Oráculos contra as nações

Subgênero literário presente em cada livro proféticos exceto Oseias que julgam as iniquidades das nações, predizendo sua ruína e, às vezes, uma restauração.

A audiência desses oráculos poderia ser os próprios israelitas como forma de advertência ou, semelhante às maldições de Balaão, imprecações ditas antes de batalhas.

BIBLIOGRAFIA

Kim, Hyun Chul Paul. “The Oracles against the Nations.” In The Oxford Handbook of Isaiah, edited by Lena-Sofia Tiemeyer,
59–78. Oxford: Oxford University Press, 2021.

Hayes, John H. “The usage of oracles against foreign nations in ancient Israel.” Journal of Biblical Literature 87.1 (1968): 81-92.

Hulda

Profetisa de Jerusalém. Esposa de Salum, guardião dos guarda-roupas reais durante o reinado de Josias (639–609 a.C.).

Consultada pelos oficiais de Josias após a descoberta de um rolo da Lei no Templo, Hulda profetizou a destruição de Jerusalém, embora Josias morreria antes. A profecia de Hulda impulsionou as reformas josiânicas (2Re 22; 2Cr 34).

Livros dos Profetas

A locução “Profetas”, “Livros dos Profetas” e (em sentido estrito) ” Livros Proféticos” refere-se a duas coletâneas de livros do Antigo Testamento/Bíblia Hebraica.

Nas versões hebraicas são os Livros dos Profetas Anteriores (de Josué a 2 Reis) e os Livro dos Profetas Posteriores (Isaías, Jeremias, Ezequiel e o Livro dos Doze Profetas).

Nas versões cristãs compreendem de Isaías a Malaquias.

Naum

Profeta que argumenta que Deus demora a irar-se, mas de forma alguma irá ignorar as opressões epitomizada pela Assíria.

É uma série de três poemas. O primeiro é um poema acróstico, um poema alfabético com cada linha começando com letras sucessivas do alfabeto hebraico. Entretanto, cerca de dez a dezesseis letras das 22 do alfabeto aparecem, o que indica o caráter fragmentário do texto que nos chegou.

Diferentemente de outros livros proféticos, não contém exatamente profecias ou repreende o mau comportamento das nações. É antes uma celebração da queda dos assírios. Esses poemas se alegram com a queda de Nínive em 612, a capital do cruel império assírio. Os assírios eram odiados por sua brutalidade excepcional, sua desumanidade, particularmente em suas conquistas.

O argumento em Naum é que Deus usou a Assíria para disciplinar o reino de Israel – eles destruíram Israel – e para disciplinar Judá por suas transgressões. Mas Deus é o soberano universal e, portanto, a selvageria da Assíria – mesmo que fosse parte da disciplina divina –  é algo punível. A queda de Nínive é a vingança de Deus sobre a Assíria por sua desumanidade.

As legiões armadas marcharam contra Nínive e saquearam seu tesouro. As descobertas arqueológicas de Nínive, seu saque e das fossas rasas cavadas para esconder tesouros enquanto as pessoas fugiam confirmam a brutalidade desse evento.

A datação do livro é algo disputável. É uma das raras instâncias que Deus é chamado de baal na Bíblia Hebraica, o que remete à mentalidade pré-exílica. Uma tradição proto-rabínica (Seder olam Rabbah) situa Naum nos dias de Manassés. É possível que tenha sido membro da corte de Manassés, com acesso à política, língua e costumes assírios. No entanto, a antologização dos Doze Profetas coloca Naum junto de Habacuque e Sofonias e nos primeiros anos do século VII a.C. As alusões à queda de Tebas, no Egito, aos assírios em 663 a.C. e à de Nínive em 612 a.C. providenciam uma data limite aproximada para a composição.

Não há informações em outros lugares da Bíblia ou extrabíblicas contemporâneas sobre Naum. Mesmo a alusão no verso 1:1 de que Naum seria um elcosita é obscura.