II.

Realizou incursões campanhas contra as cidades fenícias, Laquis e cercou Jerusalém. Depois de saquear a Babilônia, ele foi assassinado por seus filhos.

Em 701 a.C., Senaqueribe marchou para conter as revoltas no sul do Levante. Enquanto isso, o rei de Ecrom apontado pela Assíria foi levado para Jerusalém acorrentado e entregue a Ezequias, que o aprisionou.

Senaqueribe estava no cerco da cidade de Laquis, por isso enviou seus emissários a Jerusalém para exigir a libertação do rei preso e a rendição da cidade.

Enquanto os oficiais assírios lidavam com o problema em Jerusalém, Senaqueribe capturou Laquis e massacrou sua população. Os sobreviventes foram deportados para regiões da Assíria.

Durante o cerco, Ezequias libertou o Rei de Ecrom e enviou pagamentos em ouro e prata para Senaqueribe em Laquis.

O exército assírio retirou-se de Jerusalém para lutar contra os egípcios em Eltekeh. Depois de derrotarem as forças egípcias sufocaram as rebeliões em Ecrom, Tiro e Sidom.

O relato datado de cerca de 690 a.C. conta que Senaqueribe destruiu 46 das cidades de Judá e cercou Ezequias em Jerusalém “como um pássaro enjaulado”, conforme o Prisma de Senaqueribe.

O Antigo Testamento menciona Senaqueribe em 2 Rs 18:13–19:37 e seu paralelo em 2 Cr 32:1–23. Relato similar aparece em Is 36–37, mas omite o tributo de Ezequias a Senaqueribe.

Segundo o relato bíblico Ezequias se preparou para o ataque de Senaqueribe reconstruindo as defesas de Jerusalém e desviando a água para a cidade (2 Cr 32: 2–8). O tunel de Siloam atesta esses esforços. Senaqueribe então enviou uma segunda delegação para anunciar a destruição de Jerusalém (2 Re 19: 9–13; 2 Cr 32: 9–19). Ezequias novamente recebeu uma profecia de Isaías prometendo que o Senhor os libertaria (2 Re 19:14–34; 2 Cr 32: 20–21). Então, Senaqueribe voltou a Nínive depois que um anjo do Senhor matou 185.000 do exército assírio (2 Re 19: 35–36; 2 Cr 32: 21a). Foi assassinado por seus filhos e sucedido por Esar-Hadom (2 Re 19:37; 2 Cr 32: 21b).

Samaria

Samaria foi uma cidade e capital do reino do norte de Israel. A designação “Samaria” também pode referir-se ao Reino do Norte ou Israel, bem como a região circundante ou a área central dos samaritanos.

No início do século IX sob a dinastia de Onri (1 Re 16) a cidade foi um importante centro comercial e político.

Destruída pelos assírios em 722 a.C (2 Reis 17); seus principais cidadãos foram exilados e estrangeiros da Síria e da Mesopotâmia reassentados.

Samaria foi reconstruída com estilo helenístico a partir de 30 aC por Herodes, o Grande, que a renomeou como Sebaste em homenagem a Augusto César (‘Sebastos’ é a forma grega de ‘Augusto’).

Apesar da semelhança dos nomes, os samaritanos não consideram a cidade de Samaria importante, mas sim Siquém/Nablus, dada sua proximidade com o Monte Gerezim. Por essa razão, eruditos contemporâneos distinguem entre “samarianos” (habitantes de Samaria) e “samaritanos” (adeptos da religião israelita).

Sinai

Uma península triangular desértica e rochosa entre Israel e Egito atravessada pelos israelitas libertos do Egito durante o êxodo.

O Monte Sinai, também chamado de Horebe, é o local da revelação dos Dez Mandamentos a Moisés. Sua localização atual é desconhecida, embora um pico e vale no sul da penísula seja tradicionalmente identificados como este local, onde está o Monastério de Santa Catarina.