Thomas N. Finger

Thomas N. Finger (nascido em 1942) é um teólogo anabatista americano. 

Foi professor de teologia sistemática e espiritual no Seminário Menonita Oriental em Harrisonburg, Virgínia, além de ministrar cursos no Goshen College (Goshen, Indiana) e no Associated Mennonite Seminary (Elkhart, Indiana). 

BIBLIOGRAFIA

Finger, Thomas N. Christian Theology, Volume One: An Eschatological Approach. Wipf and Stock Publishers, 2020.

Finger, Thomas N. A contemporary Anabaptist theology: Biblical, historical, constructive. InterVarsity Press, 2010.

Boersma, Hans, T. Scott Daniels, Thomas N. Finger, and J. Denny Weaver. Atonement and Violence: A Theological Conversation. Abingdon Press, 2006.

Crítica das fontes

A crítica das fontes é um método de exegese diacrônico que visa determinar as fontes e secundariamente, a autoria, a autenticidade e o contexto de composição dos textos bíblicos.

Na crítica das fontes os exegetam examinam pistas no texto (mudanças de estilo, vocabulário, repetições e similares) para determinar quais fontes possam ter sido usadas por um autor bíblico. Algumas fontes inter-bíblicas podem ser determinadas em virtude do fato de que a fonte ainda existe, por exemplo, os livros de Crônicas citam ou recontam os relatos dos livros de Samuel e Reis.

A crítica das fontes é importante para compreender a tansmissão do texto bíblico, principalmente na manuscritologia e nas traduções.

Por vezes, esse método é referido como sinônimo de hipótese documentária, problema sinóptico, método histórico-crítico (do qual é um dos métodos que integra essa abordagem) ou Alta Crítica (conceito hoje obsoleto).

A crítica das fontes procura saber de onde veio e como um texto foi transmitido. Sua origem remonta da filologia alexandrina e foi aplicada na Antiguidade Tardia por exegetas como Jerônimo e Teodoro de Mopsuéstia. No Renascimento, Lourenço Valla aplicou esse método ao Novo Testamento e deixou suas anotações que, mais tarde, Erasmo utilizou para sua edição grega do Textus Receptus.

Crítica das formas

A crítica da formas (formgeschichtlichen Methode e Gattungsgeschichtliche) é um método exegético diacrônico que visa reconstituir forma de transmissão das passagens bíblicas.

Há pressupostos de oralidade em grande parte da transmissão bíblica. Também é importante a compreensão dos gêneros literários — orações, aforismos, provérbios, salmos, genealogias, épicos, ciclos narrativos, códigos legais, dentre outros. Por essa razão, é muito próxima da crítica dos gêneros textuais (Gattungsgeschichtliche).

Como base metodológica, a crítica das formas tenta situar as passagens em um Sitz im Leben, o contexto de composição, para compreender a funcionalidade do texto em suas audiências originais.

A crítica das formas teve como seu grande proponente Hermann Gunkel (1862 – 1932).

Embora vários exegetas deram suas contribuições valiosas empregando a crítica das formas há vários problemas conceituais. Devido a uma então teoria literária ainda incipiente, houve muita confusão entre forma, estrutura e gênero. Isso gerou uma imprecisão sobre as distinções entre tradições orais e composições literárias. Também, a antropologia e a história oral somente viria a desenvolver seus métodos e meios de análise mais tarde. Atualmente, os adeptos da crítica das formas ajustaram o método a essas limitações.

Sebastian Franck

Sebastian Franck (1499-1543) foi um cronista, teólogo e editor bávaro.

Inicialmente um padre católico tornado pastor luterano, Franck produziu uma obra anti-anabatista. Contudo, eventualmente desenvolveu simpatia pelos anabatistas e em 1529 esteve refugiado em Estrasburgo, onde manteve contato com Schwenckfeld, Serveto e Bünderlin, talvez com Melchior Hoffman.

Franck foi pioneiro em utilizar fontes historiográficas e etnográficas na reflexão teológica. Em um catálogo comparativo das facções do cristianismo, criticou tanto os reformadores quanto os católicos. A partir de relatos de viagens, especialmente das nações novas aos Europeus, inclusive a América demonstrou que a apreensão da verdade seria mais complexa. Critica o sectarismo bem como a limitação dos diversos sistemas teológicos. Embora não poupasse críticas aos anabatistas, foi contado como um deles (e perseguido como tal), além de seus escritos usufruírem ampla aceitação no movimento anabatista.

Franck e outros seus contemporâneos foram chamados de pneumatici ou espiritualistas, por enfatizarem o caráter espiritual da Igreja ao invés de atribuir importância à instituição visível, aos dogmas teológicos e aos sacramentos.

