Philip Mauro

Philip Mauro (1859-1952) advogado, teólogo leigo e escritor americano, pertencente ao Movimento dos Irmãos.

Mauro teve sucesso profissional como advogado de patentes em casos na Suprema Corte dos Estados Unidos, enfrentando Thomas Edison várias vezes o qual ganhou seu respeito. Participou do julgamento de Scopes, preparando os argumentos de William Jennings Bryan. Publicou vários panfletos e livros, nos quais expunha principalmente uma teologia dispensacionalista.

Em 1908 passou a morar sanzonalmente na Itália. Em um culto em Rapallo começou a pregar em italiano sem ter domínio da língua e a partir disso passou a se comunicar nesse idioma.

Mauro estava no RMS Carpathia, coincidentemente no qual também estavam como passageiros Louis Francescon, Louis Terragnoli e Giacomo Lombardi, quando este navio socorreu os náufragos do Titanic em 1912.

OBRAS

  • God’s Pilgrims
  • Life in the Word
  • The Church
  • The Churches and the Kingdom
  • The Hope of Israel
  • Ruth, The Satisfied Stranger
  • The Wonders of Bible Chronology
  • The World and its God
  • The Last Call to the Godly Remnant
  • More Than a Prophet
  • Dispensationalism Justifies the Crucifixion
  • Evolution at the Bar
  • Of Things Which Soon Must Come to Pass
  • The Seventy Weeks: And the Great Tribulation

Dwight L. Moody

Dwight L. Moody (1837-1899) foi um evangelista em Chicago. Sua influência doutrinária no avivamento pentecostal italiano foi marcante.

Moody era um vendendor de uma loja em Boston. Mais tarde mudou-se para Chicago. Em 1856, após uma conversão, abriu uma escola dominical. Como das muitas crianças educadas por ele no evangelho depois de adultas continuavam a frequentar suas reuniões, Moody começou a fazer cultos não denominacionais. Multidões se reuníam para as os cultos de avivamento para vê-lo pregar.

Moody começou a viajar pelos Estados Unidos e Grã-Bretanha fazendo reuniões de evangelização em auditórios, acompanhado pelo músico Ira David Sankey.

Com mensagem simples e propondo uma leitura intensiva e tópica da Bíblia, Moody levou o evangelho a milhares de almas. Apesar de ser bem popular, recusava o culto de personalidade. Por vezes, pedia para que os convertidos não viessem às suas reuniões para dar lugar aos não crentes.

Moody fundou o North Side Tabernacle (renomeado depois de sua morte como “The Moody Memorial Church”), o Moody Bible Institute (fundado em 1886, como Chicago Evangelization Society), além outras escolas pelo país.

Suas reuniões livres de treinamento bíblico atraíam vários pioneiros como Rosina Francescon e seu trabalho na Associação Cristã nos Moços permitiu que essa organização apoiasse o trabalho de evangelização entre os italianos da cidade.

Moody era proponente da chamada Soteriologia de Keswick, no qual enfatizava o revestimento do poder do Espírito Santo subsequente à salvação. Moody sumarizava a mensagem do evangelho em “Três Erres”: ruína, redenção e regeneração. A ruína pelo pecado afetava a vida espiritual, social e material do ser humano enquanto a redenção pelo poder do sangue de Jesus permitia regeneração pela obra do Espírito Santo.

A contribuição da hinódia de músicos ligados a Moody foi indelével nos hinários que vieram a ser adotados pelas igrejas pentecostais italianas e na Congregação Cristã no Brasil.

Domingo Marino

Domingo Marino (1894-1974), ancião argentino de origem italiana. Desenvolveu seu ministério por todo o país, estabelecendo-se em Santa Fé, onde construiu a sede das Asambleas Cristianas “Dios es Amor”.

Nascido na Itália veio na infância com seus pais para a província de Mendoza, Argentina. Seria uma dos primeiros convertidos da obra italiana fora da província de Buenos Aires em 1921. Mudou-se para a capital, onde congregava e cuidava das lâmpadas à gás da igreja de Villa Devoto.

Em uma reunião de oração em 1925 passou pela experiência do batismo no Santo Espírito com sinais de falar em novas línguas.

