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História da Congregação Cristã

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https://www.researchgate.net/publication/328292576_Congregacao_Crista_na_America_do_Norte_sua_origem_e_culto


Congregação Cristã na América do Norte

Este ensaio foi um trabalho que resumia para fins didáticos o desenvolvimento histórico da Congregação Cristã na América do Norte. No entanto, ainda serve como uma introdução à sua história como um movimento global.

Johannes Buxtorf

Johannes Buxtorf ou em latim Johannes Buxtorfius (1564 -1629) foi um hebraísta reformado de língua alemã.

Membro de uma família de orientalistas; foi o pai de Johannes Buxtorf, o Jovem.

Lecionou hebraico por trinta e nove anos em Basileia.

Foi pioneiro no registro de costumes judeus, antecedendo a antropologia da Bíblia, com seu monumental De Synagoga Judaica (1603). Regustrou escrupulosamente os costumes e a sociedade de judeus alemães para subsidiar a interpretação bíblica.

Louis Cappel 

Louis Cappel ou Ludovicus Cappellus (1585 – 1658) foi um pioneiro tratamento puramente filológico e científico do texto da Bíblia e professor da Academia de Saumur.

Nasceu em uma família de huguenotes nobres refugiados em Sedan. Estudou hebraico e viajou pela Alemanha e Holanda antes de tornar-se professor em Saumur, onde foi colega de Amyraut.

Suas obras publicadas são:

“Arcanum Punctationis Revelatum”, publicado anonimamente por Thomas Erpenius, em Leiden, em 1624. Demonstrou conclusivamente que a vocalização do texto hebraico era algo tardio, bem como a escrita quadrada dos manuscritos massoréticos eram posteriores à escrita paleohebraica dos samaritanos.

“Critica Sacra”, impresso em Paris, em 1650. Demonstrou que o texto consonantal massorético teve uma transmissão praticamente sem erros, mas que as edições contemporâneas precisavam serem corrigidas comparando versões e pelo método conjectural. Assim, distinguiu entre os autógrafos e os textos atuais nas línguas originais.

Confissões bíblicas

Em grego o termo homologeō, confesso, (e seus correlatos confissão, confessar) aparece com dois sentidos no Novo Testamento e na Seputaginta:

  • Reconhecimento de culpa, do pecado.  1 Jo 1:9; Lc 15:21, cf. 2 Sm 12:13; Sl 32:5.
  • Reconhecimento pessoal ou público de uma crença. Rm 10:9; Mt 16:15-16, Jo 9:22; 12:42-43.

Nesse último sentido, temos algumas confissões importantes nas Escrituras.

Declaração de Princípios da Igreja Cristã Livre na Itália

Em 1870 a Igreja Cristã Livre na Itália adotou essa seguinte declaração de Princípios. Esses artigos de fé refletem a teologia do risveglio e uma busca pela unidade entre evangélicos italianos. Certamente constituem um predecessor dos artigos de fé de Niagara Falls de 1927, com o qual compartilha muito de sua estrutura e terminologia.

Papiro 137

Fragmento também identificado como Papyrus 137, {\mathfrak {P}}137, P.Oxy. LXXXIII 5345, do evangelho de Marcos, possivelmente o mais antigo até então encontrado.

Trata-se de um fragmento encontrado em 1903 em Oxyrhynchus, mas somente publicado em 2018. Contém trechos de Marcos 1:7-9; 1:16-18 em ambos lados da folha (frente e verso), indicando ser originalmente parte de um códice.

É datado do final do século II ou III.

Foi foco de uma controvérsia nos anos 2010 quando especulou-se que seria datado do século I e supostamente estaria sendo vendido para o Museu da Bíblia de Washington.

Scotch Baptists

Grupo primitivista batista que existiu na Escócia da metade do século XVIII ao XIX.

