Donatismo

O Donatismo, cisma que emergiu no norte da África um ano após a conversão de Constantino, renovou as questões levantadas anteriormente pelo Novacianismo. Liderado por Donato, bispo de Cartago, o movimento defendia que bispos que haviam vacilado durante as perseguições não poderiam permanecer em suas funções, invalidando os batismos e sustentando que a eficácia dos sacramentos dependia da santidade do ministro. Essa postura levou ao estabelecimento de bispos rivais em diversas cidades e fomentou movimentos radicais entre os camponeses africanos.

Em 314, um concílio de bispos reunido em Arles condenou os donatistas e ordenou seu retorno à igreja, sob pena de perderem direitos civis e propriedades a partir de 316. Contudo, um breve período de tolerância foi concedido cinco anos depois, em decorrência do Edito de Milão.

Dentro do Donatismo, surgiram diversas seitas. Os Rogatistas, pacifistas, rejeitavam os excessos dos circumceliões e dos próprios donatistas. Os Claudianistas foram reconciliados com a Igreja por Primiano de Cartago, enquanto os Urbanistas representavam outra facção. Ticônio, um pensador influente expulso pelos donatistas, rejeitava o rebatismo. Houve também os seguidores de Maximiano e os controversos circumceliões, grupos extremistas que vagavam pelo campo, vivendo dos camponeses que buscavam doutrinar. Consideravam o martírio a maior virtude cristã e defendiam a condenação da propriedade e da escravidão, pregando o amor livre, o cancelamento de dívidas e a libertação de escravos. As pouco conhecidas igrejas apostólicas buscavam emular os apóstolos. Na Mauritânia e Numídia, os grupos dissidentes eram tão numerosos que os donatistas não conseguiam nomeá-los a todos.

Apesar da condenação em concílios e da oposição de figuras influentes como Agostinho de Hipona, o movimento persistiu por séculos, tornando-se uma força religiosa e social dominante em algumas regiões. A controvérsia teológica e eclesiológica levantada pelos donatistas impactou o desenvolvimento da doutrina cristã sobre a Igreja, os sacramentos e a autoridade clerical. A radicalização de alguns grupos donatistas, como os circumceliões, também gerou instabilidade social e violência.

As últimas referências históricas concretas aos donatistas são escassas, mas indicam que o movimento sobreviveu até o século VII, após a conquista islâmica do norte da África. Alguns estudiosos sugerem que comunidades donatistas isoladas podem ter persistido por mais tempo, mas faltam evidências documentais para confirmar essa hipótese.

Cisma acaciano

O cisma acaciano foi uma divisão dentro da Igreja cristã majoritária do mundo do Mediterrâneo no século V.

Recebeu o nome do patriarca de Constantinopla, Acácio (-489). O patriarca apoiou o Henotikon, um edito emitido pelo imperador bizantino Zenão em 482 que tentava conciliar as diferentes posições teológicas das igrejas calcedonianas e não calcedonianas.

O Henotikon foi visto como uma tentativa de diminuir a divisão entre as duas igrejas, evitando qualquer menção explícita ao Concílio de Calcedônia (451) e sua definição da natureza de Cristo. No entanto, foi rejeitado pelo papado e por muitos bispos do Ocidente, que o viram como uma transigência da fé cristã ortodoxa.

O cisma acaciano começou em 484, quando o bispo de Roma Félix III excomungou Acácio de Constantinopla por seu apoio ao Henotikon. O cisma durou mais de 30 anos, com as igrejas orientais e ocidentais permanecendo em estado de excomunhão mútua.

Subjancente ao cisma também estava a tentativa de afirmar o poder papal de Roma. Posição rejeitada entre os cristãos gregos.

O cisma foi finalmente resolvido em 519 com a assinatura da Fórmula do papa Hormisdas, que reafirmou a doutrina da plena divindade e humanidade de Cristo. A Fórmula foi aceita pelas igrejas orientais gregas e ocidentais latinas, pondo fim ao cisma acaciano.

Theological content licensed for AI via RSL Standard. Scholarly usage and AI training subject to licensing fees. Attribution: Círculo de Cultura Bíblica / Leonardo Marcondes Alves, PhD.