Sarah Coakley

Sarah Coakley (nascida em 1951) é uma pastora anglicana, teóloga e filósofa da religião inglesa. 

Teve passagem por renomadas faculdades de teologia em Cambridge, Harvard, Princeton, dentre outras. Foi professora honorária no Logos Institute, da Universidade de St Andrews, depois de deixar o cargo de Professora Norris-Hulse de Divindade na Universidade de Cambridge. Teve cargo de professora visitante na Australian Catholic University.

 Em seu pensamento combina teologia analítica com anglo-catolicismo, feminismo cristão, tendo como interlocutores Gregório de Nissa, J. A. T. Robinson e Ernst Troeltsch. Discute temas interdisciplinares como direito, medicina e religião.

BIBIOGRAFIA

Coakley, Sarah, ed. Religion and the Body. Vol. 8. Cambridge University Press, 2000.

Coakley, Sarah. God, sexuality, and the self. Cambridge University Press, 2013.

Coakley, Sarah. Powers and submissions: Spirituality, philosophy and gender. John Wiley & Sons, 2008.

Gavrilyuk, Paul L., and Sarah Coakley, eds. The Spiritual Senses: Perceiving God in Western Christianity. Cambridge University Press, 2011.

Horeus

Horitas ou horeus, em hebraico חֹרִים‎ horim, um povo que vivia no sul do Levante antes dos israelitas e edomitas. Aparecem em Gn 14:6, 36:20, Dt 2:12, embora outras passagens em Josué e Samuel possam referir-se a eles.

O Texto Masorético faz confusão entre “heveus” e “horitas”, possivelmente pela semelhança das letras hebraicas Vav e Resh, enquanto a Septuaginta registra “horita”.

Habitaram nas áreas ao redor do Monte Seir em Canaã (Gn 36:2,5) antes de serem substituídos pelos edomitas. Na lista de chefes dos horeus em Gn 36:20-29 e 1 Cr 1:38-42 aparecem dois nomes femininos, Oolibama, a filha de Aná; e a Timna irmã de Lotã.

Como o termo Ḥor em hebraico significa caverna, supõe-se que fosse habitantes das cavernas da região. Há dúvidas se são relacionados com o hurritas, povos não semíticos que dominaram o sul da Anatólia e norte da Síria nos meados da Idade do Bronze.

Anne Hart Gilbert

Anne Hart Gilbert (1768–1834) foi uma escritora, professora e abolicionista metodista caribenha.

Conhecida como uma das irmãs Hart, ao lado de Elizabeth Hart Thwaites, foi pioneira na literatura caribenha, na propagação evangelística, melhoramento das condições femininas e na crítica ao racismo e à escravidão.

Nascida em uma família afluente de afro-caribenhos senhores de escravos em Antígua, Anne Hart converteu-se em 1786 pela missão de um evangelista metodista.

Em 1798 casou-se com um homem branco, John Gilbert, enfrentando discriminação por serem um casal birracial.

Junto de sua irmã, em 1809 abriu a primeira escola dominical do Caribe, aberta a qualquer criança, independente de cor, classe social ou situação de escravizado ou livre.

Ainda com sua irmã, fundou a Female Refuge Society, uma instituição de apoio e emancipação feminina, principalmente às vítimas de opressão de cor e escravidão.

Trabalharam arduamente na propagação do avivamento metodista nas Ìndias Ocidentais.

Foi uma escritora prolífica, mas destruiu sua obra antes de morrer. Do que restou, revela-se uma pensadora perspicaz. Suas atividades aliadas à reflexão devocional e teológica antecedem a teologia negra, teologia afro-caribenha, teologia womanista e teologia da libertação.

BIBIOGRAFIA

Ferguson, Moira. The Hart Sisters: Early African Caribbean Writers, Evangelicals, and Radicals. Lincoln: University of Nebraska Press, 1993.

Saillant, John. “Antiguan Methodism and Antislavery Activity: Anne and Elizabeth Hart in the Eighteenth-Century Black Atlantic.” Church History 69, no. 1 (2000): 86-115. www.jstor.org/stable/3170581.

Catherine Clark Kroeger

Catherine Clark Kroeger (1925 – 2011), professora, biblista especializada nos estudos do Novo Testamento, teóloga presbiteriana americana.

Kroeger fundou a organização Cristãos pela Igualdade Bíblica (CBE) e a  Peace and Safety in the Christian Home (PASCH). Pesquisou e promoveu a conscientização contra a violência e ao abuso de mulheres.

