Robin Parry é um teólogo cristão britânico radicado em Worcester, no Reino Unido. Atua como cânone menor para espiritualidade ecológica na Catedral de Worcester e como editor acadêmico na Wipf & Stock Publishers. Concluiu o doutorado sobre Gênesis 34 sob a orientação de Gordon Wenham e Craig Bartholomew, na Universidade de Gloucestershire. Lecionou por onze anos antes de ingressar na editora Paternoster Press, em 2001.
Parry tornou-se conhecido por sua defesa do universalismo cristão em moldes evangélicos. Sua obra mais influente, The Evangelical Universalist (2006), foi publicada sob o pseudônimo Gregory MacDonald, formado a partir dos nomes de Gregório de Nissa e George MacDonald. O uso do pseudônimo refletia a cautela inicial do autor em tornar pública sua posição. O livro sustenta que a salvação universal pode ser articulada sem abandono da autoridade bíblica nem ruptura com a tradição cristã histórica.
Sua proposta é uma tentativa de ocupar um “território acolhedor” dentro do evangelicalismo. Parry não minimiza a gravidade do pecado humano. Afirma a centralidade da cruz como lugar em que Cristo assume o juízo e a maldição devidos ao pecado. Adota uma hermenêutica que enfrenta diretamente os textos não universalistas, reconhecendo a tensão entre o amor divino e as passagens que falam de punição. Não busca eliminar a tensão, mas interpretá-la no interior do cânon.
Manntém uma ênfase típica do evangelicalismo na resposta humana. A salvação não ocorre sem resposta livre à iniciativa divina. Essa resposta envolve decisão e conversão. Em quarto lugar, afirma que a extensão final da graça é universal. A consumação do plano divino implica a eliminação do pecado e do mal, não a aniquilação dos pecadores. Deus remove aquilo que corrompe a criatura, não a criatura em si.
A questão crítica dessa posição pode ser formulada com precisão. Se o mal é eliminado e o pecador permanece, como ocorre essa transformação em casos extremos. A resposta implícita no modelo de Parry recorre a uma lógica de redenção transformadora. O juízo divino visa correção e purificação. O pecado é concebido como algo contingente à pessoa, não idêntico a ela. Assim, mesmo formas radicais de maldade poderiam ser desfeitas por um processo de confrontação com a verdade e o amor divinos, sem supressão da identidade pessoal.
Essa solução preserva dois princípios que Parry considera irrenunciáveis. Mantém a seriedade moral do mal e do juízo, e sustenta a eficácia final da graça divina. Não nega o juízo. Antes, interpreta o juízo como meio de restauração. O problema filosófico permanece objeto de debate, sobretudo quanto à relação entre liberdade, identidade pessoal e transformação escatológica, mas constitui o núcleo da proposta do universalismo evangélico.

