Bitínia

Bitínia Βιθυνία, uma região do noroeste da Ásia Menor e parte da província conjunta Bitínia-Ponto sob domínio romano.

Era o lar de algumas comunidades cristãs na época em que 1 Pedro foi escrito, embora o NT não registre nenhuma missão lá. De acordo com Atos 16:7, Paulo e seus companheiros “tentaram entrar na Bitínia, mas o Espírito de Jesus não permitiu”.

Plínio, o Jvoem, então governador da Bitínia-Ponto no início do século II dC, escreveu a Trajano sobre uma agitação na região e perguntou como agir em relação que aos cristãos na província.

Nínive

Nínive, em hebraico נִינְוֵה. A cidade capital assíria durante o Império Neo-Assírio, a partir de Senaqueribe (ca. 703 a.C.). A cidade seria uma das maiores da Antiguidade até ser destruida pela coalizão de babilônios e medos em 612. a.C., desde então continuaria habitada, mas já sem a glória ou poder anteriores.

Localizada na margem leste do rio Tigre, hoje é um sítio arqueológico importante próximo a Mossul, no Curdistão iraquiano.

Quase sempre Nínive aparece na Bíblia em tons negativos, associada à opressão e violência assíria. A cidade é denunciada por sua maldade e anunciada sua destruição iminente (Jn 1:2; Na 2:8; 3:7; Sf 2:13).

As referências do Novo Testamento a Nínive em Mt 12:41 e Lc 11:30 aludem ao livro de Jonas.

O palácio, as artes, os monumentos e a biblioteca de Nínive constituem importantes fontes históricos e literários para os estudos bíblicos.

BIBLIOGRAFIA

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Dick, Michael. “Tales of Two Cities (in the Second-Century Bce): Jerusalem and Nineveh.” Journal for the Study of the Pseudepigrapha 26, no. 1 (2016): 32–48. https://doi.org/10.1177/0951820716670776.

Halton, Charles. “How Big Was Nineveh? Literal Versus Figurative Interpretation of City Size.” Bulletin for Biblical Research 18 (2008): 193–207.

Larsen, Timothy. “Austen Henry Layard’s Nineveh: The Bible and Archaeology in Victorian Britain.” Journal of Religious History 33 (2009): 66–81.

Sidom

Sidom (em fenício e hebraico ṣdn, grego Σιδών, latim Sidon e árabe ṣaydā), cidade fenícia na costa libanesa. Uma das mais antigas cidades da região, é ainda um importante centro urbano.

Na Bíblia, sidônio é usado como sinônimo de fenício. A cidade coordenava a grande rede comercial fenícia, fazendo-a rica, apesar de Tiro tomar seu lugar hegemônico entre os séculos X a.C. e IV a.C.

Sidom devia sua prosperidade ao seu porto e à fabricação e comércio de mercadorias como vidro e corante púrpura. Sua frota participou das Guerras Persas. A rica cidade comercial também foi um importante centro cultural e científico.

O reino de Sidom, atestado a partir do século XIV ao III a.C., era frequentemente tributário de outras potências, como Egito, Assíria, Pérsia e Alexandre, o Grande e seus sucessores.

A cidade foi destruída muitas vezes (em 677 por Esar-hadom, em 351 por Artaxerxes). Seu último rei governou até 279 a.C., a partir de então foi governada por sufetes. Seria dominada pelos selêucidas em 198. Alcançou a independência (111 aC), depois ficou sob a influência de Roma (64 a.C.) e tornou-se colônia romana (218 d.C.).

O santuário de Bostan Eshshé (séc. VI a.C. ao século VI d.C.) era dedicado a Eshmun (Asclépio). Astarte também era cultuada na cidade.

Ofir

Ofir, em hebraico אוֹפִיר, ophir, de significado incerto.