BIBLIOGRAFIA

  • Kroeger, Catherine C.; Nason-Clark, Nancy; Study Bible for Women, (Oxford University Press, 2005.
  • Kroeger, Catherine C.; Nason-Clark, Nancy. Refuge From Abuse: Hope and Healing for the Abused Christian Woman. InterVarsity Press, 2004.
  • Kroeger, Catherine C.; Nason-Clark, Nancy. Refúgio contra o abuso. Rio de Janeiro: CPAD, 2006
  • Kroeger, Catherine C. IVPress Women’s Bible Commentary. Downers Grove, 2002.
  • Kroeger, Catherine C.; Nason-Clark, Nancy. No Place for Abuse: Biblical and Practical Resources to Counteract Domestic Violence. InterVarsity Press, 2001, 2010.
  • Kroeger, Catherine C.; Beck, James R. Healing the Hurting: Giving Hope and Help to Abused Women. Baker Books, 1998.
  • Kroeger, Catherine C.; Beck, James R. Women, Abuse, and the Bible: How Scripture Can Be Used to Hurt or to Heal. Baker Books, 1996.
  • Kroeger, Catherine C. et al. The Goddess Revival. Baker, 1995.
  • Kroeger, Catherine C.; Kroeger, Richard C. I Suffer Not a Woman: Rethinking 1 Timothy 2:11-15 in Light of Ancient Evidence. Baker Book House, 1992.
  • Kroeger, Catherine C.; Storkey, Elaine; Evans, Mary. NRSV Study Bible for Women New Testament. Baker Books, 1985.
  • Kroeger, Catherine C. “Does Belief in Women’s Equality Lead to an Acceptance of Homosexual Practice?” Priscilla Papers, Spring 2004.
  • Kroeger, Catherine C. “Pandemonium and Silence at Corinth” (with Richard Kroeger),The Reformed Journal, June 1978.
  • Kroeger, Catherine C. The Women’s Study Bible (ed.) Oxford University Press, 2009.
  • Kroeger, Catherine C. Beyond Abuse in the Christian Home: Raising Voices for Change” (ed.), Nancy Nason-Clark & Barbara Fisher-Townsend. Wipf & Stock, 2008.

Milla Clemensdotter

Milla Clemensdotter (1812–1892) ou Maria da Lapônia foi uma renovadora da Igreja Luterana Sueca. Uma nativa sami, teve uma influência significativa na vida espiritual de Lars Levi Laestadius.

Quando nasceu, seu pai era alcoólatra e a família perdeu todas as suas propriedades. Após a morte de seu pai em 1817, sua mãe se casou novamente. Aos seis anos foi morar com diversas famílias, passando por vários sofrementos.

Mais tarde,Maria juntou-se a um movimento de avivamento marcado por influências pietistas e morávias, parte de um grupo conhecido como “Leitores”. Em 1840 casou-se. Quatro anos depois encontrou e influenciou Lars Levi Laestadius, dando origem ao laestadianismo.

Em 1865, o casal vivia em Halmøya em Flatanger (então parte de Fosnes) e em Namdalen como nômades pastores de renas.

Carolina Dalgas

Carolina Dalgas (1832 -1893) educadora, tradutora e hinista evangélica italiana de origem dinamarquesa.

Nascida em Livorno em uma família reformada franco-dinamarquesa. Seu pai era o cônsul Jean Antoine Dalgas (1788-1835). Com a morte do pai, Carolina foi confiada ao tio paterno por sua mãe, quando o resto de sua família retornou à Dinamarca.

Carolina foi ativa da Igreja Evangélica de Livorno. Foi instrutora e depois coordenadora nas escolas primárias valdenses e na escola dominical. Escreveu para revistas infantis, além de traduzir, compor e compilar hinos da L’Arpa Evangelica (1867).

É autora dos hinos “Senhor, preciso mais da tua luz” e “Eu Sou um cordeirinho” .

Foi diretora do Liceu Feminino de Torre Pellice, do Colégio Feminino Anglo-Romano e do Instituto de Roma.

BIBLIOGRAFIA

Dalgas , Enrico. Familien Dalgas, 1891

Carolina Dalgas. Dizionario Biografico dei Protestanti in Italia. Società di Studi Valdesi.

Dorothea Trudel

Dorothea Trudel (1813- 1862) pietista luterana suíça. Iniciou um movimento de cura pela fé em Männedorf, no Lago Zurique e restabeleceu a prática de unção dos enfermos no protestantismo.

