Avivamento galês

O avivamento galês foi um reavivamento cristão que ocorreu no País de Gales de 1904 a 1905.

O avivamento galês foi desencadeado pela pregação de Evan Roberts, um jovem mineiro de carvão que se tornou evangelista, que pediu um despertar espiritual entre o povo galês.

O avivamento se espalhou rapidamente por todo o País de Gales, com milhares de pessoas sendo convertidas ao cristianismo e participando de reuniões de oração e cultos na igreja. O avivamento teve um impacto profundo na sociedade galesa, levando a uma reforma social e moral, bem como a um aumento na frequência e à fundação de novas congregações.

Inesperadamente e sem motivos aparente, Evan Roberts parou suas pregações e o avivamento terminou bruscamente.

O avivamento galês também teve uma influência significativa no desenvolvimento do pentecostalismo e do movimento carismático moderno. As denominações Igreja Elim e Igreja Apostólica são frutos do avivamento.

Dentre as ênfases desse avivamento estão:

Ênfase na conversão pessoal: a salvação é uma experiência pessoal que resulta em uma vida transformada e um relacionamento mais profundo com Deus.

Ênfase no Espírito Santo na vida dos crentes. O batismo do Espírito Santo caracteriza-se como uma experiência distinta da conversão, que capacita os crentes para o serviço e os capacita a viver uma vida santa.

Ênfase no evangelismo e na missão: todo crente tem a responsabilidade de compartilhar as boas novas de Jesus Cristo com os outros.

Ênfase na oração e adoração: a oração é essencial para o crescimento espiritual e que a adoração deve ser caracterizada por alegria, paixão e reverência.

Ênfase na comunidade e na comunhão: a Igreja é uma família de crentes que apóiam e encorajam uns aos outros em sua fé.

Metodismo

O metodismo é uma ramificação do cristianismo protestante surgida de um avivamento no século XVIII na Grã-Bretanha e América do Norte.

O nome “metodistas” deriva-se do estilo de vida estritamente metódico que levou à alcunha de seus primeiros membros.

Os irmãos Charles Wesley e John Wesley, junto com George Whitefield, iniciaram um movimento de reavivamento dentro da Igreja Anglicana, pregando a necessidade de conversão pessoal e de lidar com os principais problemas sociais no início da industrialização.

​​Organizaram gurpos que se reuniam, liam a Bíblia e oravam juntos e se autodenominavam “Clube Santo”, além de visitarem pessoas que passavam por momentos difíceis.

A Igreja Anglicana não aceitou o avivamento, então os pregadores metodistas passaram a fazer reuniões campais, em praças, nas minas e nas fábricas. Popularizam o cântico de hinos, além da a pregação e a oração espontâneas.

Somente no século XIX o Metodismo se tornou uma denominação própria. Isso foi em em decorrência da rejeição por autoridades anglicanas e pela necessidade de organizar os membros (anglicanos ou não) depois da ruputura causada pela independência dos Estados Unidos .

A teologia metodista resulta da intepretação de Wesley acerca do arminianismo e do avivamento pietista alemão. Uma minoria, sobretudo em Gales e entre seguidores de Whitefield, adere a uma forma de calvinismo.

Seus principais documentos doutrinários são o Credo dos Apóstolos e do Credo Niceno, os Artigos de Religião de John Wesley, uma revisão dos artigos anglicanos, reunidos nos livros de disciplina dos metodistas. A ênfase principal não está nas opiniões e doutrinas, mas no espírito e na conduta de vida.

As principais denominações de tradição metodista e wesleyana estão organizadas no Conselho Metodista Mundial (WMC). As principais são a Igreja Metodista Unida nos Estados Unidos (recentemente dividida em Igreja Metodista Global e Conexão Metodista da Liberação), a Igreja Metodista Livre, a Igreja Metodista do Brasil, além do Movimento de Santidade, o que inclui a Igreja do Nazareno e o Exército de Salvação.

Irmãos Morávios

Irmãos Morávios, Igreja Morávia ou Unitas Fratrum (“Unidade dos Irmãos”) é uma comunhão cristã organizada no século XVIII, mas cuja origem remonta do movimento hussita no século XV na Boêmia e na Morávia, atualmente República Tcheca.

Na Alemanha, o título oficial da Igreja é Evangelische Brüder-Unität; na Áustria, Evangelische Brüder-Kirche; em inglês, Moravian Church. Também são chamados de Herrnhuttistas.

