Tuomo Mannermaa

Tuomo Mannermaa (1937-2015) foi um teólogo luterano finlandês, conhecido por sua escola “Nova Interpretação Finlandesa de Lutero”

Foi um crítico da Concórdia de Leuenberg que aproximou teologicamente as tradições reformadas e luteranas europeias. Especialista em teologia católica romana e ortodoxa, participou de debates teológicos nessas tradições.

Segundo Mannermaa, a perspectiva de Lutero sobre a salvação seria mais próxima da Igreja Ortodoxa do que suposto por seus intérpretes luteranos. Mannermaa notou que o ensino de Lutero sobre a justificação estava baseado na justiça que habita no crente, em vez da justiça de Jesus como imputada ao crente. Assim, argumentava a justificação pela fé em termos de teose. Dentre os adeptos da Nova Escola Filandesa estão Simo Peura, Risto Saarinen e Antti Raunio.

Johann Albrecht Bengel

Johann Albrecht Bengel (1687 – 1752) foi um teólogo e comentarista do Novo Testamento alemão. Nascido no ducado de Württemberg, foi influenciado pelo pietismo dessa região. Tornou-se professor e administrador no seminário luterano. Escreveu o Gnomon Novi Testamenti, o qual inspirou as Notas explanatórias sobre Novo Testamento de John Wesley. Produziu uma edição crítica do Textus Receptus do Novo Testamento (1734), anotando diferentes gradações de autoridade nas variantes textuais. Cunhou o conceito de famílias textuais de manuscritos. Seu interesse escatológicos o fez prever o início do milênio para 1837 e provocou ruptura com os morávios, aos quais rejeitavam esquemas e especulações sobre as últimas coisas.

Abelardo, Pedro

Pedro Aberlardo (em francês Pierre Abélard; Latim: Petrus Abaelardus ou Abailardus) (c. 1079 – 21 de abril de 1142) foi um filósofo escolástico francês medieval.

Nascido na Bretanha, tornou-se um professor popular em Paris, marcando a transição da teologia como uma atividade monástica para um contexto universitário.

Tratou os autores da antiguidade clássica com respeito em tempos que eram desconsiderados por serem “pagãos”.

Promoveu o conceitualismo como solução para o problema dos universais. Em sua ética, passou a considerar a intenção ao invés dos resultados ou dos atos em si.

Ficou conhecido por seu caso de amor trágico com sua brilhante aluna e eventual esposa, Heloísa (Héloïse d’Argenteuil). Defendia os direitos das mulheres, inclusive seu acesso à educação. Foi castrado por ordem do tio abusivo de Heloísa. Depois disso, o casal passou a viver separadamente em um vida monástica.

Dentre suas doutrinas estão o concieito de limbo e a teoria da influência moral da expiação.

SAIBA MAIS

Abelardo, Pedro. Ética de Pedro Abelardo. Traduzido, editado e anotado por Marcio Chaves-Tannús. Edufu, 2015.

 Westminster Sisters

Agnes Smith Lewis (1843–1926) e Margaret Dunlop Gibson (1843–1920), eruditas bíblicas britânicas especializadas em línguas semíticas. Conhecidas pela redescoberta dos manuscritos da Geniza da Sinagoga do Cairo.

Filhas gêmeas de um jurista afluente, falavam alemão, francês e italiano quando deciriram aprender mais línguas e viajaram pela Europa e Oriente Médio em 1868.

As irmãs viajaram para o mosteiro de Santa Catarina no Sinai em 1892 e descobriram uma das primeiras versões siríacas dos Antigos Evangelhos Siríacos. Continuaram a coletar manuscritos e livros, fazendo importantes avanços nos estudos do aramaico cristão palestiniano. Colaboraram com os eruditos europeus de sua época, juntando mais de 1.700 manuscritos.

Identifiacaram na Geniza da Sinagoga Ben Ezra no Cairo, os fragmentos do qual seria um dos maiores achados em estudos bíblicos.

Pesquisaram em colaboração com Universidade de Cambridge, a qual nunca lhes concedeu diplomas às irmãs. Todavia, receberam títulos honorários das universidades de Halle, Heidelberg, Dublin e St Andrews.

