Pelatias

O nome Pelatias significa entregue por Yahweh.

  1. Pelatias, filho de Hananias, filho de Zorobabel. (1 Cr 3:21)
  2. Pelatias, um dos chefes dos saqueadores simeonitas que, no reinado de Ezequias, fez uma expedição ao Monte Seir e atacou os amalequitas. (1 Cr 4:42)
  3. Pelatias, um dos chefes do povo e provavelmente o nome de uma família que selou a aliança com Neemias. (Neemias 10:22)
  4. Pelatias, filho de Benaias, um príncipe dos judeus contra quem Ezequiel profetizou e ele morreu imediatamente (Ezequiel 11:5-12).

Papiros de Karanis

Karanis foi um assentamento greco-romano em Fayum, Egito. A missão arqueológica da Universidade de Michigan escavou no local de 1924 a 1935.

Uma das principais figuras ligadas a essa missão arqueológica foi David Askren (1875-1939). Askren foi um médico missionário presbiteriano que se instalou no norte do Egito em 1899. Por tratar de trabalhadores rurais egípcios, soube da prática dos camponeses escavarem ruínas em busca de fertilizantes. Askren acabou desenvolvendo relacionamentos com trabalhadores e negociantes egípcios locais e se tornou um canal para a venda de manuscritos. Obteve materiais que agora estão no Smithsonian, Universidade de Columbia, Princeton, Yale, na Universidade de Michigan, na Biblioteca Pierpont Morgan em Nova York e Luther College em Iowa. No início da década de 1930, o Dr. Askren trabalhou com uma equipe da Universidade de Michigan que estava escavando Karanis.

Entre os papiros descobertos em Karanis encontram-se vários fragmentos tando da Bíblia Hebraica quanto do Novo Testamento.

BIBLIOGRAFIA

Wilfong,  Terry G.; Ferrara, Andrew W. S. Karanis Revealed: Discovering the Past and Present of a Michigan Excavation in Egypt. Kelsey Museum publications, 7. Ann Arbor, MI: Kelsey Museum of Archaeology, 2014.

Papiro Harris I

Papyrus Harris I ou Papyrus British Museum EA 9999 com uma lista de bens do templo e uma breve crônica de todo o reinado do faraó Ramsés III (1186–1155 a.C.) da 20a dinastia do Egito.

Para a papirologia é revelante por suas dimensões. É um rolo de 41 metros de comprimento, sendo um dos maiores papiros encontrados, com cerca de 1.500 linhas de texto, aproximadamente, o tamanho dos livros de Gênesis ou Jeremias.

Foi encontrado em uma tumba perto de Medinet Habu, próximo do rio Nilo de Luxor, Egito, e comprado pelo colecionador Anthony Charles Harris (1790-1869) em 1855.

Este papiro, junto da Estela Elefantina, fornece um paralelo bíblico sobre a saída de povos asiáticos do Egito. Um líder dos asiáticos (shashu), Irsu assumiu o poder após a morte da Rainha Twosret. Durante seu governo, desprezou os rituais egípcios. O novo Faraó Setnakhte expulsou-os e, enquanto fugiam, abandonaram grandes quantidades de ouro e prata que haviam roubado dos templos. Uma versão semelhante aparece na Aegyptiaca de Maneto, na qual o líder Osarseph deu um golpe em um faraó liderando um grupo de leprosos e em aliança com os hicsos, antes de ser expulso do Egito e mudar seu nome em Moisés.

Paranesis

Paraenesis seria um gênero ou motivo literário de instrução ou conselho, incluindo listas de vícios e virtudes, Haustafeln e exemplos tanto positivos quanto reprováveis.

BIBLIOGRAFIA

Fiore, Benjamin. “Parenesis.” In The New Interpreter’s Dictionary of the Bible. Vol. 4. Edited by Katherine Doob Sakenfeld, 382–383. Nashville, TN: Abingdon, 2009.

Epístolas pastorais

Três cartas atribuídas a Paulo – 1 e 2 Timóteo e Tito – abordando questões pastorais, boa governança e responsabilidades éticas na Igreja e destinadas aos seus colaboradores Timóteo e Tito.