História

Um movimento hussita

Jan Hus (c. 1370 –1415) foi um teólogo e filósofo tcheco que rejeitou muitas doutrinas e práticas católicas romanas. Todavia, alguns anos após sua morte, a maioria de seus seguidores se dividiu em duas facções rivais nas Guerras Hussitas. A facção utraquista foi reconhecida pelo papa como a Igreja nacional da Boêmia (1433), enquanto os radicais taboritas foram derrotados na batalha de Lipan (1434).

Alguns hussitas desejavam preservar seus ensinamentos espirituais. Convencidos de que a Igreja Utraquista era moralmente corrupta, fundaram várias comunidades independentes, primeiro em Kremsir e Meseritsch na Morávia, e depois em Wilenow, Diwischau e Chelčick na Boêmia.

Entre os hussitas radicais, Petr Chelčický liderou uma renovação espiritual. Chelčický ensinava o Sermão da Montanha, rechaçou as guerras e juramentos, opôs-se à união da Igreja e do Estado. Seria o dever de todos os verdadeiros cristãos romper com a Igreja nacional e retornar ao ensino simples de Cristo.

Este grupo anhou apoio de João Rockycana, arcebispo eleito de Praga e pároco de Thein (1444). Rockycana obteve permissão do rei Jorge Podiebrad para fundar uma comunidade com esses princípios em Kunwald, na baronia de Senftenberg em 1457. O líder era um leigo, Gregório, apesar de apoiados pelo padre local. Outros hussitas radicais e utraquistas, bem como valdenses e alunos da Universidade de Praga passaram a frequentar o local. Então foi organizada a Jednota Bratrska, a União dos Irmãos — Unitas fratrum em latim. Popularmente eram chamados de Irmãos Boêmios.

No Sínodo de Lhota (1467), a Unitas fratum rompeu totalmente com o papado e elegeram seus próprios ministros. O antigo pároco de Kunwald Michael Bradacius foi consagrado bispo por Estevão, um bispo valdense. A ênfase era na reforma moral, organizacional e litúrgica, não tanto na doutrina. Por isso, a disciplina era rígida.

Reforma e quase destruição

No período anterior à Reforma, seu bispo principal, Lukáš de Praga (c.1460-1528), já 1505 publicou um Catecismo e um Hinário, as primeiras dessas obras publicadas por evangélicos. Lukáš correspondeu e debateu com Lutero. Ambos concordaram em muitos pontos, especialmente sobre a presença espiritual na Santa Ceia, mas discordaram da doutrina da justificação pela fé somente.

Em 1565 João Blahoslaw traduziu o Novo Testamento para o tcheco. Mais tarde, em 1593 veio o Velho Testamento, formando a Bíblia de Kralitz.

Durante a Reforma o crescimento dos Irmãos Boêmios foi rápido. Em 1549, eles estavam firmes na Grande Polônia. Em 1609, quando Rodolfo II concedeu liberdade de culto, já eram a metade dos protestantes na Boêmia e mais da metade dos protestantes na Morávia.

Na Guerra dos Trinta Anos (1618) o protestantismo boêmio foi dizimado. Na batalha da Colina Branca (1620), os protestantes boêmios foram derrotados e os irmãos boêmios foram expulsos de suas terras. O ramo polonês foi absorvido pela Igreja Reformada da Polônia. Os sobreviventes na Boêmia eram chamados de “semente oculta”. Por cem anos, os Irmãos estiveram quase extintos.

O último bispo sobrevivente Jan Amos Comenius (1592–1672) manteve-os unidos. Mesmo perseguido e errante pela Europa, Comenius conseguiu manter o moral elevado. Arrecadou fundos para os crentes secretos, a “semente oculta”, na Morávia. Consagrou como bispo e sucessor seu genro, Peter Jablonsky, que, por sua vez, passou o ofício ao filho Daniel Ernest Jablonsky.

O reavivamento dos irmãos morávios

Um irmão boêmio alemão, Christian David, um carpinteiro que fugiu da Morávia, levou um grupo de refugiados para a Saxônia. David estabeleceu-se perto da propriedade do conde Zinzendorf em Berthelsdorf e, com sua permissão, construiu a vila de Herrnhut (1722–1727).

Em pouco tempo, exilados da Boêmia e da Morávia, bem como pietistas da Alemanha e além, foram atraídos para Herrnhut. A comunidade realizava serviços em um salão de reuniões em Herrnhut e tomava os sacramentos na igreja paroquial luterana na aldeia vizinha de Berthelsdorf.

