Grace Aguilar

Grace Aguilar (1816 – 1847) foi uma escritora e biblista britânica.

Nascida em uma família judia de ascendência portuguesa, Aquilar defendia a formação de escolas para a população pobre, tanto para meninos quanto meninas. Promoveu o estudo do hebraico entre mulheres judias e a ampla leitura das Escrituras em inglês mesmo entre os judeus.

Ao entrar em contato com um rabino e editor americano Isaac Leeser, arranjou para a publicação seu tratado teológico The Spirit of Judaism (1842) como o volume inicial de uma nova série de livros. O manuscrito original foi perdido no mar, mas Aguilar foi capaz de recriá-lo a partir de suas notas.

Em 1845 apareceu As Mulheres de Israel – uma série de retratos delineados de acordo com as Escrituras e Josefo.

Arca da aliança

A arca uma caixa retangular feita durante o êxodo que continha uma cópia dos Dez Mandamentos. Ficava guardada no Santo dos Santos do Tabernáculo e mais tarde do Templo de Salomão.

A Arca da Aliança também foi referida como a Arca de Deus ou Yahweh, Arca do Testemunho (Js 4:16), Arca da Aliança do Senhor (1 Sm 4:3-5), ou a Arca (Números 10:35).

A palavra hebraica usada para a arca significa “baú” (cf. 2 Reis 12: 9-10) ou “caixão” (cf. Gn 50:26). Uma palavra hebraica diferente é usada para a arca construída por Noé (Gn 6:14).

Apócrifo de Gênesis

Literatura parabíblica que expande o livro de Gênesis. Sobrevive em fragmentos dos manuscritos aramaicos descobertos no Mar Morto (1QapGen ou 1Q20).

Datado de entre 250 aC e 50 dC, o Apócrifo de Gênesis reconta as narrativas de Enoque, Noé e Abraão ao estilo de midrash.

O Apócrifo de Gênesis tenta retratar os patriarcas com um tom moralmente melhor e dar uma interpretação teológica de suas vidas.

O livro é uma fonte importante para o aramaico palestiniano médio e é um dos mais antigos testemunhos que cita o livro de Gênesis.

BIBLIOGRAFIA

García Martínez, Florentino; Tigchelaar, Eibert J. C. . The Dead Sea Scrolls: Study Edition. 2 vols. Grand Rapids: Eerdmans, 1997.

Guerra Sírio-Efraimita

A Guerra Sírio-Efraimita (734–732 a.C.) foi o conflito movido pela coalizão do Reino de Israel, liderado por Peca, com os arameus, liderados Rezim, contra o Reino de Judá liderado por Jotão e mais tarde seu filho Acaz.

O Reino de Israel e e os sírios visavam forçar o Reino de Judá integrar uma frente contra os assírios (2 Re 16; Is 7).

Acaz buscou proteção tornando-se vassalo dos assírios, que por fim destruíram primeiro os arameus e, finalmente, o reino do norte (em 722).

Gênero apocalíptico

O gênero apocalíptico, do grego para “revelação” é um gênero literário de escritos antigos que revelam informações secretas ou ocultas sobre o futuro, especialmente o fim dos tempos.

O conteúdo inclui promessas de julgamento iminente e intervenção divina em um mundo pecaminoso em nome dos eleitos. Também pode incluir visões ou visitas aos céus, guiadas por mediadores ou anjos.

Normalmente são obras anônimas, com atribuição de autoria ou narração em primeira pessoa a personagens bíblicos de renome (pseudoepígrafa).

Assurnasirpal II

Assurnasirpal II, reinou na Assíria entre 884 859 a.C., filho de Tukulti-Ninurta I e pai de Salmaneser III. Seu reinado marca o renascimento do Império Assírio, com suas campanhas para o oeste e construções palacianas.

Assurnasirpal invadiu Bit-Adini (Bete-Eden), o estado arameu entre o rio Balih e Eufrates, (2 Re 19:12; Ez 27:23; Am 1:5). Realizou uma grande expedição em 877 via Carquemis e o rio Orontes, alcançando o Mediterrâneo e recebeu tributo das cidades fenícias. Isso levou às marchas posteriores para o Egito e para Israel por seus sucessores.

Assurnasirpal edificou templos e um palácio em Kalhu (Calá de Gn 10:11, 12). O palácio era decorado com baixos-relevos e pinturas que descreviam suas guerras e caças.

Durante seu reinado, as populações aramaicas levadas para suas construções difundiram a língua, iniciando o processo de tornar o aramaico língua franca.

Assurbanípal

Assurbanípal, rei da Assíria entre c.669-631 a.C. Tradicionalmente identificado como Osnapar na Bíblia (Ed 4:10). Durante seu reinado, o Império Neo-Assírio atingiu seu auge: era o maior império que já existira e sua capital, Nínive, era provavelmente a maior cidade do mundo.

Assurbanípal construiu a primeira biblioteca sistematicamente organizada e coletou mais de 30.000 tabuletas de argila.