Sarah Fuller Flower Adams

Sarah Fuller Flower Adams ou Sally Adams (1805-1848) poetisa, hinista e pioneira do feminismo cristão britânica. É a autora do hino Nearer, my god, to thee (Hinos de Súplicas e Louvores a Deus 454 – Cidadão Dos Céus; Cantor Cristão 283 –Mais perto quero estar meu Deus de Ti).

Filha caçula do editor Benjamin Flower, cresceu em círculos progressistas. Sua irmã mais velha, Eliza Flowers, era uma talentosa musicista e compositora. Depois da morte da mãe em 1810, Benjamin Flower criou e educou suas filhas. Apesar de possuir algum grau de surdez, teve uma breve carreira como atriz, representando Lady Macbeth em 1837.

Em 1820 a familia Flowers mudou-se para Londres, onde seu círculo social incluíam Harriet Martineau, Harriet Taylor, Robert Browning e John Stuart Mill. Casou-se, em 1834, com o engenheiro civil William B. Adams.

Em 1841 Flower Adams publicou Vivia Perpetua. Esse poema alegórico retrata o conflito entre paganismo e cristianismo, bem como defende o livre pensamento, a autonomia espiritual e intelectual feminina. No poema dramático, Vivia Perpétua é uma jovem esposa que se recusa a se submeter ao controle masculino e renunciar às suas crenças cristãs. E por isso, é condenada à morte.

Preparou um catecismo e hinário infantil, The Flock at the Fountain, publicado 1845.

Era membro da congregação unitariana de South Place Chapel em Londres, onde era ministro William J. Fox. Aconselhada por Fox, para sanar suas dúvidas espirituais levantadas em conversas com Browning, dedicou-se à leitura e escrita, compondo o hino Nearer my God to Thee, inspirada no sonho de Jacó (Gn 28:11-12). Mais tarde o hino seria associado à melodia Bethany de Lowell Mason.

BIBLIOGRAFIA

https://hymnary.org/person/Adams_Sarah

Hulcoop, Stephen. Memoirs of the family of Benjamin Flower of Harlow. Compiled from various sources including a transcript of the hymn «Nearer my God to Thee» by Sarah Flower Adams. S. H. Publishing, Harlow, 2003.

Stephenson, H. W. : The Author of Nearer, My God, to Thee, 1922.

Falácia do dicionário

A falácia do dicionário é um erro exegético que pressupõe que um dicionário liste todos significados hoje conhecidos ou todos os sentidos possíveis de uma palavra utilizada em um texto.

Um dicionário ou outro instrumento lexical é o ponto de partida para inferir o sentido no contexto pragmático, não a tira-teima.

Uma palavra no contexto do dicionário terá um sentido diferente daquele do usado no texto. Uma das razões disso é que a definição em um dicionário também será sempre embutida no contexto do lexicógrafo e limitada por seu horizonte interpretativo.

O Mito do “point meaning” é uma variante da falácia do dicionário na qual se supõe que mesmo que haja uma variedade de significados de uma palavra, haveria sempre um único sentido “básico”. O hebraísta e professor de tradução bíblica Gerhard Tauberschmidt aponta que essa falácia afeta muitas traduções feitas por especialistas.

Muitos estudiosos (e, portanto, seus alunos) ainda adotam uma abordagem na qual as palavras hebraicas ou gregas são tratadas como tendo significados fixos, e, portanto, entender textos é essencialmente um processo de somar um significado de dicionário adequado de todas as palavras de suas frases.
Ainda é novidade para muitos que a unidade semântica fundamental não é a “palavra”, mas a sentença, e que as “palavras” (entradas lexicais) adquirem um significado específico quando desdobradas em sentenças.

Larry Hurtado

Um modo de contornar essa falácia é examinar os usos cognatos da palavra em outos contextos, línguas próximas, mesmo gênero textual, outras partes das Escrituras canônicas, documentos contemporâneos. Por vezes, a etimologia (mas não necessariamente) auxilia, bem como o contexto histórico e cultural da produção do texto. Aliada a essas informaçõe, as análises semântica e pragmática elucidam o termo em contexto.

BIBLIOGRAFIA

Tauberschmidt, Gerhard. “Polysemy and Homonymy in Biblical Hebrew Journal of Translation”, v 14, n 1 (2018) 29.

https://larryhurtado.wordpress.com/2011/10/18/50th-anniversary-barrs-semantics-of-biblical-language/

August Hermann Francke

August Hermann Francke (1663 – 1727), ministro, editor, educador e reformador social. Foi um dos principais promotores do pietismo alemão, sucedendo a Philipp Spener.

Nascido em uma família burguesa da cidade hanseática de Lübeck, no norte da Alemanha, cresceu em de Gotha, onde seu pai era conselheiro do duque.

Estudou teologia em Erfurt e outras universidades. Francke era um acadêmico, mas sua conversão somente veio mais tarde quando esboçava um sermão.

