Teilhard de Chardin

Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955) foi um padre católico, paleontólogo e teólogo francês, pioneiro da ecoteologia.

Nascido em uma família nobre e parente distante de Voltaire, tornou-se jesuíta e estudou Bergson, física, química e geologia. Fez expedições de pesquisa à Espanha, à Etiópia, aos EUA, à Índia, a Java, à Birmânia e à África do Sul.

Devido suspeitas pelas autoridades católicas, nenhuma de suas obras teológicas foi publicada durante sua vida. Todavia, seu pensamento foi difundido por meio de palestras e textos mimeografados.

Sua teologia discorre acerca delação da matéria com o espírito. A teoria da evolução, a história geológica e a teodicéia cristã sintetizavam-se em uma visão holística do “ fenômeno do homem”. Haveria um estágio de desenvolvimento que leva à “noossfera ” (a camada consciência ou sentido, em analogia à biosfera). Essa “esfera”, por sua vez, prepara a chegada de um evento que chamava de “o Cristo cósmico”. A ponta extrema de toda evolução é o “ ponto ômega ”.

Em sua escatologia, o Cristo cósmico aparecerá no momento em que toda a consciência estiver reunida de acordo com o princípio da convergência dos centros. Nisso, cada ponto central reunirá cada consciência pessoal em uma cooperação cada vez mais intensa com os outros centros de consciência que se comunicam entre si. Isso dará origem à noossfera. A multiplicidade de centros refletindo a totalidade dos centros harmonizados contribui para a ressurreição espiritual ou manifestação do Cristo cósmico.

Kathryn Tanner

Kathryn Tanner (nascida em 1957) é uma teóloga episcopal (anglicana) americana.

Educada na Yale University, onde também fez a maior parte de sua carreira, Tanner combina a história do pensamento cristão e métodos interdisciplinares, como teorias críticas, sociais e feministas.

Ela propõe uma relação não competitiva entre Deus e as criaturas, tendo Cristo como centro de ligação da humanidade com Deus.

Tertuliano

Tertuliano (c.160-c.220 d.C.) foi um autor patrístico ativo no final do século II e início do III. Escreveu principalmente apologias do cristianismo para uma audiência romana não cristã, além de defender as doutrinas proto-ortodoxas diante de movimentos e ideias heterodoxas.

Foi o primeiro grande autor latino do cristianismo, apesar de ter escrito algo também em grego, mas hoje perdido. 

Originário de Cartago, filho de uma família não cristã, recebeu uma boa educação retórica e jurídica. Provavelmente esteve em Roma (cf. Eus. Hist.Eccles . 2,2,4). Grande parte de sua vida permanece desconhecida ou duvidosa, como as circunstâncias de sua conversão ao cristianismo. 

Tradicionalmente, era pensado que tenha sido um advogado e seu nome é associado ao jurista homônimo mencionado no Digesto de Justiniano.  Apesar do vocabuário jurídico de sua teologia, nada há que indique com segurança que realmente tenha sido um jurista.

Seus primeiros escritos, datados da última década do século II, indicam que era um membro leigo, ainda com um papel de liderença, da comunidade cristã de Cartago. Aderiu aos montanistas, cujas ideias e ideais aparecem em muitos de seus tratados (por exemplo, Ad uxorem e De monogamia ), sendo adepto de um padrão de comportamento rigoroso. 

Um movimento chamado de tertulianistas (cf. Aug. De haer . 86) deriva seu nome dele, mas não se sabe quem foi seu fundador ou sua relação com Tertuliano.

Seus escritos foram recepcionados por outros autores latinos do norte da África, como Cipriano e Agostinho.

Compôs escritos apologéticos (por exemplo, o Apologeticum ) e obras polêmicas (por exemplo, Adversus Iudaeos e Adversus Marcionem ), a obras homiléticas (por exemplo, De oratione , sobre a oração do Senhor ), e tratados sobre várias questões éticas e práticas do cristianismo primitivo.

Cunhou vários termos teológicos latinos, como trinitas, peccatus e persona.

Tetramorfos

Os tetramorfos são representações simbólicas dos quatros seres próximos a Deus na tradição visionária cristã. Seriam os quatro seres viventes do Livro de Ezequiel 1:10 e Apocalipse 4:7.

Aparecem nas artes como na união dos símbolos dos Quatro Evangelistas associados a uma das criaturas, geralmente representadas com asas. Comumente (mas não de modo uniforme) seriam Mateus o homem, Marcos o leão , Lucas o boi e João a águia.

Evangelho de Tomé

O evangelho de Tomé uma coleção de dizeres (logia) atribuídos a Jesus e supostamente compilado pelo discípulo Tomé. A obra é datada entre 60 dC e até 140 dC . Este evangelho apócrifo possui importância para entender a circulação de dizeres entre cristãos primitivos.

Hipólito de Roma, em seu relato sobre os naassenos, menciona um Evangelho de Tomé. Mais tarde Orígenes, Eusébio, Jerônimo, Ambrósio, Cirilo de Jerusalém, Filipe de Side (c 430), Venerável Beda e na Esticometria de Nicéforo. Esses autores geralmente consideraram o Evangelho de Tomé espúrio e está ausente das listas canônicas da Antiguidade.

Somente o texto seria conhecido com a descoberta da Biblioteca de Nag Hammadi em 1945. É atestado em três fragmentos gregos e um manuscrito copta.

