Porneia

Porneia é uma forma de protistuição, cujo termo que aparece 32 vezes no Novo Testamento e cerca de 50 vezes na Septuaginta (LXX) e sem um correspondente exato no português.

O termo “fornicação” em algumas versões nas línguas latinas não traduz compreensivamente o alcance semântico de porneia. Nas línguas neolatinas o sentido de fornicação vai desde referências muito amplas de coito ou cópula (Dicionário Priberam da Língua Portuguesa) até ter referências restritas a relações sexuais ou cópula carnal fora do casamento (Diccionario RAE).[2] Incidentalmente, o termo fornicatio no latim do século I é mais próximo ao conceito grego de porneia que o atual prostituição ou fornicação.

No grego, porneia somente aparece em quatro textos anteriores à LXX e ao cristianismo. Deriva-se de pernemi, ato de venda de escravos e, por extensão de partes do corpo ou de prostitutas.

O termo porne para referir-se a prostituta aparece desde o século VII a.C., em sentido mais detrimental que as hetaira, as cortesãs livres. A porneia seria usufruir o acesso involuntário ao corpo da pessoa escravizada. Uma interpretação expansiva infere que prostituta escravizada estaria sujeita às práticas sexuais não aceitas pelas prostitutas livres ou pelas esposas; consequentemente, porneia podeia incluir parafilias ou outras práticas sexuais anormais. O grego pornes huios tem a mesma conotação ofensiva do palavrão em português: filho da puta. Alguns comentarista interpretam o termo porneia nessa passagem como referindo-se a incesto. Há comentaristas que prefere não traduzir o termo


Gaca, Kathy L. The Making of Fornication: Eros, Ethics, and Political Reform in Greek Philosophy and Early Christianity. Berkeley: University of California Press, 2003.

Harper, Kyle. “Porneia: The Making of a Christian Sexual Norm.” Journal of Biblical Literature 131, no. 2 (2012): 363-83.

Malina, Bruce. “Does porneia mean fornication?.” Novum Testamentum 14.1 (1972): 10-17.

Osiek, Carolyn “Female Slaves, Porneia, and the Limits of Obedience,” in Early Christian Families in Context: An Interdisciplinary Dialogue (ed. David L. Balch and Carolyn Osiek; Religion, Marriage and Family; Grand Rapids: Eerdmans, 2003), 255–74

Skinner, Marilyn B. Sexuality in Greek and Roman Culture. Ancient Cultures. Malden, Mass: Blackwell, 2005.

James Eustace Purdie

James Eustace Purdie (1880-1977)  foi um educador pentecostal canadense.

Originalmente um vigário anglicano educado no Wycliffe Theological College em Toronto, abraçou a Obra do Espírito Santo conforme o entendimento pentecostal. Foi apontado e dirigiu a primeira escola bíblica pentecostal canadense. Foi autor de um catecismo que em 1953 foi traduzido e publicado para o benefício das igrejas na Itália.

BIBLIOGRAFIA

Purdie, J. Eustace. Principi Di Dottrina e Di Fede. Translated by Eliana Rustici. Roma: Edizioni “Scuola Domenicale,” 1953.

Valcourt, Stephen. James Eustace Purdie: the man who swam against the tide of anti-intellectualism in Canadian Pentecostalism.  2018  https://abundantsprings.church/blog/james-eustace-purdie-the-man-who-swam-against-the-tide-of-anti-intellectualism-in-canadian-pentecostalism

Gregório de Nissa

Gregório de Nissa, latim Gregorius Nyssenus, (c. 335 — c. 394) foi um autor patrístico e bispo de Nissa, na Capadócia. Durante sua vida foi um defensor da ortodoxia trinitária contra o partido ariano.

Nascido em Cesareia, na Capadócia, Ásia Menor, agora Kayseri, Turquia,
ele é chamado de Padres Capadócios com seu irmão Basílio de Cesaréia e seu amigo Gregório de Nazianzo.

Após um afastamento imposto pelo imperador, manteve-se à frente de sua diocese em Nissa e envolveu-se em questões de amplitude maiores na Igreja.

Em 379 Gregório participou de um concílio em Antioquia e foi enviado em missão às igrejas da Arábia. Nessa missão fez uma visita a Jerusalém. Em 381 participou do Concílio de Constantinopla.

