Suzanne de Dietrich

Suzanne de Dietrich (1891-1981). Biblista e popularizadora da Bíblia franco-alemã (alsaciana) de confissão luterana e reformada.

Estudou engenharia em Lausanne e envolveu-se com a juventude cristã. Iniciou estudos bíblicos entre estudantes e foi uma difusoras do pensamento de Karl Barth. Em 1929, tornou-se vice-presidente da Federação Universal de Estudantes Cristãos, braço juvenil do movimento ecumênico. Também fomentou o primeiro encontro de teólogos católicos, protestantes e ortodoxos em 1932.

Começou um trabalho de acolhida dos refugiados às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Em 1941 ela foi um dos 16 pastores e leigos – entre os quais 3 mulheres – que redigiram a declaração Thèses de Pomeyrol, contra o nazismo.

Sua obra Le Dessein de Dieu serviu de guia para leitura bíblica e foi traduzida para diversos idiomas

Doutrina

Doutrina, do grego didaskalia é o ato de ensinar ou a coisa ensinada. Portanto, doutrina é o ensino que compreende tanto aquilo que é entendido objetivamente mediante uma proposição comunicável quanto entendido
subjetivamente como uma atividade vivida.

A doutrina que for considerada como fundamental para uma comunidade de fé (denominação ou corrente teológica) recebe a designação de dogma, originalmente “decreto público”. Algumas acepções de dogma tem uma conotação negativa de doutrina imposta e que deve ser aceita mesmo sem demonstração racional ou prova. No entanto, dogma possui vários significados, entre eles o entendimento comum de uma comunidade de pensamento, quer seja um entendimento zetético (ou seja, aberto à revisão) ou axiomático (basilar sem necessidades de provas e útil para derivação de outras doutrinas). A doutrina tida como incoerente com a mensagem do evangelho recebeu a designação de heresia na teologia cristã.

Doutrina, mesmo em sua forma vivida, é distinta de práxis. A práxis (ou práticas) é a concretização que possui alguma doutrina subjacente que justifica seus atos. Por exemplo, o ato de imergir uma pessoa adulta numa igreja cristã é a práxis do batismo. O ensino da identificação da morte e ressurreição com Cristo simbolizado no testemunho de fé publicamente nesse ato é a doutrina do batismo.

Há usos e costumes cujas justificativas não são doutrinárias, mas originárias de tradição ou convenção deliberada denominacionalmente.

Diorthotes

Diorthotes ou em latim corrector era o copista responsável pela última revisão. Por volta do ano 360 d.C. surgiram no Império Romano scriptoria (serviços de copistas) cristãos que empregava diorthotes. Suas anotações no manuscrito geralmente podem ser detectadas hoje pelas diferenças nos estilos de caligrafia ou tonalidades de tinta.

Didaquê

Didaquê ou Didachê do grego διδαχń, “ensino”, “doutrina”, “instrução” é um livro anônimo cristão primitivo, integrante da literatura patrística.

Redigido em grego koiné, é datado por volta do ano 100, provavelmente originário da Judeia ou na Síria. A obra esteve perdida e o manuscrito foi redescoberto em 1873 pelo bispo ortodoxo grego Philotheos Bryennios, publicado dez anos depois.

Trata-se de uma literatura moral. Ensina os dois caminhos: o caminho da vida e o caminho da morte. É uma fonte valiosa a respeito do batismo, jejum, oração e santa ceia. Discorre sobre a vida da igreja, como receber apóstolos e profetas itinerantes, como celebrar o culto e escolher bispos e diáconos. Finaliza com um texto escatológico e pede vigilância quanto ao retorno de Cristo.

Didaquê 8:2 contém uma versão do Pai Nosso. Seria ou a mais antiga menção do Evangelho de Mateus 6:9-13 ou um testemunho da circulação paralela de fontes orais ou escritas.