Entre os vinte e dois reis vassalos que prestaram votos de fidelidade e pagaram tributos quando da sua sucessão ao pai Esar-Hadom estaria Manassés de Judá (Minsē em acadiano); Ba’al, rei de Tiro; Qaushgabri, rei de Edom; Musuri, rei de Moabe; Sili-Bel, rei de Gaza; Mitinti, rei de Asquelom; Ikausu, rei de Ecrom.

Assurbanípal manteve a guerra contra o faraó núbio-egípcio Tiraca, aquartelado em Tebas. A destruição de Tebas (No-Amun) foi descrita em Naum 3:8-10 e usada como um exemplo do que aconteceria a Nínive em sua hora. O Egito, equiparado uma “cana quebrada” (2 Re 18:21), não seria uma fonte se segurança.

Em minha primeira campanha, marchei contra Magan, Meluha e Tiraca, rei do Egito e da Etiópia, a quem Esar-Hadom, rei da Assíria, o pai que me gerou, havia derrotado e cujas terras ele colocou sob seu domínio. Este mesmo Tiraca esqueceu o poder de Assur, Istar e dos outros grandes deuses, meus senhores, e colocou sua confiança em seu próprio poder. Ele se voltou contra os reis e regentes que meu próprio pai havia nomeado no Egito. Ele entrou e fixou residência em Mênfis, a cidade que meu próprio pai conquistou e incorporou ao território assírio.

Cilindro Rassam de Assurbanípal (alternativamente, crônicas de Assurbanípal, prisma de Assurbanipal), do ano 643 a.C.

As crônicas de Assurbanípal oferecem um paralelo importante para compreender a composição dos registros reais que foram fonte e o corpo dos livros de Reis.

Antigo Oriente Próximo

O Antigo Oriente Próximo (abreviado como AOP), em inglês Ancient Near East (abreviado como ANE), refere-se à região no nordeste da África (Egito, partes da Líbia e Sudão) e sudoeste da Ásia (Turquia, Síria, Jordânia, Israel, Palestina, Líbano, Chipre, Iraque, Irã, estados do Golfo, Arábia Saudita e Iêmem).

O recorte temporal varia para o “Antigo”. O termo pode se referir aos períodos desde o surgimento da vida urbana até o final Idade do Ferro II no século VI a.C. ou mesmo até a emergência do Islã.

É uma região geograficamente estratégica como ponte terrestre conveniente. Possui rotas marítimas fáceis, transitáveis no verão ou inverno, tanto nas estações secas quanto nas chuvosas. Em quanto isso, o trânsito ao norte do Mar Cáspio era difícil no inverno. A Eurásia central era muito seca no verão. Os desertos restringiam a circulação em rotas especiais no Irã e no norte da África, tanto a leste como a oeste do vale do Nilo.

O abastecimento de água e o clima eram ideais para a introdução da agricultura. Oásias e vales verdes são margeados por pastos naturais. Várias espécies de grãos cresceram selvagens e havia pântanos e riachos que podiam ser facilmente drenados ou represados para semear trigo selvagem e cevada. A semente só tinha que ser espalhada sobre uma superfície suficientemente úmida para garantir algum tipo de colheita em condições normais.

Foi o berço de várias civilizações, como os sumérios e acadianos na Mesopotâmia, os egípcios, hitititas na Anatólia, persas no Irã, dentre outros.

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Crescente Fértil

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Mesopotâmia

Acomodação

Acomodação é um princípio e doutrina hermenêutica e teológica de que Deus acomodou a expressão de suas revelações ao entendimento disponível às audiências.

A doutrina da acomodação foi desenvolvida por Agostinho e reutilizada por Calvino, Descartes, Spinoza e Bathasar Bekker (1634-1698).

A acomodação dirime muitos problemas interpretativos, pois permite conciliar os textos das Escrituras com informações tanto internas quanto externas — linguísticas, históricas, científicas e teológicas. No entanto, a conclusão lógica de que Deus estaria comunicando algo explicitamente mas com o real significado implicitamente diverso gerou controvérsias.

O teólogo pietista e teórico da hermenêutica Johann Jakob Rambach (1693- 1735) em seu Hypothesis de Scriptura sacra ad erroneos vulgi conceptus adcomodata (1729) fez contudentes críticas à teoria da acomodação. Embora adepto da doutrina dos “dois livros” — natureza e Escrituras como revelações divinas que não se contradiziam — Rambach defendia uma abordagem fenomenológica. Os registros bíblicos seriam conforme os autores e audiências perceberam a revelação divina. A obra de Rambach antecedeu o conceito de perspicuidade bíblica adotado posteriormente pelos fundadores do método histórico-gramatical.

Com o advento das revoluções científicas a partir do século XIX, a acomodação ganhou adicional aceitação. Contemporaneamente, é um princípio empregado em argumentos apologéticos.

BIBLIOGRAFIA

Benin, Stephen D . The Footprints of God: Divine Accommodation in Jewish and Christian Thought. Albany: State University of New York Press, 1993;

Lee, Hoon J. The Biblical Accommodation Debate in Germany: Interpretation and the Enlightenment. Springer, 2017.