Um luterano devoto e pietista, Zinzendorf tentou manter os refugiados dentro da igreja estatal. Zinzendorf acreditava na “ecclesiola in ecclesia” de Spener. O objetivo era que “pequenas igrejas dentro da igreja” agissem como um fermento, revitalizando e finalmente unificando as igrejas em uma única comunhão luterana. Em vez de reviver as ordens morávias imediatamente, Zinzendorf impôs aos colonos o luteranismo. Contudo, relutantemente, ele os ajudou a reviver suas próprias tradições.

Conflitos entre os luteranos e os morávios logo surgiram, mas a dissensão foi dissipada em um serviço especial de comunhão em 13 de agosto de 1727, quando um avivamento eclodiu. É lembrada essa data quando os habitantes de Herrnhut aprenderam a amar uns aos outros, após uma experiência que atribuíram a uma visitação do Espírito Santo, semelhante à do dia de Pentecostes.

Herrnhut tornou-se a comunidade mãe da igreja dos Irmãos Morávios e de uma rede de células pietistas dentro das igrejas luteranas e reformadas, a chamada “diáspora”. Uma reunião rotativa de oração continuou com intercessões por quase um século.

Os primeiros missionários deixaram Herrnhut para trabalhar entre os escravizados no Caribe em 1732. Em duas décadas, já havia missões na Groenlândia, Suriname, África do Sul, Argélia e entre os indígenas norte-americanos.

Logo estourou a perseguição contra Herrnhut. O conde Zinzendorf enviou um grupo emigrantes para a Geórgia, acompanhados por David Nitschmann, um bispo consagrado por Jablonsky (1735). Em 1749 o parlamento britânico reconheceu os Irmãos como “uma antiga Igreja Episcopal Protestante” e permitiu suas atividades no Reino Unido, onde influenciaria os irmãos Wesley.

Na Alemanha e Escandinávia eles construíram assentamentos nas propriedades de nobres simpatizantes, ergueram casas de irmãos e irmãs para uma vida espiritual como uma ordem monástica. Buscaram renovar as igrejas luteranas e reformadas, influenciando figuras como Schleiermacher, Goethe e o Avivamento Continental.

No Brasil, durante o período regencial houve uma tentativa de trazer missionários morávios para a evangelização indígena. No entanto, não houve presença dos irmãos morávios no Brasil.

Atualmente ossui campos missionários no Oriente Médio, Labrador, na Costa de Mosquitia (Nicarágua), Suriname, Guyana, Caribe, África do Sul e presença em quase todos os países protestantes da Europa. Nos Estados Unidos há comunidades de origem tcheca no Texas e duas províncias cobrindo o resto do país.

Organização

O ministério possui a ordem tríplice de bispos, presbíteros e diáconos. Entretanto, os bispos não têm dioceses territoriais nem estão hierarquicamente acima de outros ministros. Sua principal função é ordenar e atuar como pastor para os pastores.

Cada país ou região constitui uma província, que pode funcionar como uma denominação independente ou como uma sociedade de renovação espiritual dentro das denominações locais. O conselho deliberativo supremo é o Sínodo Geral, composto por delegados eleitos por cada província, alguns membros ex officio e representantes do campo missionário. O Sínodo Geral se reúne, em média, a cada dez anos em Herrnhut, e seus regulamentos são obrigatórios em todas as províncias.

Em assuntos provinciais, cada província é independente, realiza seus próprios sínodos, faz suas próprias normas e elege seu próprio conselho de administração. Há um tribunal permanente de apelação disciplinar.

As atividades missionárias são intensas e, de certa forma, a Igreja dos Irmãos Morávios é uma agência missionária.

Havia aproximadamente um milhão de membros em 2020. Além da Unitas Fratrum, a Igreja Evangélica dos Irmãos Tchecos e a Igreja Hussita da Tchecoslováquia continuam o legado hussita na República Tcheca e na Eslováquia hoje.

Doutrina

Os irmãos Morávios consideram que “as Sagradas Escrituras são a única regra de fé e prática” e interpretam-nas de acordo com os credos dos Apóstolos e Nicenos, mas não possuem um credo distinto próprio. Os morávios aceitam várias confissões protestantes, mas consideram o princípio “Na unidade essencial; no não essencial, liberdade; em tudo, amor”.

