Urias, filho de Semaías

Urias, filho de Semaías (hebraico: אוריהו בן שמעיהו Ûriyyāhû ben-Šĕmaʿyāhû), foi um profeta de Judá, natural de Quiriate-Jearim, ativo durante o reinado de Jeoaquim, entre 608 e 598 a.C. É mencionado apenas em Jeremias 26:20–23, o único texto bíblico que preserva sua história. Aparece como contemporâneo de Jeremias e portador da mesma mensagem: o anúncio da destruição iminente de Jerusalém e de sua terra.

Ao saber que Jeoaquim pretendia matá-lo, Urias fugiu para o Egito. O rei enviou uma missão chefiada por Elnatã, filho de Acbor, que o trouxe de volta a Jerusalém. Jeoaquim ordenou sua execução por espada e determinou que seu corpo fosse lançado nas sepulturas do povo comum, gesto que indicava desonra e tentativa de apagar sua memória.

O episódio funciona como contraponto à sobrevivência de Jeremias, que contou com a proteção de Aicão, filho de Safã. Ambos proclamaram a mesma mensagem, mas tiveram destinos distintos em razão de sua posição nas redes de poder da corte. O caso de Urias constitui o único relato detalhado de execução de um profeta por um rei de Judá no período pré-exílico e indica a existência de uma presença judaica no Egito antes de 587 a.C.

Unitarianismo


Unitarianismo é um movimento teológico cristão que afirma a unidade absoluta de Deus e rejeita a doutrina tradicional da Trindade, a crença de que Deus existe como três pessoas coiguais e coeternas: Pai, Filho e Espírito Santo. Para os unitaristas, Deus é uma única pessoa divina, identificada com o Pai, e Jesus Cristo é compreendido como um profeta humano ou como o Filho único de Deus, não como um ser divino em si mesmo. Não se confunde com o unicismo.

Doutrina

O princípio central do unitarianismo é o monoteísmo estrito. Seus adeptos argumentam que a Trindade é um desenvolvimento pós-bíblico, ausente das Escrituras, e citam passagens em que Jesus se distingue do Pai como evidência textual. Quanto à natureza de Cristo, existem duas correntes históricas principais: a sociniana, ou psilantropista, que concebe Jesus como um homem plenamente humano elevado à condição de Messias, sem preexistência; e a ariana, que admite a preexistência de Cristo como ser subordinado e criado pelo Pai, porém não coeterno nem igual a ele. O Espírito Santo, por sua vez, é interpretado não como uma pessoa distinta, mas como a força ou presença atuante de Deus.

O movimento valoriza a razão e a consciência individual como critérios de interpretação religiosa, em detrimento de credos herdados. Rejeita também a doutrina calvinista da depravação total e adota uma visão mais otimista da natureza humana, com ênfase no aprimoramento moral em lugar da expiação vicária.

Sustentam sua posição em uma série de argumentos exegéticos recorrentes:

  • O Shemá, em Deuteronômio 6:4, como declaração da unidade numérica de Deus;
  • Passagens em que Jesus ora ao Pai, declara que o Pai é maior do que ele, em João 14:28, ou afirma não saber o dia e a hora do fim, em Marcos 13:32, o que seria incompatível com a onisciência divina;
  • A ausência do termo Trindade nas Escrituras e a argumentação de que o conceito foi forjado nos concílios eclesiásticos dos séculos IV e V, especialmente em Niceia, em 325 d.C., e Constantinopla, em 381 d.C.;
  • A distinção entre theos e kyrios no Novo Testamento grego como evidência de hierarquia entre o Pai e o Filho.

História

As origens do unitarianismo organizado remontam à Reforma Protestante do século XVI. Os Irmãos Polacos, socinianos, fundaram a primeira igreja unitarista reformada na Polônia por volta de 1565. O teólogo Fausto Socino sistematizou sua doutrina no Catecismo de Racóvia, em 1605, até que o grupo foi expulso do país em 1660. Na Transilvânia, Ferenc Dávid estabeleceu uma tradição unitarista sob a proteção do rei João Sigismundo, e o Édito de Torda, em 1568, tornou-se o primeiro decreto de tolerância religiosa da história. Trata-se de uma das comunidades unitaristas contínuas mais antigas ainda existentes, presente hoje na Romênia e na Hungria.

Na Inglaterra, o movimento emergiu nos séculos XVII e XVIII a despeito de perseguições legais. John Biddle, chamado de pai do unitarianismo inglês, e Theophilus Lindsey, fundador da primeira congregação abertamente unitarista em Londres, em 1774, foram figuras centrais. A negação da Trindade só se tornou legalmente permitida no Reino Unido em 1813.

