Hulda

Profetisa de Jerusalém. Esposa de Salum, guardião dos guarda-roupas reais durante o reinado de Josias (639–609 a.C.).

Consultada pelos oficiais de Josias após a descoberta de um rolo da Lei no Templo, Hulda profetizou a destruição de Jerusalém, embora Josias morreria antes. A profecia de Hulda impulsionou as reformas josiânicas (2Re 22; 2Cr 34).

Haustafeln

Haustafeln (alemão tabelas da casa). A origem do termo é atribuída a Martinho Lutero e refere-se ao gênero textual sobre conselhos das relações domésticas.

Esse tipo de conselhos para maridos, esposas, filhos e servos ocorrem vagamente em autores estóicos como Sêneca, Plutarco e Epiteto e entre judeus helenistas, como Filo.

Aparece distintivamente como um gênero textual altamente desenvolvido nos escritos do Novo Testamento.

Lembrando que as igrejas primitivas eram instituições domésticas, não havia distinção entre Igreja e a Casa. É possível que Paulo, Pedro ou Tiago apresentam uma apologia: o senhorio de Cristo já não colocavam os cristãos sob o controle da Lei, mas isso não significava uma imoralidade libertina. Antes havia um senhorio universal dos quais todos os crentes seriam partícipes e conviviam entre si com uma ética do amor e confiança na mesma Casa (domus ou domínio).

Entre escritos cristãos do século II, alguns atos apócrifos ou as epístolas de Inácio, retratam de modo menos elaborado os cristãos em uma relação de comensalidade., demonstram que os cristão eram boas pessoas e honrando a família, não o povo esquisito que os detratores queriam apresentar. Não eram libertinos (vide o Satiricon de Petrônio para constatar o clima dos banquetes romanos), nem misteriosos como os cultos iniciáticos ou associações mortuárias. É uma evidência e ideal de como oristianismo primitivo se via como uma irmandade, sob o pater familias que seria Cristo.

Os principais textos desse gênero são:

Ef 5:22-6:9, com paralelos em Cl 3:18-4:1.

Aparições menos explícitas ocorrem em 1 Tm 2:1-8; 3:1; 5:17; 6:1; Tt 2:1-10; 1 Pe 2:13-3:7.

Rebeca

Rebeca é uma das matriarcas. Aparece em Gênesis em dois ciclos narrativos (Gn 24–27) . Um é o romance do matrimônio com Isaque. Outro ciclo é sua relação com seus filhos e sua preferência por Jacó.

O primeiro ciclo narrativo começa quando Abraão enviou seu servo Eleazar à PAdrã-Arã para arranjar o casamento para Isaque. O servo acaba por encontrar-se com Rebeca. É peculiar a linhagem identificada por linha materna. Rebeca diz a Eleazar que é filha de Betuel, filho de Milca, o qual ela deu a Naor. (Gn 24;24) e irmã de Labão, o arameu (Gn 25:20). Rebeca é um raro caso de monogamia nas narrativas patriarcais e aparece em uma relação de jocosa amizade com seu esposo.

Mãe dos gêmeos Esaú e Jacó, Rebeca favorece o mais jovem. Não só a matriarca dá instruções a seu filho Jacó para enganar Isaque como depois instrui sua fuga e início de vida própria.

À época da partida de Jacó Rebeca e Isaque ficaram em Berseba (Gn 26:23). no Poço Laai-Roi (Gn 25:11), e Manre, Quiriate-Arba que é Hebrom (Gn 35:27).

BIBLIOGRAFIA

Sasson, Jack M. “The Servant’s Tale: How Rebekah Found a Spouse.” Journal of Near Eastern Studies 65 (2006): 241-265.

Rute

Livro e personagem bíblico, Rute é um romance do ponto de vista do quádruplo de vulnerabilidade: a pobre, a viúva, a estrangeira e a órfã. A viúva Rute deixa seu país, Moabe, acompanhando sua sogra para o país dos israelitas. Lá se casa com Boaz e o casal seria ancestrais do rei Davi.

O final feliz meio às adversidades prova a fidelidade do voto de Rute à sua sogra: “Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me afaste de ti; porque, aonde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu e ali serei sepultada; me faça assim o Senhor e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti” (Rt 1:16-17).

No cânone da Septuaginta e cristão o Livro de Rute aparece entre o Livro de Juízes e o livro de 1 Samuel. Já no cânone hebraico Rute aparece entre os Escritos (Ketuvim ou Hagiógrafa), da mesma época de Esdras, Neemias e Crônicas. Essa classificação como Hagiógrafa indica ser uma composição tardia e oferece um interessante contraponto à política contra casamentos mistos desse período. Entretanto, a configuração do Livro de Rute em conjunto com outros livros da História Deuteronomística apresenta uma harmonia sem igual, pois se trata da aplicação prática da Torá tanto materialmente quanto processualmente.

Os cumprimentos das obrigações éticas, legais, morais e de justiça social instruídas aos israelitas servem como exemplo de como deveriam ser cumpridas a Torá, a instrução ou lei, de Deus.