Após uma crise na igreja de Villa Devoto, Marino assumiu funções ministeriais como evangelista. Vocacionado por uma profecia, foi em missões pelas províncias centrais da Argentina, iniciando igrejas nas comunidades italianas.

Em 1941, Domingo Marino chegou a Santa Fé e iniciou os cultos com três
adultos e duas crianças presentes. Quatro anos depois congregavam cerca de 1.000 pessoas. Em 1948, foi inaugurado o prédio da casa de oração com capacidade para 1.200 pessoas, então o maior local de culto protestante argentino.

Determinado a aproximar as igrejas de origem italiana na Argentina, em 1950 convocou e recebeu em sua congregação em Santa Fé a reunião das várias vertentes das Asambleas Cristianas. Entretanto, a tentativa de unificação duraria por uns cinco anos. Contudo, Marino ficou como referência ministerial para vários ministros e igrejas que se filiaram à congregação de Santa Fé. Nas décadas seguintes Marino também estendeu este esforço de aproximação espiritual com a irmandade do Brasil, participando da reunião geral de ensinamentos do Brás.

Influenciado pelo ministério de Giuseppe Petrelli durante a estada desse missionário na Argentina, Marino traduziu alguns de seus livros para o espanhol.

Miriam Castiglione

Miriam Castiglione (1946-1982) historiadora e antropóloga italiana, investigou o pentecostalismo como religião popular no sul da Itália.

Filha de um pastor valdense, estudou história contemporânea na Universidade de Bari. Influenciada pela meridionalística do antropólogo Ernesto di Martino e do historiador Vittorio Lanternari, investigou com métodos etnológicos e de história oral a difusão pentecostal na província da Apúlia.

Empregou suas análises críticas para fortalecer movimentos populares evangélicos, colaborando com partidos políticos, teatros populares, comunidades de base e grupos juvenis.

Como professora contratada do Instituto de História Moderna da Faculdade de Letras e Filosofia da Universidade de Bari coordenou um grupo de estudos sobre o movimento pentecostal italiano na região meridional da Itália.

BIBLIOGRAFIA SELETA

Castiglione, Miriam. “Aspetti e Problemi Del Pentecostalismo Contemporeano.” Tese dottorale di etnologia, Università di Bari, 1970.

Castiglione, Miriam. “Aspetti Della Diffusione Del Movimento Pentecostale in Puglia.” Uomo e Cultura 9 (1972): 102–118.

Castiglione, Miriam; Henry Mottu. Religione Popolare in Un’ottica Protestante: Gramsci, Cultura Subalterna e Lotte Contadine. Torino: Claudiana, 1970.

SOBRE

Peyrot, Bruna. Una Donna Nomade. Miriam Castiglione Una Protestante in Puglia. Collana: I Grandi Piccoli. Profili. Roma: Lavoro, 2000.

Domenico Zaccardi

Domenico Zaccardi (1900-1978). Ancião na Itália e um dos principais dirigentes das igrejas pentecostais ditas dos “santissimi” ou “zaccardiani”.

Domenico Zaccardi era um construtor originário de Castel del Giudice (Isernia). No final dos anos 1920 ou início dos anos 1930 mudou-se para Roma onde se converteu em 1930 após ser evangelizado por Antonio Serlenga (1894-1969).

Com uma crise na igreja de Roma, Serlenga e Zaccardi assumiram a presidência como anciãos. Por um tempo, Zaccardi ficou responsável pelas reuniões de jovens. Em 1935 coincide um cisma com o início da perseguição fascista. Sob a presidência de ambos a igreja foi reorganizada como uma rede clandestina, mas sob um controle comportamental rígido. Como consequência, havia três grupos de crentes operando de forma independente em Roma e nos arredores na província do Lácio.

Em 1943, já com um pouco de liberdade política houve uma tentativa de reconciliação dos diversos grupos de Roma. No entanto, em 1945 houve uma cisão definitiva e o grupo guiado por Serlenga e Zaccardi, então o maior em Roma, se retirou da comunhão com outras igrejas na Itália e exterior.

