Listra

Listra, em grego Λύστρα, era uma cidade da Licaônia. No século I passou a fazer parte do sul da província romana da Galácia, região central da Anatólia.

Paulo e Barnabé pregaram na cidade. Depois de uma cura miraculosa, o povo quis adorá-los pela manhã. No entanto, depois de algumas horas tentou apedrejá-lo, na mesma noite (Atos 14:6-21).

Abdom

Abdom ou Abdão, em hebraico עַבְדּוֹן ‘Abdon, “servil” ou “serviço”, nome de alguns personagens e uma localidade do Antigo Testamento.

  1. Abdom, filho de Hilel, efraimita da família dos piratonitas. É o décimo primeiro juiz mencionado no Livro dos Juízes (Juízes 12:13-15). Teve quarenta filhos e trinta netos, cujo descendentes montaam 70 jumentas. Reestabeleceu a ordem na região central de Israel após o conflito ente Jefté e os gileaditas.
  2. Abdom ou Ebrom em Js 19:28, vila dos levitas no território de Aser (Js 21:30; 1 Cr 6:74).
  3. Abdom filho de Jeiel, pai de Gibeom (1 Cr 9:35, 36), um dos benjamitas. Alguns manuscritos da LXX dão o nome “Jeiel”, que não está no Texto Massorético (cf. 1 Cr 9:35).
  4. Abdom filho de Mica, enviado pelo rei Josias à profetisa Hulda para consultar sobre o Livro da Lei descoberto no no templo (2 Cr 34:20), chamado Acbor em 2 Rs 22:12, provavelmente por erro de copista.

Zoã

Zoã, em hebraico צֹעַן, tso’an, era uma cidade no nordeste do delta do Nilo, no Egito, perto da margem sul do Lago Menzalé. Hoje é a cidade de San el-Hagar e seu nome grego era Tanis.

Zoã estaria nas proximidades de Gosem, a região onde os israelitas viviam no Egito antes do êxodo. Salmo 78 identifica Zoã como o local das maravilhas no Egito (Sl 78:12, 43; cf. Êx 7:14–12:30), mas não é mencionada no livro de Êxodo. De acordo com Nm 13:22, Hebrom foi construída sete anos antes de Zoã.

A cidade foi a capital do faraó Sheshonq I (Sisaque), que atacou o reino do norte de Israel e recebeu tributo de Roboão do templo de Jerusalém (1 Rs 14:25-26; 2 Cr 12 :2–9). Nos juízos das nações, profetas condenaram a cidade (Is 19:13; Ez 30:14).

Zobá

Zobá, em hebraico צוֹבָה, tsovah; חֲמָת צוֹבָה, chamath tsovah; אֲרַם צוֹבָא, aram tsova’, foi um pequeno reino sírio situado a nordeste de Damasco. Durante os reinados de Saul, Davi e Salomão houve guerra entre Zobá e os israelitas.
(1Sm 14.47; 2Sm 8.3-8; 10.6-8; 1Rs 11.23; título do Sl 60; 2 Cr 8:3).

Bete-Peor

Bete-Peor (בֵּ֣ית פְּעֹ֑ור, LXX Js 13:20 Βαιθφογωρ betefogor; Dt 34:6 οἶκος Φογωρ; casa de Fogor). Uma cidade de Moabe atribuída à tribo de Rúben (Js 13:20). Antes de entrar na Terra de Canaã, os israelitas acamparam no vale em frente a Bete-Peor, enquanto Moisés contemplava a Terra Prometida do alto do monte Pisga (Dt 3:29). Moisés entregou-lhes certas leis (Dt 4:46). Este é o vale onde Moisés foi sepultado (34:6). Bete-peor era provavelmente o lugar onde Baal-peor era adorado como divindade local (Nm 25:3, 5, 18).

Quanto ao significado de Peor (פְּעֹ֑ור), pode significar “abertura” ou “abismo”, vindo de uma raiz que aparece em árabe como faġara “abrir bem, bocejar”. O cognato siríaco (p’râ) significa “um abismo”.