Tudel masceu em uma família pobre de onze filhos com um pai alcoólatra e uma mãe devota. O único livro que a família possuía era a Bíblia, lida assiduamente pela mãe. Quando pequena, perdeu a visão por uma infecção de varíola, mas foi curada acompanhando uma oração da mãe

Começou a trabalhar aos nove anos. Era uma moça normal. Participava dos bailes e eventos sociais locais. Aos 22 anos, ao defender-se de um homem que tentou agarrá-la, feriu sua coluna. Jovem e concurda, entrou em depressão. Aos 23 anos passou por uma experiência conversão e a frequentavar círculos luteranos pietistas.

Quando sua mãe morreu, um tio cuidou de Dorothea e de suas três irmãs. As vidas delas tiveram um progresso. Trudel começou a trabalhar como florista e teve uma renda melhor. O tio deixou a casa para elas como herança.

Um dia em 1840, quatro funcionários da empresa de seu sobrinho estavam doentes sem meios de cura. Dorothea orou de acordo com Tiago 5 e ungiu-os com azeite, impondo as mãos e eles ficaram curados.

As pessoas da região passaram a visitá-la para orações, estudos bíblico e devocionais. A casa de Dorothea não conseguia acomodar os hóspedes. Então, com apoio do pastor reformado local organizou quatro casas para abrigar os visitantes. Essas casas tornaram-se sanatórios, casas de repousos. Mas diferente dos caros sanatórios suíços, não havia cobrança pela estada, com cada paciente pagando como podia. Uma das pessoas curadas mediante o minustério de Trudel foi Samuel Zeller (1834– 1912). Zeller passou a auxiliá-la e depois a sucedeu na administração das casas e dos encontros de oração. Uma dessas casas, Bibelheim, ainda continua ativa.

Trudel foi processada por exercício ilegal da medicina, o que terminou em 1861 com sua absolvição. No ano seguinte, morreu de febre tifóide.

A obra de Trudel influenciou o movimento de santidade alemão. Estiveram conexos Otto Stockmayer e os Blumhardt. Quando o médico Charles Cullis foi curado pela fé e publicou os panfletos de Trudel, seu trabalho ganhou notoriedade póstuma entre evangélicos de língua inglesa.

A teologia e prática de Trudel era simples. A prioridade era a salvação. A cura era uma expectativa de fé, sem obrigação de acontecer um milagre. O que ela enfatizava era que na expiação realizada por Cristo incluía a cura de Deus. Isso causou uma mudança de mentalidade. Contrastava com uma confiança mecanicista na medicina da época, também com o tratamento cruel de enfermidades mentais. Teologicamente prevalecia uma ideia punitiva de que doenças eram frutos de pecados ou demônios. A abordadgem de Trudel era fundada no tratamento com humanidade os doentes, tanto de males físicos como mentais. Encarava as enfermidades não como punições, mas um mal a ser vencido, espelhando na obra vitoriosa de Cristo sobre as doenças.

Trudel foi pioneira em praticar a unção com óleo no protestantismo, era convicta de que Deus cumpriria suas promessas e que as enfermidades não seriam um castigo divino.

BIBLIOGRAFIA

Keller, Sam. Dorothea Trudel Van Männedorf of De Kracht Des Geloofs Werkende Door De Liefde. Translated by A.M.C. van Asch van Wijk. Amsterdam: Funke, 1864.

Cullis, Charles. Dorothea Trudel: Or The Prayer Of Faith. 1865.

Anne Askew

Anne Askew, também Anne Ayscough ou Ascue, ou pelo nome de casada, Anne Kyme (1521 -1546) foi uma poetisa e mártir inglesa.

Anne foi obrigada a se casar com Thomas Kyme em lugar de sua irmã após a morte dessa. Askew pediu o divórcio depois que Kyme a expulsou de sua casa por suas crenças, tornando-se a primeira mulher a pedir divórcio na Inglaterra.

Anne circulava entre grupos reformadores, para os quais a reforma de Henrique VIII não tinha concretizado toda as demandas. Anne Askew rejeitava a transubstanciação. Ela foi interrogada pela primeira vez pelo bispo Bonner. Durante sua segunda prisão, o bispo Gardiner e o chanceler Wriothesley conduziram o interrogatório e a tortura. A tortura incomumente cruel que Askew suportou causou até repulsa em sir Anthony Knivett, o responsável pela Torre de Londres, que recusou a continuar com a tortura.

Em 1546, aos 25 anos, Anne Askew foi queimada na fogueira como herege. John Bale e John Foxe publicaram relatos de seu interrogatório, prisão e tortura.

Como autora, Askew escreveu sobre seus interrogatórios. Askew também é lembrada por ser uma das primeiras poetisas a compor em inglês.