O interesse de Zinzendorf de restaurar a Igreja primitiva levou-o a considerar vários traços de primitivismo em eclesiologia e liturgia. Sua teologia centrada na obra sacrificial de Cristo para benefício de toda a humanidade, associada à devoção pelo sangue do Cordeiro, influenciariam movimentos posteriores de renovação protestante.

A Igreja seria o corpo remido por Cristo. As igrejas locais e as organizações denominacionais, mesmo a Unitas Fratrum, seriam meramente associação de crentes, sendo a Igreja uma entidade exclusivamente espiritual.

Zinzendorf enfatizou a obra do Espírito Santo para a convicção da fé, regeneração e santificação. O Espírito Santo também compelia à vida pia, o amor ao evangelho e ao próximo.

Culto

No culto matinal, o serviço consiste em uma litania, lições das escrituras, sermão, canto, oração livre e bênção final. No serviço noturno, uma litania raramente é usada. Até o século XIX era comum o uso de véus (hoje usado em ocasiões especiais), a ágape, o lava-pés e o ósculo santo.

O batismo infantil é praticado. Existem três modalidades de admissão: batismo infantil, batismo de adultos (por aspersão) ou confirmação ou recepção. A invocação do nome de Cristo, junto da Trindade, no batismo é uma marca morávia. A Comunhão é celebrada uma vez por mês.

O canto alegre dos morávios inspirou uma renovação na hinódia protestante. Nos países de língua inglesa essa renovação foi visível pela hinódia metodista.
O uso de versos para a leitura devocional pelos morávios impactou todo a cristandade ocidental. Devocionais como “Pão Diário” ou “caixinhas de promessa” têm origem das práticas morávias.

BIBLIOGRAFIA

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Zinzendorf, Nikolaus Ludwig. Sixteen Discourses on the Redemption of Man by the Death of Christ; 1740.

Laestadianismo

Laestadianismo é um movimento avivalista nas igrejas luteranas da Noruega, Suécia e Finlândia, nascido de influências pietistas e morávias no século XIX, principalmente entre comunidades sami. Parte do movimento constitui denominações independentes nos EUA e Canadá.

História

O movimento deve o nome e foi iniciado pelo pastor e botânico luterano sueco Lars Levi Laestadius ou Læstadius (1800-1861). Educado na Universidade de Uppsala, Læstadius foi ordenado ministro em 1825. Foi enviado como missionário entre os sami (povo antigamente conhecidos como “lapões”) no norte da Suécia, onde entre 1826 e 1849 foi pastor na paróquia de Karesuando. Laestadius era filho de mãe sami, a qual também era devota participante de conventículos de oração e leitura bíblica.

Quando Laestadius chegou a Karesuando encontrou pobreza e abuso de álcool era generalizado entre os sami. Começou a pregar sobre moralidade e arrependimento. A vida de Laestadius mudou quando encontrou com Milla Clemensdotter ou Maria da Lapônia (1812–1892) em 1844. Essa jovem mulher sami, também membro de um conventículo de “leitores”, testemunhou sua experiência de paz encontrada quando ela compreendeu a graça de Deus.

A partir do encontro com Maria, Laestadius experimentou uma transformação espiritual. Seguiu-se um grande avivamento entre os sami de todos os países do círculo polar ártico. Em 1853, um bispo da Igreja da Suécia (luterana) decidiu que deveria ter dois serviços de culto a cada paróquia onde tivesse laestadianos: um para os paroquianos regulares e outros para os avivados.

Após a morte de Læstadius, o movimento foi liderado por Juhani Raattamaa (1811-1899). Após a morte de Raattamaa, o renascimento se dividiu em várias vertentes: velhos laestadianos, primogênitos, laestadianos ocidentais,

Os laestadianos sempre permaneceram membros das igrejas estatais na Noruega, Suécia e Finlândia, mas realizam suas próprias reuniões e muitos grupos possuem suas próprias casas de oração. Na América do Norte constituem denominações separadas, sendo a principal a Igreja Apostólica Luterana do Primogênito.

Doutrina e práxis

A Bíblia é a fonte primária de fé. Outras fontes materiais incluem as obras de Martinho Lutero, os sermões e escritos de Laestadius, bem como seus hinários, principalmente o Sions sånger.

