Norma normans, norma normata

Essa distinção na teologia luterana entre o caráter normativo das Escrituras e o das confissões elucida o papel da regra de fé.

A norma normans seria as regras primárias de fé (norma decisionis) que, na tradição protestante somente as Escrituras seriam objetos com essa capacidade. Já a norma normata seria a norma discricionária, expressa sobretudo nas confissões de fé. Enquanto essa última avalia a coerência de outras doutrinas, a primeira seria a medida avaliativa entre doutrinas verdadeiras ou falsas.

VEJA TAMBÉM

Orville James Nave

Orville James Nave (1841-1917) foi um biblista e capelão metodista americano. Serviu no Exército dos Estados Unidos e compilou a Concordância Bíblica Tópica de Nave, um índice de tópicos temáticos. Levou 14 anos para compilá-la e teve sua primeira edição em 1896. Estima-se que haja cerca de 20 mil verbetes nas edições integrais dessa concordância.

BIBLIOGRAFIA

Nave’s Topical Bible – ‘Christian Classics Ethereal Library’

https://www.naves-topical-bible.com/

Nínive

Nínive, em hebraico נִינְוֵה. A cidade capital assíria durante o Império Neo-Assírio, a partir de Senaqueribe (ca. 703 a.C.). A cidade seria uma das maiores da Antiguidade até ser destruida pela coalizão de babilônios e medos em 612. a.C., desde então continuaria habitada, mas já sem a glória ou poder anteriores.

Localizada na margem leste do rio Tigre, hoje é um sítio arqueológico importante próximo a Mossul, no Curdistão iraquiano.

Quase sempre Nínive aparece na Bíblia em tons negativos, associada à opressão e violência assíria. A cidade é denunciada por sua maldade e anunciada sua destruição iminente (Jn 1:2; Na 2:8; 3:7; Sf 2:13).

As referências do Novo Testamento a Nínive em Mt 12:41 e Lc 11:30 aludem ao livro de Jonas.

O palácio, as artes, os monumentos e a biblioteca de Nínive constituem importantes fontes históricos e literários para os estudos bíblicos.

BIBLIOGRAFIA

Dalley, Stephanie. “Nineveh after 612 BC.” Altorientalische Forschungen 20.1 (1993): 134-147. https://doi.org/10.1524/aofo.1993.20.1.134

Dick, Michael. “Tales of Two Cities (in the Second-Century Bce): Jerusalem and Nineveh.” Journal for the Study of the Pseudepigrapha 26, no. 1 (2016): 32–48. https://doi.org/10.1177/0951820716670776.

Halton, Charles. “How Big Was Nineveh? Literal Versus Figurative Interpretation of City Size.” Bulletin for Biblical Research 18 (2008): 193–207.

Larsen, Timothy. “Austen Henry Layard’s Nineveh: The Bible and Archaeology in Victorian Britain.” Journal of Religious History 33 (2009): 66–81.

Nicola Baldacci

Nicola Baldacci (1910-2000?) escritor, pacifista e teólogo leigo italiano.

Nascido em Pescara, Nicola Baldacci era um autodidata. Curioso, correspondia com diferentes grupos religiosos, disposto a aprender suas doutrinas. Durante toda sua vida trabalhou como barbeiro.

Aos vinte anos escutou o evangelho por meio de seu irmão Raffaele recém-convertido. Em 1930 converteu-se e foi batizado pelo ancião da Congregazione Cristiana Pentecostale em Pescara.

Casou-se com Rosa di Tinco, crente e membro da Igreja de Ginosa.

Sendo pacifista e por objeção de consciência, recusou-se a servir as Forças Armadas italianas na Segunda Guerra Mundial. Consequente, em 1941 foi condenado a dois anos de prisão. Durante esse período, aprofundou-se na leitura bíblica.

Depois da Segunda Guerra Mundial, com a crescente organização da Obra Pentecostal na Itália, Baldacci começou a corresponder com Louis Francescon e aderir à ala não afiliada às Assemblee di Dio in Italia (ADI).

Nos anos 1950, Nicola Baldacci começou a escrever e publicar por conta própria livros e panfletos. Tratava de questões doutrinárias, eclesiológicas, testemunhos e literatura devocional.

As redes de contato e comunhão de Baldacci incluia a Christian Congregation de Chicago, as Congregazioni Cristiane Pentecostali na Itália e a Congregação Cristã no Brasil. Eventualmente, o grupo em Pescara em que ele congregava seria um dos núcleos iniciais da Congregazione Cristiana in Italia.

Em 1969, Baldacci ganhou um prêmio do governo israelense. Foi convidado a conhecer o Estado de Israel, onde voltaria mais uma vez.

BIBLIOGRAFIA

Baldacci, Niccola. Di Verso in Verso Alla Ricerca Della Luce per l’edificazione Del Corpo Di Cristo. Pescara: Giuseppe Fabiani, 1963.