Sob a liderança de Zaccardi as igrejas orientadas por ele cresceu nos anos 1950-1970 para outras regiões da Itália, mas sempre mantendo o caráter isolado e reservado.

FONTES E BIBLIOGRAFIA

A.A. filho de um ancião da época de Zaccardi e criado nessa igreja.

Alla, Stefano. “I Zaccardiani: Un Componente Del Movimento Pentecostale Italiano.” Facolta Pentecostale di Scienza Religiosa Pentecostale. Caserta, 2014.

Crocetti, Sergio. …È Stato Necessario Scrivervi. Roma, 2002.

Merafina, Antonio. “Alcuni Aspetti Della Diffusione Del Movimento Pentecostale Nel Territorio Pugliese.” Tesi di Laurea in storia, Università di Bari, 1967.

Olivieri, Alessandra. Il Mondo Non È Più per Me. 1. ed. Società Mediterranea 2. Castrovillari, CS: Teda, 1989.

Joaquim Alves

Joaquim Alves (1910? – 1967), ministro do evangelho e missionário da Congregação Cristã no Brasil. Atuou principalmente no Paraná e na Bolívia, com missões adicionais no Paraguai, Província de Misiones (Argentina), Chile, Santa Catarina e no território do atual Mato Grosso do Sul.

Joaquim, Jovelina Alves e seus filhos.

Nascido sob o nome de Alceu Camargo em Pitangui, na bacia do alto Rio São Francisco em Minas Gerais, sua data de nascimento é incerta, seria 1910 ou 1914.

Os motivos que o levaram a sair de sua casa aos quatorze anos com seu irmão Alcino Camargo, um pouco mais velho que ele, são obscuros. Nessa ocasião, seus empregadores em uma fazenda registram-no com o nome Joaquim Alves.

Como muitos jovens mineiros de sua geração, Joaquim saiu de casa na adolescência, oferecendo seus serviços nas fazendas no caminho rumo às áreas cafeeiras de São Paulo e Paraná.

Aprendeu leitura, matemática, a dirigir e a usar equipamentos de topografia. Sua inteligência compensava a limitada educação formal. Sociável e perspicaz, aprendeu a cantar e a tocar piano, violão e corne inglês. Aprenderia ainda a marcenaria e a fotografia – inclusive processo de revelar fotos. Mais tarde, aproveitaria suas viagens a São Paulo para adquirir livros de assuntos variados, de medicina a teologia.

No início dos anos 1930 chegou ao Norte Velho do Paraná separado de seu irmão Alcineu e perdeu contato com ele. Estabeleceu-se em Lajeado, então uma região rural de Santo Antônio da Platina. Nessa localidade, que depois seria o município de Abatiá, havia vários mineiros e paulistas trabalhando na derrubada da mata e no plantio do café.

Casou-se com Ernestina Maria Alves (Pereira era o nome de solteira, nascida em Carlópolis) e tiveram os filhos Josué, Geni, Daniel e Sara. Passou a trabalhar com agrimensura, marcenaria e fotografia.

Certo dia, doente naquele sertão sem recursos, temeu pela vida. Então um homem irreligioso, pediu a visita de um pregador. O pregador apareceu bêbado, para ira e desapontamento de Joaquim, que o enxotou. Tempos depois, apareceu uma vizinha. A dona Maria Teresa Fernandes era paulista e a pouco se estabelecera com seu esposo em Santo Antônio da Platina. Maria Teresa anunciava uma religião nova a Joaquim. Era sobre um Deus que salvava e até mesmo curava. Como resultado de sua fé, Joaquim foi curado e passou a frequentar as reuniões daquele grupo em Lajeado e na área vizinha em Santo Antônio da Platina.

Em pouco tempo, Joaquim se converteu e experimentou o batismo no Espírito Santo com sinal de falar em novas línguas. Foi batizado nas águas junto com sua esposa pelo ancião de Santo Antônio da Platina, Alfredo de Souza. 

Entusiasmado, Joaquim passou a evangelizar seus conhecidos. Aproveitava sua aptidão musical para tocar e cantar os hinos que aprendera. As reuniões de Lajeado ficaram maiores e colocaram a Joaquim como o encarregado de culto.

