Carolina Dalgas

Carolina Dalgas (1832 -1893) educadora, tradutora e hinista evangélica italiana de origem dinamarquesa.

Nascida em Livorno em uma família reformada franco-dinamarquesa. Seu pai era o cônsul Jean Antoine Dalgas (1788-1835). Com a morte do pai, Carolina foi confiada ao tio paterno por sua mãe, quando o resto de sua família retornou à Dinamarca.

Carolina foi ativa da Igreja Evangélica de Livorno. Foi instrutora e depois coordenadora nas escolas primárias valdenses e na escola dominical. Escreveu para revistas infantis, além de traduzir, compor e compilar hinos da L’Arpa Evangelica (1867).

É autora dos hinos “Senhor, preciso mais da tua luz” e “Eu Sou um cordeirinho” .

Foi diretora do Liceu Feminino de Torre Pellice, do Colégio Feminino Anglo-Romano e do Instituto de Roma.

BIBLIOGRAFIA

Dalgas , Enrico. Familien Dalgas, 1891

Carolina Dalgas. Dizionario Biografico dei Protestanti in Italia. Società di Studi Valdesi.

Dorothea Trudel

Dorothea Trudel (1813- 1862) pietista luterana suíça que iniciou um movimento de cura pela fé em Männedorf, no Lago Zurique.

Tudel masceu em uma família pobre de onze filhos com um pai alcoólatra e uma mãe devota. O único livro que a família possuía era a Bíblia, lida assiduamente pela mãe. Quando pequena, perdeu a visão por uma infecção de varíola, mas a oração da mãe levou-a restabelecer-se.

Começou a trabalhar aos nove anos. Era uma moça normal, participando dos bailes e eventos sociais locais. Aos 22 anos, ao rechaçar um homem que tentou agarrá-la, feriu sua coluna. Jovem e concurda, entrou em depressão. Aos 23 anos passou por uma experiência conversão e frequentavam círculos luteranos pietistas.

Quando sua mãe morreu, um tio cuidou de Dorothea e mais três irmãs. As vidas delas tiveram um progresso. Trudel começou a trabalhar como florista e teve uma renda melhor. O tio deixou a casa para elas como herança.

Um dia em 1840, quatro funcionários da empresa de seu sobrinho estavam doentes sem perspectiva de cura. Dorothea orou de acordo com Tiago 5 e ungiu-os com azeite, impondo as mãos e eles ficaram curados.

As pessoas da região passaram a visitá-la para orações, estudos bíblico e devocionais. A casa de Dorothea não conseguia acomodar os hóspedes. Então, com apoio do pastor reformado local organizaram quatro casas para abrigar os visitantes. Essas casas tornaram-se sanatórios, casas de repousos. Mas diferente dos caros sanatórios suíços, não havia cobrança pela estada, com cada paciente pagando como podia. Uma das pessoas curadas mediante Trudel, Samuel Zeller (1834– 1912) passou a auxiliá-la e depois a sucedeu na administração das casas e nos encontros de oração. Uma dessas casas, Bibelheim, ainda continua ativa.

Trudel foi processada por exercício ilegal da medicina, o que terminou em 1861 com sua absolvição. No ano seguinte morreu de febre tifóide.

A obra de Trudel influenciou o movimento de santidade alemão. Estiveram conexos Otto Stockmayer e os Blumhardt. Quando o médico Charles Cullis foi curado pela fé e publicou os panfletos de Trudel, seu trabalho ganhou notoriedade póstuma.

A teologia e prática de Trudel era simples. A prioridade era a salvação. A cura era uma expectativa de fé, sem obrigação de acontecer um milagre. O que ela enfatizava era que na expiação realizada por Cristo incluía a cura de Deus. Isso causou uma mudança de mentalidade. Ainda que na época avançava a uma confiança mecanicista na medicina, também coincidia com um tratamento cruel de enfermidades mentais. Também prevalecia uma ideia punitiva de que doenças eram frutos de pecados ou demônios. Trudel tratava com humanidade os doentes tanto de físico como mentais.

Trudel foi pioneira em praticar a unção com óleo no protestantismo, era convicta de que Deus cumpriria suas promessas e que as enfermidades não eram um castigo divino.

BIBLIOGRAFIA

Keller, Sam. Dorothea Trudel Van Männedorf of De Kracht Des Geloofs Werkende Door De Liefde. Translated by A.M.C. van Asch van Wijk. Amsterdam: Funke, 1864.