Suas reuniões são solenes. Ocorrem êxtases e lamentos (frequementemente associados com a glossolalia) especialmente no momento da Ceia do Senhor. Há uma grande ênfase no arrependimento do pecado. Membros confessam seus pecados, normalmente em lágimas e emoções, então um dos anciãos pronuncia o perdão dos pecados pela imposição de mãos. A pregação pode ser extemporânea, com grande ênfase no pecado e perdão, bem como na leituras de sermões de Lutero e Laestadius. Tradicionalmente se cumprimentam com a frase ” a paz de Deus “. Realizam, quando possível suas próprias Ceias. Em alguns grupos tradicionais as mulheres cobrem a cabeça com um véu. Tradicionalmente, membros mais idosos das famílias ou seus anciãos batizam as crianças nas casas. Como outros movimentos avivalistas nórdicos, os maiores eventos são as reuniões campais de verão.

Buscam viver uma vida de santificação em separado da sociedade secular. Assim, muitos grupos rejeitam música mundana, dança, cinema. televisão, diversões públicas e contraceptivos. O isolamento (e o exclusivismo de alguns grupos) levam a serem vistos com suspeição pela ampla sociedade.

São liderados por anciãos leigos, mas há laestadianos ordenados ministros pelas igrejas estatais luteranas dos países nórdicos. São estimados em cerca de 500 mil membros, a maior parte deles na Finlândia. Suportam missões em diversas nações do globo, como Equador, Estônia, Alemanha, Grã-Bretanha, Hungria, Islândia, Quênia, Letônia, Rússia, Espanha, Suíça, Áustria e Togo.

BIBLIOGRAFIA

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Kristiansen, Roald. Samisk religion og læstadianisme: kristen tro og livstolkning. Fagbokforlag, 2005.

Heith, Anne. Laestadius and Laestadianism in the contested field of cultural heritage: a study of contemporary Sámi and Tornedalian texts. Umeå University & The Royal Skyttean Society, 2018.

Lie, Geir. História do Cristianismo. Santorini, 2020.

http://www.bibliotecalaestadiana.se

Frédéric Monod

Frédéric Monod (1794- 1863) foi um pastor reformado e da Igreja Livre genebrino naturalizado francês, e participante do Avivamento Continental.

Frédéric era o irmão mais velho do ministro Adolphe Monod e sua família possuiu várias figuras de destaque na vida da Igreja e pública. Foi pai de Theodore Monod, também pastor e promotor do movimento de Keswisck.

Enquanto estudava teologia em Genebra, foi influenciado pelo ministro escocês Robert Haldane. De 1820 a 1849 foi pastor da Igreja Reformada em Paris. Em 1849, junto com Agénor de Gasparin, fundou a União das Igrejas Evangélicas Livres da França.

Robert Haldane

Robert Haldane (1764 –1842) foi um missionário, líder do avivamento continental e britânico, teólogo e fundador de várias organizações evangélicas.

Nascido em Londres em uma familia afluente escocesa, foi educado em Dundee e Edimburgo. Após uma carreira na marinha, Haldane passou a morar e administrar a propriedade familiar em Airthrey, perto de Stirling, por dez anos.

Em 1795, Robert converteu-se logo após seu irmão James. Nesse mesmo ano, Robert, decidido a abandonar suas riquezas para viver para o evangelho, ofereceu ao governo britânico e à Companhia das Índias Orientais a propriedade de Airthrey para financiar uma sociedade missionária. A oferta foi recusada, porém três mais tarde venderia sua propriedade e com esse dinheiro financiou suas ações evangelísticas.

Com seu irmão fundou a “Sociedade para a Propagação do Evangelho Domesticamente”. Ela apoiava a construção de capelas ou “tabernáculos” e pregadores itinerantes. Os missionários viajam através da Escócia, formando congregações avivadas e reanimando paróquias da Igreja da Escócia e outras congregações livres. No entanto, encontrou oposição dos pastores da Igreja da Escócia.

Ao entrar em contato com os glassitas, Haldane deixou a Igreja da Escócia em 1798. Desde então, adotou várias práticas e doutrinas dos glassitas ou sandemanianos, como eram conhecidos: congregações locais independentes, recusa de distinguir entre ministros e membros, pregação e ministério leigo dos anciãos e diáconos, comunhão semanal, recusa de credos e confissões de fé, recusa de uma burocracia denominacional ou envolvimento com o Estado.

