Tabuletas de Nuzi

Coleção com mais de 6.000 tabuletas descobertas no local da antiga cidade de Nuzi, um centro administrativo hurrita que floresceu por cerca de 150 anos durante a Idade do Bronze Tardia.

Nuzi, escavada entre 1925 e 1933, localiza-se na moderna Yorghan Tepe, a 13 km a sudoeste de Kirkuk, no norte do Iraque.

Os arquivos de Nuzi incluem contratos, registros de venda, testamentos, vendas de escravos, listas de racionamento, memorandos, atas de julgamento e textos escolares.

Quando os primeiros textos de Nuzi foram publicados, houve uma empolgação de que eles continham informações sobre o período dos patriarcas. Entretanto, constatou-se mais tarde que muitos dos costumes eram comuns às outras épocas ou que os supostos paralelismos seriam interpretações equivocadas dada a incompetência técnica dos primeiros estudiosos a publicar as tabuletas. Contudo, Nuzi permanece um recurso histórico, linguístico e arqueológico importante para o período.

Taggar-Cohen, Ada. “Law and Family in the Book of Numbers: The Levites and the Tidennutu documents from Nuzi.” Vetus Testamentum 48 (1998): 74–94.

Nag Hammadi

A Biblioteca de Nag Hammadi é uma coleção de treze códices antigos com mais de cinquenta textos. Foi descoberta acidentalmente por camponeses no Alto Egito em 1945.

Esta descoberta inclui um grande número de “evangelhos gnósticos”. Esses textos traduzidos do grego para o copta, contém cópias ou versões variantes de outros textos da coleção, de modo que existem apenas quarenta e cinco obras distintas, trinta e seis das quais eram previamente desconhecidas.

Os títulos incluem Atos de Pedro e os Doze Apóstolos; Allogenes; Apocalipse de Adão; Apocalipse de James, primeiro; Apocalipse de James, segundo; Apocalipse de Paulo; Apocalipse de Pedro; Apócrifo de Tiago; Apócrifo de João; Asclépio 21–29; Authentikos Logos; Livro de Thomas, o Contender; Conceito de Nosso Grande Poder; Diálogo do Salvador; Discurso no Oitavo e Nono; Eugnostos, o Abençoado e Sofia de Jesus Cristo; Exegese da Alma; Evangelho de Filipe; Evangelho dos egípcios; Evangelho de Tomé; Evangelho da verdade; Hipóstase dos Arcontes; Hypsiphrone; Interpretação do Conhecimento; Epístola de Filipe; Melquizedeque; Sobre a origem do mundo; Paráfrase de Sem; República de Platão; Oração de Ação de Graças; Oração do Apóstolo Paulo; Segundo Tratado do Grande Sete; Frases de Sexto; Ensinamentos de Silvânio; Três Estelas de Sete; Trovão; Mente perfeita; Tratado sobre a Ressurreição; Protenoia Trimórfica; Tratado Tripartido; Exposição Valentiniana; Zostriano.

Portal Bubastite

Portal Bubastite em Karnak registra a pilhagem de Sisaque (Sheshonq ou Shishak) às terras de Canaã.

Sisaque I, da 22a dinastia, reinou entre 945 e 925 a.C. e por volta de 925 teria feito uma expedição em área de Israel e Judá. Segundo os relatos bíblicos de 1 Re 14:25 e 2 Cr 12: 1-12, depois de abrigar Jeroboão, Sisaque teria se direcionado contra Jerusalém no reinado de Roboão.

O portal era de uma série de colunas no pátio do templo de Amom em Karnak. O portal ilustra Sisaque derrotando seus inimigos e com vários prisioneiros subjugados.

Selo de Shema

Réplica do original encontrado em Megido em c. 1904.

A inscrição em escrita paleo-hebraica diz: “[pertencente] a Shema, servo de Jeroboão”. Provavelmente, trata-se do rei Jeroboão II .

O original foi feito no século VIII a.C. em jaspe, possui formado escaraboide, de 3,7 x 2,7 x 1,7 cm.