Apesar de novo no evangelho, Joaquim Alves sentiu um chamado para uma missão na fronteira agrícola.

Na época, o norte do Paraná era um sertão fechado ao oeste do Rio Tibagi, com alguns povoados de safristas – camponeses que criavam os porcos soltos nas florestas de araucária e roçados de milho para engorda de invernadas e os vendiam nas feiras do caminho do Viamão.  Com dois carroções, as famílias de Joaquim Alves, Maria Teresa Fernandes e outra família de crentes cruzaram o caudaloso Rio Tibagi e foram até Marilândia do Sul. Sem ser o lugar da visão, Joaquim deixou as famílias nesse povoado e foi com um companheiro procurar serviços em um povoado vizinho, São Roque, mais tarde emancipado como Tamarana.

Em São Roque, então uma povoação do município de Tibagi, cerca de 400 pessoas viviam em terras que um médico ou dentista de São Paulo comprara o título e oferecia meação. Nesse sistema, o lavrador trabalhava na terra e dividia os lucros com o proprietário.

Peculiarmente nesse povoado havia uma comunidade evangélica sem denominação. No começo da década de 1930, um dos safristas, José Aleixo, viajou a Itararé com varas de porcos para vender ao frigorífico Matarazzo e se encontrou com uns evangélicos. Eram membros da Igreja Batista do Sétimo Dia de Itararé. Aleixo retornou a São Roque com duas Bíblias e começou a evangelizar. Sua casa tornou-se um ponto de culto. Alguns anos se passaram, um bom número de crentes havia ao seu redor que reunia para ler a Bíblia e orar, mas ficaram sem líder quando ele morreu.

Esses evangelizados ouviram falar que havia mais “crentes na Bíblia” em Mauá da Serra. Uma comissão visitou uma comunidade pentecostal que surgia na região serrana e em resultado, passaram por uma experiência de batismo no Espírito Santo. Com a chegada de Joaquim Alves aceitaram sua orientação.

Em alguns meses, no final de 1938, viajaria a Santo Antônio da Platina para se comunicar com Alfredo de Sousa. Foi feito o primeiro batismo nas águas e cerca de 120 pessoas obedeceram a esse mandamento. Joaquim ficou como o encarregado de culto.

Alguns meses depois, em 1939 ou 1940, Alfredo de Souza viria para outro batismo. Desta vez foram 80 almas que desceram às águas. Por ocasião do final do batismo, dirigiu à congregação: “voltem aqui a dois dias, que temos uma novidade para contar para vocês”. Passados os dois dias, vieram de roçados e sítios distantes aqueles quase 200 crentes. Alfredo de Sousa anunciou: “O Senhor preparou o irmão Joaquim Alves para ser ancião de vocês, estão contentes?” Com a confirmação da igreja, se procedeu à ordenação daquele jovem adulto de 24 anos.

Naquele tempo se usava ungir os anciãos e mal acabara de descer o óleo da cabeça de Joaquim Alves quando se formou um tumulto do lado de fora da igreja.

Os habitantes do povoado, incomodados com a fé alheia, cercaram a casa de oração empunhando armas. Gritavam insultos contra os crentes. Ameaçavam-nos de morte. A noite só não acabou em tragédia porque apareceu Mathuzalém Marcondes, um rapaz de 16 anos, acompanhado de peões e intimidou os desordeiros. Entretanto, o inspetor de quarteirão local decidiu fechar a igreja por “perturbar a ordem pública” e intimou os membros mais proeminentes da igreja, dentre Benedito “Tomé” de Souza Domingues, Sebastião Caetano, João Batista Pinto, Virgílio de Carvalho, Teodomiro Mendes de Carvalho a comparecerem ao posto policial em Londrina.

Dias depois, os convocados selaram seus animais e foram prestar contas ao Capitão Pimpão em Londrina. O chefe da polícia depois de ver as mãos calejadas de trabalhadores liberou-os, mas não permitiu que abrissem a igreja.