Spener convidou Francke para lecionar grego e hebraico na Universidade de Halle, então o principal centro pietista alemão. Ao redor de Halle, Francke iniciou vários ministérios pela fé.

Organizou um orfanato, uma editora com tipografia, uma casa para viúvas e várias iniciativas de atendimento social.

Era dito que as instituições de Francke apoiados por sua fé e nada mais, pois não eram apoiadas pela Igreja Evangélica Estatal.

Apontado pastor para uma aldeia pobre chamada Glaucha, iniciou uma arrecadação para custear a educação dos jovens. Como outras de suas instituições, a escola fundada por ele era sustentada pela fé. Com uma generosa doação, passou a oferecer o ensino fundamental e técnico (invenção dele, como se verá) completo.

A ideia de que cada criança tem talentos diferentes formou a base da visão educacional de Francke. Considerando que cada criança aprende de maneira diferente, o currículo deveria corresponder ao nível da criança, bem como oferecer uma ampla variedade de disciplinas. Desse modo, Francke é considerado o pai da educação técnica alemã.

Teve um papel importante para a popularização das Escrituras. Junto do barão Carl Hildebrand Freiherr von Canstein (1667 – 1719), Francke criou a organização Cansteinsche Bibelanstalt (1710), a primeira sociedade bíblica, visando a produção em massa da Bíblia sem fins lucrativos.

Para cumprir seus propósitos, inventou o estereótipo. Nessa técnica, os 5 milhões de tipos móveis das aproximadamente 1.300 páginas impressas da Bíblia foram compostas previamente. A placa diagramada com os tipos eram fundidas com uma base de chumbo e guardadas permanentemente para impressões subsequentes. Dessa forma, as Bíblias podiam ser impressas rapidamente, em grande número e a baixo custo. Entretanto, o custo inicial foi grande, mas o barão Canstein dispôs de sua fortuna para essa missão.

Com aprimoramento das técnicas editorais e uma editoração simplificada produziu 8.000 cópias da Bíblia inteira e 100 mil Novos Testamentos entre 1712 e 1719. Em 1812 já tinha distribuído 2 milhões de exemplares em 380 edições; 1 milhão de cópias do Novo Testamento com os Salmos, além de 100 mil cópias dos Salmos com Eclesiastes.

Sua obra Pietas Hallensis: uma demonstração pública dos passos de um Ser Divino ainda no mundo reforçava sua convicção que Deus opera grandiosamente no mundo. A oração serve para demonstrar a fé que Deus ainda opera no mundo. O conceito de fazer missão somente pela fé influenciou George Mueller e seu orfanato em Bristol; Hudson Taylor e sua China Inland Mission; William Taylor e suas missões autopropagantes e autossustentáveis.

Produziu vários manuais de interpretação bíblica, lidando tanto com método quanto com comentários Manuductio ad Lectionem Scripturae Sacrae (1693); Praelectiones Hermeneuticae (1717) e Commentatio de Scopo Librorum Veteris et Novi Testamenti (1724).

Conhecido por seu moralismo, publicou uma coleção de exortações Lectiones Paraeneticae (1726-1736).

Sua cristologia luterana e pietista é aliada a sua ênfase nas Escrituras, como visto na obra Cristo é a some e substância de todas as Escrituras, Antigo e Novo Testamento (1732).

BIBLIOGRAFIA

Sattler, Gary R. God’s Glory, Neighbor’s Good: A brief introduction to the life and writings of August Hermann Francke. Chicago: Covenant Press, 1982.

Yoder, Peter James. Pietism and the Sacraments: The Life and Theology of August Hermann Francke. University Park: Pennsylvania State University, 2012.

Zaunstöck, Holger; Müller-Bahlke, Thomas J. ; Veltmann, Claus. Die Welt verändern: August Hermann Francke; ein Lebenswerk um 1700. Verlag d. Franckeschen Stiftungen zu Halle, 2013.

Filocalia

Filocalia ou Filocália (em grego: φιλοκαλία, “amor ao belo, ao bom”) é uma antologia de textos monásticos da Igreja Ortodoxa Grega escritos entre os séculos IV e XV. A primeira edição foi publicada em Veneza em 1782; uma segunda edição em Atenas em 1893 popularizou o texto. Há oura recensão eslava além da edição grega.

São textos meditativos e espirituais de vários escritores místicos. Monges, eremitas, orações, poemas e meditações dos primeiros séculos do cristianismo. Alguns autores são João Crisóstomo, Macário e Nicéforo e outros autores patrísticos.

O teor varia entre uma contemplação mística a um manual na luta contra o ma e as tendências negativas pecaminosas.

É a principal fonte da teologia vivida do cristianismo ortodoxo grego. Ao contrário da sistematização teológica desenvolvida a partir da era escolástica, a tradição ortodoxa seguiu uma via contemplativa e cultual, cujo principal documento e fonte é a Filocalia.