Ao contrário dos Evangelhos canônicos, não é um relato narrativo da vida de Jesus. Disso, consiste em logia (dizeres) atribuídos a Jesus, às vezes isolados, às vezes inseridos em pequenos diálogos ou parábolas. Há partes em comum com os evangelhos sinóticos em 13 de suas 16 parábolas. Também há reflexos com o evangelho de João.

Não há descrições da divindade de Jesus ou relatos de sua vida, obra e morte. Anteriormente era considerado um evangelho gnóstico, juntamente com os Evangelhos de Maria Madalena e Filipe, mas pesquisas recentes notaram falta de traços de gnosticismo .

Targum Sheni

O Targum Sheni (“Segundo Targum”) é uma tradução aramaica (targum) e uma versão parabíblica do Livro de Ester.

Contém um relato da visita da Rainha de Sabá ao Rei Salomão. Salomão comanda e faz uma festa para um impressionante exército de animais, pássaros e espíritos demoníacos como seus súditos. A rainha pede que ele resolva três enigmas. Há paralelos entre essa passagem e a Sura 27 do Alcorão.

O texto é datado entre o século IV até o XI d.C.

YHWH

Yahweh, YHWH, Jeová, Tetragrammaton, Javé, Iavé, em hebraico יהוה, um nome é encontrado 6828 vezes nas Escrituras Hebraicas ou o Antigo Testamento para referir-se a Deus.

De acordo com Êxodo 6:2-4, sob este nome foi revelado pela primeira vez a Moisés na sarça ardente. Entretanto, aparece usado na interação com humanos desde o tempo de Enos antes do dilúvio (Gn 4:26).

Uma teoria é que YHWH deriva-se do verbo hebraico hayah, “ser” implicando que Yahweh seja o criador e senhor da história.

O nome e o culto a Yahweh ocorre de forma ocasional em vestígios arqueológicos e em nomes teofóricos de vários povos semitas no Levante, especialmente na região sul do Mar Morto.

A pronúncia desse nome virou um tabu entre os judeus no período helenista. A pronúncia Yāhū é provável através da pronúncia de nomes pessoais compostos como Ēliyyāhū (Elias) e Zəkharyāhū (Zacarias). Como a forma consonatal recebe as vogais “Adonai”, passou-se a ser lido como “Jehovah” ou Jeová em muitas línguas europeias.

Santuário de Dã

Relatos bíblicos e achados arqueológicos em Tel-Dan registram que esse local foi um importante centro de culto.

As escavações no sítio de Tel Dan, no norte de Israel, revelaram um grande recinto sagrado na Idade do Ferro II. A arquitetura é semelhante a um templo, com petrechos de culto, os restos de um enorme altar de quatro chifres e abundantes ossos de animais.

O local de culto em Dã remontaria do período dos Juízes (Jz 17 -18). No entanto, seria Jeroboão I, rei de Israel, que estabeleceu como um santuário nacional, junto de Betel, para rivalizar com o templo de Salomão em Jerusalém (2Rs 10:29, Amós 4:4, 8:14).

Profetas e os autores dos livros de Reis condenaram firmemente esse santuário (1Rs 13:1-14:18).

Na região também foi encontrada a Inscrição de Tel-Dan, uma das únicas testemunhas extrabíblicas da casa de Davi no período do Primeiro Templo.

Teolegúmena

Termo do grego antigo, θεολογούμενον (theologoumenon) “o que é dito sobre Deus” e seu plural “theologoumena” denota “algo que é teologizado” ou “o que se diz de Deus ou das coisas divinas”.

Apesar de seu uso escasso nos escritos patrísticos, era entendido como um declaração teológica que é de opinião individual e não de doutrina. (cf. Adiáfora). Na ortodoxia grega o termo ganhou sentido de opinião que, certa ou errada, pode ser proveitável para avançar o entendimento.

No final do século XIX o conceito de teolegúmena ganhou novos contornos com Adolf von Harnack (1851-1930). Esse historiador da teologia traçou a ascensão do dogma, o qual ele entendia como o sistema doutrinário autoritário na Igreja institucional e seu desenvolvimento desde o século IV até a Reforma Protestante. O historiador alemão notou que desde as origens do cristianismo a filosofia grega misturou e resultou em um sistema com muitas crenças e práticas que não eram autenticamente cristãs. Para ele, o protestantismo deveria ser entendido como uma rejeição desse dogma e um retorno à fé pura da Igreja. Adicionalmente, a doutrina deveria ter um caráter de teolegúmena, não dogmática, sendo provisória e expressão limitada pelas circunstâncias de sua formulação.

Na teologia católica a teolegúmena são proposições teológicas sem base explícita nas Escrituras ou sem endosso oficial do magistério. Portanto, não a teolegúmena não é dogmaticamente vinculante , mas vale a pena considerar porque auxiliam nas doutrinas oriundas da revelação.

Enquanto a Igreja Católica considera alguns dogmas como revelados, a ortodoxi grega rejeita a ideia de que expressões teológicas em si possam ser reveladas, mas que se mantém em um nível de teolegúmena.

Similarmente, em ciências bíblicas o termo teolegúmena é aplicado às passagens cujas historicidades possam ser duvidadas ou, em casos de problemas textuais, passagens que certamente não fazia parte da composição canônica, mas vale a pena considerar seu conteúdo teológico. Um exemplo é a Comma Johanneum.

BIBLIOGRAFIA

Duquesne, Jacques. Jesus : An Unconventional Biography. Triumph Books 1997.