Oseias

Oseias, filho de Beeri, foi um profeta do Reino do Norte (Israel). O nome significa “Yahweh salva”.

Teria profetizou durante a segunda metade do século VIII, próximo à época de Amós, durante o reinado do rei Jeroboão II (785-743 a.C.). Era um período de estabilidade para Israel, mas a Assíria estava começando a se levantar.

Seu casamento com Gomer e seus filhos são uma metáfora prolongada ou símbolo da infidelidade de Israel. Profetizando em uma época de prosperidade, não viu a queda de Israel

É um dos mais difíceis livros proféticos, com o hebraico muito difícil e às vezes parece um tanto obscuro. Junto de Amós é considerado um dos primeiros profetas literários, aqueles com livros, e um dos mais antigos livros a antigir sua forma canônica. No período persa ou helenista passou a integrar a coletânea dos Doze Profetas, a qual reúne os Profetas Menores.

Obadias

O menor livro da Bíblia Hebraica/Antigo Testamento inspirou textos muitas vezes maiores que ele. Sua mensagem é simples: Deus pune a violência e a injustiça. Entretanto, seu conteúdo desperta muita fascinação pelas questões que levanta.

Pouco se sabe de Obadias (Heb. “Servo do Senhor”). O Talmude é cheio de lendas sobre ele, mas sem valor histórico. Alguns comentadores acreditam que Obadias, semelhantemente ao também desconhecido Malaquias, seja um título e não um nome próprio. É aceito que o profeta vivera no reino do sul, Judá.

É um livro difícil de datar, sendo sua composição estimada entre 853 a 400 a.C. Houve dois momentos em que o reino de Judá foi ameaçado pelos edomitas, contexto no qual se situa o livro.

  • 853-841 a.C.: quando Jerusalém foi invadida pelos filisteus e árabes, no reinado de Jeorão (2 Re 8:20-22; 2 Cr 21:8-20), fazendo Obadias contemporâneo de Eliseu.
  • 605-586 a.C.: durante o cerco e conquista de Jerusalém por Nabucodonosor, o que faria Obadias contemporâneo de Jeremias.

Aparentemente o livro foi escrito depois de uma invasão com sucesso ao reino de Israel-Judá, na qual os edomitas tomaram parte. A profecia de Obadias é, portanto, contra o povo de Edom, que são descendentes de Esaú (Gen. 36:8-9).

Houve conflitos entre os israelitas e edomitas durante o êxodo (Nm 20:14-21) e continuou até a sujeição de Davi (2 Sm 8:14). No reinado de Jeorão, os edomitas se revoltaram (2 Re 8:20-22; 2 Cr 21:8-10) e escolheram um rei para si. A inimizade entre Israel e Edom continuou após o exílio Babilônico e Malaquias profetizou o fim dessa nação (Ml 1:3-4). Mais tarde os Nabateus, um povo árabe, conquistaram Edom e o povo dispersou pelo Negebe, passando a serem conhecidos como idumeus. Por volta de 120 a.C. foram subjugados pelo rei macabeu João Hircano, que obrigou muito deles a circuncidarem e aceitarem a Lei de Moisés.

Este pequeno livro, o menor do AT, difere dos outros profetas na ausência da mensagem de “arrependa ou seja destruído”, mas indica a inexorável destruição dos inimigos do povo de Deus como consequências de suas prévias ações.

Serve para relembrar que Deus pode tratar os membros da mesma família (Esaú e Jacó) tanto com perdão ou com ira, conforme seus atos. Toda violência e injustiça são pecados e Deus não os deixará impune. A impressão é que a fortaleza e segurança proporcionadas pelas montanhas de Edom deixaram os edomitas autoconfiantes, pois nem mesmo o culto a algum deus é registrado. Há uma escola de pensamento que vê o livro de Obadias como uma alegoria da punição do pecado em geral pelo Messias.