Cullis, Charles. Dorothea Trudel: Or The Prayer Of Faith. 1865.

Pietro Martire Vermigli

Pietro Martire Vermigli (1499-1562) foi um reformador italiano, originário de Lucca e depois exilado na Suíça.

Educado com uma formação humanista em Fiesole, Pádua e Bolonha, interessou-se pelo estudos hebraicos. Nomeado abade de San Pietro ad Arame em Nápoles, onde desenvolve um círculo de interessados em discussões bíblicas e religiosas. Na época, a influência de Juan Valdés em Nápoles gerou um círculo discreto de simpatizantes da Reforma.

De retorno à Lucca em 1541, como prior do convento de San Frediano começa a pregar publicamente ideias reformadas. Enfatizava o valor da morte de Cristo e a justificação.

Questionado por sua ordem religiosa, parte para o exílio. Foi ministro dos italianos refugiados em Estrasburgo, depois deu aula em Oxford. Com o restabelecimento do catolicismo na Inglaterra, retornou à Estrasburgo até passar a viver em Zurique.

Joan Bocher

Joan Bocher (?-1550), também Boucher, Butcher, Knell ou Joan of Kent, foi uma mártir anabatista inglesa queimada durante a Reforma Inglesa no reinado de Eduardo VI.

Joan tornou-se seguidora das doutrinas de Melchior Hoffman em um círculo de anabatistas na região de Kent. Presa em 1548 por não crer nas doutrinas do sacramento, seria condenada como herege.

Argula von Grumbach

Argula von Grumbach (1490-1564) foi uma nobre alemã, autora e reformadora da Bavária.

Recebeu a típica educação das mulheres nobres da época, a qual não incluia latim — a língua da erudição — mas era leitora ávida da Bíblia em alemão.

Por volta de 1520 começou a ler e a corresponder com os reformadores, especialmente Lutero.

Em 1523, um jovem professor da Universidade de Ingolstadt, Arsacius Seehofer, foi perseguido por adotar as ideias luteranas. Argula escreveu cartas e poemas, recheados de citações bíblicas. O debate a fez conhecida na Alemanha e propagou a reforma na Bavária, onde os escritos de Lutero eram banidos.

Casada (e viúva) duas vezes. Depois dos incidentes de 1523 retirou-se para os cuidados de sua propriedade e família, mas mesmo antes de sua morte teve uma agitação a respeito de seus escritos.

Simon Chan

Simon K. H. Chan, teólogo pentecostal, professor de Teologia Sistemática no Trinity Theological College (Cingapura).

Fez seu doutorado com ênfase em teologia histórica pela Universidade de Cambridge, sob a direção de Eamon Duffy (1986). É um ministro ordenado nas Assembléias de Deus de Cingapura e editor do Trinity Theological Journal.

Chan critica divisão da teologia sistemática em disiciplinas isoladas. Para integrá-las, propõe que a Espiritualidade seja uma disciplina em seu próprio mérito.

O foco de Chan no culto como cerne ontológico da Igreja remedia deficiências em eclesiologia que consideram o culto e a liturgia como acidentes sociológicos ou aspectos funcionais. Para Chan, o culto define a Igreja.

TEOLOGIA

Chan, Simon. Spiritual Theology: A Systematic Study of the Christian Life. Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1998.

Chan, Simon. Pentecostal Theology and the Christian Spiritual Tradition. Sheffield: Sheffield Academic Press, 2000.

Chan, Simon. Liturgical Theology: The Church as Worshipping Community. Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2006.

Gottfried Arnold

Gottfried Arnold (1666-1714) foi um historiador, autor de livros devocionais e pastor de uma igreja luterana em Brandenburg, Alemanha, com tendências pietistas.

Contemporâneo de Spener, Arnold compartilhava muitos aspectos, mas não aderiu ao pietismo.

Publicou uma reconstrução histórica do cristianismo primitivo em sua obra de dois volumes, Die Erste Liebe (1696). O livro fez sucesso entre círculos pietistas e rendeu-lhe uma cátedra universitária em Giessen, a qual deixaria um ano depois.

Em 1700 publicou sua obra maior Unpartheiische Kirchen- und Ketzer-Historie, na qual afirmava que a história narrada pelos vencedores não refletia a realidade da história marginal no cristianismo. Argumentou que grupos marginais, tidos como sectários e heréticos, eram representados distorcidamente por interesses ideológicos.

