Pessoa

Pessoa (do latim persona) traduz os termos gregos Hipóstase (ὑπόστασις), Prosopon (πρόσωπον; plural: πρόσωπα), os quais no sentido bíblico não tem significado ordinário de um indivíduo dotado de um corpo, mas significa um modo de existência distinta (Hb 1:3).

É o entendimento do cristianismo trintário que Deus nas Escrituras está manifesto como três pessoas distintas e unidas, com perfeita comunhão em suas ações (Mt 3:16-17; Jo14:26; At 7:55-56).

O significado de Pessoa altera-se tanto em diferentes contextos de uso quanto no tempo. Hipóstase é o estado ou substância subjacente (Ousía) e é a realidade fundamental que sustenta tudo. Prosopon indica a aparência, aspecto exterior visível, de um ser humano, animal ou coisa. Por esse motivo também é traduzido como rosto ou face externa do que seria o ser, uma pessoa ou coisa. Porém, prosopon é distinto de personalidade como caráter ou psique, o cerne da apresentação do ser.

Pessoa denota a automanifestação de algo que pode ser estendido por meio de outras coisas. Por exemplo, a hipóstese de um escritor expressa sua prosopon mediante as palavras.

Jonathan Paul

Jonathan Anton Alexander Paul (1853–1931) foi um ministro pentecostal, escritor, teólogo, estudioso da Bíblia e tradutor alemão.

Ao se formar na Universidade de Greifswald pastoreou igrejas luteranas na Pomerânia.

Após uma experiência espiritual, inspirada pelo revivalismo americano, em 1899 Paul começou seu ministério de viagens evangelísticas. Mudou-se para Berlin-Steglitz e tornou-se membro do Gnadauer Verband, um movimento evangélico dentro da Igreja Evangélica na Alemanha. Como evangelista, era um orador requisitado em tendas missionárias e conferências de avivamento.

Em 1896, Paul publicou um livro com o título Ihr weret die Kraft des Heiligen Geistes empfangen [“Sereis revestidos com o poder do Espírito Santo”], alertando contra a falta de plenitude do Espírito em sua época, como também a falta de poder espiritual e dos dons do Espírito.

Em 1906, Jonathan Paul visitou Thomas Ball Barratt em Oslo e tornou-se pentecostal. Em 15 de setembro de 1907, Paul experimentou o falar em línguas, aumentando as críticas contra o movimento pentecostal por parte do movimento evangélico alemão.

Com sua experiência organizacional, em dezembro de 1908 realizou uma conferência pentecostal em Hamburgo. Vieram representantes do movimento pentecostal da Inglaterra, Alemanha, Holanda, Noruega, Suécia e Suíça. Durante a conferência decidiu-se publicar a revista Pfingstgrüsse, da qual Paul tornou-se editor-chefe. Em consequência, a liderança evangélica alemã condenou o pentecostalismo na Declaração de Berlim em 1909. Em razão disso, Paul ajudou a organizar a Mülheimer Verband Freikirchlich-Evangelischer Gemeinden (Associação Mülheim de Igrejas Livres e Comunidades Evangélicas), em 1914, uma fraternidade que reunia crentes pentecostais dentro das igrejas estatais e das igrejas livres.

Sendo um biblista erudito, Paul publicou uma nova tradução do Novo Testamento em alemão, Das Neue Testament in der Sprache der Gegenwart (1914).

TEOLOGIA DE JONATHAN PAUL

A teologia de Paul do pentecostalismo alemão de Mülheim destaca-se por enfatizar mais as experiências transformadoras do espírito, sem preocupação de apontar eventos pontuais (novo nascimento, batismo do Espírito Santo, falar em línguas, santificação, etc.). Adicionalmente, sua bibliologia reflete a erudição acadêmica evangélica alemã, algo que contrapunha às atitudes do fundamentalismo norteamericano sobre as Escrituras.

O Batismo do Espírito Santo e Fogo consideramos ser a vinda sobre e dentro do Espírito Santo para habitar o crente em Sua plenitude, e é sempre testemunhado pelo fruto do Espírito e a manifestação exterior, para que possamos receber o mesmo dom que os discípulos no Dia de Pentecostes… Não ensinamos que todos os que foram batizados no Espírito Santo, mesmo que falem em línguas, já receberam a plenitude da bênção de Cristo implícita neste Batismo.

