Óstraco

“Caco de cerâmica” na Septuaginta é ostrakon (Jó 2:8; Sl 21:16 LXX [22:15])

Conchas, cacos de pedra ou fragmentos de cerâmica usados para a escrita com tinta ou riscos sobre a superfície lisa.

Na Grécia escrevia o nome do cidadão a ser banido, daí o ostracismo.

A abundância de cacos de cerâmica tornava-os um meio barato e fácil para a escrita.

Servia para documentos curtos, como cartas, quirógrafos, recibos, listas e notas. Embora inadequado para documentos mais longos, como os livros bíblicos, a óstraca pode ter sido usado para registrar oráculos proféticos e provérbios. Um bom número de óstracos coptas registram trechos bíblicos, interpretados como de função apotropaicas.

Alguns sítios arqueológicos providenciaram abundantes óstracos, como Arad, Hesbon, Samaria e as cartas de Láquis.

Mais de setenta óstracos foram encontrados em um armazém em um dos palácios de Samaria. Maior parte eram para o controle de azeite e vinho pagos como impostos ao rei, datadas do início do século VIII a.C. (reinado de Jeroboão II).

Em 1935 e 1938, vinte e um óstracos foram encontrados nas escavações da antiga Láquis. A maioria delas são cartas escritas por um oficial, pouco antes da captura da cidade pelos babilônios em 589-588 a.C.

Samos

Em grego Σάμος, é uma pequena ilha do Mar Egeu, próximo à Ásia Menor. Foi um santuário e local de jogos dedicados a deusa Hera. É um sítio com várias inscrições, ruinas e esculturas. Um objeto de montaria estimado ser do século IX a.C. em aramaico é a mais antiga atestação da escrita alfabética em área cultural grega. Em sua terceira viagem missionária Paulo passou por lá (At 20:15).

Escrita

A escrita apareceu no Antigo Oriente Próximo por volta de cerca de 3200 a.C. na antiga Suméria, Mesopotâmia. Os hieróglifos egípcios apareceram não muito depois (cerca de 3100 aC). Hieróglifos egípcios e cuneiformes mesopotâmicos foram amplamente utilizados até o surgimento da escrita proto-alfabética, a partir da Idade do Bronze tardia (cerca de 1550–1200 aC).

A popularização da escrita ocorreu na Idade do Ferro (cerca de 1200–500 a.C.) com a escrita consonantal fenícia ou cananeia, também chamada de paleo-hebraica. Dessa escrita, empregada tanto em superfícies duras quanto em papiros e couros, vieram as variantes orientais propagada pelo aramaico e as variantes ocientais propagada pelo fenício. Consequentemente, no Mediterrâneo essa escrita foi adaptada para os alfabetos grego, etrusco, latino e, mais tarde, cirílico. Na vertente oriental, as escritas hebraica assurith, o árabe, o siríaco, as escritas da Índia e o pahlevi persa.

Cedo na Mesopotâmia e Egito se desenvolveu uma cultura escribal. A escrita era monopólio de uma classe letrada de escribas, profissão que geralmente se passava de pai para filho. Os escribas inicialmente trabalhavam em templos e na administração pública, mais tarde surigiram escritórios privados e escolas escribais.

Povos marginais assimilaram parcialmente a escrita, adaptando-as para suas necessidades, como as escritas lineares grega, o ugarítico, o persa, o elamita, as inscrições proto-alfabéticas do Sinai e da região limítrofe do Levante e do Deserto da Arábia.

Os suportes materiais variavam. Enquanto os egípicios escreviam em monumentos e papiros, os mesopotâmicos empregavam tabuletas de argila. O couro também era ocasionalmente empregado, mas seria popularizado com as técnicas de pergaminho desenvolvida durante o período helenístico. Cacos de cerâmicas (óstracas), paredes e rochas também atestam a atividade escrita, com registros epigráficos de grafiti e monumentos.

A Bíblia Hebraica foi composta provavelmente em escrita paleo-hebraica, como ainda hoje a utilizam os samaritanos. No período persa tardio ou no início do período helenista, por influência do aramaico, escribas judeus adotaram a escrita quadrada ou assurith. Alguns exemplos transicionais são encontrados em monumentos e em manuscritos do Mar Morto.

O Novo Testamento foi composto em grego. Os papiros tendem a serem cursivos e os grandes códices em unciais. As minúsculas surgiram a partir do século VIII d.C, permitindo uma cópia mais rápida dos manuscritos.

Debir Quiriate-Sefer

Debir, Quiriate-Sefer ou Quiriate-Sana  é um local mencionado em Js 5:15-19 e Jz 1:11. Quiriate Sefer significa “a cidade do livro”. Possivelmente era um centro escribal ou de arquivos e tenha sido uma pequena cidade-estado cananeia (Js 10:38, 39). Há registros de duas conquistas pelos israelitas (Js 15:13-19; Jz 1:11-15). Localizada em território tribal de Judá, tornou-se uma cidade levítica dos coatitas (Js 21:9, 15; 1Cr 6:54, 58).

Há hoje duas localidades potenciais para essa cidade. Uma seria Khirbet Rabud, sítio arqueológico próximo a Hebrom. Outro seria próximo a Modi’in Illit, onde o sítio arqueológico de mesmo nome situa-se entre Jerusalém e Tel Aviv, ao norte da região de Sefelá. O local, no período do Segundo Templo, foi uma aldeia com uma sinagoga, constituíndo um importante sítio arqueológico.

Zebulom

Em hebraico “habitação” זְבוּלֻן / זְבוּלֹן . Um dos doze filhos de Jacó e uma das tribos de Israel (Gn 30:20; Mt 4:13-15; Ap 7:8).

A localização do território de Zebulom remete à benção de Jacó. O patriarca disse que Zebulom viveria à beira-mar e se tornaria um refúgio para os navios;
fazendo limite com os termos de Sidon (Gn 49:13). Foi a terceira tribo a receber seu quinhão na divisão do terriório (Js 19:10). Ocupou a região limítrofe ao norte de Israel, tradicionalmente identificado com uma seção fértil de terra aproximadamente a nordeste da planície de Jezreel dos quais somente uma localidade foi identificada pela geografia bíblica (Belém da Galileia, Js 19:15). Segundo Flávio Josefo, o território Zebulom estaria entre o Monte Carmelo, o mar Mediterrâneo e o lago de Genesaré. Aparece sempre associada com sua tribo vizinha de Issacar.

No Cântico de Débora, Zebulom aparece portando o estilete, um instrumento de escrita, mas nesse contexto como símbolo de comando (Jz 5:14).

A tribo de Zebulom teria sido dispersada após a conquista assíria do Reino de Israel em 722 a.C., embora tenha permanecido um remanescente dos quais alguns teriam participado do renovo da páscoa promovido por Ezequias (2 Cr 30:11). Por mais que haja povos que reivindiquem especulativamente descendência da “tribo perdida” de Zebulom, o provável que a população remanscente tenha sido incorporada aos samaritanos, judeus e povos sírio-fenícios depois helenizados e arabizados.

O território de Zebulom era aludido como nos confins do território israelita. Nesse sentido, Mt 4:12-15, citando Is 9:1-2 (LXX), refere-se a Jesus realizando seu ministério nessa região, que na época era chamada de Galileia.