Foi descobernto na escavação de Megido, realizada entre 1903 e 1905, em nome da Sociedade Alemã para o Estudo da Palestina por Gotlieb Schumacher, um engenheiro que vivia em Haifa. Foi encontrado acidentalmente no lixo da escavação, não em um nível estratificado. O selo foi perdido a caminho do Museu de Istambul. Sobrevive uma impressão em bronze foi feita antes de seu envio. Os sinais de impressão de papiro indicam que esse suporte era usual nessa época.

Foram encontrado vários outros selos com ‘bd hmlk, “servo do rei “. Isso possibilita que “servo do rei” seria um título de algum oficial dos reis de Israel e Judá (cf. 1 Re 1:47; 2 Re 5:6; 22:12; 25:8).

Inscrições proto-alfabéticas

As inscrições proto-alfabética são registros epigráficos (em superfícies duras) de inscrições em rocha (rupestre), objetos de metais, cacos de cerâmicas ou em óstracas datados da Idade do Bronze ou do início da Idade do Ferro com sinais que possivelmente antecedem as escritas semíticas e o plenamente desenvolvido abjad (alfabeto) fenício ou paleo-hebraico.

As principais inscrições encontram-se na Península do Sinai e no sul do Egito. Inscrições dessa fase e semelhantes mas em território mais central ou ao norte na Palestina são chamadas de inscrições proto-caneneias ou proto-cananeu.

A falta de padronização dos caracteres, a ausência de textos longos, a ausência de abecedários indicam uma cultura parcialmente letrada e com usos epigráficos.

Seguem as apresentações das inscrições antigas proto-alfabéticas e outras transicionais.

Wadi el-Hol

O sítio arqueológico de Wadi el-Ḥol consiste de um conjunto de inscrições rupestres e vestígios dos caravançarás na rota da estrada Farshut, entre a antiga Tebas e Abidos, no sul do Egito.

As inscrições variam dos períodos pré-dinástico ao copta, sendo a maioria pertencente ao Império Médio (ca. 2050 – 1750 a. C.). A maioria das inscrições registra nomes e títulos, mas outras são mais longas com textos religiosos e literários.

Em 1999 foi anunciada a descoberta de duas inscrições relevantes para a história da escrita. As inscrições WHRI 08 e WHRI 01 podem ser datadas do reinado de Amenemés III (c.1839-c.1815 a.C) e teriam sido escritas por estrangeiros (mercenários ou mercadores) semíticos. As inscrições possuem caráter acrofonéticos, visivelmente derivados da escrita egípcia. Contudo, o caráter esparso dos caracteres impedem a leitura como um texto, embora haja algumas propostas interpretativas. Pelas semelhanças com as inscrições proto-sinaíticas e com as posterior escrita fenícia, possibilitam que sejam inscrições semíticas.

Proto-sinaítico

O proto-sinaítico são cerca quarenta inscrições e fragmentos, entre 27 e 29 caracteres de uma língua pouco atestada, mas definitivamente da família semítica, datadas de entre c.1600 e 1500 a.C.

A maioria das inscrições proto-sinaíticas foi encontrada em Serabit el-Khadim, uma montanha de difícil acesso na Península do Sinai. Lá, na fase final da Idade do Bronze, houve uma mina templo egípcio dedicado a Hathor.

As primeiras dez inscrições foram descobertas em 1905 por William Flinders Petrie. Em 1916 Alan Gardiner decifrou os primeiros caracteres, descobrindo valores fonéticos pelo princípio da acrofonia. Por esse princípio, o som inicial do objeto representado por cada signo dá seu valor fonético.

Inscrições proto-canaanita

Várias inscrições breves em caracteres proto-cananeus ou proto-fenício foram encontrados em Siquém, Gezer, Tel al-Ḥāsī, Tel al-ʿAjūl, Beth-Shemesh, Megiddo, Tel Rehov, Tell Beit Mirsim e Láquis. As datas propostas variam do século XV a.C. ao IX a.C.

Tel el-Hesi (al-Ḥāsī ou el-Hesy) é um dos primeiros e principais sítios arqueológicos escavado na Palestina. Foi explorado por William Flinders Petrie (1890) e Frederick Jones Bliss (1891-1892). Identificado, sem sucesso, com as localidades bíblicas de Laquis e Eglom, durante a Idade do Bronze teria chegado a 100 mil m2 de área urbana. Em um caco de cerâmica foram identificados três caracteres que aparentam ser contemporâneos de fragmentos de Tel el-Saren (fragmento de Rehov) com seis letras reconhecíveis, ambas datando de 1400 a.C.