Paulo teria conhecido Timóteo na Galácia durante sua segunda viagem missionária. Tinha uma boa reputação (At 16: 1). Era filho de mãe judia e pai gentio, criado com conhecimento das Escrituras (1 Tm 3:15). Foi circuncidado para evitar contendas entre os judeus (At 16:3). Timóteo passou a viajar com Paulo e Silas e seria o amanuense ou coautor das epístolas de 2 Coríntios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses e Filémom.

Tito era grego e tratado como companheiro de Paulo (2 Co 8:23), a quem se dirigia como “meu filho leal na fé” (Tt 1:4). Não é mencionado em Atos. Paulo o enviou a Corinto como mensageiro (2 Co 2:13; 7: 6-14; 12:18). Ajudou a arrecadar a oferta para a igreja em Jerusalém (2 Co 8:4) e acompanhou Paulo e Barnabé àquela cidade (Gl 2:1).

Há várias datas estimadas e modelos de composição. Se considerar essas epístolas como de autoria imediata de Paulo, elas teriam sido redigidas de Roma entre 64 a 67 d.C. ao mais tardar ou 60 a 64 d.C. como limite inicial. Seriam, então, os últimos escritos preservados de Paulo. Outras teorias de composição datam essas epístolas mais tarde: hipótese fragmentária de Harrison (até 110 d.C.); hipótese de pseudonímia de Fiore, Holmes (c.80-90 d.C.) e hipótese de alonímia de Marshall (67-80 d.C.).

O manuscrito mais antigo contendo material das Cartas Pastorais é o P32. Esse papiro data de c.200 d.C. e contém apenas Tito 1:11-15; 2:3-8. Manuscritos paulinos anteriores, como P46, indicam serem coleções de cartas para igrejas e podem não ter incluído as cartas para Timóteo e Tito. O status canônico varia. Policarpo alude a 1 e 2 Timóteo, mas não menciona Tito. Marcion rejeitava-nas, mas praticamente todo autor patrístico e recensões a partir do Cânone de Muratori, Irineu, Clemente e Tertuliano aceitaram as cartas pastorais sem disputa. Somente no século XIX, críticos textuais alemães passaram a disputar a autoria paulina devido ao estilo linguístico e conteúdo divergente do resto do corpus paulino

Tematicamente, vários elementos são comuns nessas três cartas. Um deles é a paraenesis, ou motivos literários de instrução ou conselho, incluindo listas de vícios e virtudes, Haustafeln e exemplos tanto positivos quanto reprováveis. Outros temas incluem a exortação a uma vida moral (1 Tm 6:3; Tt 1), qualificação dos ministros, exortações de manter a sã doutrina (1 Tm 1:3-4; 4:6; 2 Tm 1:13; Tt 2:1) e evitar especulações (1 Tim 1:4; 4:7; 2 Tm 2:14, 16-18; Tt 1:14).

Período Persa

Época entre 539 a.C. e 330 a.C. em que os persas dominavam em todo o Oriente Próximo, também chaamdo de período aquemênida devido o nome da dinastia. Nesse período, os israelitas foram permitidos retornarem e reconstruírem suas instituições na terra de Judá (Yehud era o nome persa para a região), embora muitos continuaram a viver na Diáspora.

O império persa começou com a conquista do reino da Média, igualmente de origem iraniana, por Ciro II por volta de 550 a.C, e terminou em 330 a.C com a morte de Dario III e a conquista de Alexandre da Macedônia. Em sua maior extensão, o Império Persa se estendia da Líbia na África, do rio Danúbio na Europa até o rio Indo e Sogdiana, na Índia.

A vitória de Ciro sobre Nabonido da Babilônia em 539 a.C e marcou a libertação dos hebreus do exílio na Babilônia. O Segundo Templo foi construído em Jerusalém e outros pelo império persa. A guarnição judaica em Elefantina no Egito constitui uma fonte histórica importante para esse período. A língua aramaica passou a ser adotada largamente por todo o Antigo Oriente Próximo, substituíndo o acadiano como língua literária e franca.

Vários textos bíblicos estão situados nesse período, como Ageu, Zacarias, 1 e 2 Crônicas, Esdras, Neemias, Ester e Daniel. Adicionalmente, vários outros textos bíblicos passaram por substanciais edições nesse período.

Pentateuco

O Pentateuco (“cinco livros”) é o título da coleção dos primeiros cinco livros da Bíblia na tradução grega Septuaginta: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.

