Sanchuniathon

Sanchuniathon, em grego antigo Σαγχουνιάθων ou Σαγχωνιάθων, ou Sanchoniatho de Beirute, foi um lendário autor fenício.

Suas três obras em língua fenícia sobrevivem apenas em fragmentos gregos de Filo de Biblos registrada pelo bispo cristão Eusébio. Esses poucos fragmentos compreendem a fonte literária mais extensa sobre a religião fenícia ou cananeia.

No final do século I d.C., o historiador Filo de Biblos diz ter usado a obra de Sanchuniathon como fonte, a qual predataria da Grécia troiana (século XII a.C.). Contudo, há suspeitas que se trata de uma obra pseudoepígrafa ou de uma fonte inventada.

Vale notar semelhanças na cosmogonia de Sanchuniathon e das cosmogonias de Ugarit.

Pompeu Trogo


Pompeu Trogo, em latim Gnaeus Pompeius Trogus, foi um historiador romano que viveu no reinado do imperador Augusto.

Pompeu Trogo escreveu uma História Universal, que chamou de “Historiae Philippicae”, composta por 44 livros.

Ao colocar mais ênfase na história externa do que na história romana, Trogo fez contribuições importantes ao registrar a história dos hebreus.

Empregando fontes gregas desconhecidas, Trogo relata a história dos hebreus no Império Selêucida. Discute as origens dos judeus – inclui uma combinação de três tradições diferentes: uma tradição de Damasco, tradição bíblica e tradição egípcia-grega hostil ao Êxodo. Faz uma breve descrição geográfica da da Judeia. Discorre sobre a história dos judeus no período persa.

Sua Histórias Filípicas (Historiae Philippicae) não sobreviveu, mas temos uma paráfrase dela, escrita cerca de 200 anos depois por alguém chamado M. Junianius Justinus.

BIBLIOGRAFIA

http://www.attalus.org/translate/justin5.html#36.1

Alonso-Núñez, J. M. “An Augustan World History: The Historiae Philippicae of Pompeius Trogus.” Greece and Rome 34, no. 1 (1987): 56-72. 

Yardley, J.C, and Professor of Classics Former Chairman John Yardley. Justin and Pompeius Trogus. Toronto: University of Toronto Press, 2014.

Gottfried Arnold

Gottfried Arnold (1666-1714) foi um historiador, autor de livros devocionais e pastor de uma igreja luterana em Brandenburg, Alemanha, com tendências pietistas.

Contemporâneo de Spener, Arnold compartilhava muitos aspectos, mas não aderiu ao pietismo.

Publicou uma reconstrução histórica do cristianismo primitivo em sua obra de dois volumes, Die Erste Liebe (1696). O livro fez sucesso entre círculos pietistas e rendeu-lhe uma cátedra universitária em Giessen, a qual deixaria um ano depois.

Em 1700 publicou sua obra maior Unpartheiische Kirchen- und Ketzer-Historie, na qual afirmava que a história narrada pelos vencedores não refletia a realidade da história marginal no cristianismo. Argumentou que grupos marginais, tidos como sectários e heréticos, eram representados distorcidamente por interesses ideológicos.

Argumentava que a igreja primitiva seria um modelo a ser copiado. A igreja primitiva teria ministros que ganhavam sustentos com seus próprios trabalhos, tendo um coração renovado e requisitos bíblicos para o ministério sem exigir titulações acadêmicas. Os ministros seriam chamados de Ältesten (anciãos) e os cultos de reunião (Versammlung) ao invés de serviços (Gottesdienst). As mulheres ensinavam e instruíam umas às outras, algumas chamadas de diakonas e presbiterias. O assento separado na congregação, o ósculo santo e o cântico alegre seriam outras características de culto. A oração e cânticos constante, mesmo fora dos serviços de culto, seriam marcas da vida cristã cotidiana. Numa época em que somente membros de ordens monásticas se referiam como “irmã” e “irmão”, Arnold dizia que os primitivos cristãos se identificavam assim. Adicionalmente, cada cristão cuidava um do outro e viviam em comunhão.

Arnold teve impacto indireto (ainda que por pessoas que não o leram) na formação de um ideal de cristianismo primitivo, no restauracionismo, bem como na doutrina da sucessão apostólica marginal.

BIBLIOGRAFIA

Peucker, Paul M. “The Ideal of Primitive Christianity As a Source of Moravian Liturgical Practice.” Journal of Moravian History 6, no. 6 (2009): 6–29.

Flávio Josefo

Flávio Josefo historiador judeu helenístico (ca. 37-ca. 100 d.C.).

Membro da elite religiosa e política de Jerusalém, foi um dos comandantes dos revoltosos judeus. Depois de capturado, passou para o lado dos romanos na Primeira Guerra Romano-Judaica.

Adotou o nome da família de seus benfeitores (a dinastia flaviana). Empenhou-se em compilar trabalhos apologéticos e historiográficos para explicar o mundo judeu aos gregos e romanos. Dentre suas obras contam:

  • A Guerra Judaica: um relato da rebelião contra Roma em 66-70 a.C. com informações começando pouco antes do período dos Macabeus;
  • As Antiguidades Judaicas: uma história geral dos hebreus;
  • Contra Apion, uma defesa do judaísmo;
  • Vita: uma autobiografia.

Josefo forneceu inestimáveis informações históricas sobre o judaísmo e seus antecedentes. É a principal fonte para compreender a história dos israelitas de 200 a.C. a 100 d.C. Sua narrativa da rebelião, da qual foi um participante, é parcialmente a de uma testemunha ocular. Também fornece informações primárias sobre os essênios e os fariseus (ele esteve em um momento ou outro associado a ambos), bem como informações sobre os saduceus. Josefo é importante para entender o judaísmo do Segundo Templo e o contexto no qual o cristianismo e o judaísmo rabínico se desenvolveram.

Miriam Castiglione

Miriam Castiglione (1946-1982) historiadora e antropóloga italiana, investigou o pentecostalismo como religião popular no sul da Itália.

Filha de um pastor valdense, estudou história contemporânea na Universidade de Bari. Influenciada pela meridionalística do antropólogo Ernesto di Martino e do historiador Vittorio Lanternari, investigou com métodos etnológicos e de história oral a difusão pentecostal na província da Apúlia.

Empregou suas análises críticas para fortalecer movimentos populares evangélicos, colaborando com partidos políticos, teatros populares, comunidades de base e grupos juvenis.

Como professora contratada do Instituto de História Moderna da Faculdade de Letras e Filosofia da Universidade de Bari coordenou um grupo de estudos sobre o movimento pentecostal italiano na região meridional da Itália.

BIBLIOGRAFIA SELETA

Castiglione, Miriam. “Aspetti e Problemi Del Pentecostalismo Contemporeano.” Tese dottorale di etnologia, Università di Bari, 1970.

Castiglione, Miriam. “Aspetti Della Diffusione Del Movimento Pentecostale in Puglia.” Uomo e Cultura 9 (1972): 102–118.

Castiglione, Miriam; Henry Mottu. Religione Popolare in Un’ottica Protestante: Gramsci, Cultura Subalterna e Lotte Contadine. Torino: Claudiana, 1970.

SOBRE

Peyrot, Bruna. Una Donna Nomade. Miriam Castiglione Una Protestante in Puglia. Collana: I Grandi Piccoli. Profili. Roma: Lavoro, 2000.