É identificado com Khirbet esh-Sheikh-Jayil, ao norte do Monte Nebo e oeste de Hesbom.

Eusébio localiz Bethphogor” como uma cidade a seis milhas de Livias perto do Monte Phogor, ou Peor (Onom. 48, 35 [49, 3-41), a montanha na qual “Beelphegor” (Baal-peor) era adorado (Qnom. 44, 15-16 [45,
17-18]), e onde Balaque trouxe Balaão, com vista para Livias (Onom. 168,
25-26, [169, 19-20]), para amaldiçoar Israel.

Egeria registra que da igreja em Monte Nebo (Siyaghah) ela podia olhar para o norte e ver a cidade de “Fogor”, ou Peor (Peregrinação 12. 8, p. 108)

BIBLIOGRAFIA

Henke, Oswald “Zur Lage von Beth Peor”, ZDPV, 75 (1959): 155-163.

Callinicum

Antiga cidade na Síria na margem nordeste do rio Eufrates, cerca de 160 quilômetrosa leste de Alepo. É hoje Raqqa.

Foi fundada como uma cidade helenística com o nome Nicéforo pelo rei selêucida Seleuco I Nicator (reinou 301-281 aC). Seu sucessor, Seleuco II Calínico (r. 246–225 aC), ampliou a cidade e a renomeou como Kallinikos. Seria conquistada pelos romanos e grafada como Callinicum e a incorporou à província de Osroene.

Em 1.º de agosto de 388 EC, uma turba de cristãos incendiou uma sinagoga de Callinicum. Seria talvez o primeiro ataque de cristãos contra sinagogas e um dos primeiros progroms. Também foi destruída uma igreja de outro grupo cristão, possivelmente adeptos de Valenciano.

No início, o imperador Teodósio apoiou o administrador local que exigiu que o bispo reconstruísse a sinagoga. Porém, o bispo Ambrósio de Milão pressionou
Teodósio contra tal reparação. O bispo de Callinicum foi exonerado dede qualquer responsabilidade e depois rescindiu qualquer exigência de restituição.

BIBLIOGRAFIA

Ambrósio. Epístola 64.

Chin, Catherine M. “Built from the Plunder of Christians”: Words, Places, and Competing Powers in Milan and Callinicum’.” Religious Competition in the Greco-Roman World 10 (2016): 63.

Figueroa, Gregory Francis. The Church and the Synagogue in St. Ambrose. Catholic University of America Press, 1949.

Jacobs, Andrew. “Christians, Jews, and Judaism in the Eastern Mediterranean and Near East, c. 150–400 CE.” The Cambridge Companion to Antisemitism: 83-99.

Bitínia

Bitínia Βιθυνία, uma região do noroeste da Ásia Menor e parte da província conjunta Bitínia-Ponto sob domínio romano.

Era o lar de algumas comunidades cristãs na época em que 1 Pedro foi escrito, embora o NT não registre nenhuma missão lá. De acordo com Atos 16:7, Paulo e seus companheiros “tentaram entrar na Bitínia, mas o Espírito de Jesus não permitiu”.

Plínio, o Jvoem, então governador da Bitínia-Ponto no início do século II dC, escreveu a Trajano sobre uma agitação na região e perguntou como agir em relação que aos cristãos na província.

Nínive

Nínive, em hebraico נִינְוֵה. A cidade capital assíria durante o Império Neo-Assírio, a partir de Senaqueribe (ca. 703 a.C.). A cidade seria uma das maiores da Antiguidade até ser destruida pela coalizão de babilônios e medos em 612. a.C., desde então continuaria habitada, mas já sem a glória ou poder anteriores.

Localizada na margem leste do rio Tigre, hoje é um sítio arqueológico importante próximo a Mossul, no Curdistão iraquiano.

Quase sempre Nínive aparece na Bíblia em tons negativos, associada à opressão e violência assíria. A cidade é denunciada por sua maldade e anunciada sua destruição iminente (Jn 1:2; Na 2:8; 3:7; Sf 2:13).

As referências do Novo Testamento a Nínive em Mt 12:41 e Lc 11:30 aludem ao livro de Jonas.

