Proto-trinitarismo

Proto-trinitarismo refere-se às formulações que concebem Deus como uma multiplicidade complexa, todavia sendo um único Deus, antes dos consensos cristãos formulados nos concílios de Niceia e Calcedônia.

Nas Escrituras Hebraicas elementos aparecem no “Anjo de Yahweh” e no “YHWH katan”, bem como em personificações do Espírito (Ruach), Sabedoria (Sophia), Glória (Shekinah), Palavra (Memra) e Filho do Homem. Também, Deus aparece como uma pleroma divina, assembleia divina ou em uma corte celestial.

No período do Segundo Templo esses elementos fruíram em concepções mais pluriúnicas de Deus por autores como Filo, os Targum, no chamado judaísmo enoquiano das pseudoepígrafas, no proto-rabinismo e na patrística cristã.

BIBLIOGRAFIA

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Teísmo aberto

Doutrina pela qual Deus não controla meticulosamente o universo, nem exaustivamente conhece o futuro. Tampouco sua presciência seria absoluta, infalível ou inevitável.

Teólogos pós-evangelicais americanos nos anos 1990 como Gregory Boyd, John Sanders e Clark Pinnock propuseram a doutrina do teísmo aberto.

De certa forma, seria uma versão cristianizada, buscando suporte bíblico, para as pressuposições do teísmo do processo de Whitehead e do teísmo finito de Bertocci.

BIBLIOGRAFIA
Clark Pinnock et al., The Openness of God. Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1994.

Baal

A palavra semítica baal, da raiz  b’l (hebraico בעל; acadiano bēlu [m]), significa como substantivo comum “dono”, “marido”, “senhor” e “mestre”. Também é um substantivo próprio para referir-se a diversas divindades semíticas, como Marduque recebe o apelativo Bel em acadiano.

Como substantivo próprio refere-se ao deus Baal com domínio sobre as forças naturais, o clima e relações sexuais quando associado com sua consorte Astarte. Outros deuses além desse Baal específico, também eram chamados de “baals” (baalim), além manifestações locais: Baal-Berith em Siquém (Jz 9:4); Baal de Peor em Sitim (Nm 25:3); Baal Zebube de Ecrom na Filístia (2Rs 1:2-3), de onde vem Belzebu; Baal de Hamom (Ct 8:11). Jezabel introduziu em Samaria a adoração de Baal, deus de Tiro, o qual seria Baal Meqart ou Baal Shamen (1Rs 18:19).

Há dezoito menções a baal sem especificar quem seria. Para complicar, até mesmo o Deus de Israel é, em raras ocasiões, chamado de baal. É nesse sentido que o termo parece em nomes de judeus, como o célebre Baal Shem-Tov (c. 1698 – 1760), o fundador do movimento hassídico. Dentre os versos mais notórios dessa referência de Deus como baal são os seguintes (traduções literais):

Ou o teu Criador [é] o teu Baal, YAHWEH Sabaoth é o seu nome, e o teu Redentor é o Santo de Israel, Deus de toda a terra, é chamado.

Isaías 54: 5

Não como o concerto que fiz com seus pais, no dia [que] tomei pela mão para trazê-los fora da terra do Egito que eles romperam meu concerto, e eu era Baal para eles, diz YAHWEH.

Jeremias 31:32

EL zeloso e [que] vinga,
YAHWEH vinga,
YAHWEH e Baal furioso vingará,
YAHWEH aos seus inimigos
e reservará
Ele [a vingança e a fúria] aos adversários.

Naum 1: 2


E aconteceu, naquele dia, uma afirmação de YAHWEH: Tu me chamarás – meu marido, e não me chamas mais – meu Baal.

Oseias 2:16

A denúncia ao culto a Baal aparece consistemente no período pré-exílico. Aparece no incidente de Peor (Nm 25), no ciclo de Elias e Jezabel (1Rs 16-22), na destruição do templo de Baal em Jerusalém na revolta contra Atalia (2Rs 11:18) e no conflito entre os adoradores de Yahweh e os seguidores de Baal (Jz 6:25-32; 1Rs 18:16- 40).

Abba

Abba ou Aba, em grafia hebraica אַבָּא, é forma para “pai” em aramaico.

Aparece nas porções aramaicas de Dn 5:2, 11, 13, 18. No NT aparece na expressão bilígue aramaica e grega “Aba, Pai” quando Jesus no Getsêmani se dirige a Deus-Pai (Mc 14:36) e em Rm 8:15 e em Gl 4:6.

É errônea a interpretação de que seria uma forma carinhosa e familiar (como “papai”). (Barr, 1988; Chilton, 1993).

BIBLIOGRAFIA

Barr, James. “Abba Isn’t Daddy.” Journal of Theological Studies 39 (1988): 28–47.

Chilton, Bruce. “God as ‘Father’ in the Targumim, in Non-Canonical Literatures of Early Judaism and Primitive Christianity, and in Matthew.” Pages 151–69 in Pseudepigrapha and Early Biblical Interpretation. Journal for the Study of the Pseudepigrapha Supplement Series 14. Studies in Scripture in Early Judaism and Christianity 2. Edited by James Charlesworth and Craig Evans. Sheffield: Sheffield Academic Press, 1993.