Alice Wood

Alice Wood (1870-1961) missionária, ministra do evangelho e pioneira pentecostal na Argentina.

Nascida em Ontário, Canadá, Wood foi criada como quaker e também participava de convenções metodistas e de santidade. Ficou órfã aos dezesseis anos. Aos 25 anos, ela se matriculou na Friends’ Training School em Cleveland, Ohio, indo servir em uma igreja em Beloit, Ohio depois de formada.

Alice adotou plenamente a doutrina da santidade, na vertente reformada ou movimento de Vida Superior, na qual enfatizava a santificação por ação do Espírito Santo. Frequentou cursos na Missionary Training Institute, ligado à Aliança Cristã e Missionária, em Nova York. Foi missionária independente em Porto Rico e Venezuela.

Em 1907 experimenta o batismo pentecostal, desfilia-se oficialmente da Aliança Cristã e Missionária, embora mantivesse vínculos com seus membros e líderes, bem como recebia contribuições para sua obra missionária. Começou preparar sua viagem missionária para a Argentina, fazendo várias viagens de avivamento e arrecadação de fundos no meio-oeste americano e região central do Canadá.

No início de 1910 Alice Wood e May Kelty dos EUA chegaram à Argentina. Em agosto daquele mesmo ano junta-se a elas Berger Johnson (Bergen N. Johnsen, 1888-1945) da Noruega. Em fevereiro de 1910 A. B. Simpson, o dirigente da Aliança Cristã e Missionária também chega ao país. Wood dirigiu-se a Gualeguaychu, Entre Ríos, onde havia uma missão da Aliança.

Por sete anos Wood esteve em Gualeguaychu. Os dois missionários dirigentes foram embora e Alice passou a dirigir a Misión Evangélica de Gualeguaychu. Depois estabeleceu-se na cidade de 25 de Maio, na província de Buenos Aires. Ali, formou um núcleo inicial de onde saíram vários obreiros para a Argentina.

O grupo era independente. Berger mantinha vínculos com os Amigos Livres da Noruega e Alice com a rede de quakers pentecostais e movimentos de santidade conectados a Levi Upton em Ohio. Embora Wood fosse uma missionária independente desde que aprofundou suas relações com o movimento pentecostal, quando as Assemblies of God foram organizadas em 1914 nos Estados Unidos, filiou-se a ela.

Entre 1911 e 1913 Wood e Berger rompem sua colaboração por motivos pessoais e por ele não aceitar o ministério feminino. Berger iria para o norte do país.

No final de 1917 visitou a Asamblea Cristiana italiana de Villa de Devoto e Narciso Natucci convidou-a para visitar outros pontos missionários nos arredores de Buenos Aires.

Do trabalho de Wood resultou em várias congregações pentecostais que se fundiram na Unión de las Asambleas de Dios em 1947.

Wood voltaria aos Estados Unidos alguns meses antes de seu falecimento.

BIBLIOGRAFIA

Griffin, Kathleen. “Luz En Sudamérica: Los Primeros Pentecostales En Gualeguaychú, Entre Ríos, 1910-1917.” Thesis de doctorado en teologia, ISEDET, 2014.

Historiografia do Pentecostalismo

A historiografia do pentecostalismo discute as formas de estruturar a narrativa das origens e propagação dos movimentos de extração pentecostal pelo mundo.

O historiador Augustus Cerillo Jr. propõe uma tipologia das abordagens, frequentemente combinadas, para se construir a narrativa da história do pentecostalismo norteamericano e, por que não, do mundo:

  1. Abordagem providencial: vê o desenrolar da história como uma intervenção providencial insperada. As raízes e matrizes da emergência do avivamento e di movimento não são salientados. Na historiografia do movimento pentecostal italiano os testemunhos dos pioneiros (Ottolini, Francescon, Bracco, Rebuffo) adotam essa abordagem. De certo modo, De Caro promoveu a continuidade dessa abordagem.
  2. Abordagem das raízes históricas: enfatiza a continuidade histórica de outros movimentos antecessores, sobretudo do movimento de santidade. Podemos identificar sob essa abordagem obras como Dayton (1987) e Synan (1997). Na historiografia do movimento pentecostal italiano talvez Francesco Toppi seja o autor mais significativo.
  3. Abordagem multicultural: salienta a contribuição de minorias marginalizadas que encontraram na religião legitimidade para expressar suas espiritualidades. Normalmente são apontados como casos os afro-americanos e em menor grau hispânicos. Na historiografia do pentecostalismo italiano Coletti talvez caberia nessa abordagem.
  4. Abordagem funcional: busca na intersecção de fatores sociais, econômicos, políticos e culturais elementos para a explosão pentecostal. Migração e outros processos sociológicos também são levados em conta. A historiografia de Yara Nogueira parece caber nessa abordagem quanto à Congregação Cristã no Brasil.

Entre estudiosos do pentecostalismo há proponentes da preferência ou da legitimidade de cada uma dessas abordagens. Por exemplo, dado a própria visão de mundo e de história pentecostal, William Kay defende a abordagem providencial como uma perspectiva êmica. Por outro lado, Dale Irvin aponta para as narrativas fragmentárias sobre a origem pentecostal. Já Everett Wilson alerta contra o essencialismo histórico. Como mencionado, na prática, é comum historiadores combinarem mais de uma abordagem.

BIBLIOGRAFIA

Cerillo Jr., Augustus. “Interpretive Approaches to the History of American Pentecostal Origins”, Pneuma 19:1 (1997): 29–52.

Cerillo Jr., Augustus: Wacker, Grant. “Historiography and bibliography of Pentecostalism in the United States” Em Burgess, Stanely M- van de Maas, Eduard M. (eds). The New International Dictionary of Pentecostal and Charismatic Movements. Grand Rapids: Zondervan, 2002, pp. 382-405.

Dayton, Donald W. Theological Roots of Pentecostalism. Studies in Evangelicalism 5. Metuchen, New Jersey: The Scarecrow Press, Inc., 1987.

Kay, William. “Three Generations On. The Methodology of Pentecostal History,” EPTA Bulletin 11, no. 1+2 (1992): 58–70;

Kay, William. “Karl Popper and Pentecostal Historiography,” Pneuma 32, no. 1 (2010): 5–15.

Irvin, Dale T. “Pentecostal Historiography and Global Christianity. Rethinking the Question of Origins,” Pneuma 27,no. 1 (2005): 35–50.

Synan, Vinson. The holiness-Pentecostal tradition: Charismatic movements in the twentieth century. Wm. B. Eerdmans Publishing, 1997.

Wacker, Grant “Are the Golden Oldies Still Worth Playing? Reflections on History Writing Among Early Pentecostals,” Pneuma 8, no. 2 (1986): 81–100.

Wilson, Everett A. “They Crossed the Red Sea, Didn’t They? Critical History and Pentecostal Beginnings,” in Marray W. Dempster, Byron D. Klaus, and Douglas Petersen (eds.). The Globalization of Pentecostalism. A Religion Made to Travel. Oxford: Regnum Books International, 1999, pp. 85–115.