A inscrição de Tel es-Safi foi encontrada em 2005 na possível cidade bíblica de Gate, em território filisteu e datado da Idade do Ferro IIA (1000–925 aC). Fragmentos cerâmicos contém sete caracteres proto-cananeus.

Um dos candidatos mais antigos a uma escrita alfabética é um escaravelho de Tel Abu Zureiq, no vale de Jezreel. Encontrado em uma tumba da Idade do Bronze e datado da 13a-15a dinastias. Em seu lado chato aparece um homem e quatro signos que não há consenso se são hieroglíficos ou alfabéticos.

O caco de Gezer foi descoberto em 1929 com três caracteres. Tanto por razões de estratigrafia quanto pelo estilo da cerâmica datar o artefato é difícil. Também em Tel Gezer um conjunto de jarros contém iniciais com um único caracter. Igualmente, são de datas incertas.

A placa de Siquém também possui um potencial para ser testemunho da escrita alfabética na idade do Bronze, pois há uma figura de homem com um manto pesado típico da época.

O jarro de Tel Nagila descoberto na década de 1960 é outro candidato a antiga inscrição alfabética, mas com datação incerta.

Em 2020 foi publicado um caco de um jarro encontrado em Khirbet al-Ra‘i com nítidos caracteres proto-cananeus datados do século XI a.C. É chamado de “jarro de Jerubaal” pela possível leitura desse nome (caracteres completos são R-B-‘-L).

‘Izbet Sartah Ostracon

Descobertos em 1976 em um sítio que pode ter sido a Ebenezer bíblica e datados de entre os séculos XIII e XII a.C. São já inscritas em paleo-hebraico ou fenício arcaico e aparentam ser um exercício de alfabetização, com um possível indicação de um abecedário na ordem usual semítica. A semelhança dos caracteres permite inferir uma fase intermediária entre as inscrições proto-alfabéticas e a escrita fenícia padronizada.

Pontas de Flecha de al-Khadr

Cinco pontas de flecha, inscritas com letras do alfabeto fenício arcaico ou cananeu antigo, foram encontradas perto de Belém e publicadas entre 1954 e 1980. Datados de cerca de 1100 –1050 a.C, essas inscrições fornecem testemunho tanto da alfabetização quanto da religião da deusa Leoa na região, pois é recorrente a frase ‘Abd-labi’t (“servo da Leoa”), expressão que também ocorrem em Ugarit.

O uso restrito no espaço e tempo dessas inscrições em pontas de flechas foi interpretado como uma moda local ou um uso ritual (belomancia, cf. Ez 21:21).

Também atesta uma fase transicional entre a escrita proto-sinaítica e o abdjad fenício.

Tel Lachish

No sítio arqueológico de Láquis (Tel Lachish), no sul da Judeia, há alguns artefatos que atestam a transição do proto-alfabeto sinaítico para a escrita fenícia ou cananeia e com características da escrita hierática egípcia.

Um fragmento de um vaso cerâmico recipiente de leite proveniente do Chipre (White Slip II), datado do século XV, foi anunciado em 2021 como uma transição da escrita hierática e o proto-sinaítico ou proto-cananeu.

Nesse sítio foi encontrado o Punhal ou Adaga de Láquis (n.33) em no túmulo 1502 em 1934. No local há uma inscrição do nome de Ramsés III. A adaga de bronze exibe quatro sinais que poderiam ser alfabéticos.

Considerações

As inscrições proto-alfabéticas semíticas atestam a origem da escrita a partir de decodificações populares dos caracteres hieroglíficos e hieráticos egípcios. Essa apropriação leiga provavelmente aconteceu durante o Império Médio Egípcio e propagou-se pelo Levante no final Idade Média do Bronze e no Segundo Período Intermediário egípcio, época dos hicsos no norte do Egito. Somente a partir da Idade do Ferro inicial que essas escritas popularizaram em território cananeu.