Frank D. Macchia

Frank D. Macchia é um teólogo acadêmico ítalo-americano.

Frank Macchia vem de uma família pioneira na Christian Assembly de Gary Indiana, onde sua avó Antoinette Macchia e seu pai Michael Macchia Sr. foram ministros da Palavra.

Frank Macchia foi um dos primeiro pentecostais no mundo a obter um doutorado em teologia sistemática em uma universidade reconhecida. Concluiu seu doutorado em teologia na Universidade de Basel em 1989 pela pesquisa sobre os líderes avivalistas Johann e Christoph Blumhardt, examinando cura divina e libertação social, sob orientação de Jan Milíč Lochman.

Depois de algumas ocupações ministeriais em Illinois, Macchia dedicou-se à carreira acadêmica, princiaplmente como professor de teologia na Vanguard University na Calfórnia. É ministro ordenado das Assemblies of God.

Articulou a teologia pentecostal nos diálogos formais entre pentecostais e a Aliança Mundial de Igrejas Reformadas e na Comissão de Fé e Ordem do Conselho Nacional de Igrejas.

Foi presidente da Society for Pentecostal Studies e editor-chefe de sua revista, PNEUMA.

PENSAMENTO TEOLÓGICO

A teologia de Frank Macchia é construída sobre os temas do reino de Deus e da pneumatologia. Foi um dos teólogos pentecostais que mais aprofundou sobre a glossolalia, a qual dá ênfase primária na intensificação da presença de Deus que essa manifestação acompanha. Assim, sua teologia do batismo no Espírito Santo é menos focada com evidência inicial, examinando a integralidade da vida cristã dos batizados no Espírito.

Há uma preocupação em salientar o papel do Espírito Santo na obra de salvação, corrigindo a ausência de uma pneumatologia na doutrina da justificação como normalmente é tratada pela teologia sistemática protestante. Macchia salienta o papel cooperativo da Trindade na justificação. Relembra o papel do Espírito que decorre da ressurreição de Jesus para a justificação regeneradora, ao invés de uma soteriologia forense.

BIBLIOGRAFIA

Macchia, Frank D. Spirituality and social liberation: the message of the Blumhardts in the light of Wuerttemberg pietism. Scarecrow Press, 1993.

Macchia, Frank. “The Question of Tongues as Initial Evidence: A Review of Initial Evidence, Edited by Gary B. McGee,” Journal of Pentecostal Theology 2 (1993):

Macchia, Frank D. “Tongues as a Sign: Towards a Sacramental Understanding of Pentecostal Experience,” PNEUMA: The Journal of the Society for Pentecostal Studies 15, no. 1 (1993): 68-76.

Macchia, Frank. The Struggle for Global Witness: Shifting Paradigms in Pentecostal Theology. In Globalization of Pentecostalism, ed. Murray Dempster, Byron Klaus, and Douglas Petersen. 8-29. Irvine, CA: Regnum Press, 1999.

Macchia, Frank. Baptized in the Spirit: A Global Pentecostal Theology. Grand Rapids, MI: Zondervan, 2006.

Macchia, Frank D. Justified in the Spirit: Creation, Redemption, and the Triune God. Vol. 2. Wm. B. Eerdmans Publishing, 2010.

Macchia, Frank D. The Trinity, practically speaking. InterVarsity Press, 2012.

Macchia, Frank D. “Pneumatological Feminist/Womanist Theologies: The Importance of Discernment.” Pneuma 35.1 (2013): 61-73.

Thomas, John Christopher, and Frank D. Macchia. Revelation. Wm. B. Eerdmans Publishing, 2016.

Macchia, Frank D. Jesus the Spirit baptizer: Christology in light of Pentecost. William B. Eerdmans Publishing Company, 2018.

Macchia, Frank D. “Baptism in the Holy Spirit-and-Fire: Luke’s Implicitly Pneumatological Theory of Atonement.” Religions 9.2 (2018): 63.

Macchia, Frank D. The Spirit-Baptized Church: A Dogmatic Inquiry. Bloomsbury Publishing, 2020.


Sobre Macchia

de Jong, Marinus. Thy Kingdom Come: Frank Macchia and Jürgen Moltmann on the Spirit and the Kingdom. University of Oxford, 2013.

Harris, I. Leon. “Holy Spirit as communion: Colin Gunton’s pneumatology of communion and Frank Macchia’s pneumatology of Koinonia.” University of Aberdeen, 2014. 

Stephenson, Christopher A. Types of Pentecostal theology: Method, system, spirit. Oxford University Press, 2013.

Værnesbranden, Torgeir. “Baptism in the Spirit : a theological analysis of the phenomenon of Spirit baptism” Mestrado em Teologia, MF, Oslo, 2020.