Concílio Consultivo Pentecostal Internacional, reunido em Amsterdam em 1912. Entre os signatários A.A. Boddy, Gerrit Polman, T.B. Barratt, Jonathan Paul

BIBLIOGRAFIA

Giese, Ernest. Jonathan Paul, ein Knecht Jesu Christi Leben und Werk. Missionsbuchhandlung und Verlag, Altdorf bei Nürnberg, 1965.

Simpson, Carl. “Jonathan Paul and the German Pentecostal Movement: The First Seven Years, 1907-1914.” Journal of the European Pentecostal Theological Association 28, no. 2 (January 1, 2008): 169–82.

Anne Parsons

Anne Parsons (1930-1964) foi uma antropóloga norteamericana que estudou intensivamente uma congregação pentecostal italiana.

Filha do sociólogo Talcott Parsons, Anne estudou nas faculdades Swarthmore e Radcliffe, cursando história, psicologia e relações sociais. Em 1953, ela esteve na Universidade de Paris com uma bolsa Fulbright. Foi laureada em 1955 com um doutorado sobre psicanálise na França e nos Estados Unidos.

Ao retornar aos Estados Unidos, Anne Parasons iniciou uma pesquisa de pós-doutorado do Instituto Nacional de Saúde Mental para treinamento em antropologia social e psiquiatria no Hospital Beth Israel, em Boston. Depois de completar esse período de treinamento adicional em 1957, ela transferiu-se para o McLean Hospital em Belmont, Massachusetts, como pesquisadora em psiquiatria e, em 1960, trabalhou no Boston Psychoanalytic Institute. Adicionalmente, fez trabalho de campo em Nápoles.

Anne Parsons engajava-se ativamente para relacionar as descobertas científicas sociais aos problemas sociais mais prementes da época, principalmente o desarmamento.

Investigou uma “congregação italiana” em uma “cidade central” (possivelmente a Christian Assembly de Boston) por longo trabalho de campo etnográfico.

BIBLIOGRAFIA

Breines, Winifred. “Alone in the 1950s: Anne Parsons and the feminine mystique.” Theory and Society (1986): 805-843.

Geertz, Clifford; Schneider, David M. “Anne Parsons” (1930-1964)in: Journal for the Scientific Study of Religion, vol. 4 no. 2 (1966), p. 182. http://hypergeertz.jku.at/GeertzTexts/Geertz%20Anne_Parsons%201966.htm

Parsons, Anne. Belief, Magic, and Anomie : Essays in Psychosocial Anthropology. New York: Free Press, 1996.

Parsons, Anne. “The Pentecostal Immigrants: A Study of an Ethnic Central City Church.” Journal for the Scientific Study of Religion 4, no. 2 (1965): 183–97.

Papiro 967

Papiro 967 é um códice da versão Old Greek (Septuaginta) dos livros de Ezequiel, Daniel e Ester, escrito por volta de 200 d.C.

A descoberta do papiro foi anunciada no New York Times em 1931, mas os detalhes da descoberta e proveniência não são claras. Supõe-se que foi encontrado em Afroditópolis.

É composto por 59 folhas, o que corresponde a 118 folhas abertas ou 236 páginas. Um lado mede aproximadamente 344 × 128 mm. As páginas são escritas em uma coluna com uma média de 42 linhas em uma escrita uncial quadrada.

O escriba de Ezequiel difere de Daniel e Ester pode ser identificado. Várias correções pelo escriba e mãos posteriores são inseridas. O texto contém nomina sacra, bem como sinais de texto crítico para indicar as leituras de acordo com Theodotion.

O colofão no final do livro de Daniel deseja: “Paz para quem escreveu e para quem lê”.

O livro de Daniel já continha uma divisão de capítulos em letras gregas. Esses números, inseridos como subscriptio, não foram acrescentados posteriormente, mas já estavam presentes no texto original.

Papiros de Hermópolis

Os papiros aramaicos de Hermópolis (Ashmunein, Egito), similares e contemporâneos aos papiros de Elefantina, são cartas enviadas de Mênfis para parentes ou amigos em Assuã e Luxor, bem como documentos.