As inscrições não atestam o uso de um abecedário, como acontecem com os cuneiformes ugaríticos (século XIV) e, disputadamente, os abecedários semíticos da Idade do Ferro (século XII a.C. para ‘Izebt Sartath e c.1000 a.C. para os abecedários de Abecedário de Zaiyt e Inscrição de Ophel).

A direção da escrita e a orientação dos caracteres não aparecem padronizados nas inscrições proto-alfabéticas. Frequentemente os mesmos caracteres aparecem em direções diferentes dentro de uma única inscrição. Mais tarde, a padronização linear da escrita permitiu aos povos semíticos do Levante a elaborar textos mais longos e complexos. No caso da escrita proto-alfabética a falta de padronização demonstra uma transmissão folk e criativa, indicando a perspicácia de seus inscritores em reproduzir de uma forma adaptada para seu horizonte linguístico a complicada escrita egípcia. Atesta também a inexistência de uma cultura escribal, com suas padronizações e meios formais de transmissão da cultura letrada.

As inscrições proto-alfabéticas demonstram a antiguidade da escrita abjdad e da existência de cultura semi-letrada epigráfica. A continuidade desse modelo de letramento ocorre, por vezes, nos mesmos sítios, com sobreposições de outras escritas (copta, grega, romana, thamúdica, tifinagh). Contudo, não há correlação causal necessária entre desenvolvimento de escrita epigráfica e a emergência de um corpus de literatura escrita. Os exemplos do árabe do norte (thamúdico e safaítico) e do bérbere (tifinagh) atestam uma preferência oral para a transmissão de uma complexa literatura mesmo quando a sociedade já é conhecedora do alfabeto.

BIBLIOGRAFIA

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Höflmayer , Felix; Haggai Misgav, Lyndelle Webster, Katharina Streit. Early alphabetic writing in the ancient Near East: the ‘missing link’ from Tel Lachish. Antiquity, published online April 15, 2021; doi: 10.15184/aqy.2020.157

Naʾaman, N.. Egyptian centres and the distribution of the alphabet in the Levant. Tel Aviv 2020, 47: 29–54. https://doi.org/10.1080/03344355.2020.1707449

Rollston, Christopher, et al. “The Jerubba ‘al Inscription from Khirbet al-Ra ‘i: A Proto-Canaanite (Early Alphabetic) Inscription.” Israel Exploration Journal (2020).

Sass, Benjamin The Genesis of the Alphabet and its Development in the Second Millennium BC. Doutorado. Universidade de Tel Aviv, 1988.

Woods, Christopher, and Christopher E. Woods. Visible language: inventions of writing in the ancient Middle East and beyond;[in conjunction with the Exhibition Visible Language: Inventions of Writing in the Ancient Middle East and Beyond]. Oriental Institute of the University of Chicago, 2010.

Debir Quiriate-Sefer

Debir, Quiriate-Sefer ou Quiriate-Sana  é um local mencionado em Js 5:15-19 e Jz 1:11. Quiriate Sefer significa “a cidade do livro”. Possivelmente era um centro escribal ou de arquivos e tenha sido uma pequena cidade-estado cananeia (Js 10:38, 39). Há registros de duas conquistas pelos israelitas (Js 15:13-19; Jz 1:11-15). Localizada em território tribal de Judá, tornou-se uma cidade levítica dos coatitas (Js 21:9, 15; 1Cr 6:54, 58).

Há hoje duas localidades potenciais para essa cidade. Uma seria Khirbet Rabud, sítio arqueológico próximo a Hebrom. Outro seria próximo a Modi’in Illit, onde o sítio arqueológico de mesmo nome situa-se entre Jerusalém e Tel Aviv, ao norte da região de Sefelá. O local, no período do Segundo Templo, foi uma aldeia com uma sinagoga, constituíndo um importante sítio arqueológico.

Papiro

O papiro deriva-se da parte fibrosa de uma planta aquática da família dos juncos que crescia abundantemente nas águas rasas do Nilo, nas proximidades do Delta (Jó 8:11) e no oásis de En-Gedi, próximo do Mar Morto.

