Apocalipse Copta de Pseudo-Atanásio

O Apocalipse Copta de Pseudo-Atanásio é um texto apócrifo atribuído a Atanásio de Alexandria, embora seja amplamente reconhecido como pseudônimo. Este texto se diferencia por suas características homiléticas, que o aproximam mais de um sermão do que de uma apocalíptica tradicional. Sua estrutura narrativa inclui diálogos e meditações. Seu conteúdo apresenta exortações morais e reflexões teológicas em um engajamento mais direto com a audiência.

Este apocalipse aborda o sofrimento de Cristo e as implicações de sua crucificação, com destaque para as respostas espirituais de Cristo e de Deus Pai. Essa ênfase nos aspectos emocionais dos eventos divinos é menos comum em outras obras apocalípticas, que geralmente se concentram em visões simbólicas e profecias. A narrativa contém apelos ao arrependimento e à retidão, condenando o pecado e a corrupção, particularmente entre o clero copta, e incentivando a adesão aos ensinamentos morais.

Escrito durante um período de crise para os cristãos, incluindo as conquistas islâmicas, o texto busca oferecer consolo e resiliência. Enquadra os eventos contemporâneos em um contexto teológico mais amplo, na esperança de intervenção divina em favor dos fiéis.

Pseudoepígrafos eslavos

Os Pseudoepígrafos Eslavos são um conjunto de textos religiosos judaicos extra-bíblicos que foram preservados e transmitidos principalmente em traduções eslavas. A maioria desses materiais chegou às terras eslavas através do Império Bizantino, que exerceu forte influência na formação da literatura eslava. Esses textos eram frequentemente incorporados em coleções maiores, como crônicas históricas (Paleias), cronógrafos e compilações morais e litúrgicas, muitas vezes sem uma distinção clara entre materiais canônicos e não canônicos.

Muito dessas obras tem origem judia, mas foram transmitidos por copistas cristãos, afetando seu conteúdo nesse processo. Boa parte estão no idioma eslavo eclesiástico. A transmissão dos Pseudoepígrafos Eslavos dentro de coleções cristãs resultou em edições, abreviações e rearranjos, dificultando a identificação da proveniência e propósito originais dos textos. Estudos recentes buscam distinguir as diferentes camadas de transmissão e adaptação desses materiais no contexto literário eslavo.

Essas obras foram preservadas e utilizada principalmente em contextos monásticos. A recepção de algumas delas beira à canonicidade. Muitos as consideravam autênticas, mas no geral eram lidas para edificação privada. Contudo, foram consideradas heréticas pela Igreja Ortodoxa Russa.

Principais Obras:

Entre os Pseudépigrafos Eslavos, destacam-se:

  • 2 Enoque: Uma obra que descreve a ascensão celestial de Enoque e sua metamorfose perto do Trono da Glória, combinando elementos de apocalipse e testamento.
  • 2 Enoque
  • 3 Baruque
  • 4 Baruque
  • A Ascensão de Isaías
  • A Escada de Jacó: Uma interpretação do sonho de Jacó sobre a escada, contendo tradições judaicas do primeiro século dC.
  • A História da Criação de Adão por Deus
  • A Palavra do Abençoado Zorobabel
  • Ahiqar
  • Apocalipse de Abraão: Um texto que narra a rejeição de Abraão aos ídolos e sua ascensão ao céu, onde recebe revelações sobre mistérios celestiais e escatológicos.
  • Apocalipse de Zósimo
  • Círculo sobre a Árvore da Cruz
  • Discursos dos Três Hierarcas
  • Fragmentos Pseudo-Daniel
  • Fragmentos sobre Melquisedeque
  • Fragmento “Sobre a Criação”
  • Fragmento “Sobre o Dilúvio”
  • Fragmento “Setenta Nomes de Deus”
  • José e Asenate
  • Lenda sobre o Mar da Tiberíades
  • Livro de José
  • Obras e Tradições Pseudépigrafas Judaicas em Meios Eslavos
  • O Octógono de Adão
  • O Sermão de Adão no Hades a Lázaro
  • Os Testamentos dos Doze Patriarcas
  • Palea Cronográfica
  • Palea Histórica
  • Palea Interpretativa
  • Testamento de Abraão
  • Testamento de Jó
  • Vida de Moisés
  • Vida Eslava de Adão e Eva: Uma versão eslava dos livros de Adão, com material exclusivo sobre a criação e a queda dos protoplastas.

BIBLIOGRAFIA

Kulik, Andrei. Retroverting Slavonic Pseudepigrapha: Toward the Original of the Apocalypse of Abraham. Society of Biblical Literature, 2004.

Orlov, Andrei A. From Apocalypticism to Merkabah Mysticism: Studies in the Slavonic Pseudepigrapha. Brill, 2006.

Stone, Michael E. A History of the Literature of Adam and Eve. Scholars Press, 1992.