  1. Um lugar bíblico associado com diversas riquezas, sobretudo ouro (1 Re 9:28; 10:11; 22:49; 2 Cr 8:18; 9:10; Jó 22:24; 28:16; Sl 45: 9; Is 13:12). A localização de Ofir é incerta, tendo sido especulado que seria o país de Punt dos egípcios (atuais Somália, Djibuti e talvez Iêmen), algum entreposto na Arábia ou na Índia. Para Ofir Salomão e Hirão de TIro enviaram uma expedição mercante que trouxe ouro, madeira de almugue (sândalo?), macacos, pavões, marfim e pedras preciosas (1 Rs 9: 27-28; 10:11; 2 Cr 8:18; 9:10). De Ofir Salomão recebeu 420 talentos (2 Cr 8:18 relata 450 talentos) de ouro. Um século mais tarde, quando o rei Josafá enviou uma frota semelhante a Ofir, a missão naufragou (1 Rs 22: 48-49; 2 Cr 20: 35-37). A frase “ouro de Ofir” passou a ser usada para destacar as coisas mais preciosas, incluindo a sabedoria (Jó 22:24; 28:16; Sl 45:9; Is 13:12). Em Tobias 13 a Nova Jerusalém é descrita como construída com pedras de Ofir. Um óstraco do século VIII aC foi achado perto da atual Tel Aviv, inscrita: “Ouro de Ofir a / para Beth-Horon.
  2. Ofir filho de Joctã, uma pessoa mencionada em Gn 10:29; 1 Cr 1:23.

Temã

Temã ou Teman, em hebraico תֵּימָן,, teiman, “sul”, é uma região e cidade em Edom (Jr 49: 7, 20; Ez 25:13; Amós 1:12; Obad 1:9; Habacuque 3:3).

Temã recebe o nome de um descendentes de Esaú. Temã seria neto de Esaú e filho de Elifaz (Gn 36:11; 1 Cr 1:36).

Em Ezequiel 25:13, a referência a Temã em contraste com Dedã, um oásis árabe a sudeste de Edom, pode implicar que Temã se localizava no norte de Edom. No entanto, a localização de Temã permanece incerta, talvez seja o mesmo oásis de Tayma, no noroeste da Arábia, referido como Temá em Jó 6:19.

A cidade era referida por metonímia a toda Edom (Jr 49:7, 20; Obadias 1: 9; Habacuque 3:3).

Laodiceia

Laodiceia foi uma próspera cidade comercial na região da Frígia, no noroeste da Ásia Menor. Era vizinha das cidades de Colossos e Hierápolis (Col 2:1; Col 4:13-16), ficavam neste mesmo vale do rio. Modernamente, o sítio arqueológico situa-se perto da cidade de Denizli, Turquia

No reinado de Nero (60 d.C.) um terremoto destruiu completamente a cidade. Os habitantes recusaram a ajuda imperial para reconstrui-la e a restauraram com um estilo grego.

Havia uma considerável comunidade judia nessa região da Frígia. Antíoco III, o Grande, transportou 2.000 famílias judias da Babilônia para a Frígia. Cícero registra que Flaco confiscou 9 quilos de ouro destinado anualmente ao templo de Jerusalém (Pro Flacco 28-68). O martírio do judeus Lulianos e Pafos, registrado no Talmude, possivelmente aconteceram lá.

Epafras, retratado como um dos companheiros de Paulo, aparentemente foi pioneiro das igrejas nas três cidades (Cl 4:12-13). De acordo com Col 4:16, Laodiceia recebeu uma carta de Paulo, mas a epístola de Laodiceia, escrita por Paulo, não sobreviveu.

A igreja de Laodiceia foi uma das sete repreendidas em Apocalipse (Ap 3:14-22).

Alguns manuscritos aparecem no final de 1 Timóteo “Escrita de Laodiceia, metrópole da Frígia de Pacatiana”.

Éfeso

Éfeso era cidade portuária e capital da Ásia Menor (Ásia Proconsular) entre Esmirna e Mileto. Foi sede do culto e Templo de Diana (Artemis). Seu teatro era o maior do mundo, com capacidade para 25.000 espectadores. Chegou a ser quarta maior cidade do império Romano no século I d.C. Hoje, é o sítio arqueológico Ayasuluk Höyük, próximo a Selçuk.

De acordo com Atos 18:19-21, Paulo navegou de Corinto para Éfeso com Priscila e Áquila, o casal que tinha instruído Apolo na cidade (Atos 18:24-26).

