Versões hebraicas do Novo Testamento

Apesar de raras, traduções do Novo Testamento para o hebraico surgiram por vários motivos. Originalmente feitas para fins privados, polêmicos ou servindo conversos, o Novo Testamento foi traduzido do grego, latim ou outras línguas para o hebraico.

Traduções de Mateus. Há pelo menos 50 versões do Evangelho de Mateus para o hebraico. A maioria datam do Renascimento em diante.

Mateus de Du Tillet. Contém reminiscências de uma antiga versão hebraica, talvez remontando da Antiguidade Tardia. Heb.MSS.132 da Biblioteca Nacional, em Paris. O manuscrito foi obtido pelo bispo Jean du Tillet dos judeus italianos em uma visita a Roma em 1553, e publicado em 1555.

Sefer Nestor ha-Komer . “O Livro de Nestor, o Sacerdote”, século VII. Contém citações significativas de Mateus, aparentemente de um texto latino.

Toledot Yeshu. “Vida de Jesus”, século VII. Uma paráfrase polêmica.

Mateus de Shem Tov ben Isaac ben Shaprut. Feita em Aragão em 1385.

Mateus de Sebastian Münster, 1537, versão impressa do Evangelho de Mateus, dedicado ao rei Henrique VIII da Inglaterra.

Mateus de Ezekiel Rahabi, Friedrich Albert Christian e Leopold Immanuel Jacob van Dort , 1741-1756. Edição hoje perdida.

Travancore Hebrew New Testament of Rabbi Ezekiel. Um exemplar comprado por Claudius Buchanan em Cochim, Índia.

Mateus de Elias Soloweyczyk , 1869.

Epístolas aos Hebreus de Alfonso de Zamora (1526).

Bíblia dodecaglota de Hütter. O Novo Testamento completo publicado por Elias Hütter, em sua edição poliglota em doze idiomas. Feita em Nuremberg, em 1599, 1600, em dois volumes.

A partir do século XIX surgiram várias edições completas do Novo Testamento em hebraico, boa parte publicadas pelas sociedades bíblicas e traduzidas diretamente do grego.

Vocação

Vocação, chamado ou apelo possui várias conotações tanto na Bíblia quanto na teologia.

  1. Vocação em sentido de salvação: como aparece em Rom 8:30 “E aos que predestinou a estes também chamou [ekalesen: vocacionou, apelou]; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou.” significa o apelo à salvação.
  2. Teologicamente, há tradições que distinguem entre vocação eficaz ou interna e vocação geral ou externa.
  3. Vocação também conota o chamado pessoal ao ministério ou missão.

Valdense

Os valdenses são um povo e denominação originários de um movimento popular na Idade Média que, perseguidos como heréticos, continuaram e abraçaram a Reforma.

O movimento tem origem quando um mercador em Lyon, Pedro Valdo (1140? – 1217?), passou por uma experiência de conversão em 1173. Pregando um retorno aos mandamentos dos evangelhos e uma pobreza voluntária, atraiu seguidores, sendo também chamados Pobres de Lyon. Proibidos de pregar e excomungados em 1181, os valdenses esparramaram-se pela Europa central e Itália, sobretudo nos Vales Valdenses.

Perseguidos pela Inquisição e com cruzadas, sobreviveram em regiões remotas e ocultando sua fé. Em uma reunião em Chanforan, nos Vales Valdenses, em 1532, uniram-se ao ramo Reformado do protestantismo.

Somente em 1848 ganharam liberdade e segurança para o culto. Nos anos seguintes, migraram em massa para o Uruguai, França e Estados Unidos. Nesse último país organizaram várias congregações, dentre ela a Primeira Igreja Presbiteriana Italiana de Chicago, formada principalmente por emigrados da comunidade de Favale di Malvaro, na Ligúria.

No século XX a Igreja Evangélica Valdense aproximou-se dos metodistas italianos formando a União Evangélica Valdo-Metodista na Itália. No Uruguai e Argentina formam a Igreja Evangélica Valdense do Rio da Prata.

Dada sua antiguidade, atribuíram aos valdeses lendas: de que remontam da época dos apóstolos, de que faz parte de uma cadeia de sucessão marginal de crentes, de que guardavam o sábado, de que esposavam doutrinas protestantes já na Idade Média, dentre outras refudadas pela própria historiografia valdense.

Campegius Vitringa

Kempe Vitringa (Campegius Vitringa) (1659-1722) exegeta reformado holandês.

Estudou em Franecker e Leiden. Lecionou línguas orientais e depois teologia e história da Igreja em Franecker.

Vitringa produziu um comentário de Isaías, combinando sentidos gramatical e alegórico. Comentou o livro de Apocalipse em um esquema historicista.

Escreveu Doctrina christianae religionis, per aphorismos summatim descripta, reelaborada como Hypotyposis theologiae elencticae.

Sua hermenêutica foi influenciada pela racionalidade de Grotius (1583-1645), pela filologia de De Dieu (1590-1642) e pela alegoria profética de Johannes Cocceius.

Com Joseph Mede (1586-1638), Vitringa foi um dos proponentes de um pré-milenarismo, fazendo retorno dessa perspectiva na escatologia.