Assemelhando-se a um caule de milho, a planta era usada de várias maneiras além da escritas, também como combustível, comida, remédios, roupas, tapetes, velas, cordas e até para mascar.

Na manufatura de “papel”, o caule da planta madura era cortado em seções de cerca de trinta a quarenta centímetros de comprimento. Depois abria cada um deles longitudinalmente e o núcleo da medula era removido e fatiado em tiras muito finas. Essas tiras colocadas longitudinalmente em uma superfície plana sobrepostas umas às outras e todas voltadas para a mesma direção. Em seguida, uma segunda camada era colocada em ângulos retos. As duas camadas eram então pressionadas ou amassadas até formarem um tecido.

Cerca de vinte folhas individuais de papiro poderiam ser unidas ponta a ponta para formar um rolo. A partir desse rolo, os pedaços seriam cortados no tamanho necessário para escrever uma carta, um recibo, escritura ou qualquer outro registro.

O papiro mais antigo encontrado é o Diário de Merer ou o Papiro Jarf, um registro de atividades de construtores descoberto em 2013. É datado do reinado do faraó Khufu (2589 e 2566 a.C.).

Na Idade do Ferro o papiro começou a ser comercializado em larga escala pelo Mediterrâneo. O Faraó Smendes (1076–1052) enviou 500 rolos de papiro ao rei de Byblos. Byblos se tornou o centro comercial e o próprio termo byblon passou a se referir ao volume ou rolo de papiro em língua grega.

O papiro não é muito durável quanto o pergaminho. Em média duravam com um cuidadoso manuseio por uns 30 anos. Contudo, as areias secas do Egito provaram ser ambientes propícios para sua preservação.

Em 1778 houve uma redescoberta de papiros do Egito. A procura por papiros antigos foi estimulada pela expedição de Napoleão.

Em 1877 começaram as tentativas de reprodução das técnicas de fabricação, sendo produzido na Sicilia.

Entre 1896 e1906 os estudiosos P.B, Grenfell e A.S Hunt de Oxford foram procurar em sítios arqueológicos e depósitos de lixo no Egito restos de papiros. Surgiu com eles a papirologia como ciência especializada.

A classificação dos papiros pela papirologia em tipos documentais (datados, com poucas cópias, fins de produzir provas ou lembrança factual, como as cartas) e literários (sem datas, exceto em colofões; para fins religiosos, artísticos, com cópias reproduzidas com maior frequência) é útil para outras estudos bíblicos.

Os principais sítios arqueológicos onde foram encontrados papiros são:

  • Oxyrhynchus
  • Hermopolis
  • Aphroditopolis
  • Panopolis (Akhmim)
  • Elefantina
  • Nag-Hammadi
  • A Geniza do Cairo
  • Monastério de Santa Catarina
  • Arqueólogos canadenses escavam 2000 rolos de papiros em Kellis, Ismant el-Kharab, próximo ao oásis de Dakhla, Egito ocidental.(1998).

Elefantina

Elefantina é um assentamento em uma ilha no rio Nilo, em frente à antiga Syene, hoje chamada de Gezîret Aswan (a “Ilha de Assuã”) no Alto Egito.

O vasto volume de restos de papiro desde o segundo milênio a.C. até o período árabe faz desse sítio arqueológico uma importante fonte de textos da Antiguidade. Especialmente importante para as ciências bíblicas e história israelita são os 80 papiros em aramaico de uma comunidade judia de mercenários que foi ativa na ilha no Período Persa, entre os século VI a.C. e IV a.C.

Notavelmente, esta comunidade cultuavam em um templo dedicado a Yahweh (ao qual chamavam Yahu), ainda que cultuado junto de outras divindades. Não aparentam ter conhecimento de Escrituras, salvo alguns salmos, nem da tradição do Êxodo ou de uma linhagens sacerdotais, mas possuíam um sacerdócio e celebravam a páscoa. Mantinham correspondência com seus patrícios de Yehud, a província persa da Judeia e Israel, incluíndo as lideranças religiosas de Samaria e Jerusalém

A ILHA DE ELEFANTINA

Na ilha de Elefantina a Fortaleza Yeb era uma guarnição de fronteira localizada na fronteira sul do antigo Alto Egito. Não é referida na Bíblia, mas Syene/Assuã, a cidade próxima na margem, aparece em Ez 29:10; 30:6.