Sarah Trimmer

Sarah Trimmer (1741 – 1810) foi uma filantropa e biblista britânica.

Anglicana devota, fundou várias escolas dominicais e escolas de caridade em sua paróquia. Escreveu livros e manuais para iniciar suas próprias escolas, inspirando outras mulheres, como Hannah More, a estabelecer programas de escola dominical e a escrever para crianças e os pobres. Trimmer argumentava que as escolas dominicais deviam ensinar não apenas a ler a Bíblia, mas a raciocinar e tirar conclusões teológicas e políticas.

 Publicou o  A Help to the Unlearned (1805), um comentário de um volume publicado em 1805 para disseminar o conhecimento bíblico.

Grace Aguilar

Grace Aguilar (1816 – 1847) foi uma escritora e biblista britânica.

Nascida em uma família judia de ascendência portuguesa, Aquilar defendia a formação de escolas para a população pobre, tanto para meninos quanto meninas. Promoveu o estudo do hebraico entre mulheres judias e a ampla leitura das Escrituras em inglês mesmo entre os judeus.

Ao entrar em contato com um rabino e editor americano Isaac Leeser, arranjou para a publicação seu tratado teológico The Spirit of Judaism (1842) como o volume inicial de uma nova série de livros. O manuscrito original foi perdido no mar, mas Aguilar foi capaz de recriá-lo a partir de suas notas.

Em 1845 apareceu As Mulheres de Israel – uma série de retratos delineados de acordo com as Escrituras e Josefo.

Elizabeth Baxter

Mary Elizabeth Foster Baxter (1837-1926) escritora, missionária e biblista britânica.

Nascida em uma família de quakers em Worcestershire, na Inglaterra. Converteu-se aos 21 anos e dedicou-se ao ministério evangelístico. Casada com Michael P. Baxter em 1868, foram pais de Michael Paget Baxter. O casal fundou a Casa Bethshan em 1880 para cuidar da cura do corpo e da alma. Foram influenciados por Andrew Murray, D. L. Moody e Ira Sankey. Em razão disso, participaram ativamente do movimento “Higher Christian Life”, promovido por William E. Boardman e difundido pela Convenção de Keswick.

O casal apoiava as campanhas de Moody na Inglaterra, publicando um pequeno jornal chamado “Signs of Our Times”. O jornal se expandiu para se tornar “The Christian Herald”.

Em viagem em férias à Suíça, o casal começou a realizar reuniões evangelísticas. Durante uma viagem na Alemanha, Elizabeth teve a experiência de ser capaz de pregar em alemão o suficiente para ser entendida, embora ela soubesse apenas poucas palavras do idioma. Nesse período, Elizabeth conheceu o pastor Otto Stockmayer, Samuel Zeller e teve contato com as obras de Dorothea Trudel e Johann Blumhardt.

Em 1886, os Baxters abriram uma casa de treinamento missionário, formando centenas de missionários. Estabeleceram as Missões Gerais Kurku e Central Hills e Ceilão e Índia na Índia. Na década de 1890, Elizabeth viajou pelo Canadá e pelos Estados Unidos. Em 1894, também conheceu e tornou-se amiga de Carrie Judd (mais tarde Montgomery), que havia aberto sua própria casa de recuperação em Nova York. Mais tarde, viajaria para as missões na Índia.

Publicou mais de quarenta livros, além de tratados volantes e panfletos. Seu Women in the Word (1897) faz um panorama com vários perfis de mulheres nas Escrituras.

Johann Tobias Beck

J. T. Beck (1804- 1878) foi um teólogo alemão notório por sua posição biblicista, realista e existencial.

Filho de uma família de classe média de Württemberg, estudou na Universidade de Tübingen de 1822 a 1826. Influenciado pelo pietismo radical e por Johann Albrecht Bengel; serviu como ministro em várias paróquias em Württemberg. Em 1836 passou a lecionar Universidade de Basel, mas em 1843 ele voltou para Tübingen.