Sua doutrina de salvação deixou várias influências na teologia cristã, como uma analogia de um anzol para a teoria do resgate, o conceito de cooperação (sinergia) e doutrina de reconciliação universal (apokatastasis).

Petr Chelčický

Petr Chelčický (Chelcicky, Chelciki) (c. 1390-ca. 1460) foi um notável líder cristão tcheco dentro do movimento hussita.

Defensor da não resistência e do discipulado cristão, Chelčický foi antecessor das igrejas pacifistas. Foi autor de vários livros e panfletos, sendo o principal A rede da fé (Šít Víry (1440).

Chelčický condenou a guerra e a pena capital, opôs-se a cidades, comércio e juramentos, e renunciou a todas as formas de poder e autoridade secular, defendendo um cristianismo primitivo e igualitário.

Ensinava que o cristão deve lutar pela justiça por sua própria vontade, mas não deve forçar os outros a serem bons e que a bondade deve ser voluntária. Ele acreditava que o cristão deve amar a Deus e ao próximo e essa é a maneira de converter as pessoas e não por compulsão. Afirmava que qualquer tipo de compulsão seria intrinsicamente má e que os cristãos não devem participar de lutas políticas.

Pilgram Marpeck 

Pilgram Marpeck (morte em 1556) foi um teólogo e líder anabatista do sul da Alemanha.

Sua obra teológica maior foi a Verantwortung (Apologia ou Defesa). Explica o batismo e a santa ceia.

Um escritor influente em sua época, mas esquecido mesmo entre os anabatistas posteriores, recebeu um renovado interesse no século XX como um expoente do pensamento teológico da Reforma anabatista. Stephen Boyd resume sua avaliação:

Pesquisas recentes se concentraram na importância e implicações da encarnação para a cristologia, soteriologia (salvação), eclesiologia, ética, teologia sacramental (comunhão) e hermenêutica de Marpeck. (…) Em seus argumentos com Schwenckfeld, Entfelder e Bünderlin, Marpeck afirmou a divindade de Cristo, mas enfatizou a humanidade física e histórica de Cristo. O “Espírito irrestrito”, derramado na morte de Cristo, reuniu aqueles que voluntariamente o receberam no “corpo não glorificado” de Cristo na terra, que esperava a união com seu “corpo glorificado” no céu. A recepção do Espírito, justificação, que é selada pelo batismo, a “aliança da boa consciência” (Sebastian Franck, Bernhard Rothmann, Schiemer e Schlaffer), reordena progressivamente a vida (Schwenckfeld, Theologie Deutsch), afeta a santificação e leva à um compromisso com a justiça, não apenas internamente perante Deus, mas também externamente perante a humanidade. Por causa da natureza irrestrita do Espírito de Cristo, Marpeck criticou a busca dessa justiça por meio da espada civil (por exemplo, seus argumentos contra teólogos protestantes e católicos) ou legalismo coercitivo (por exemplo, sua objeção a essas tendências entre os huteritas e irmãos suíços). Devido ao caráter decisivo da encarnação, ele insiste que a Antiga e a Nova Aliança devem ser distinguidas (Schwenckfeld) e que a Bíblia é compreendida adequadamente apenas no contexto de e por toda a comunidade de crentes. — Stephen B. Boyd

BIBLIOGRAFIA

Boyd, Stephen B. Pilgram Marpeck: His life and social theology. Duke University Press, 1992.

Marbeck, Pilgram, and William Klassen. “The Writings of Pilgram Marpeck.” Classics of the radical reformation 2 (1978).

Loserth, Johann, John C. Wenger, Harold S. Bender and Stephen B. Boyd. “Marpeck, Pilgram (d. 1556).” Global Anabaptist Mennonite Encyclopedia Online. 1987. Web. 1 Sep 2022. https://gameo.org/index.php?title=Marpeck,_Pilgram_(d._1556)&oldid=166258.

Charles Hamilton Pridgeon

Charles Hamilton Pridgeon (1863-1932) foi um teólogo, evangelista e missiólogo evangelical baseado em Pittsburgh.

Pridgeon nasceu em 7 de junho de 1863 em Baltimore, Maryland. Estudou no Princeton Theological Seminary, em Edinburgh e Leipzig. Tornou-se ministro presbiteriano, mas influenciado por A. B. Simpson, experimentou o batismo no Espírito Santo em 1892 e aderiu à doutrina da cura divina proporcionada por Cristo na expiação.