A cidade de Hermópolis estava localizada na margem oeste do Nilo, no Alto Egito, do outro lado do rio de Antinoópolis, uma cidade fundada em d.C. 130 por Adriano em homenagem ao seu jovem amigo Antinoos, que se afogou em circunstâncias misteriosas em uma viagem pelo Nilo com o imperador.

Oito papiros aramaicos datam do final do século VI ou início do século V aC. encontrados em 1945 no templo Ibis durante as escavações de Sami Gabra. Foram publicados em 1966 por Edda Bresciani e Murad Kamil da Universidade do Cairo, instituição que mantém os papiros.

A maior parte dos papiros encontram-se na Berliner griechische Urkunden (Berlin Collection, a coleção de Berlim). Esses, cerca de 80 foram publicados.

BIBLIOGRAFIFA

Herwig Maehler, Urkunden aus Hermupolis (BGU XIX). Archiv für Papyrusforschung und verwandte Gebiete, 19. München/Leipzig: K.G. Saur, 2005.

Pérgamo

Pérgamo, a principal cidade da Mísia, na Ásia Menor. Esta cidade ficava às margens do rio Caicus, a cerca de 30 km do mar, próxima moderna vila de Bergama, na Turquia, às margens dos rios Selinus e Cetius. A antiga Pérgamo era famosa por seu templo de Esculápio e termas, o que fez da cidade um centro terapêutico e local de nascimento do médico Galeno.

No período helenista, Eumenes, rei de Pérgamo, decidiu fazer uma biblioteca para rivalizar com a biblioteca de Alexandria, Egito. Entretanto, o faraó Ptolomeu Filadelfo vedou a exportação de papiro. Então, o pergaminho foi inventado e produzido em massa Pérgamo, dando o nome a esse suporte material.

Em meados do século II, Pérgamo era uma das maiores cidades da província, Tinha cerca de 200.000 habitantes.

Foi uma das “sete igrejas” (Ap 1:11; 2:17), notória por sua maldade. O templo de Zeus talvez tenha dado a designação de “trono de Satanás”, tendo sido reconstruído em um museu em Berlim. Sob Augusto, o primeiro culto imperial, o neocorato, foi estabelecido na província da Ásia na cidade. A igreja de Pérgamo foi repreendida por se desviar da verdade e abraçar as doutrinas de Balaão e dos nicolaítas. Conta-se entre seus fiéis, Antipas de Pérgamo, um fiel mártir de Cristo.

Papiros de Wadi Daliyeh

Os papiro de Wadi Daliyeh, datados entre 375 a 335 a.C. são 18 documentos parcialmente legíveis, além de 128 selos e bulas de argila, oriundos de Samaria no período Persa.

Demostra a formação de um governo hereditário na Samaria. A maioria consiste de documentos de venda de escravos, além de um contrato de empréstimo, um processo civil, e outros contratos.

Descobertos em 1962 na caverna de Abu Shinjeh, junto de ossos de 205 indivíduos, possivelmente de samaritanos fugitivos das represálias de Alexandre, o Grande, depois do assassinato de seu sátrapa Andrômaco.

Vários selos contém a fórmula “[Yesha’]yahu filho de [San]balate, Governador de Samaria”.

Esses achados corroboram a (confusa) narrativa de Flávio Josefo sobre o santuário dos samaritanos (História dos Hebreus 11.302–312; 11.321–325). Outra contribuição é que atesta haver um governador de Samaria chamado Sanbalate no século V a.C..

Profecia de Nefer-rohu

Uma profecia do Novo Reino do Egito atribuída a Nefer-rohu, também chamado Neferti. É interessante por seu paraleo bíblico, mencionando o escurecimento do sol.

As Profecias de Neferti se passam em uma corte fictícia do Rei Snefru (c. 2575–2551 aC), que governou o Egito durante a Quarta Dinastia. A profecia de Nefer-rohu relata como o faraó Snefru foi alertado por um profeta que previu que o caos logo tomaria conta do Egito, mas que a ordem seria restabelecida quando Ameni da Núbia (uma referência a Amen-em-hep I, o primeiro rei da 12ª Dinastia) torna-se rei. Certamente, foi uma propaganda política para apoiar o governo de Amen-em-hep I.

“Um pouco mais tardia é a profecia de Nefer-rohu, que é extremamente interessante como o exemplo certo mais antigo de um vaticinium ex eventu” (Albright, 1940).

BIBLIOGRAFIA

Pritchard, ANET, 445.