Críticos dos hegelianos e das posições liberais e conservadoras teológicas de sua época, Beck era expoente de uma escola teológica própria. A Escola de Württemberg contrastava tanto com a escola crítica de Tübingen representada por Ferdinand Christian Baur quanto a escola historicista de F. Delitzsch e C. F. Keil. Para Beck, ambas eram demasiadamente especulativas.

A base para teologia não seria o “conhecimento especulativo” somente “conhecimento para a fé”. Qualquer coisa que não fosse biblicamente fundamentado não se qualifica como verdadeiro conhecimento de Deus. Ao invés de olhas as Escrituras como um objeto a ser examinado em seu contexto do passado histórico, Beck buscou encontrar nela a História de Salvação. Nisso, os eventos e testemunhos humanos que dariam origem ao texto bíblico canônico são irrelevantes à fé, pois o encontro do crente com esse plano divino na história documentada na Bíblia levaria à ação e paradoxos que forçariam a conhecer relacionamente a Deus. A razão humana ou a síntese feita pela Igreja poderiam até produzir ou não conhecimento verdadeiro, mas a exegese espiritual (pneumática) da Bíblia resulta da obra do Espírito Santo. Dessa forma, a teologia sistemática aos moldes da História de Salvação produzirá o conhecimento real de Deus.

Beck antecede muito da teologia dialética. Por exemplo, introduziu Søren Kierkegaard aos alunos em Tübingen e depois Karl Barth veria nele um interlocutor.

BIBLIOGRAFIA

Einleitung in das System der christlichen Lehre (1838, 2a ed. 1870)
Die christliche Lehrwissenschaft nach den biblischen Urkunden (1841)
Umriss der biblischen Seelenlehre (1871)
Christliche Reden (6 band, 1834-1870)
Leitfaden der christlichen Glaubenslehre (1869)
Christliche Liebeslehre (1872)
Erklärung der zwei Briefe Pauli an Timotheus (1879)
Pastorallehren nach Matthäus und der Apostelgeschichte (1880)
Vorlesungen über christliche Ethik (3 band, 1882-83)
Erklärung der Offenbarung Johannes 1–12 (1883)
Erklärung des Briefs an die Römer (1884)
Erklärung der Briefe Petri (1896)

Anselmo

Anselm da Cantuária (1033-1109) foi filósofo, teólogo e arcebispo medieval.

Nasceu perto de Aosta, na fronteira da Borgonha com a Lombardia. Aos 23 anos iniciou uma viagem de três anos aparentemente sem rumo até se estabelecer na Normandia em 1059. Entrou para abadia beneditina de Bec, sob direção de Lanfranc, um brilhante professor de dialética.

Mais tarde, Anselmo foi eleito abade de Bec e o transformo em um centro intelectual. Escreveu suas obras Monologion (1075–1076), Proslogion (1077–1078) e seus quatro diálogos filosóficos: De grammatico (c. 1059–1060), De veritate, De libertate arbitrii e De casu diaboli (1080–1086).

Em 1093, Anselmo foi nomeado arcebispo da Cantuária, a sé principal da Inglaterra. Quando Anselmo viajou a Roma em 1097 sem sua permissão, o rei William não permitiu seu retorno. Depois da morte do rei em 1100, seu sucessor, Henrique I, autorizou o retorno de Anselmo. Mas seria novamente exilado de 1103 a 1107.

Suas obras como arcebispo da Cantuária incluem a Epistola de Incarnatione Verbi (1094), Cur Deus Homo (1095–1098), De conceptu virginali (1099), De processione Spiritus Sancti (1102), a Epistola de sacrifício azymi et fermentati (1106– 1107), De sacramentis ecclesiae (1106–17) e De concordia (1107–8). Anselmo morreu em 21 de abril de 1109.

O pensamento de Anselmo provocou uma grande mudança teológica no ocidente. Na busca da comprensão de Deus como um ser, rompeu com a tradição apofática ao propor examinar a essência divina como um ser.

Seu método é primordialmente lógico-dedutivo. A lógica de Anselmo segue a recepção latina deAristóteles mediada por Porfírio e Boécio. Subscrevia ao realismo na questão dos universais, argumentando que os gêneros e as espécies não desapareceriam se afastados todas as suas instâncias.