Aderente ao movimento de Vida Superior, desligou-se da Igreja Presbiteriana em 1901, quando fundou a Wylie Avenue Church, uma congregação independente em colaboração com a Aliança Cristã e Missionária. No ano seguinte, fundou o Pittsburgh Bible Institute. Como outros institutos bíblicos da época, enfocava na educação preparatória para missão e na disseminação popular da teologia sem cobrar nada.

Fez uma viagem de campo ao redor do mundo 1908-1909 para planejamento missionário. Apoiou um projeto missionário na China. Foi editor de um periódico, Record of Faith.

Nesse período, Pridgeon desenvolveu um esquema dispensacionalista com seis dispensações.

O ano de 1920 foi pivotal em sua biografia. Relocou seu ministério para de Gibsonia, Pensilvânia, onde fundou uma igreja (hoje South Canonsburg Church), orfanato e a Evangelization Society of the Pittsburgh Bible Institute, hoje com o nome Heights International Ministry. Nesse mesmo ano, Pridgeon participou de um culto de avivamento conduzido por Aimee Semple McPherson em Dayton, Ohio, passando a buscar os dons do Espírito Santo. Também publicou sua primeira edição do livro Is Hell Eternal: Or, Will God’s Plan Fail? [Seria o Inferno eterno? ou falhar-se-há o plano de Deus?], no qual argumenta a reconciliação universal após a duração temporária do inferno.

A doutrina da reconciliação universal de Pridgeon, alcunhada de pridgeonismo, causou controvérsias em várias denominações pentecostais norte-americanas, sendo condenada em 1925 pelas Assemblies of God.

BIBLIOGRAFIA

Moudry, Susan Lyn. “Before There Were Charismatics: Charles Hamilton Pridgeon and Pittsburgh Pentecostalism.” Pneuma 40.4 (2018): 517-533.

Pridgeon, Charels. Is Hell Eternal: Or, Will God’s Plan Fail? Pittsburgh: 1920.

“Pridgeonism,” The Pentecostal Testimony (November 1928), 7–8.

“Pridgeon, Charles”. Dictionary of Pentecostal and Charismatic Movements, ed. Stanley M. Burgess and Gary B. McGee. Grand Rapids, MI: Regency Reference Library, 1988, p. 727.

Papiro 137

Fragmento também identificado como Papyrus 137, {\mathfrak {P}}137, P.Oxy. LXXXIII 5345, do evangelho de Marcos, possivelmente o mais antigo até então encontrado.

Trata-se de um fragmento encontrado em 1903 em Oxyrhynchus, mas somente publicado em 2018. Contém trechos de Marcos 1:7-9; 1:16-18 em ambos lados da folha (frente e verso), indicando ser originalmente parte de um códice.

É datado do final do século II ou III.

Foi foco de uma controvérsia nos anos 2010 quando especulou-se que seria datado do século I e supostamente estaria sendo vendido para o Museu da Bíblia de Washington.

Pessoa

Pessoa (do latim persona) traduz os termos gregos Hipóstase (ὑπόστασις), Prosopon (πρόσωπον; plural: πρόσωπα), os quais no sentido bíblico não tem significado ordinário de um indivíduo dotado de um corpo, mas significa um modo de existência distinta (Hb 1:3).

É o entendimento do cristianismo trintário que Deus nas Escrituras está manifesto como três pessoas distintas e unidas, com perfeita comunhão em suas ações (Mt 3:16-17; Jo14:26; At 7:55-56).

O significado de Pessoa altera-se tanto em diferentes contextos de uso quanto no tempo. Hipóstase é o estado ou substância subjacente (Ousía) e é a realidade fundamental que sustenta tudo. Prosopon indica a aparência, aspecto exterior visível, de um ser humano, animal ou coisa. Por esse motivo também é traduzido como rosto ou face externa do que seria o ser, uma pessoa ou coisa. Porém, prosopon é distinto de personalidade como caráter ou psique, o cerne da apresentação do ser.

Pessoa denota a automanifestação de algo que pode ser estendido por meio de outras coisas. Por exemplo, a hipóstese de um escritor expressa sua prosopon mediante as palavras.