Argumentava que a igreja primitiva seria um modelo a ser copiado. A igreja primitiva teria ministros que ganhavam sustentos com seus próprios trabalhos, tendo um coração renovado e requisitos bíblicos para o ministério sem exigir titulações acadêmicas. Os ministros seriam chamados de Ältesten (anciãos) e os cultos de reunião (Versammlung) ao invés de serviços (Gottesdienst). As mulheres ensinavam e instruíam umas às outras, algumas chamadas de diakonas e presbiterias. O assento separado na congregação, o ósculo santo e o cântico alegre seriam outras características de culto. A oração e cânticos constante, mesmo fora dos serviços de culto, seriam marcas da vida cristã cotidiana. Numa época em que somente membros de ordens monásticas se referiam como “irmã” e “irmão”, Arnold dizia que os primitivos cristãos se identificavam assim. Adicionalmente, cada cristão cuidava um do outro e viviam em comunhão.

Arnold teve impacto indireto (ainda que por pessoas que não o leram) na formação de um ideal de cristianismo primitivo, no restauracionismo, bem como na doutrina da sucessão apostólica marginal.

BIBLIOGRAFIA

Peucker, Paul M. “The Ideal of Primitive Christianity As a Source of Moravian Liturgical Practice.” Journal of Moravian History 6, no. 6 (2009): 6–29.

Johann Salomo Semler

Johann Salomo Semler (1725-1791) teólogo luterano e biblista alemão.

Filho de pietistas, mas viria a aderir a teologia racionalista dos neólogos. Junto de J. A. Ernesti (1707–1781) e S. J. Baumgarten de Halle (1706–1757), Semler desvinculou a teologia dogmática da ortodoxia luterana — quer pietista, quer escolástica — abrindo o caminho para uma teologia racionalista. Em 1751 tornou-se professor na Universidade de Halle.

Os neólogos afirmavam estudar a Bíblia de um ponto de vista científico despido de pressupostos dogmáticos. Assim, buscavam provar que a teologia era compatível com uma fé racional.

Semler foi um dos primeiros teólogos alemães a aplicar o método histórico-crítico ao estudo da Bíblia.

Distinguia entre teologia e religião bem como entre Palavra de Deus e Escrituras em sua principal obra Tratado sobre a livre investigação do cânon (1771). Antes dele havia a tradição da Reforma de considerar a tripla manifestação da Palavra de Deus. Baseando-se na distinção que Lutero e Melâncton fazia entre Escrituras e Palavra de Deus, Semler argumentava que a revelação residia somente na Palavra de Deus. Hesitante em definir o que seria a Palavra, no entanto, empregava essa distinção. Para Semler, a Palavra de Deus seria as verdades espirituais interiores, a qual seria universal, abstrata, transcendente e capaz de levar à instrução salvítica. A Palavra de Deus seria discernível pelo testemunho do Espírito Santo no coração do leitor. Já as Escrituras seriam a acomodação dos autores humanos à revelação divina da Palavra de Deus.

A distinção entre o texto e a Palavra de Deus permitiu-lhe trabalhar criticamente com a Bíblia enquanto mantinha sua fé na autoridade da Palavra de Deus. Assim, levou em conta os aspectos humanos da composição da Biblia. Notou sistematicamente vieses pró e antijudaico no Novo Testamento. Enquanto os textos bíblicos foram escritos para audiências específicas, a Palavra de Deus seria universal.

Questinou autoridade e autenticidade de parte do conteúdo bíblico.
Considerava que muito do texto bíblico seria local e efêmero, portanto não normativo. Desse modo, rejeitou tentativas de harmonização dos evangelhos em uma narrativa singular, salientando as perspectivas únicas de cada evangelho. Inaugurou a crítica de audiência, notando que Jesus e os discípulos acomodavam seus discursos às suas audiências.

A produção de Semler foi vasta, sendo estimada entre 171 e 250 publicações. Muitas de suas novas conclusões eram pouco ortodoxas. Apesar disso, questionava as doutrinas do racionalismo (principalmente do spinozeísmo), do naturalismo, do deísmo e dos socinianos. Sustentava, no entanto, que os ministros deveriam ser obrigados a subscrever publicamente a confissão de fé conforme a doutrina tradicional.