Promoveu assim, o argumento ontológico para a razoabilidade da existência de Deus. Com base nos atributos divinos inferidos a priori e dedutivamente, revisitou a teoria do resgate da expiação. Propôs a doutrina da satisfação para o ato expiatório, pois considerava ímpia a noção de resgate como uma transação comercial paga a Satanás. Assim, justificou porque era necessário que Deus se tornasse humano para satisfazer a justiça divina, maculada pelo pecado original.

Desse modo, pode-se resumir o pensamento da teologia de Anselmo que Deus é o ser com os máximos atributos possíveis. Sendo o mais justo, teria que ter sua justiça divina satisfeita. Essa seria a razão pela qual Deus se tornou humano e morreu pelos pecados dos seres humanos. Pelo pecado, a humanidade ofendeu a honra de Deus, e a justiça de Deus exige satisfação por essa ofensa. Porém, somente alguém totalmente santo e puro poderia realizar essa satisfação do pecado. Por isso, Jesus Cristo foi Deus encarnado. Sua morte fiel permitiu satisfazer a necessidade divina por justiça.

A soteriologia forense e a noção de justiça de Anselmo foram concebidas em uma matriz cultural do direito franco-germânico medieval. Hasting Rashdall (1919) vê a soteriologia de Anselmo como um advogado lombardo em uma corte feudal.

Nesse ambiente cutural, Anselmo concebia a justiça de Deus de forma múltipla. A justiça divina, em um aspecto, seria distinguir o bem e o mal. Em outro aspecto, ontológico, a própria justiça de Deus como caráter próprio da divindade.

O argumento ontológico de Anselmo foi criticado pelo monge Gaunilo (século XI) com o exercício de pensamento da ilha perfeita. Se alguém imagina uma ilha perfeita, há de existir uma mais perfeita ilha, porém não correponde necessariamente a ilha existente e a imaginada. Nessa linha, Lutero, os reformadores radicais e, mais recentemente, Barth e a teologia não realista rejeitaram muito da teologia dos atributos, especialmente atributos a priori ou não revelados em Jesus Cristo como categorias lógicas arbitrárias.

O legado de Anselmo é notável na teoria da expiação vicária ou substituição penal desenvolvida por Lutero e Calvino.

BIBLIOGRAFIA

Anselmo. Proslogion.

Anselmo. Cur Deus homo

McGrath, Alister E. Iustitia Dei: a history of the Christian doctrine of justification. Cambridge University Press, 2005.

Rashdall, Hasting. The Idea of Atonement in Christian Theology. Londres: Macmillan, 1919.

Williams, Thomas, “Saint Anselm”, The Stanford Encyclopedia of Philosophy (Winter 2020 Edition), Edward N. Zalta (ed.), URL = <https://plato.stanford.edu/archives/win2020/entries/anselm/&gt;.

Domenico Fulginiti

Domenico Fulginiti (1884-1967) foi ministro do evangelho e pioneiro do pentecostalismo na Calábria.

Nos anos 1920 emigrou aos Estados Unidos onde se converteu em uma igreja pentecostal afro-americana em Reading, Pennsylvania.

Sem conhecer o movimento pentecostal italiano originário de Chicago, retornou à Itália onde deu iníciou a um núcleo de crentes em Gasperina, Calábria, em 1926.

Depois de um período novamente nos Estados Unidos, retornou definitivamente à Itália. Mas em 1935, dada a perseguição fascista aos crentes pentecostais, foi preso.

Depois da liberação da Itália, continuou a evangelizar. Igrejas em Gasperina, San Vito sullo Jonio e Satriano eram atendidas por ele. Em outras localidades teve início a Obra por crentes que ele evangelizou.

Em 1944 entrou em contato com outros crentes da Itália e ele e as igrejas que ele atendia se uniram ao movimento pentecostal italiano.

Em seu ministério foi instrumental na conversão da família de Giuseppe Manafò, depois dirigente da Igreja Pentecostal Italiana de Montreal, e de Guido Scalzi, autor e ministro ítalo-americano.