Por cerca de dois meses a igreja permaneceu fechada, mas a perseguição só reforçou a fé. Os cultos eram feitos nas casas, se oravam nos matos. Como fogo, aquele fervor se alastrou. Mais conversões houve e muitos sitiantes e trabalhadores rurais começaram a sair de São Roque para pregar as boas–novas a seus familiares nas regiões vizinhas.  Na região serrana, às margens do Tibagi surgiam mais grupos de crentes como em Ortigueira, Serra da Pequira, onde se converteu a família Mendes de Moraes.

Cerca de dois anos depois, Joaquim Alves se mudou para Apucarana. No distrito de Pirapó evangelizou uma colônia, dentre os quais se converteram Fiore Fernandes, Mario Catarin, Antônio e José Valério, dentre outros.

De Pirapó e São Roque (Tamarana) a Congregação Cristã expandiu-se para diversos povoados do Paraná, centro-oeste, Sul e Paraguai. O parâmetro era o seguinte: algum trabalhador rural convertido se mudava para alguma nova localidade e compartilhava sua fé. Meses depois vinha Joaquim Alves para dar instruções na doutrina, organizar a igreja e fazer o batismo. Nesse processo, pelos próximos vinte anos Joaquim Alves e sua família mudaram e se estabeleceram em várias localidades do Paraná e Bolívia. Os outros dois anciãos que existiam no Estado atendiam o Norte Pioneiro enquanto Joaquim Alves ficou responsável pelo resto do estado.

Em 1947 enviuvou-se enquanto estava vivendo em Apucarana. Contraiu segunda núpcias com Jovelina Alves (1928-2019), com quem teve os filhos Izabel, Noemi, Jonas e Izaías.

Nos início dos anos 1950 foi para a província de Santa Cruz, Bolívia, onde alguns crentes tinham escutado o evangelho e se convertido em Cruz Soleto, ao norte Santa Cruz de la Sierra. Depois de fazerem o batismo nessa localidade, mudou-se com os novos crentes para a cidade maior, onde fez ele, sua esposa Jovelina e filhos o prédio para a casa de oração.

Em retorno ao Brasil, foi comissionado para organizar o movimento de descentralização administrativo e de gestão espiritual da Congregação Cristã no Estado do Paraná. Para tal, coordenou a construção de uma grande casa de oração situada na Avenida Munhoz da Rocha em Apucarana, ordenou novos ministros (desses, 44 anciãos) e iniciou nesse estado a assembleia anual (reunião geral de ensinamentos) sob sua presidência. Ao ser ordenado havia cerca de meia-dúzia de congregações no estado do Paraná, ao falecer contava-se com mais de 500 congregações.

Continuou a exercer seu ministério itinerante pelo estado. Em uma dessas ocasionais mudanças, retornou à Apucarana. Enfermo, ainda que relativamente jovem, estava no quarto dia em sua casa nova, quando se sentiu mal. Foi orar e faleceu. Seu funeral reuniu uma grande multidão e causou expressão de comoção por várias pessoas e autoridades.

Em sua homenagem, foi nomeada uma rua na cidade de Apucarana.

Descrito como tendo um caráter afável e humilde, em seu ministério pode testemunhar vários eventos miraculosos. Sua voluntariedade — ainda que onerosa a seus parcos recursos e a sua família — permitiu a fundação e consolidação dessa igreja em várias localidades.

ANCIÃOS ORDENADOS POR JOAQUIM ALVES

  • Aluísio Nunes Costa
  • Amador Luciano da Silva
  • Antonio Ângelo Zani
  • Antonio Campanholi
  • Antonio Garcia Gomes
  • Antonio José Fernandes
  • Antonio Ziroldo
  • Ari Ferreira dos Reis
  • Benedito Paulino
  • Delmiro Rodrigues Lopes
  • Edmundo Ribeiro Sales
  • Eronildes Alves Santos
  • Francisco Nogueira
  • Jair Mendes de Moraes
  • Jayme dos Santos
  • João Paulino de Souza
  • João Ramos
  • João Rodrigues de Almeida
  • Joaquim Lopes de Oliveira
  • Joaquim Pedro Zanotto
  • Joaquim Pinto dos Santos
  • Joaquim Santiago
  • José Furquim
  • José Izidoro de Oliveira
  • José João de Souza
  • José Mazini
  • José Xavier de Freitas Filho
  • Josias Alves Soares
  • Júlio Cirilo de Souza
  • Lázaro Teixeira Bastos
  • Marcílio Brocco
  • Messias Ferreira Coutinho
  • Pedro de Oliveira
  • Pedro Gonçalo dos Santos
  • Petronilo José da Silva
  • Santino Gomes da Rocha
  • Sebastião Mendes de Moraes
  • Sebastião Pinto
  • Sebastião Thomaz Affonso
  • Sebastião Vieira da Silva
  • Vicente Subtil de Oliveira
  • Vítor Martins Bueno
  • Wilson Diogo de Araújo
  • Zirde Giatti