Os Haldanes abriram um grande tabernáculo e escola bíblica em Leith Walk, Edinburgh, com capacidade de 3200 pessoas. Contudo, deixariam os glassitas em 1808, quando James Haldane e mais duzentos membros de sua congregação foram imersos no batismo, depois de ler um panfleto de Archibald McLean, um Scotch Baptist.

Entre 1816 e 1819 viajou para Genebra e Montauban para evangelizar. O fruto foi avivamento continental. Para apoiar o avivamento, fundou e dirigiu por um tempo a Sociedade Missionária Continental.

Ao retornar à Escócia, dedicou-se na publicação das Escrituras. Contudo, em 1824, passou por uma controvérsia com Sociedade Bíblica acerca da inclusão dos Apócrifos.

Escreveu um comentário sobre a Epístola aos Romanos; livros sobre a autoridade, inspiração e canonicidade das Escrituras.

O movimento inciado pelos irmãos haldanes foi chamados de haldanitas. Caracterizou-se pelo seu intenso evangelismo, primitivismo eclesiológico, valorização da participação leiga e democrática. Seus sucessores e grupos influenciados incluem os congregacionalistas, batistas, movimento dos irmãos, a Igreja Livre da Escócia, os batistas alemães, os Neutaufer, o movimento das Igrejas de Cristo nos Estados Unidos e outros.

BIBLIOGRAFIA

Daughrity, Dyron B. “Glasite versus Haldanite: Scottish divergence on the question of missions.” Restoration quarterly 53.2 (2011): 65-79.

Haldane, Alexander. The Lives of Robert Haldane of Airthrey, and of His Brother, James Alexander Haldane. Carlisle PE: First Banner of Truth, 1990.

Haldane, Robert, Malan César, and Edward Bickersteth. Revival of Religion on the Continent. London: Printed by Macintosh, 1839.

Ridholls, Joe. “Spark of Grace” : The Story of the Haldane Revival. Geneva: 1967.

Movimento de Keswick

O Movimento de Keswick (a pronúncia é Kêssik) refere-se às convenções realizadas em Keswick, um vilarejo no noroeste da Inglaterra; bem como a teologia e a rede de pessoas e instituições resultantes dessas convenções.

A convenção de Keswick iniciou-se em 1875, organizado pelo cônego anglicano Thomas Dundas Harford-Battersby (1823–83) e o quaker Robert Wilson (1824–1905). Desde então, repete-se anualmente, com raras exceções. É aberta a todos ouvintes sem cobrar taxas de adesão, dependendo de ofertas voluntárias.

A convenção consiste em ensino bíblico, avivamento e busca de santidade. Atrai cristãos de diversas orientações e denominações, mas sobretudo adeptos do evangelicalismo. Entre os notórios associados a Keswick estão Andrew Murray (1828–1917), James Hudson Taylor (1832–1905), Amy Wilson Carmichael (1867–1951), Albert Benjamin Simpson (1844–1919), Dwight Lyman Moody (1837–1899), Reuben Archer Torrey (1856–1928), John Stott (1921–2011) e D. A. Carson.

Teve influência dos ideais de catolicidade ecumênica do anglicanismo bem como a valorização da práxis e método teólogico de Hooker. Deve também à concepção wesleyana de santidade, mas removendo alguns aspectos (como o de inteira santificação ou santificação instantânea). Outras influências foram o revivalismo americano e a cultura romântica vitoriana.

Dada essa amplitude, a teologia de Keswick nunca foi uniforme, além de variações ao longo do tempo e conforme os palestrantes convidados. Contudo, alguns elementos temáticos visíveis na organização do evento refletem uma teologia comum.

Cada dia da semana é dedicada a um tópico e recebe diferentes oradores. O dia 1 é sobre a diagnose da condição humana: o pecado. O dia 2 slé sobre a cura: o plano de Deus para regeneração. No dia 3 aparece o remédio: o revestimento do Espírito Santo. Por fim, no dia 5 os regenerados são comissionados para missão e serviço.

Ao atribuir a fé como único meio para obter tanto a justificação e a santificação, o movimento de Keswick convidava ambos não crentes e cristãos nominais a buscarem uma união com Cristo. A certeza do poder do Espírito Santo para a reparação do pecado revestia a pessoa de poder de modo que o convertido e santificado já distinguia sua entre velha e nova criatura.

Esta ênfase na ação santificadora do Espírito Santo e uma soteriologia regenerativa encontrava fundamento na “santificação pela fé”, sem reivindicar a possibilidade de impecabilidade para o crente. Essa santificação seria progressiva.