O grupo iniciou quando dois ex-presbiterianos Robert Carmichael e Archibald McLean (1733–1812) tornaram-se glassitas. Por razões disciplinares, deixaram os glassitas em 1764. No ano seguinte, ficaram convencidos do batismo adulto por imersão. Como não conheciam nenhum batista na Escócia, Carmichael viajou para Londres, onde foi batizado por John Gill. Ao retornar à Escócia, Carmichael batizou outros adeptos e formaram uma igreja aos moldes glassitas, mas com batismo por imersão, conhecidos como Scotch Baptists (batistas escoceses), iniciando sua primeira congregação em Edinburgh.

Apesar de serem não credais ou confessionais, um anúncio de um jornal batista de Londres na década de 1850 revela as práticas e crenças comuns dos Scotch Baptists.

‘Senhor, você me permite perguntar através desse meio do Christian Advocate se houver qualquer pessoa residente em ou perto de Londres, que acredite nas seguintes doutrinas e práticas a serem ensinadas no Novo Testamento e deseje unir-se na comunhão da igreja com aqueles que assim creem:

1. Redenção Particular.

2. Comunicação do conhecimento da verdade salvadora pela Palavra de Deus acompanhada pelo poder do Espírito Santo.

3. Imersão na água numa profissão de crença na verdade.

4. Comunhão semanal na Ceia do Senhor.

5. O ósculo da caridade.

6. A exortação e orações de todos os irmãos nas assembleias da igreja.

7. A leitura constante de porções consideráveis ​​das Escrituras na igreja.

8. Pluralidade de anciãos.

9. Presidência sempre confinada aos anciãos.

10. Atenção à Ceia do Senhor somente sob a presidência de um ancião.

11. Festas de Caridade.

12. Comunhão na Igreja confinada àqueles que são de coração unânime em todas as doutrinas e práticas do Novo Testamento.

Christian Advocate and Scotch Baptist Repository, Beverley, October 1860, p.240.

Diferente dos Glassitas, os Scotch Baptists não apregoavam um separatismo ou uma disciplina rígida, além de serem mais ativos em atividades missionárias.

Havia outros batistas na Escócia, como aqueles influenciados pelos irmãos James Haldane e Robert Haldane, que adotaram alguns princípios e práticas dos Scotch Baptists, inclusive a imersão adulta em 1808. Outros grupos infuenciados pelos batistas ingleses distinguiam-se por suas atitudes moderadas e menos rígidas que os Scotch Baptists. Esses diversos grupos fundiram-se em 1869. Igrejas locais aos poucos perderam as distintivas dos Scotch Baptists até a última congregação, a de Academy Street, Aberdeen, foi dissolvida em 1920.

Houve influências dos Scotch Baptists no movimento das Igrejas de Cristo nos Estados Unidos. Uma congregação local, Kircaldy Church of Christ, em uma cidade no norteste da Escócia é hoje ligada a esse movimento.

BIBLIOGRAFIA

Murray, D. B. (1989). The Scotch Baptist Tradition in Great Britain. Baptist Quarterly: Vol. 33, No. 4, pp. 186-198

Owston, John (1997) “Scotch Baptist Influence on the Disciples of Christ,” Leaven, Vol. 5: 1, 11 https://digitalcommons.pepperdine.edu/leaven/vol5/iss1/11

Camowen Green e primitivistas anglo-americanos

Entre 1800 e 1830 várias igrejas locais independentes que esposavam um evangelicalismo primitivista surgiram na Irlanda, Grã-Bretanha e Canadá. Camowen Green é uma delas.

Em 1804 um dos irmãos Haldanes visitou a Irlanda. Pregou em Omagh, no Ulster, onde convenceu dois irmãos presbiterianos, John e James Buchanan, aos ideais primitivistas de cristianismo. Desde a morte do pastor presbiteriano em 1799, a igreja deles não tinha contratado um pastor adequado. Então, em 1807 começaram a reunir-se para leituras bíblicas e a procurar parâmetros neotestamentários de fé e ordem para a igreja. Esse grupo formou uma igreja livre em Camowen Green perto de Omagh.

James Buchanan teve contato com John Walker e Thomas Kelly, os quais propunham práticas semelhantes para a vida em igreja. Em 1816 boa parte dos membros emigraram, entre eles James Buchanan. Ele foi nomeado cônsul britânico aos EUA de 1819 a 1843. Buchanan organizou uma igreja semelhante em Nova Iorque, a qual mais tarde se uniria ao movimento das Igrejas de Cristo.