Tihonravov, Nikolai S. Памятники отреченной русской литературы. 2 vols. São Petersburgo/Moscou, 1863.

Turdeanu, Emil. Apocryphes slaves et roumains de l’Ancien Testament. Brill, 1981.

Apocalipse Árabe de Daniel

O Apocalipse Siríaco de Esdras ou o Apocalipse de Esdras e sua versão árabe chamada Apocalipse Árabe de Daniel é um apocalipse pseudoepigráfico. A iteração árabe, provavelmente mais antiga, é anterior à ascensão do Islã e serviu como propaganda antijudaica. A versão siríaca, transformada em uma narrativa anti-islâmica por volta de 1229-1244, apresenta Jerusalém sob o domínio cristão, alinhando-se com eventos históricos, retrata os mongóis. e os muçulmanos, simbolizados como Gog e Magog e ismaelitas respectivamente, tomando Jerusalém, refletindo as conquistas pós-mongóis.

Apocalipse Siríaco de Daniel

O Apocalipse Siríaco de Daniel é uma obra pseudoepígrafa do gênero apocalíptico. Foi provavelmente composto durante a ascensão do Islã, sobrevive em dois manuscritos do século XV.

O Apocalipse Siríaco de Daniel profetiza o fim da Terra, detalhando as tribulações devidas ao pecado humano, seguidas de períodos de paz e cura. Escrito de forma dramática, reflete as ansiedades e esperanças do autor e da comunidade.

BIBLIOGRAFIA

Henze, Matthias. The Syriac Apocalypse of Daniel. Mohr Siebeck, 2001.

Henze, Matthias. “Seeing the End: The Vocabulary of the End Time in Syriac Apocalypse of Daniel 13,” in Lorenzo DiTommaso, Matthias Henze, and William Adler, The Embroidered Bible: Studies in Biblical Apocrypha and Pseudepigrapha in Honour of Michael E. Stone (Brill, 2017), 554-568.

Ramos, Marcus Vinicius. O Apocalipse siríaco de Daniel. Paulus, 2017.

Oráculos de Histapes

O Oráculo de Histaspes é uma coleção de profecias atribuídas a Vištâspa (Vishtaspa, Hystapes), uma figura das escrituras e tradições zoroastrianas. A ele é atribuída uma obra apocalíptica.

Segundo o Avesta, o livro sagrado do zoroastrismo, Histaspes, rei de uma região identificada com Chorasmia e Aria, ofereceu refúgio a Zoroastro quando o profeta foi perseguido por seus adversários. Depois que Zoroastro demonstrou a superioridade de seus ensinamentos em um debate, Histaspes converteu-se à nova religião.

Os Oráculos de Histaspes ganharam popularidade no Império Romano durante os primeiros séculos dC. Acredita-se que o livro tenha sido escrito por um mago (sacerdote zoroastriano) que utilizou textos avésticos e elementos do folclore persa ou então seria uma propaganda do reino frígio (na Anatólia). Teria sido composto por volta de 140-90 a.C.. Contém profecias relacionadas ao fim do mundo e crenças apocalípticas com influências iranianas e helenísticas.

Notavelmente, os Oráculos de Histaspes foram mencionados por vários autores antigos, como Justino Mártir, Clemente de Alexandria, Lactâncio, Lydos, e Aristokritos, que forneceram resumos das profecias. Contudo, o livro permanece perdido.

Os oráculos diziam que quando as tribulações dos fins dos tempos estiverem no auge, os justos se separarão dos ímpios e fugirão para uma montanha. O rei maligno que domina o mundo ficará furioso ao saber disso e cercará a montanha com um grande exército. Os fiéis implorarão a ajuda de Deus. Eles serão ouvidos e Deus lhes enviará um salvador do céu que com seus seguidores resgatará os justos e destruirá os ímpios.

A existência da obra reflete o impacto das ideias apocalípticas persas no mundo greco-romano e seu significado em vários contextos religiosos, incluindo tradições cristãs, judaicas e zoroastrianas.

BIBLIOGRAFIA

DOBRORUKA, Vicente. “Mithridates and the Oracle of Hystaspes: Some Dating Issues.” Journal of the Royal Asiatic Society 30, no. 2 (2020): 179–94. doi:10.1017/S1356186319000464.

Eddy Samuel K. The King is Dead. Studies in the Near Eastern Resistance to Hellenism 334-31 b.c. Lincoln, 1961.

Flusser, David. “Hystaspes and John of Patmos” in: Judaism and the Origins of Christianity. Jerusalem, 1988.

Hinnells, John R. “A study of the oracle of Hystaspes” in: Sharpe, Eric J. and Hinnells, John R.. (eds.). Man and his Salvation: Studies in Memory of S.G.F.Brandon, Manchester, 1973, pp.125–148.

Windisch, Hans. Die Orakel des Hystaspes. Amsterdam: Koninklijke Akademie van Wetenschappen te Amsterdam, 1929.

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