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Giacomo Lombardi

Giacomo Lombardi (alternativamente James Joseph Lombardi), foi um missionário do início do avivamento italiano. Ordenado ancião em Chicago, esteve em missões em várias localidades da América do Norte, Argentina, Brasil, Itália, Eritreia e Oriente Médio.

Cronologia extraída de diversos documentos e fontes primárias.

1862- Nasce a 3 de outubro no povoado de Prezza, L’Aquila, Itália com o nome Giacomo Giuseppe Lombardi.

Começa a trabalhar jovem como jornaleiro (trabalhador braçal no campo).

1870s – Mais tarde se torna ferroviário especializado. Talvez foi nesa época que teve educação formal como geômetra (topógrafo) ou técnico de engenharia ferroviária.

1888 – Casa-se com Annunziata Colella.
1892 – Emigra para os Estados Unidos, onde acha trabalho braçal.
1894 – Chega a Chicago. Evangelizado provavelmente por Alberto diCicco e M. Nardi, torna-se membro da First Italian Presbyterian Church.
1907- Final do ano: participa dos cultos da congregação italiana de W. Grand Avenue e é curado milagrosamente.
1907- 8 de dezembro: batizado no Espírito Santo.
1908 – Janeiro: batizado nas águas, provavelmente por William H. Durham.
1908 – Fevereiro: ordenado ancião em Chicago.

1908  – Com seis filhos, deixa seu trabalho para realizar atividades missionárias.
1908 – 15 de julho. Primeira viagem missionária com Louis Francescon a St. Louis e Los Angeles.
1908 – Setembro: deixa a Califórnia para ir em missão à Itália.
1908 – Dezembro: inicia a igreja em Roma.
1909 – Janeiro: Inicia outra igreja na Itália em La Spezia, Ligúria. Nesta cidade Umberto Gazzari já tinha evangelizado alguns parentes e encaminhando-os à Igreja dos Irmãos. Lombardi acha-os por revelação divina e eles recebem o batismo do Espírito Santo. Retorna à Chicago.
1909 –  Setembro: viagem com Francescon e Lucia Menna à Argentina.
1909 – 9 de Outubro. Chegam a Buenos Aires.
1909 –  Novembro:  vão a Tres Arroyo e San Cayetano, província de Buenos Aires.
1909 – 28 de novembro:  Batismo do Espírito Santo entre os crentes em Tres Arroyos
1909 – Dezembro: Francescon e Lombardi presos e expulsos de Tres Arroyos, vão para o Tigre e evangelizam a família Pietrini.
1910 – 8 de março: deixam a Argentina.
1910 – 10 de março: Francescon e Lombardi chegam a São Paulo.
1910 – 18 de abril: Lombardi deixa Francescon no Brasil, enquanto faz uma breve estada em Buenos Aires [não há registro migratório desta viagem] e depois retorna aos Estados Unidos.
1912– 11 de abril: parte com Francescon e Terragnoli para a Europa no navio Carpathia, mas ocorre o naufrágio do Titanic e o navio  no qual viajavam presta socorro.
1912 – Final de abril: Lombardi vai sozinho à Eritreia, então colônia italiana no nordeste da África.
1912 – Maio: Lombardi tenta pregar a mensagem do Espírito Santo na missão valdense e em uma missão adventista escandinava em Asmara. Sem sucesso.
1912 – 26 de maio:  Lombardi batiza um certo barão Amedeo Sarli em Asmara. Um adventista norueguês [Anol Grundsent? E.J. Lorentz?] também aceita o batismo do Espírito Santo.
1912 –7 de junho: Lombardi deixa Asmara.
1912 – 17 de junho: Lombardi chega a Gênova. Visita os crentes em Roma.
1913– Outono: Lombardi parte para Acre. Evangeliza em vários pontos da Palestina.
1913 – Dezembro: por um mês visita e prega a uma dúzia de crentes já batizados pelo Espírito Santo que viviam em Jerusalém, provavelmente a missão iniciada em 1908 por Lucy Leatherman, Charles Leonard e Anna Elizabeth Brown.
1914 – Fevereiro: Lombardi retorna à Itália.
1914 – Março: chega a Milão onde atende a igreja até novembro.
1914 – Novembro: retorno aos Estados Unidos e passa a ocupar o ministério de ancião na congregação que assume o nome de Assemblea Christiana ao inaugurar o prédio na 1350-52 West Erie Street em Chicago.
1917– Verão: visita todas as congregações da Itália.
1919 – Lombardi passa o ano todo na Itália evangelizado e atendendo as igrejas. Evangeliza e inicia igrejas principalmente na Calábria. Aluga e reforma a sala que seria a primeira casa de oração aberta ao público em Roma, na via Principe Amedeo.
1923 – Última viagem missionária. Lombardi passa quase dois anos na Itália. Visita todas as igrejas da época.
1924 – Final do ano: Lombardi retorna a Chicago.
1925 – Lombardi alinha-se com Francescon na questão do sague. Assim, torna-se ancião na igreja que assume o nome de Congregazione Cristiana di Chicago quando essa é formada.
1927– Lombardi participa da primeira convenção das igrejas italianas da América do Norte em Niagara Falls, NY.