Pier Paolo Vergerio

Pier Paolo Vergerio (1498-1565) foi um reformador italiano.

Nasceu na cidade de Capodistria, atual Eslovênia, na época território da República de Veneza. Estudou Direito em Pádua, onde foi colega Pietro Martire Vermigli, Marco Antonio Flaminio e Pietro Bembo.

Depois de longo exame exegético e teológico, Vergerio aos poucos veio a simpatizar com a reforma. Nomeado bispo de Capodistria. Depois de um encontro com Francesco Spierà, Vergerio assume publicamente suas posições teológicas. Em razão disso, é exilado e vai ao Cantão dos Grisões, região de fala italiana no sul da Suíça.

Vergerio iniciou uma carreira de escritor, editor e polemista até sua morte.

Pietro Martire Vermigli

Pietro Martire Vermigli (1499-1562) foi um reformador italiano, originário de Lucca e depois exilado na Suíça.

Educado com uma formação humanista em Fiesole, Pádua e Bolonha, interessou-se pelo estudos hebraicos. Nomeado abade de San Pietro ad Arame em Nápoles, onde desenvolve um círculo de interessados em discussões bíblicas e religiosas. Na época, a influência de Juan Valdés em Nápoles gerou um círculo discreto de simpatizantes da Reforma.

De retorno à Lucca em 1541, como prior do convento de San Frediano começa a pregar publicamente ideias reformadas. Enfatizava o valor da morte de Cristo e a justificação.

Questionado por sua ordem religiosa, parte para o exílio. Foi ministro dos italianos refugiados em Estrasburgo, depois deu aula em Oxford. Com o restabelecimento do catolicismo na Inglaterra, retornou à Estrasburgo até passar a viver em Zurique.

Vittoria Colonna

Vittoria Colonna (1492 – 1547), marquesa de Pescara, foi uma nobre, poetisa e participante da Reforma na Itália.

Era primogênita de Fabrizio Colonna (1460-1520), Duque de Marsi e Paliano, Marquês de Manopello e Condestável de Nápoles, e de Agnese da
Montefeltro (1470-1506), filha do Duque de Urbino. Vittoria seria a “mulher mais conhecida na Itália nos Quinhentos”.

Depois de enviuvar-se e enfretar um período depressivo, Vittoria estabeleceu-se em Isquia, esteve em alguns conventos pela Itália, começou a interagir com vários líderes religiosos. Entrou em contato com a corrente reformista moderada que incluia o cardeal Gaspare Contarini, Bernardino Ochino, Gian Matteo Giberti, Pietro Bembo e Giovanni Morone, bem como com Juan de Valdès. Mais tarde reuniria em seu círculo outros reformadores, como o cardeal Reginald Pole, Marcantonio Flaminio, Alvise Priuli e Pietro Carnesecchi.

Em 1537 a marquesa instalou-se em Ferrara. Lá contribuiu com Bernardino Ochino a fundar um mosteiro de Clarissas Capuchinhas conforme os ideiais reformadores. Morreu no convento de San Silvestro in Capite e sua morte, pouco antes do início das perseguições contra os reformadores spirituali na Itália.

Poetisa, foi autora de obras devocionais como Rime spirituali, il Trionfo di Cristo e em prosa Pianto sulla Passione di Cristo.

BIBLIOGRAFIA

Brundin, Abigail. Vittoria Colonna and the Spiritual Poetics of the Italian Reformation. Routledge, 2016.

Versão Barberini de Habacuque 3

O Barb. MS Barberinus Gr. 549 Vatican Library. Oxford H-P 62 and 147 ou versão de Barberini é uma versão grega, independente da Septuaginta (Old Greek) da Oração de Habacuque (Habacuque 3), apesar de ter sido influenciada pela LXX em sua transmissão.

A versão de Barberini provavelmente não foi traduzida antes dos livros finais da Septuaginta no século I a.C. Sua data final para limitar sua origem seria os meados do século III d.C.

BIBLIOGRAFIA

Harper, Joshua L. Responding to a puzzled scribe: the Barberini version of Habakkuk 3 analysed in the light of the other Greek versions. Vol. 8. Bloomsbury Publishing, 2015.

Annie Vallotton

Annie Vallotton (1915–2013) foi uma artista plástica e ilustradora franco-suíça. É conhecida por suas ilustrações para a Good News Bible (GNB), correspondente à Nova Tradução em Linguagem de Hoje em português.

Nascida em uma família envolvida no ministério e teologia protestantes por ambos os lados, Vallotton trabalhou na Resistência contra o nazismo e com refugiados na Segunda Guerra.

Cristã devota, começou a fazer ilustrações de passagens bíblicas. O tradutor e editor Eugene Nida conheceu seu trabalho e a comissionou para fazer uma edição infantil das Escrituras.

Vallotton criou mais de 500 ilustrações. Chegava a desenhar algumas ilustrações até 90 vezes para atingir as expressões pretendidas. Com traços simples e minimalistas, Vallotton queria produzir desenhos com os quais qualquer pessoa se identificasse.

O sucesso de seus desenhos e das edições da Bíblia GNB fez de Valloton uma das artistas de maior volume de venda da história.

Life: February 2012