Na época de sua composição as igrejas não parecem ter uma hierarquia mais elaborada (ofícios permentes e distintos de bispos monárquicos e presbíteros). Adicionalmente, o autor de Didaquê aparante não ter nenhum conhecimento dos escritos paulinos.

Clemente de Alexandria e Dídimo, o cego, trataram o Didaquê como escrituras.

Epístola de Diogneto

A Epístola de Diogneto ou Carta a Diogneto é uma apologia anônima cristã primitiva, escrita em grego, provavelmente da metade do século II.

Aparentemente não era conhecida na Antiguidade e Idade Média, visto que não foi citada substancialmente por outros autores. Foi descoberto no século XV em Constantinopla e depois outras cópias apareceram.

Explica quem é o Deus cristão e porque a fé cristã permitia desprezar tanto o mundo e a morte. Contrasta a religião cristã com as religiões dos gregos e judeus.

Argumenta que os cristãos estão encerrados no mundo, mas não pertencem a ele; eles são odiados pelo mundo, mas eles o amam.

John Nelson Darby 

John Nelson Darby  (1800-1882) foi um pregador do movimento que se tornou os Irmãos (de Plymouth), por vezes referidos como Darbistas por sua influência.

Inicialmente treinado como jurista e pastor anglicano, aderiu a um movimento antidenominacional primitivista que examinava a Bíblia na Irlanda e sul da Inglaterra. Leitor ávido das Escrituras, elaborou uma interpretação dispensacionalista da história e escatologia.

Esteve na Europa continental onde animou o Réveil genebrino, bem como propagou suas ideias nos Estados Unidos, tendo influenciado D. L. Moody.

Santuário de Dã

Relatos bíblicos e achados arqueológicos em Tel-Dan registram que esse local foi um importante centro de culto.

As escavações no sítio de Tel Dan, no norte de Israel, revelaram um grande recinto sagrado na Idade do Ferro II. A arquitetura é semelhante a um templo, com petrechos de culto, os restos de um enorme altar de quatro chifres e abundantes ossos de animais.

O local de culto em Dã remontaria do período dos Juízes (Jz 17 -18). No entanto, seria Jeroboão I, rei de Israel, que estabeleceu como um santuário nacional, junto de Betel, para rivalizar com o templo de Salomão em Jerusalém (2Rs 10:29, Amós 4:4, 8:14).

Profetas e os autores dos livros de Reis condenaram firmemente esse santuário (1Rs 13:1-14:18).

Na região também foi encontrada a Inscrição de Tel-Dan, uma das únicas testemunhas extrabíblicas da casa de Davi no período do Primeiro Templo.

Diatribe

Figura de linguagem e tática retórica de representar as ideias ou falas de um interlocutor para discutí-los de modo agressivo para censura, ridicularização ou refutação.

No diatribe o orador presume a presença de um oponente. Sem permissão para responder, a posição do oponente é indicada por declarações ou perguntas retóricas colocadas em sua boca pelo orador.

Serve para fazer objeções hipotéticas e conclusões falsas ou redução ad absurdum.

Notoriamente, Rudolf Bultmann fez sua dissertação doutoral sobre o tema relacionado à retórica paulina. Essa obra padrão apresenta o diálogo imaginário na diatribe. As respostas do oponente são frequentemente tolas e são sumariamente rejeitadas pelo orador.

Nos escritos paulinos aparece notavelmente em Rm 1-11; 1 Cor 6: 12-20; 15:29-41; Gal 3:1-9, 19-22. Outro livro recheado de diatribes é a epístola de Tiago. Há frequentes indícios de diatribes de Jesus com seus interlocutores, principalmente os fariseus (cf. Lc 7:34).

Nos textos paulinos algumas frases indicam a diatribe “de modo algum”, “de modo algum”, “de fato não ”, ou “de forma alguma”. Geralmente são precedidos por peguntas retóricas ou declarações que depois serão disputadas pelo próprio Paulo.

Tradicionalmente fazia parte da oratória popular de filósofos cínicos e estóicos.