1932 – Por um breve período ocorre um desentendimento entre Lombardi e os anciãos da Unorganized Italian Christian Churches of North America, mas logo há uma reconciliação.
1934 – 24 de julho. Lombardi morre em Chicago.

Apesar de descrito como um “un popolano senza istruzione”, um homem simples e sem instrução, na verdade possuía formação técnica de ferroviário. Mantinha jeitos rústicos de camponês e uma franqueza, principalmente para evangelizar e proclamar mensagens intuídas pelo Espírito Santo. Era amigável e brincalhão com as crianças.

Revestido de poder do alto, passou por curas miraculosas e pregava com uma assertividade conforme autorizado pelo Espírito Santo.

Anciãos ordenados por Lombardi:

Foi casado com com Annunziata Colello Lombardi, com a qual teve seis(?) filhos: Giovanni, Enrico, Antonio, Alfredo, Vito e [desconhecido?].

1908-Roma. Michele di Napoli.

1919-Bruzzano Zeffirio. Antonino Praticò.
1919-Badia di Samo. Luigi Maisano.
1919-Gissi. Domenico Pagano.
1923-Roma. Ettore Stappaveccia.
1924-Messina. Carmelo Crisafulli.

BIBLIOGRAFIA

Fontes primárias, publicadas:

(Francescon 1952; Ottolini 1945; Bracco 1956)

Fontes secundárias, publicadas:

(Toppi 1998; Celenta 2011)


COMO REFERENCIAR

ALVES, Leonardo Marcondes. Giacomo Lombardi. Círculo de Cultura Bíblica, 2021. Disponível em: https://circulodeculturabiblica.org/2021/07/21/giacomo-lombardi/. Acesso em: 04 jul. 2021.


Annie Vienna Holmgren

Nascida Annie Vienna (1877-1969) em Piana degli Albanesi, na província de Palermo, Sicília, Itália, após imigrar aos Estados Unidos se estabeleceu em Los Angeles.

Annie se casou com o sueco Theodore Leonard Holmgren em 1892 e tiveram seis filhos.

Em 1897 foi salva, convertendo-se na Igreja do Nazareno, convidada por uma vizinha. Annie levava duas meninas, filhas de Rosina Tanzola para a escola dominical, e após alguns anos Rosina também se converteu.

Quando houve o avivamento da Rua Azusa em Los Angeles em 1906, Annie, as Tanzola e os novos conhecidos a família Moles, italianos vindos de Chicago, frequentaram a missão de Azusa.