As teologias de santificação de Keswick contrastam com outros entendimentos. Difere da santificação instantânea pontual do Movimento de Santidade de origem wesleyana. É próximo, porém distinto da santificação gradual que mortificaria gradualmente a vontade da carne em algumas vertentes do Movimento de Vida Superior. Apesar de sua associação com o sistema teológico reformado, não adere a sua ideia de santificação a partir da conversão como uma contínua presença de pecado e arrependimento, tal como articulado no evangelicalismo calvinista (por exemplo, por Charles Spurgeon).

Considerando a adesão de pessoas de origem em denominações reformadas e seu aproveitamento de somente alguns elementos da teologia e práticas wesleyanas, o movimento de Keswick tem sido associado ao sistema teológico reformado. Por vezes, quando visto sob uma perspectiva de soteriologia forense é referido como semi-agostinianismo, pois na prática busca um equilíbrio entre a soberania divina e a responsabilidade humana, mas não se ocupa em resolver esse paradoxo.

O foco limitado em crenças centrais do cristianismo evangélico e a flexibilidade em relação a tópicos contenciosos permitiram uma abrangência de audiência e uma continuidade singular. O movimento de Keswick inspirou vários avivamentos (como o da África do Sul e na China), além de impulsionar missionário. A vertente da Obra Consumada do Calvário no pentecostalismo tem um legado em Keswick.

O movimento de Keswick não foi sem críticas. A crença em uma vida distinta santificada e revestida pelo Espírito Santo levava às acusações de elitismo espiritual. Críticos, medindo a teologia do movimento não por seus próprios termos e com recortes selecionados, distorcidamente apresentavam o movimento como “faça sua parte e deixa que Deus faça a sua”. Confusões conceituais também resultam de interpretar a teologia vivida de Keswick em termos de uma teologia magistral, especialmente com critérios de um ordo salutis forense, embora Keswick seja eminentemente uma soteriologia regenerativa e missional.

BIBLIOGRAFIA

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Glassitas

Denominação primitivista que existiu entre 1730 e 2000, iniciada por John Glas (1695-1773), ex-ministro da Igreja da Escócia (Presbiteriana), ao rejeitar o controle estatal sobre a Igreja. Para Glas, somente a Bíblia deveria guiar a Igreja.

Oficialmente chamada de Church of Christ (Igreja de Cristo), também é referida como Glassitas, Kail kirk (igreja da “sopa de repolho”), Sandemanianos, Glassite e Glasite.

HISTÓRIA
Em uma época que o estado governava a vida religiosa dos cidadãos, John Glas começou a pregar que ser cristão era um ato de fé individual e não imposição estatal. O grupo influenciado por suas pregações acabou expelido da Igreja da Escócia e formou as primeiras congregações independentes na década de 1730.

Robert Sandeman (1718-1771), genro de Glas, continuou o trabalho na Inglaterra. Depois organizou a igreja nos Estados Unidos, cuja comunidade principal localizava-se em Danbury, Connecticut. Depois de algumas perseguições por causa do pacifismo, alguns glassitas se refugiram no Canadá durante a Guerra de Independência Americana.

Nas décadas entre 1730 e 1830 os glassitas influenciaram vários outros pregadores e movimentos em um avivamento que percorreu a Grã-Bretanha, Irlanda e costa leste da América do Norte. Notoriamente, os irmãos Haldane estiveram associados e adotaram muito das práticas e doutrinas glassitas.

Entre as pessoas notórias de tradição glassita contam o ativista e pensador político William Godwin (1756 – 1836) esposo de Mary Wollstonecraft e pai de Mary Shelley; o químico e bibliotecário Charles Wilson Vincent (1837–1905) e o cientista Michael Faraday (1791 – 1867), que foi diácono e depois ancião glassita.

Supostamente pela rigidez de suas práticas, no final do século XIX a Igreja Glassita entrou em declínio. Sua última congregação nos Estados Unidos fechou em 1890. Em 1989 a última congregação em Edimburgo encerrou os cultos e seu último ancião morreu em 1999. Desde então, a igreja pode ser considerada extinta.

DOUTRINA
A igreja glassita não possuía credos. Considerava a Bíblia como a completa revelação e a perfeita guia para a religião cristã. Devida à sua adesão radical ao sacerdócio universal dos crentes, não possuiu teólogos autorizados ou textos representativos de sua teologia. Contudo, as práticas e os detalhes de sua doutrina podem ser inferidos pelos escritos de seus anciãos, principalmente de Glas e Robert Sandeman (1718 – 1771).