BIBLIOGRAFIA

Bultmann, Rudolf Karl. Der Stil der paulinischen Predigt und die kynisch-stoische Diatribe. 1910.

Burk, Denny. “Discerning Corinthian Slogans through Paul’s Use of the Diatribe in 1 Corinthians 6:12–20.” Bulletin for Biblical Research 18, no. 1 (2008): 99-121.

Schmeller, T. “Paulus und die ‘Diatribe’,” NTA 19, Münster, Aschendorff, 1987.

Stowers, Stanley K. The Diatribe and Paul’s Letter to the Romans. SBLDS 57; Chico Ca.: Scholars Press, 1981.

Documentos de Al-Yahudu

As tabuletas, tabletes, documentos ou textos de Al-Yahudu são uma coleção de cerca de 200 peças de argila dos séculos VI e V aC produzida pela comunidade exilada de judeus na Babilônia após a destruição do Primeiro Templo.

As tabuletas têm o nome do assentamento central mencionado nos documentos, Al-Yahudu (em acadiano a cidade de Judá).

O documento mais antigo da coleção data de 572 a,C,, cerca de 15 anos após a destruição do Templo, durante o reinado de Nabucodonosor II. A tabuleta mais recente data de 477 a.C, durante o reinado de Xerxes I.

Trata-se de um arquivo particular de algumas famílias judaítas contendo transações comerciais, vendas de casas, cartas, heranças. No geral, há um sentimento de buscar integração com as sociedades locais nas quatro gerações do arquivo. Apesar disso, dois nomes aparece com anseios de retorno a Sião.

A comunidade dos exilados tinha liberdade de movimento e transação, mas eram obrigados a cultivar terras e pagar tributos.

A data da transação é conforme ao monarca reinante. Em algumas tabuletas aparecem letras hebraicas ao lado de escritos cuneiformes acadianas.

Não há quase menção da vida religiosa da comunidade, mas o uso de nomes teofóricos faz supor que mantiveram aspectos da religião do Antigo Israel.

Provavelmente este acervo foi descoberto nos 1970 e circulou no mercado irregular de antiguidades até que em 2013 arqueólogos puderam examiná-las.

Debalde

Debalde é um advérbio que significa inutilmente, em vão, desnecessariamente. Esse termo um tanto arcaico presente na versão Almeida Revista e Corrigida possui a etimologia de + batil (árabe), em vão.

É utilizado para traduzir diversas palavras:

Levítico 26:16:  רִיק (riq) vazio, vaidade, em vão (lriq).
Levítico 26:20:  רִיק (riq) vazio, vaidade, em vão (lriq).
Jó 1:9: החנם (ha-ḥinnam) por nada, em vão.
Jó 39:16: רִיק (riq) vazio, vaidade, em vão (lriq).
Salmos 89:47: שוא (shav) vaidade, futilidade.
Provérbios 1:17: חנם (ḥinnam) sem causa, desmotivado, vaidade.
Eclesiastes 6:4: הבל (hebel) um sopro, um vapor, vaidade.
Isaías 1:13: שוא (shav) vaidade, futilidade.
Isaías 49:4:  רִיק (riq) vazio, vaidade, em vão (lriq).
Isaías 65:23:  רִיק (riq) vazio, vaidade, em vão (lriq).
Jeremias 4:30: שוא (shav) vaidade, futilidade.
Jeremias 46:11: שוא (shav) vaidade, futilidade.
Ezequiel 6:10: חנם (ḥinnam) sem causa, desmotivado, vaidade.
Malaquias 1:10: חנם (ḥinnam) sem causa, desmotivado, vaidade.
Romanos 13:4: εἰκῆ (eike) em vão, sem sucesso, sem propósito.
Gálatas 2:21: δωρεάν (dorean) sem motivo, gratuitamente, sem causa, em vão.
Colossenses 2:18: εἰκῆ (eike) em vão, sem sucesso, sem propósito.