BIBLIOGRAFIA

Hornig, Gottfried. “Die Anfänge der historisch-kritischen Theologie: Johann Salomo Semlers Schriftverständnis und seine Stellung zu Luther.” Forschungen zur systematischen Theologie und Religionsphilosophie (1961).

Kümmel, Werner Georg. “Semler, Johann Salomo: Abhandlung von freier Untersuchung des Canon. Hrsg. von H. Scheible.” Theologische Rundschau 35.4 (1970): 366-366.

Kümmel, Werner Georg. The New Testament: The History of the Investigation of It’s Problems Trad. MacLean Gilmour, Howard C. Kee. Nashville: Abingdon Press, 1972.

Schroter, Marianne. Aufklarung durch Historisierung: Johann Salomo Semlers Hermeneutik des Christentums. Berlin: Gruyter, 2012.

Paschke, Boris. Semler and Historical Criticism. Concordia Theological Quarterly 80 (2016), 113-132.

Johann Philipp Gabler

Johann Philipp Gabler (1753 – 1826) teólogo protestante. Foi um notório professor de Antigo Testamento em Altdorf em 1785, e em Jena em 1804.

Enquanto estudava teologia esteve a ponto de abandonar a carreira. Todavia, que a chegada de Griesbach inspirou-lhe um novo entusiasmo. Influenciado por J.G. Eichhorn e J. J. Griesbach, fez parte da corrente da neologia teológica, porém não era um racionalista.

A palestra inaugural de Gabler na Universidade de Altdorf a 30 de março de 1787 foi um marco para os estudos bíblicos. A palestra, com o título “De iusto discriminate theologiae biblicae et dogmaticae regundisque recte utrisque finibus”, propunha a distinção entre teologia bíblica e teologia dogmática (teologia sistemática). Denuncia também a imposição de interpretações no texto bíblico (eisegese). Por fim, elencou as quatro lacunas que impediam uma hermenêutica apropriada:

1-Qualidade distinta dos textos bíblicos. Isto é, o texto bíblico é um gênero textual próprio;

2-Linguagem bíblica distinta da usual;

3-Distância temporal nos costumes do contexto bíblico;

4-Ignorância dos métodos interpretativos.

Citando outro erudito, Tittmann, Gabler argumenta que religião é diferente de teologia. A religião seria transmitida pela doutrina das Escrituras, ensinando o que cada cristão deve conhecer, crer e fazer para garantir a felicidade nesta vida e na vindoura. Religião, portanto, seria conhecimento transparente e claro vivido no cotidiano. De outro lado, teologia seria um conhecimento sutil e erudito, embasado em muitas disciplinas. Seria um conhecimento derivado não só das Sagrada Escrituras, mas também de outras fontes, especialmente do domínio da filosofia e história. Dessa forma, não só Gabler distingue entre teologia bíblica e teologia dogmática, mas também distingue entre teologia vivida e teologia sistematizada.

Gabler restringe a teologia bíblica ao que cada autor especificamente disse ou do qual de seus escritos bíblicos possam ser inferidos. A teologia bíblica deveria ser meramente descritiva, enquanto a teologia dogmática seria normativa. O exame da totalidade doutrinária caberia à teologia dogmática, a qual seria com métodos racionais, porém sempre condicionada à habilidade pessoal, circunstâncias, tempo, local, filiação religiosa, escola de pensamento e outros fatores.

Mais tarde, a distinção de Gabler fruiria em uma adicional diferenciação entre ciências bíblicas e teologia.

Essa curta palestra de Gabler serviu para separar a eisegese de um método circular de leitura bíblica. Eruditos e ministros obviamente criam que suas crenças correpondiam às da Bíblia e impunham suas doutrinas para reinterpretar os autores conforme os termos e interesses do leitor. A crítica de Gabler foi revolucionária em separar a teologia da ciência bíblica, mas também teve os efeitos colaterais de um renovado biblicismo e uma desconfiança acerca do polo do leitor e da recepção no processo hermenêutico.

A teologia bíblica permanece a mesma, a saber, porque ela considera apenas aquelas coisas que os homens santos percebiam sobre assuntos pertinentes à religião, e não é feita para acomodar nosso ponto de vista.

BIBLIOGRAFIA

https://jimhamilton.info/wp-content/uploads/2012/05/Gabler-ProperDistinction-BiblicalTheology.pdf

August Hermann Francke

August Hermann Francke (1663 – 1727), ministro, editor, educador e reformador social. Foi um dos principais promotores do pietismo alemão, sucedendo a Philipp Spener.

