Selo de Shema

Réplica do original encontrado em Megido em c. 1904.

A inscrição em escrita paleo-hebraica diz: “[pertencente] a Shema, servo de Jeroboão”. Provavelmente, trata-se do rei Jeroboão II .

O original foi feito no século VIII a.C. em jaspe, possuia formato escaraboide, de 3,7 x 2,7 x 1,7 cm.

Foi descoberto na escavação de Megido, realizada entre 1903 e 1905, em nome da Sociedade Alemã para o Estudo da Palestina por Gotlieb Schumacher, um engenheiro que vivia em Haifa. Foi encontrado acidentalmente no lixo da escavação, não em um nível estratificado, o que dificultou a datação.

O selo foi perdido a caminho do Museu de Istambul. Mas, sobrevive uma impressão em bronze feita antes de seu envio. Os sinais de impressão sobre papiro indicam que esse suporte material era comum na região nessa época.

Foram encontrado vários outros selos com ‘bd hmlk, “servo do rei “. Isso possibilita que “servo do rei” fosse um título de algum oficial dos reis de Israel e Judá (cf. 1 Re 1:47; 2 Re 5:6; 22:12; 25:8).

Jeroboão II

Jeroboão II filho de Jeoás (em hebraico יָרָבְעָם, yarov’am) e rei do Reino do Norte de Israel. Parte da dinastia nimsita, reinou 41 anos, ca. 786–746 aC., contemporaneamente a Uzias e Amazias de Judá. Bem-sucedido política e militarmente, expandiu o reino do norte.

Do reinado de Jeroboão II restam poucas fontes bíblicas (2 Re 14:23-29, Amós e Oseias), mas a profusão de artefatos arqueológicos encontrados em Samaria contribuem para reconstruir este período histórico. O selo de Shema, servo de Jeroboão, atesta esta época, bem como provavelmente são boa parte dos óstracos de Samaria. Os eruditos que argumentam que Joel seja pré-exílico situam o livro nessa época. Há menção de um profeta chamado Jonas (2 Re 14:23-25), mas tratando o rei de modo oposto a Amós 6:13-14.

Militarmente conquistou partes da Síria (até Lebo-Hamate, ao norte de Damasco) e territórios do sul, já na área de Judá, até o Mar Morto.

Junto da hegemonia política veio a prosperidade comercial. Samaria estava no centro de uma rota comercial ligando o Egito, o Mediterrâneo, a Mesopotâmia, a Arábia e o Levante. O comércio de azeite, vinho e, consequentemente, vasos cerâmicos enriqueceram o reino de Israel. Foi o período de maior densidade populacional na região. O letramento cresceu e surgem os primeiros profetas literários.

Seu reinado coincide com várias marcas históricas, como o terremoto M1 ≍ 8.2 (c.750), a primeira olimpíada (776) e a fundação legendária de Roma (753). Nessa época os gregos e os etruscos desenvolvem seus alfabetos.

Junto com a prosperidade vieram problemas de injustiça e idolatria, denunciados por profetas como Oseias e Amós. Os assírios passaram a cobiçar o pequeno reino. Após o reinado de Jeroboão II, o reino de Israel cairia em decadência até a conquista assíria em 722 a.C.

Óstraco

“Caco de cerâmica” na Septuaginta é ostrakon (Jó 2:8; Sl 21:16 LXX [22:15])

Conchas, cacos de pedra ou fragmentos de cerâmica usados para a escrita com tinta ou riscos sobre a superfície lisa.

Na Grécia escrevia o nome do cidadão a ser banido, daí o ostracismo.

A abundância de cacos de cerâmica tornava-os um meio barato e fácil para a escrita.

Servia para documentos curtos, como cartas, quirógrafos, recibos, listas e notas. Embora inadequado para documentos mais longos, como os livros bíblicos, a óstraca pode ter sido usado para registrar oráculos proféticos e provérbios. Um bom número de óstracos coptas registram trechos bíblicos, interpretados como de função apotropaica.

Alguns sítios arqueológicos providenciaram abundantes óstracos, como Arad, Hesbon, Samaria e as cartas de Láquis.

Mais de 100 óstracos foram encontrados em um armazém em um dos palácios de Samaria. Maior parte eram para o controle de azeite e vinho pagos como impostos ao rei, datadas do início do século VIII a.C. (reinado de Jeroboão II).

Em 1935 e 1938, vinte e um óstracos foram encontrados nas escavações da antiga Láquis. A maioria delas são cartas escritas por um oficial, pouco antes da captura da cidade pelos babilônios em 589-588 a.C.