A igreja de Camowen Green desenvolveu uma identidade batista. Depois, na década de 1860, parte deles organizaram uma Assembleia de Irmãos Abertos.

Em 1º de março de 1818, uma assembleia da “igreja do Novo Testamento” em Nova York envivou uma carta circular a igrejas semelhantes em todo o mundo. Dizia que sete anos antes vários cristãos haviam se separado das várias denominações para se reunirem como uma igreja do Novo Testamento. Buscavam comunhão com todos os crentes (evangélicos).

A Igreja, professando a obediência à fé em Jesus Cristo, reunida em Nova York;

Às Igrejas de Cristo espalhados sobre a terra, a quem esta comunicação vir. Graça, misericórdia e paz vos sejam multiplicadas parte de Deus Pai, pelo Espírito Santo e por nosso Senhor Jesus Cristo…

Exigimos a quem recebemos em comunhão que deva crer em seu coração e confessar com a sua boca que Jesus é o Cristo; que ele morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; e que por essa confissão somente, devam ser batizados…

É necessário observar que nossos anciãos trabalhem em seus respectivos trabalhos, para seus sustentos e para não serem pesados à igreja; mas em caso de necessidade, ou se no desempenho do ofício tornar-se necessário, a igreja considera em seu dever e privilégio comunicar liberalmente a eles conforme “digno é o obreiro de seu salário”.

Nas relações de um com outros como cristãos, somos todos irmãos, sem distinção na igreja…As questões e disputas que geralmente ocorrem entre cristãos professantes não têm lugar entre nós…O conhecimento da simples verdade, declarada por nosso Senhor Jesus e seus apóstolos — e a piedade prática derivada desse conhecimento, são as coisas nas quais desejemos prestar atenção.

Não devemos omitir que, em todas nossas medidas e decisões, a unanimidade e não a maioria é considerada a regra bíblica.

William Ovington

Henry Erritt

Jonathan Hatfield

James Saunders

Benjamin Hendrickson

Esta carta teria circulado entre contatos pessoais nas Ilhas Britânicas, Canadá e Estados Unidos. Vinte e uma carta de respostas de congregações independentes nesses países reportaram crenças e práticas semelhantes.

Nas próximas décadas, diversas congregações adenominacionais similares emergiram em diversos países, boa parte integrando-se com outros grupos e movimentos, notoriamente como o Movimento dos Irmãos (de Plymouth) e com as Igrejas de Cristo.

BIBLIOGRAFIA

Anônimo. Letters Concerning their Principles and Order from Assemblies of Believers in 1818-1820. London, 1889.

Walkerites

Os Walkerites foram um grupo evangélico primitivista originários da Irlanda no começo do século XIX.

Teve início com o ministério de John Walker (1768-1833). Filho de um clérigo da Igreja da Irlanda, estudou no Trinity College em Dublim, onde fez amizade com Thomas Kelly. Tornou-se o responsável pela Capela de Bethesda em Dublim, congregação conectada com o ministério de George Whitefield e de Lady Huntingdon, mas pertencente à Igreja da Irlanda.

Por defender de modo irredutível algumas posições teológicas, foi desligado da Igreja da Irlanda 1804. Walker passou a frequentar uma congregação em Stafford Street, Dublim, que se autodenominava “a igreja de Deus” (a church of God), mas eram conhecidos como Walkerites.

Teologicamente eram hipercalvinistas, embora não sistematizem sua teologia, a qual era centrada na fé de que “Cristo morreu por nós e assim nos salvou e a todos os homens que crêem nEle” (Martin 1971). Arrependimento significava mudança de mentalidade, não sentimento de culpa ou penitência. Praticavam Santa Ceia semanal restrita somente a membros, ósculo santo e batismo por imersão adulto (mais tarde alguns grupos pararam de fazer batismo, admitindo novos membros pela comunhão). Cada congregação era autônoma e o ministério coletivo era composto por anciãos e diáconos leigos, normalmente quase todos os homens eram reconhecidos para tais funções. Consideravam que o mundo jazia no maligno. E, em razão disso, eram extremamente separatistas, sequer conversando publicamente sobre questões religiosa ou orando com não membros. No entanto, não eram contra diversões públicas ou educação profissional como outros grupos primitivistas. Não guardavam o domingo ou outro dia como sagrado. Recusavam a fazer qualquer tipo de juramento.