Nos Estados Unidos, o unitarianismo desenvolveu-se a partir do congregacionalismo da Nova Inglaterra. William Ellery Channing definiu seus contornos no sermão Unitarian Christianity, em 1819, e pensadores como Ralph Waldo Emerson e Theodore Parker aproximaram o movimento do transcendentalismo. Em 1961, a American Unitarian Association fundiu-se com a Universalist Church of America, cujo ensinamento central era a salvação universal de todas as almas, formando a Associação Unitária Universalista, que hoje abrange um amplo espectro de crenças, incluindo o humanismo e elementos de outras tradições religiosas.

Diferentemente do unitarismo liberal associado à Associação Unitária Universalista, os unitaristas bíblicos mantêm uma teologia essencialmente evangélica ou restauracionista. Afirmam a autoridade e a inerrância das Escrituras, a ressurreição corporal de Cristo e, em geral, a necessidade da fé pessoal para a salvação. As Comunidades Unitaristas Bíblicas Independentes são um número crescente de igrejas e ministérios autônomos, especialmente nos Estados Unidos e no Reino Unido, que se identificam explicitamente como Biblical Unitarians e se organizam em torno de recursos on-line e redes informais.

Organização e Símbolos

O governo eclesiástico predominante é o congregacionalista, no qual cada comunidade local é autônoma, especialmente no Reino Unido e nos Estados Unidos. A Transilvânia mantém uma estrutura sinodal com bispos. O símbolo mais reconhecível do unitarismo universalista é o cálice flamejante, que une o fogo, associado a sacrifício e amor, ao cálice, associado a comunidade e ritual.

BIBLIOGRAFIA

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WILBUR, Earl Morse. A History of Unitarianism. 2 vols. Harvard University Press, 1945–1952.
CHANNING, William Ellery. Unitarian Christianity, sermão de 1819.
Catecismo de Racóvia, 1605.

Unicismo

Unicismo é uma doutrina teológica cristã não trinitária que afirma a unidade numérica absoluta de Deus e rejeita a doutrina tradicional da Trindade, a crença de que Deus subsiste como três pessoas coiguais e coeternas: Pai, Filho e Espírito Santo. Em lugar dessa formulação, sustenta que o único Deus, um espírito divino singular, manifesta-se de modos distintos como Pai, na criação, como Filho, na redenção, e como Espírito Santo, na regeneração. Jesus Cristo é compreendido como a encarnação plena desse único Deus; seu nome expressa a revelação total da divindade. O movimento surgiu no interior do pentecostalismo norte-americano no início do século XX e distingue-se do unitarianismo por afirmar a plena divindade de Cristo.

Doutrina

O princípio central do unicismo é o monoteísmo estrito. Seus adeptos sustentam que Deus é uma única pessoa indivisível e rejeitam a distinção de pessoas na divindade. A posição é classificada por estudiosos como forma de monarquianismo modalista, embora seus proponentes a distingam das formulações antigas condenadas como sabelianismo ou patripassianismo. Como fundamento bíblico, citam o Shemá, em Deuteronômio 6:4, como afirmação da unidade de Deus.

A cristologia unicista afirma a plena divindade de Jesus Cristo. Ensina que Cristo é a manifestação do único Deus em carne, de modo que Jesus corresponde à revelação histórica do Pai. Passagens como Colossenses 2:9 são utilizadas para sustentar que toda a plenitude da divindade habita corporalmente em Cristo. O nome de Jesus é entendido como portador da plenitude do ser divino.

Pai, Filho e Espírito Santo são compreendidos como manifestações ou modos de atuação do mesmo Deus. O Pai refere-se a Deus como espírito eterno e criador; o Filho, a Deus encarnado na história; o Espírito Santo, à presença ativa de Deus entre os fiéis. Textos como Isaías 9:6 são citados para associar o Messias à identidade divina.

A soteriologia unicista apresenta uma estrutura tripartida. O arrependimento implica abandono do pecado; o batismo em água deve ser administrado por imersão em nome de Jesus Cristo; o batismo no Espírito Santo manifesta-se com a glossolalia. Esses elementos constituem a experiência do novo nascimento e são considerados necessários para a salvação.

Muitos grupos unicistas mantêm padrões de santidade exterior. Regulam vestimenta, aparência e conduta como expressões visíveis de transformação espiritual. Em certos contextos, incluem restrições ao uso de adornos, cosméticos e formas específicas de entretenimento.

História

Antecedentes do unicismo aparecem nos séculos II e III em correntes associadas ao modalismo e ao sabelianismo. Tais posições foram rejeitadas por teólogos da igreja antiga, entre eles Tertuliano, que criticou a negação da distinção entre Pai e Filho.