O palácio, as artes, os monumentos e a biblioteca de Nínive constituem importantes fontes históricos e literários para os estudos bíblicos.

BIBLIOGRAFIA

Dalley, Stephanie. “Nineveh after 612 BC.” Altorientalische Forschungen 20.1 (1993): 134-147. https://doi.org/10.1524/aofo.1993.20.1.134

Dick, Michael. “Tales of Two Cities (in the Second-Century Bce): Jerusalem and Nineveh.” Journal for the Study of the Pseudepigrapha 26, no. 1 (2016): 32–48. https://doi.org/10.1177/0951820716670776.

Halton, Charles. “How Big Was Nineveh? Literal Versus Figurative Interpretation of City Size.” Bulletin for Biblical Research 18 (2008): 193–207.

Larsen, Timothy. “Austen Henry Layard’s Nineveh: The Bible and Archaeology in Victorian Britain.” Journal of Religious History 33 (2009): 66–81.

Sidom

Sidom (em fenício e hebraico ṣdn, grego Σιδών, latim Sidon e árabe ṣaydā), cidade fenícia na costa libanesa. Uma das mais antigas cidades da região, é ainda um importante centro urbano.

Na Bíblia, sidônio é usado como sinônimo de fenício. A cidade coordenava a grande rede comercial fenícia, fazendo-a rica, apesar de Tiro tomar seu lugar hegemônico entre os séculos X a.C. e IV a.C.

Sidom devia sua prosperidade ao seu porto e à fabricação e comércio de mercadorias como vidro e corante púrpura. Sua frota participou das Guerras Persas. A rica cidade comercial também foi um importante centro cultural e científico.

O reino de Sidom, atestado a partir do século XIV ao III a.C., era frequentemente tributário de outras potências, como Egito, Assíria, Pérsia e Alexandre, o Grande e seus sucessores.

A cidade foi destruída muitas vezes (em 677 por Esar-hadom, em 351 por Artaxerxes). Seu último rei governou até 279 a.C., a partir de então foi governada por sufetes. Seria dominada pelos selêucidas em 198. Alcançou a independência (111 aC), depois ficou sob a influência de Roma (64 a.C.) e tornou-se colônia romana (218 d.C.).

O santuário de Bostan Eshshé (séc. VI a.C. ao século VI d.C.) era dedicado a Eshmun (Asclépio). Astarte também era cultuada na cidade.

Ofir

Ofir, em hebraico אוֹפִיר, ophir, de significado incerto.

  1. Um lugar bíblico associado com diversas riquezas, sobretudo ouro (1 Re 9:28; 10:11; 22:49; 2 Cr 8:18; 9:10; Jó 22:24; 28:16; Sl 45: 9; Is 13:12). A localização de Ofir é incerta, tendo sido especulado que seria o país de Punt dos egípcios (atuais Somália, Djibuti e talvez Iêmen), algum entreposto na Arábia ou na Índia. Para Ofir Salomão e Hirão de TIro enviaram uma expedição mercante que trouxe ouro, madeira de almugue (sândalo?), macacos, pavões, marfim e pedras preciosas (1 Rs 9: 27-28; 10:11; 2 Cr 8:18; 9:10). De Ofir Salomão recebeu 420 talentos (2 Cr 8:18 relata 450 talentos) de ouro. Um século mais tarde, quando o rei Josafá enviou uma frota semelhante a Ofir, a missão naufragou (1 Rs 22: 48-49; 2 Cr 20: 35-37). A frase “ouro de Ofir” passou a ser usada para destacar as coisas mais preciosas, incluindo a sabedoria (Jó 22:24; 28:16; Sl 45:9; Is 13:12). Em Tobias 13 a Nova Jerusalém é descrita como construída com pedras de Ofir. Um óstraco do século VIII aC foi achado perto da atual Tel Aviv, inscrita: “Ouro de Ofir a / para Beth-Horon.
  2. Ofir filho de Joctã, uma pessoa mencionada em Gn 10:29; 1 Cr 1:23.