Os cultos dominicais era presidido em rodízio. Um ancião abria o serviço, cantava-se um hino, outro membro diriga a primeira oração, outro partia o pão, leitura das Escrituras, exortação, seguiam-se a coleta, hino e a
segunda oração em rodízio de presidência. As leituras consistiam de um salmo, um capítulo do Antigo Testamento e um capítulo do Novo Testamento a cada domingo. A pregação não era definida previamente, mas deixado ao impulso do Espírito Santo. Qualquer membro masculino adulto podia falar, e não necessariamente pregar sobre as Escrituras que foram lidas. Encerrava-se com o ósculo santo. Uma vez por mês havia um estudo bíblico à tarde.

Apesar desse separatismo, o grupo teve tentativas de fusão com os grupos de James Buchanan em Camown Green e com os Kellytes.

Em seu auge, tinha cerca de uma dúzia de igrejas na Irlanda, além de duas grandes congregações em Birmingham e Londres. Em 1834 havia apenas três igrejas Walkerites. O grupo continuou, reunindo em casas. No início do século XX teve um pequenos núcleo na Rússia. A última congregação, a de Dublim, incrementalmente se tornou mais semelhante ao Movimento dos Irmãos, mas fechou em 1921.

BIBLIOGRAFIA

Martin, C.P. “Recollections of the Walkerite or so-called Separatist Meeting in Dublin,” Christian Brethren Research Fellowship Journal 21 (May 1971): 2-10.

Walker, John. ‘A brief account of the people called Separatists’. Essays and correspondences, I. pp 550-560.

Walker, John. Seven letters to a friend on the Primitive Christianity. (1819). Essays and correspondences, I. p. 409.

Kellytes

Grupo evangélico primitivista irlandês fundado pelo ex-ministro anglicano Thomas Kelly (1769- 1855).

Kelly era filho de um juiz irlandês. Educado em uma vertente evangélica, em 1792 foi ordenado. Suas pregações fora da estrutura da Igreja da Irlanda levou-o a separar-se em 1802.

Fundou igrejas independentes em vários lugares na Irlanda e Escócia. Com sua fortuna familiar, Kelly construiu igrejas em Athy, Portarlington, Wexford, Waterford e outros lugares.

Nessas igrejas havia um presbítero reconhecido, mas nenhuma ordenação formal ou ministério exclusivo. Praticavam a pregação extemporânea e o batismo dos crentes.

Junto dos Walkerites e da igreja independente de Camowen Green, os kellytes integravam um movimento de retorno ao cristianismo primitivo. Esse movimentos compartilharam muito das práticas e eclesiologia do Movimento dos Irmãos (de Plymouth) que viria ter origem na Irlanda na década de 1820.

John Walker e Thomas Kelly tentaram unir seus movimentos. Entretanto, diante da recusa de Kelly em dizer que John Wesley estava no inferno, tal união foi interrompida. Teologicamente Kelly tendia a um calvinismo moderado e era aderente da expiação geral.

Kelly foi um autor de hinos muito prolífico. A edição de 1853 de seu hinário possuía 765 hinos. Um número considerável deles chegou aos hinários dos irmãos e dos anglicanos.

Depois da morte de Kelly suas igrejas foram extintas em poucos anos.

SAIBA MAIS

Akenson, Donald H. Discovering the End of Time: Irish Evangelicals in the Age of Daniel O’Connell. McGill-Queen’s Press-MQUP, 2016.

Carter, Grayson. Anglican evangelicals: Protestant secessions from the via media, c. 1800-1850. Wipf and Stock Publishers, 2015.