Nascido em uma família burguesa da cidade hanseática de Lübeck, no norte da Alemanha, cresceu em de Gotha, onde seu pai era conselheiro do duque.

Estudou teologia em Erfurt e outras universidades. Francke era um acadêmico, mas sua conversão somente veio mais tarde quando esboçava um sermão.

Spener convidou Francke para lecionar grego e hebraico na Universidade de Halle, então o principal centro pietista alemão. Ao redor de Halle, Francke iniciou vários ministérios pela fé.

Organizou um orfanato, uma editora com tipografia, uma casa para viúvas e várias iniciativas de atendimento social.

Era dito que as instituições de Francke apoiados por sua fé e nada mais, pois não eram apoiadas pela Igreja Evangélica Estatal.

Apontado pastor para uma aldeia pobre chamada Glaucha, iniciou uma arrecadação para custear a educação dos jovens. Como outras de suas instituições, a escola fundada por ele era sustentada pela fé. Com uma generosa doação, passou a oferecer o ensino fundamental e técnico (invenção dele, como se verá) completo.

A ideia de que cada criança tem talentos diferentes formou a base da visão educacional de Francke. Considerando que cada criança aprende de maneira diferente, o currículo deveria corresponder ao nível da criança, bem como oferecer uma ampla variedade de disciplinas. Desse modo, Francke é considerado o pai da educação técnica alemã.

Teve um papel importante para a popularização das Escrituras. Junto do barão Carl Hildebrand Freiherr von Canstein (1667 – 1719), Francke criou a organização Cansteinsche Bibelanstalt (1710), a primeira sociedade bíblica, visando a produção em massa da Bíblia sem fins lucrativos.

Para cumprir seus propósitos, inventou o estereótipo. Nessa técnica, os 5 milhões de tipos móveis das aproximadamente 1.300 páginas impressas da Bíblia foram compostas previamente. A placa diagramada com os tipos eram fundidas com uma base de chumbo e guardadas permanentemente para impressões subsequentes. Dessa forma, as Bíblias podiam ser impressas rapidamente, em grande número e a baixo custo. Entretanto, o custo inicial foi grande, mas o barão Canstein dispôs de sua fortuna para essa missão.

Com aprimoramento das técnicas editorais e uma editoração simplificada produziu 8.000 cópias da Bíblia inteira e 100 mil Novos Testamentos entre 1712 e 1719. Em 1812 já tinha distribuído 2 milhões de exemplares em 380 edições; 1 milhão de cópias do Novo Testamento com os Salmos, além de 100 mil cópias dos Salmos com Eclesiastes.

Sua obra Pietas Hallensis: uma demonstração pública dos passos de um Ser Divino ainda no mundo reforçava sua convicção que Deus opera grandiosamente no mundo. A oração serve para demonstrar a fé que Deus ainda opera no mundo. O conceito de fazer missão somente pela fé influenciou George Mueller e seu orfanato em Bristol; Hudson Taylor e sua China Inland Mission; William Taylor e suas missões autopropagantes e autossustentáveis.

Produziu vários manuais de interpretação bíblica, lidando tanto com método quanto com comentários Manuductio ad Lectionem Scripturae Sacrae (1693); Praelectiones Hermeneuticae (1717) e Commentatio de Scopo Librorum Veteris et Novi Testamenti (1724).

Conhecido por seu moralismo, publicou uma coleção de exortações Lectiones Paraeneticae (1726-1736).

Sua cristologia luterana e pietista é aliada a sua ênfase nas Escrituras, como visto na obra Cristo é a some e substância de todas as Escrituras, Antigo e Novo Testamento (1732).

BIBLIOGRAFIA

Sattler, Gary R. God’s Glory, Neighbor’s Good: A brief introduction to the life and writings of August Hermann Francke. Chicago: Covenant Press, 1982.

Yoder, Peter James. Pietism and the Sacraments: The Life and Theology of August Hermann Francke. University Park: Pennsylvania State University, 2012.

Zaunstöck, Holger; Müller-Bahlke, Thomas J. ; Veltmann, Claus. Die Welt verändern: August Hermann Francke; ein Lebenswerk um 1700. Verlag d. Franckeschen Stiftungen zu Halle, 2013.