O movimento moderno surgiu em 1913, durante um encontro pentecostal em Arroyo Seco, Califórnia. Nesse contexto, o ministro canadense R. E. McAlister sugeriu que o batismo apostólico deveria ser realizado em nome de Jesus, em referência a Atos 2:38, e não segundo a fórmula trinitária de Mateus 28:19. Pouco depois, John G. Scheppe afirmou ter recebido uma compreensão contrária ao batismo trinitário, o que contribuiu para a difusão da nova prática.

Frank Ewart desempenhou papel central na formulação doutrinária inicial e divulgou suas ideias por meio de publicações. Em 1914, Ewart e Glenn Cook realizaram batismos em nome de Jesus, fato que marcou a consolidação do movimento como corrente distinta. A controvérsia, conhecida como New Issue, provocou divisão nas Assembleias de Deus. Em 1916, a denominação adotou uma declaração trinitária, e parte significativa de seus ministros desligou-se para formar congregações unicistas.

Organização e Expansão

O unicismo organiza-se em múltiplas denominações e redes independentes. A United Pentecostal Church International, formada em 1945 pela fusão de organizações anteriores, tornou-se a principal estrutura institucional do movimento, com ênfase em missões e disciplina de santidade. A Pentecostal Assemblies of the World figura entre as organizações mais antigas e destacou-se por sua diversidade racial em fases iniciais.

Outros grupos incluem a Church of the Lord Jesus Christ of the Apostolic Faith e associações apostólicas formadas ao longo do século XX. O movimento possui presença internacional significativa, com expansão na América Latina, na África, na Ásia e na Europa. No Brasil, o termo unicismo designa igrejas e comunidades que adotam a teologia da unicidade de Deus.

Práticas

O batismo é realizado por imersão exclusiva em nome de Jesus Cristo e, em muitos grupos, é considerado requisito para a salvação. O batismo no Espírito Santo é acompanhado pela glossolalia, entendida como evidência inicial da experiência espiritual. O culto caracteriza-se por expressividade, oração por cura e expectativa de manifestações espirituais. Normas de santidade regulam aspectos da vida cotidiana como vestuário, aparência e conduta.

Relação com o Cristianismo Majoritário

Igrejas pentecostais trinitárias não reconhecem o unicismo como expressão da ortodoxia cristã e consideram a rejeição da Trindade uma ruptura doutrinária. Denominações evangélicas históricas adotam posição semelhante, com base nos credos ecumênicos que definem Deus como três pessoas. Igrejas católicas e ortodoxas interpretam o unicismo como retomada de formas antigas de modalismo e não reconhecem a validade de batismos realizados apenas em nome de Jesus.

Bibliografia

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Inscrições de Umm el-Marra

As escavações em Umm el-Marra, sítio arqueológico no norte da Síria, lideradas por Glenn Schwartz desde 1994, revelaram descobertas notáveis que contribuem para a compreensão da escrita no Oriente Próximo antigo.

Datado do início da Idade do Bronze, cerca do terceiro milênio a.C., o sítio apresenta tabletes protocuneiformes, o que poderia mudar a data para o uso da escrita anteriormente ao que se pensava. A descoberta de inscrições alfabéticas ainda mais antigas, prévias aos alfabetos de Ugarit e Protossinaítico, sugere que Umm el-Marra foi um centro de experimentação e desenvolvimento de sistemas de escrita. As inscrições informam sobre as práticas administrativas e religiosas da época, e o uso da escrita indica um alto nível de sofisticação tecnológica e administrativa.

Ursa

Embora a constelação da Ursa (Ursa Maior) não seja mencionada explicitamente na Bíblia pelo nome, é possível que esteja implícita em passagens que se referem às estrelas do norte. Em Jó 9:9, por exemplo, o autor menciona “A Ursa, o Órion e as Plêiades”, o que pode indicar um conhecimento da constelação e sua posição proeminente no céu noturno.

A Ursa Maior, com suas sete estrelas principais (דֹּב, dov; ἄρκτος, arktos), era conhecida pelos povos antigos como um guia para a navegação e um símbolo de constância e orientação. Sua proximidade ao polo norte celeste a torna visível durante todo o ano no hemisfério norte, representando um ponto fixo em meio ao movimento aparente das estrelas.

Alguns estudiosos sugerem que a Ursa Maior pode estar relacionada ao “Sete-estrelo” mencionado em Amós 5:8 e Jó 38:31, onde Deus desafia Jó a “soltar os laços do Sete-estrelo”, demonstrando seu poder sobre a criação.

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