Baldacci, Niccola. Storia Della Mia Prigionia e Del Mio Esilio : Con Altre Poesie Di Vari Soggetti: Tribolazione Di Un Fratello in Cristo. Pescara: Tipolino la Stampa, 1983.

Baldacci, Nicola. L’essenza Della Vita Cristiana. 2nd ed. Pescara: Tipolito Fabiani, 1977.

Baldacci, Niccola. Promemoria Dei Re Del Popolo Ebreo : (Ad Edificazione Dei Cari Lettori). Pescara, 1998.

Baldacci, Nicola, and Rosa Di Tinco. Cari Lettori : Chi Di Voi Unitamente a Noi, Desidera Ritornare All’osservanza Dei Sani Insegnamenti Delle Sante Scritture? Pescara: Tip. Caribaldi e Surricchio, 1956.

Profecia de Nefer-rohu

É uma obra literária egípcia no gênero de profecia, composta no período do Novo Reino e atribuída a Nefer-rohu, também chamado Neferti. É interessante por seu paralelo bíblico, mencionando um escurecimento do sol.

As Profecias de Neferti se passam em uma corte fictícia do Rei Snefru (c. 2575–2551 aC), que governou o Egito durante a Quarta Dinastia. A profecia de Nefer-rohu relata como o faraó Snefru foi alertado por um profeta que previu que o caos logo tomaria conta do Egito, mas que a ordem seria restabelecida quando Ameni da Núbia (uma referência a Amen-em-hep I, o primeiro rei da 12ª Dinastia) viesse a ser rei.

Certamente, foi uma propaganda política para apoiar o governo de Amen-em-hep I, que reino entre c.1994-c.1975 a.C.

“Um pouco mais tardia é a profecia de Nefer-rohu, que é extremamente interessante como o exemplo certo mais antigo de um vaticinium ex eventu” (Albright, 1940).

BIBLIOGRAFIA

Pritchard, ANET, 445.

Numênio

Numênio foi um filósofo grego nativo de Apamea, na Síria, e possivelmente lecionou em Roma durante a última metade do século II d.C. Talvez seja o único filósofo grego que tenha estudado explicitamente Moisés, os profetas e a vida de Jesus.

Familiarizado com as ideias dos gregos, egípcios, brâmanes e magos; Numênio tratou as Escrituras hebraicas e os ensinos cristãos com respeito. Ele se refere a Moisés simplesmente como “o profeta”, tal como Homero é “o poeta”. Descreve Platão como um Moisés grego.

Apesar do caráter eclético de Numênio, seus escritos o situam no médio-platonismo e no neo-pitagorismo. Seu impacto na filosofia foi considerável no platonismo posterior, mais notavelmente em Plotino (III d.C.) e Porfírio (III e IV d. C.). Sua obra só resta em fragmentos citados por outros filósofos e autores patrísticos.

A familiariedade de Numênio com as escrituras hebraicas e cristãs atesta a circulação e disponibilidade delas já nos meados do século II d.C. fora do âmbito cristão e judeu.

Manuscrito de Nahal Arugot

Em 2004, alguns beduínos encontraram quatro fragmentos de couro inscritos em uma pequena e inacessível caverna em Nachal Arugot, próximo a Engedi.

Contém Lv 23:40-44 e Lv 24:16-19, sendo datados provavelmente da mesma época dos manuscritos do Mar Morto.

Próximo a essa região foi encontrado outro manuscrito de Levítico, mas medieval e proto-massorético, o EGLev.

Tabuletas de Nuzi

Coleção com mais de 6.000 tabuletas descobertas no local da antiga cidade de Nuzi, um centro administrativo hurrita que floresceu por cerca de 150 anos durante a Idade do Bronze Tardia.

Nuzi, escavada entre 1925 e 1933, localiza-se na moderna Yorghan Tepe, a 13 km a sudoeste de Kirkuk, no norte do Iraque.

Os arquivos de Nuzi incluem contratos, registros de venda, testamentos, vendas de escravos, listas de racionamento, memorandos, atas de julgamento e textos escolares.

Quando os primeiros textos de Nuzi foram publicados, houve uma empolgação de que eles continham informações sobre o período dos patriarcas. Ephraim Avigdor Speiser disseminou leituras das tabuletas de Nuzi que supostamente afirmaria costumes da Idade do Bronze referente a casamento, dentre eles contratos de adoção de esposa como irmã e de uso de um serva como mãe sub-rogada. Nos anos 1970 a revisão desses materiais revelou que Speiser interpretou-os erroneamente. Desse modo, constatou-se que muitos dos costumes eram comuns às outras épocas ou que os supostos paralelismos seriam interpretações equivocadas dada a incompetência técnica dos primeiros estudiosos a publicar as tabuletas. Contudo, Nuzi permanece um recurso histórico, linguístico e arqueológico importante para o período.

BIBLIOGRAFIA

Taggar-Cohen, Ada. “Law and Family in the Book of Numbers: The Levites and the Tidennutu documents from Nuzi.” Vetus Testamentum 48 (1998): 74–94.