Em 1893, muitos papiros e óstracas em aramaico apareceram, principalmente de Elefantina. Dez anos depois, iniciaram-se as escavações arqueológicas em Elefantina conduzidas pelos franceses (1902); os alemães (1906-1908); os padres do Pontifício Instituto Bíblico de Roma após a Primeira Guerra Mundial; e expedições egípcias (1932 e 1946), revelando o Templo de Khnum (dos séculos IV a II a.C.) e um templo anterior de tijolos de barro, escavado pelos egípcios em 1948. As escavações não produziram evidências conclusivas sobre a localização do Templo de Yahu.

A COLÔNIA JUDAICA

Não está claro quando a colônia judaica começou em Elefantina, mas uma inscrição sugere que o templo já existia antes da queda do Egito para os persas em 525 aC, o que o situa em quase um século antes da reconstrução do templo por Esdras. Há quem sugira que a comunidade remonte do final do século VII a.C (cf. Is 19:19).

O templo Elefantina tinha um altar para sacrifícios e holocaustos a Yahweh, a quem chamavam de “Yahu”. No entanto, sua adoração não era totalmente exclusiva e incluía a adoração de outros deuses como Herem Bethel e Anath-yahu. Betel (“casa de Deus”) é visto como uma personificação da casa de El (no céu) e como uma expressão substituta para El (cf. Jr 48:13)

Embora protegida pela ocupação persa, a comunidade Elefantina teve conflitos com os egípcios. As cartas referem a atritos contínuos com os egípcios associados a um templo dedicado à divindade de Khnum.

Em 410 aC, um motim destruiu o templo judeu. Embora os persas eventualmente punissem os egípcios responsáveis, os judeus não conseguiram o dinheiro necessário para reconstruir o templo.

A colônia judaica estava bem estabelecida em Elefantina antes de 525 a.C. é provado pela referência da carta de Bagoas (AP 30) que menciona o templo antes de Cambises invadir o Egito, talvez datando do reinado do Faraó Apries (Hofra de Jr 44:30; 588-566 aC).

A colônia e seu templo duraram ao fim no reinado de Neferitas I (399-393 a.C.), embora um fragmento de cerca do ano 300 a.C. menciona pessoas com nomes judeus (AP 82) e um longo papiro (AP 81) de aproximadamente o mesmo tempo que inclui nomes judeus e gregos e menciona um sacerdote Johanan, sugerindo a presença de um templo. Ainda no século I d.C. é possível que havia judeus na área Elefantina (Filo, Flaccus 43).

PAPIROS NOTÓRIOS

  • Amherst Papyrus 21 é uma ordem de Dario II em 419 AEC aos judeus para observarem os Dias dos Pães Ázimos.
  • Papiro TAD A4.1 (a Carta da Páscoa), carta de Hananias, um oficial judeu de Jerusalém ou da Pérsia, para a guarnição judaica e seu líder Jedanaías, fornecendo instruções sobre como realizar a Páscoa. Embora não mencione Betel, Hananias saúda a guarnição judaica em nome dos deuses (plural), o que implica um ambiente politeísta compartilhado;
  • Amherst Papyri 27, 30-34 registram a destruição do templo em Yeb, os esforços infrutíferos dos colonos durante os anos 410-407 AEC para garantir permissão para reconstruí-lo.
  • Amherst Papyrus 30 menciona duas pessoas citadas em Neemias, Sambalate (Ne 2:10; 13:28) indicado como o governador de Samaria; e Joanã (Ne 12:22), filho de Joiada e provavelmente o mesmo a quem Neemias perseguiu (13:28), é mencionado como sumo sacerdote, sendo Bagoas governador de Yehud (Judeia Persa).
  • Amherst Papyrus 63 contém uma versão do salmo 20, escrito em aramaico, mas com escrita egípcia demótica, além de dois outros salmos sem correspondência bíblica.

    SAIBA MAIS
  • Becking, Bob. Identity in Persian Egypt: The Fate of the Yehudite Community of Elephantine. Penn State University Press, 2020.