Regra de Granville Sharp

O reformador político, abolicionista e helenista inglês Granville Sharp (1735–1813) em 1798.

Notou o um fenômeno gramatical no grego similar à hendíade. Quando dois substantivos comuns singulares descrevem uma pessoa, sendo unidos por uma conjunção aditiva, possuíndo um artigo definido antes do primeiro substantivo, mas não o segundo, então ambos os substantivos se referem para à mesma pessoa.

A relevância dogmática dessa relação sintática foi encontrar uma alta cristologia em Tito 2:13 e 2 Pedro 1:1.

Léxico de Hesíquio

O Léxico de Hesíquio de Alexandria (c.380-c450 d.C.) foi um gramático e estudioso greco-egípcio, filólogo e lexicógrafo ativo no século IV dC. Não deve ser confundido com seu homônimo, o exegeta Hesíquio de Alexandria.

Hesíquio escreveu um dicionário enciclopédico da língua grega e seus dialetos. Compilou o maior mais de 51.000 verbetes. Listou palavras, formas e frases peculiares, com uma explicação de seu significado. Às vezes referencia o autor ou a região da Grécia que empregam um termo.

Em sua introdução, Hesíquio credita que sua enciclopédia teve influência de outras. Uma foi a de Diogenianos, que por sua vez baseou-se em uma obra anterior de Pânfilo de Alexandria. Outras foram do gramático Aristarco de Samotrácia, Ápion, Amerias e de outros.

As notas sobre epítetos e frases também elucidam sobre a sociedade antiga e a vida social e religiosa.

Sua obra sobreviveu em um único manuscrito praticamente intacto do século XV assinado Marciano graecus 622 preservado na biblioteca de San Marco, Veneza (Marc. Gr. 622). Foi impressa pela primeira vez por Marcus Musurus (edição Aldina) em Veneza em 1514, reeditado em 1520 e 1521. Desde então, somente no século XIX foi reeditada por Moriz Wilhelm Constantin Schmidt (1858–1868) em 5 volumes. A Real Academia Dinamarquesa de Belas Artes de Copenhague subsidiou uma edição moderna. Sob a direção de Kurt Latte, teve dois volumes publicados, o primeiro em 1953, e postumamente em 1987. Posteriormente, o filólogo britânico Allan Peter Hansen completou um terceiro volume em 2005.

Ousía

O termo grego οὐσία, ousía, é um substantivo abstrato associado ao verbo ser (εἰμί). Apesar de referir-se a diversos conceitos, é tradicionalmente traduzido para o latim como substantia ou essentia. Na filosofia, ousía ou substância geralmente denota o que é constante em contraste com a variação de suas condições e atributos, os quais são chamados de acidentes em relação à substância (ousía).

Ousía aparece três vezes na Bíblia e na Apócrifa, em Tobias 14:13 e em Lucas 15: 12-13 no sentido comum de “posse” ou “propriedade”.

O sentido de posses ou propriedades para ousía era empregado no grego cotidiano para falar das riquezas de uma pessoa. Mais tarde, ousía ganhou um significado técnico filosófico com Platão (Eutífron 1a4 – b1). A distinção Substância (Ousia) e Acidente (συμβεβηκός, symbekēkós) foi percebida por Platão (por exemplo, República 534b), mas seria Aristóteles quem explicou as diferenças conceituais (Metafísica VII 3, 1028b 36-37; VII 11, 1037a 29-30; VII 7, 1032b 14).

Como em latim substantia traduziu inicialmente a palavra ὑπόστασις (hypóstasis), surgiu uma confusão conceitual e terminológica. Hypóstasis era usada filosoficamente apenas no grego pós-clássico, denotando existência duradoura ou simplesmente um modo de ser. Esse uso se assemelhava ao uso de ousía, mas também hypóstasis denotava um modo de existência próprio ou subjacente a algo.

A adoção do termo ousía ou substantia para dizer que Deus é um só ser (ou um em sua essência) causou várias controvérsias no século IV d.C., principalmente a questão do arianismo.

“O termo ‘substância’ deve ser entendido aqui, não num sentido metafísico, e sim num sentido legal. Dentro deste contexto, ‘substância’ é a propriedade e o direito que uma pessoa tem de fazer uso dessa propriedade. No caso da monarquia, a substância do Imperador é o Império, e é isto que torna possível para o Imperador partilhar sua substância com seu filho – como de fato era comum no Império Romano. ‘Pessoa’, por outro lado, deve ser entendida como ‘pessoa jurídica’ e não no sentido comum. ” Gonzalez, 2004, pp. 174-175.

BIBLIOGRAFIA

González, Justo L. Uma História do Pensamento Cristão. Cultura Cristã, 2004.

Línguas bíblicas

A maior parte da Bíblia foi escrita em hebraico, alguns trechos em aramaico e o Novo Testamento em grego koiné. As duas primeiras línguas descendem do Proto-Semítico, um conjunto de dialetos que teria sido falado entre 3750 e 2800 a.C., constituindo um ramo do Proto-Afro-Asiático, outro proto-língua que foi falada entre 16.000 e 10.000 a.C., provavelmente no noroeste da África. Por sua vez, o grego descende do Proto-Indo-europeu, o qual foi falado por pastoralistas que viviam próximo ao Mar Negro entre 4500 e 3500 a.C. Outras línguas indo-europeias com relevância bíblica são o hitita (provavelmente os mesmos heteus bíblicos) e o persa.