Paulo em sua terceira viagem missionária (Atos 19:1-20:1) permaneceu por mais de dois anos. Nesse período, teve uma grande comoção com a classe dos ourives. Depois, em seu caminho de volta a Jerusalém, Paulo se encontrou com os anciãos de Éfeso em Mileto (Atos 20:16-38). Em 1 Timóteo 1:3, Paulo encarregou Timóteo de permanecer em Éfeso. Seria destinatária da epístola paulina que leva o nome do povo da cidade.

A igreja de Éfeso é a primeira das sete igrejas do Apocalipse (Ap 1:11; 2:1-7).

Depois do período neotestamentário a Igreja de Éfeso teve por muito tempo prominência. Lendas e tradições posteriores dizem que João, o discípulo amado, estabeleceu-se na cidade. Daí teria escrito o evangelho que leva seu nome, teria sido mentor para Policarpo de Esmirna e Papias. Outra tradição tardia identifica Éfeso como local dos últimos anos e da morte de Maria, mãe de Jesus.

A lenda dos sete dormentes foi ambientada em Éfeso (dentre outros locais onde a lenda se repete). A Basília de São João, a casa e a Igreja de Santa Maria também são sítios da tradição cristã da cidade. Foi sede do concílio de Éfeso em 431, quando condenou as doutrinas nestorianas, o chamado de Terceiro Concílio Ecumênico.

Pérgamo

Pérgamo, a principal cidade da Mísia, na Ásia Menor. Esta cidade ficava às margens do rio Caicus, a cerca de 30 km do mar, próxima moderna vila de Bergama, na Turquia, às margens dos rios Selinus e Cetius. A antiga Pérgamo era famosa por seu templo de Esculápio e termas, o que fez da cidade um centro terapêutico e local de nascimento do médico Galeno.

No período helenista, Eumenes, rei de Pérgamo, decidiu fazer uma biblioteca para rivalizar com a biblioteca de Alexandria, Egito. Entretanto, o faraó Ptolomeu Filadelfo vedou a exportação de papiro. Então, o pergaminho foi inventado e produzido em massa Pérgamo, dando o nome a esse suporte material.

Em meados do século II, Pérgamo era uma das maiores cidades da província, Tinha cerca de 200.000 habitantes.

Foi uma das “sete igrejas” (Ap 1:11; 2:17), notória por sua maldade. O templo de Zeus talvez tenha dado a designação de “trono de Satanás”, tendo sido reconstruído em um museu em Berlim. Sob Augusto, o primeiro culto imperial, o neocorato, foi estabelecido na província da Ásia na cidade. A igreja de Pérgamo foi repreendida por se desviar da verdade e abraçar as doutrinas de Balaão e dos nicolaítas. Conta-se entre seus fiéis, Antipas de Pérgamo, um fiel mártir de Cristo.

Hierápolis

Hierápolis, em grego Ιεράπολις, que significa cidade sagrada, centro da Frígia, onde havia uma igreja cristã sob os cuidados de Epafras (Cl 4:12, 13). Esta igreja foi fundada ao mesmo tempo que a de Colossos.

Um importante centro no Vale do Lico na Frígia e na rota comercial do Egeu ao Eufrates e à Síria corria de Éfeso, Esmirna e Mileto, subindo o vale do Meandro. Lá viveu, Epicteto, filósofo estóico.

As três principais cidades do Vale do Lico aparecem no Novo Testamento. Laodiceia, Colossos e Hierápolis. A igreja de Hierápolis foi fundada durante o ministério de Paulo em Éfeso, por esse processo de difusão pelas estradas principais que era um princípio de sua estratégia. Epafras (Cl 4:12, 13) parece ter estado lá. Polícrates, bispo de Éfeso, no final do século II, cita uma tradição que Filipe ministrou nesta igreja.

Troas

Troas ou Trôade, em grego Τρῳάς, era um porto na costa do mar Egeu da Ásia Menor, na foz do Dardanelos.

Cidada fundada em 300 a.C. no império selêucida, mas distante de sua capital Antioquia, logo ganhou sua independência como reino de Pérgamo.

No livro de Atos, Paulo passou por lá a caminho da Trácia e da Macedônia. Dez anos depois, após o tumulto em Éfeso, Paulo retornou e estabeleceu uma igreja cristã (2 Coríntios 2:12). Paulo teria deixado parte de seus pertences em Trôade (2 Timóteo 4:13).