Seu conteúdo textual corresponde à Torá, que em hebraico significa em sua forma mais básica “instrução ou lei”. Entretanto, as nuances e conjunto de pressupostos que o termo Torá carrega são distintos daqueles que portam o termo Pentateuco. Torá pode ter sentido genérico de instrução (cf. Pv 1:8; 4:2), uma norma ou lei (Lv 10:11), o decálogo (Ex 24:12), mesmo o conteúdo do Pentateuco (At 13:15, At 24:14) ou de toda a Bíblia Hebraica/Antigo Testamento (por exemplo, Jesus referencia Sl 82:6 como Torá em Jo 10:34).

A composição do Pentateuco é anônima, embora haja alguns trechos que impliquem a autoria de Moisés. A partir do período helenístico começa uma tendência de atribuir sua autoria a Moisés e revisão a Esdras. De certa forma, esse foi o consenso tácito por cerca de um milênio e meio. Quando as questões das fontes e autoria passaram a ser levantadas, surgiram vários modelos de composição como a autoria única em um único evento por Moisés ou outra pessoa, a hipótese documentária, a teoria suplementar e a teoria fragmentária.

O surgimento de práticas editoriais em Alexandria e a padronização dos pergaminhos no século III a.C. afetaram a materialidade do Pentateuco. Enquanto na Septuaginta a divisão do Pentateuco é em cinco livros, o Pentateuco hebraico — tanto o samaritano quanto o dos judeus — é um só livro, um rolo contínuo. Porém, as convenções editoriais hebraicas, como a separação de cada livro com quatro linhas em branco, refletem influências alexandrinas. Outros manuscritos da Antiguidade, sobretudo os Manuscritos do Mar Morto, estão em estado demasiadamente fragmentário para inferir sobre a divisão dos livros.

No entanto, a divisão da Torá em cinco livros não é mencionada explicitamente em qualquer lugar da Bíblia.

A mais antiga menção de que a Torá estava dividida em vários livros vem da pseudoepígrafa Carta de Aristeas (século II ou I a.C.) que menciona os “rolos” (ta teuche) dos judeus no plural, sem dizer qual número. A divisão em cinco partes aparece mencionada pela primeira vez por Filo de Alexandria (ca. 25 a.C-50 d.C.) no início de seu livro Sobre Abraão. Cerca de 20 anos depois de Filo, Josefo diz que nas Escrituras israelitas estão cinco livros que pertencem a Moisés (Contra Apion 1.8). Já o termo Pentateuco aparece em sua atestação mais remota na Carta de Ptolomeu a Flora (século II d.C.) preservada por Epifânio de Salamina (século V d.C.) em seu Panarion 33.3-7, no qual consta:

Primeiro, você deve aprender que toda a Lei contida no Pentateuco de Moisés não foi ordenada por um legislador – quero dizer, não apenas por Deus, alguns mandamentos são de Moisés, e alguns foram dados por outros homens.

Nas versões fixadas a partir das recensões do século II d.C. em diante (Hexapla, Vulgata, Peshitta, Texto Massorético) atesta uma padronização da divisão do Pentateuco em cinco partes. Talvez o suporte material explique tal divisão. No Egito, onde a recensão da Septuaginta se desenvolveu, havia abundante disponibilidade de papiro, mas tal suporte requer rolos menores. Já na Palestina e Mesopotâmia o uso de pergaminho — o qual costurado permite volumes maiores — favoreceu a compilação em um único livro.

Período dos reis de Israel e Judá

O período dos reis compreende entre a monarquia dividida (928 a.C.) e a queda de Jerusalém (586 a.C.).

É o período com maior atestação histórica do Antigo Testamento, sendo registrado nos livros de 1 Reis, 2 Reis, 1 Crônicas e 2 Crônicas, bem como em informações esparsas nos livros dos profetas. Diversas fontes literárias e arqueológicas desse período também corroboram para uma reconstrução de sua história.

Esse período coincide com um relativo declínio do Egito e a emergência da Assíria e mais tarde da Babilônia como poderes políticos. A Idade do Ferro IIB (c.920-722 a.C.) foi o apogeu do reino de Israel enquanto a Idade do Ferro IIC (c.720-586 a.C.) seria a vez do reino de Judá.

Todos os reis israelitas e todos, exceto três reis da Judá (Asa, Ezequias e Josias) foram denunciados por infidelidade no culto a Deus.