União com Cristo

A União com Cristo é um conceito que resume as diversas expressões encontradas no Novo Testamento (nas locuções “em Cristo, no Senhor”), principalmente nos escritos paulinos e joaninos. A identificação do crente do Novo Testamento com Cristo era central na teologia de Paulo (Rm 16:7; Gl 2:20).

De acordo com Paulo, a morte e ressurreição de Cristo é um pré-requisito para os crentes serem identificados com Cristo (Rm 6:8-10).

Na tradição católica romana a União com Cristo é entendida como uma união mística, sacramental e eclesiológica. Em razão disso, ensina que seus fiéis realmente absorvem o corpo físico e o sangue de Cristo quando participam da eucaristia .

Na tradição reformada a União com Cristo integra a ordem de salvação – ordo salutis.

As tradições ortodoxa, wesleyana, pentecostal e anabatista tendem a considerar a união com Cristo como a habitação de Deus nos crentes, cumprida na Igreja como seu corpo e esposa.

Ugarit

Ugarit foi uma cidade comercial estrategicamente localizada na costa norte da Síria. Esta cidade-estado floresceu entre 1800 e 1175 a.C..

Sua civilização possuiu uma literatura bem ampla. Há nos mitos e lendas ugaríticas menção do deus El, como senhor dos deuses e dos homens, bem como várias expressões poéticas paralelas a alguns poemas (Canção do Mar) e salmos bíblicos.

Fora da cidade, o uso do ugarítico aparece em inscrições cuneiformes sendo encontradas mais ao sul, em Beth Shemesh, Taanach e Monte Tabor. Na faixa entre o Jordão e o Mar Mediterrâneo, 97 textos cuneiformes foram encontrados dessa época, indicando um uso restrito da escrita, a qual seria limitada à administração pública.

A escrita de Ugarit era um sistema variante cuneiforme com 30 fonemas. Este cuneiforme alfabético foi usado para o ugarítico, uma língua semítica do noroeste.

Suas ruínas localizam-se em Tel Ras Shamra, cerca de dez quilômetros ao norte da moderna Latakia. As escavações arqueológicas francesas (e siro-francesas) desde 1929 (e que continuam até hoje) fornecem evidências de uma ocupação essencialmente contínua do local desde o Neolítico (8º milênio aC) até o final da Idade do Bronze (2º milênio aC).

A cidade foi destruída e nunca reocupada no início do século 12 aC.

Umwelt

Em alemão, Umwelt significa “ambiente” ou “percepção de mundo”. Conceito proposto por Jakob von Uexküll e Thomas A. Sebeok dentro da teoria semiótica para a base pessoal na qual ocorre a significação e comunicação. Embora os indivíduos possam compartilhar o mesmo ambiente, cada um possui uma relação única com ele, constituindo seu Umwelt. Entretanto, boa parte do Umwelt é compartilhado. A percepção de mundo por vezes é confundida com cosmovisão.

Unção

Unção, em hebaico מָשַׁח, nas Escrituras era o derramento de azeite cerimonial.

No Antigo Testamento a unção aparece na cerimônia de apontament ao ofício de sacerdotes (Lv 8:12–13), profetas (1 Re19:16; Is 61:1) e reis (2 Sm 5:3; 1 Re 1:39). Povos vizinhos ungiam reis, vassalos e outros altos oficiais da corte.

Em Êx 30:22–25 aparece uma receita de azeite aromatizado para ungir o tabernáculo, seus móveis e os sacerdotes. O óleo perfumado era feito de azeite de oliva, mirra, canela, cana aromática (?) e cássia.

Os reis ungidos em Israel são tratados “o ungido do Senhor” (ou “o messias do Senhor”, cf. 1 Sm 24:10; Sl 2:2; Lm 4:20), tal como o rei persa Ciro (Is 45:1). Deus instrui Elias para ungir dois reis: Hazael como rei da Síria (1Rs 19:15) e Jeú, filho de Ninsi, como rei de Israel, além de sucessor, Eliseu, filho de Safate, como profeta (1Rs 19:16). Nesse contexto, o termo messias ou ungido não tinha conotações de um salvador divino.

Em períodos tardios da história bíblica, como sinal de reconhecimento divino a um ofício, o termo unção ganhou o sentído metafórico de derramento do Espírito.

A palavra hebraica “Messias” (מָשִׁיחַ, mashiach) significa “o Ungido”, que é traduzido para o grego como “Cristo” (Χριστός, Christos). Nesse sentido Jesus é chamado de o Ungido, ou Jesus Cristo. Esse título reflete as expectativas messiânicas do período do Segundo Templo, com a restauração dos ofícios de rei, sacerdote e profeta sem comprometimento com a corrupção temporal.

Associado à ação de cura divina, no Novo Testamento aparece a unção administrado aos enfermos (Tg 5:14–15; Mc 6:13).

BIBLIOGRAFIA

Dudley, Martin; Rowell, Geoffrey. The Oil of Gladness: Anointing in the Christian Tradition. London: SPCK, 1993.

Fried, Lisbeth S. “Cyrus the Messiah? The Historical Background to Isaiah 45:1.” Harvard Theological Review 95 (2002): 373–93