Este grupo experimentou os dons do Espírito Santo e no final de 1907 recebeu a visita de Rosina Francescon, uma crente italiana de Chicago que também tinha recebido a efusão do Espírito.

Entre os finais de 1907 e início de 1908 o grupo cresceu. Logo vieram outros dirigentes da igreja italiana de Chicago, entre eles o esposo de Rosina, Louis Francescon, e organizaram uma igreja própria para os italianos, com a bênção do dirigente de Azusa, William Seymour.

A Italian Pentecostal Mission de Los Angeles cresceu e foi atendida por John Perrou, mas logo morreria devido à gripe espanhola. Annie Holmgren acompanhou o crescimento da igreja, então chamada de Italian Christian Assembly, localizada na Rua 22 em Los Angeles.

Stefano Cereghino

Stefano Cereghino era menestrel e violinista, animado dos mercados e feiras do norte da Itália. Em uma de suas viagens em 1849 adquiriu uma Bíblia Diodati, a qual leu para sua família.

Seus familiares passaram a fazer reuniões para a leitura da Bíblia, mas encontraram a oposição do pároco católico.

Pouco tempo depois, em suas viagens Stefano Cereghino chega em Torre Pellice, centro da comunidade valdense no Piemonte e participa de um culto, convertendo-se ao Senhor.

Os valdenses envia Paolo Geymonat para Favale para auxiliar os novos crentes.

Stefano estudou no Colégio Valdense de Torre Pelice, saiu como professor e evangelista. Em 1855 ele se casou com Caterina Malan e fundou a igreja valdense em Favale.

Stefano continou suas atividades itinerantes, mas agora como colportor de literatura evangélica e distribuição de bíblias. Foi um dos primeiros evangelistas na Sicília, bastião sob controle dos reacionários Bourbons. Foi um dos primeiros membros e responsável pelo depósito da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira na Itália.

Os Cereghinos migraram em massa para Chicago na década de 1890, formando a Primeira Igreja Presbiteriana Italiana de Chicago.

Paolo Geymonat

Paolo Geymonat (1827 – 1907) foi pastor valdense e professor da Faculdade de Teologia valdense. Como evangelista e teólogo do movimento de risveglio influenciou a formação espiritual de uma geração de evangélicos italianos.

Estudou na Genebra na École de Théologie de l’Oratoire, ligada ao réveil, o movimento de avivamento entre os suíços. Esteve por um breve período em Württemberg para aperfeiçoar sua educação.

Em 1849, foi enviado a Florença e Roma para apoiar a missão de evangelização iniciada na esteira do movimento do Risorgimento. Em Florença se juntou ao pastor Bartolomeo Malan na obra de evangelização. Descoberto pela polícia durante uma reunião de oração, Geymonat foi preso e expulso do Grão-Ducado da Toscana.

Posteriormente trabalhou em Turim e a partir de 1851 em Gênova e onde teve Bonaventura Mazzarella como colaborador. Nessa época atendeu os novos convertidos da cidadezinha de Favale di Malvaro, maior parte da família de menestreis, os Cereghino.

Com a fundação da Escola de Teologia de Torre Pellice foi chamado para lecionar. A transferência da Escola de Teologia para Florença resultou na organização da Igreja Valdense naquela cidade.

Junto com Alessandro Gavazzi, Geymonat buscava a unificação das Igrejas Evangélicas Italianas e foi incumbido de fazer um estudo doutrinal sobre a possibilidade de alcançar esta união.

Depois de sua emeritação em setembro de 1902 faleceria em Florença.

Sua teologia é tipicamente do réveil genebrino. Para Geymonat a fé se expressa como uma experiência íntima de comunhão com Cristo, por meio da qual Deus revelou a verdade. Defendia a doutrina da inspiração plenária da Bíblia e do alcance universal do sacrifício de Jesus Cristo.

Foi professor de Filippo Grilli, ao qual transmitiu sua teologia à Primeira Igreja Presbiteriana Italiana de Chicago, formada por muitos convertidos ou seus descendentes do trabalho evangelístico de Geymonat.