Os glassitas criam na salvação pela fé. A fé consistia em receber a obra redentora de Cristo, mas não uma adesão a uma proposição doutrinário abstrata. Contudo, muitos detratores de Sandeman o acusavam de ensinar que bastava a fé como assentimento para salvação. Apesar disso, presbiterianos e o batista Andrew Fuller, criticavam o movimento por não demandarem nenhuma coisa além da fé para o efeito da graça sobre o indivíduo. Em resposta a essas acusações, Sandeman registrou em seu epitáfio:

“Que a morte nua e crua de Jesus Cristo, sem qualquer pensamento ou ação da parte do homem, é suficiente para apresentar o principal dos pecadores imaculado diante de Deus.”

Para os glassitas o batismo deveria ser livre e consciente para expressar a fé de que fora liberto da corrupção e do pecado. Assim, rejeitavam que o batismo como um ato de inserção nos registros paroquiais, quer anglicano ou presbiteriano, fosse um verdadeiro ato de fé. Contudo, os glassitas batizavam suas crianças.

CULTO
Os cultos consistiam de orações, hinos e pregações realizados em salas de reuniões imaculadas, sem decorações ou imagens. Desafiando as leis escocesas da época, o hinário Hymns and Spiritual Songs foi o primeiro livro de cânticos publicado na Escócia a não conter somente salmos. Qualquer um guiado pelo Espírito Santo podia exortar a congregação ou orar de forma espontânea. Saudavam-se com o ósculo santo.

Os glassitas praticavam o ágape, uma refeição comum, que pelo hábito de servir sopa no ágape levou ao apelido de kail kirk — igreja da sopa de repolho. Ocasionalmente realizavam o lava-pés. A Santa Ceia era realizada com frequência, quando possível, nas tardes de domingo.

Sala de reunião glassita em Edimburgo fechada em 1989.

ORGANIZAÇÃO
O glassitas caracterizavam-se por uma horizontalidade. Crendo na igualdade de seus membros diante de Cristo e na guia do Espírito Santo, rejeitaram qualquer forma de governo exerno à Igreja, quer civil, quer clerical. Um grupo de ministros — anciãos e diáconos — servia em cada congregação, a qual era autônoma em suas decisões, finanças e disciplina.

Os ministros, eleitos sem considerar sua educação ou posição social, eram iguais em autoridade entre si e a igreja não os assalariava. Também recusavam títulos religiosos ou o uso de vestes clericais.

COMPORTAMENTO E VALORES
Os glassitas viviam por um código de conduta muito rígido. Abstinham-se da carne sufocada e do sangue, rejeitavam jogos de azar e diversões públicas, condenavam a avareza. Vestiam-se de forma casta e modesta. Não aceitavam comunhão ou se casar com membros de outras denominações. Recusavam a participar de guerras.

A comunhão da igreja era muito importante. Isso refletia nas refeições comunais, nas regras comunitárias de identidade e conduta, no atendimento aos necessitados.

Davam grande importância ao atendimento dos necessitados. Os diáconos administravam a coleta semanal para os pobres.

DEMOGRAFIA
A igreja glassita sempre foi pequena. Talvez nunca houvesse mais de quarenta congregações na Escócia, Inglaterra e nordeste dos Estados Unidos. Em 1799 sua maior congregação era o Tabernáculo de Glasgow, com cerca de 300 membros. Os cultos eram frequentados por muitos, mas poucos se tornavam membros.

LEGADO
O legado glassita hoje subsiste na influência outros movimentos religiosos.

Seu primitivismo foi transmitido às Igrejas de Cristo (movimento da restauração Campbell-Stone) nos Estados Unidos; e os Scotch Baptists, os Inghamite, os Walkerites e, notavelmente, o movimento dos Haldanes no Reino Unido. Indiretamente influenciaram o primitivismo entre vários grupos metodistas, os avivados galeses, os irmãos de Plymouth e mesmo algumas correntes pentecostais.

Sua insistência em separação entre Igreja e Estado iria influenciar a própria formulação desse doutrina nos Estados Unidos. A célebre carta de Thomas Jefferson aos batistas de Danbury, na qual aparece expressa essa posição, foi destinada a um público de uma cidade que velava pela liberdade religiosa das minorias diante da Igreja estatal puritana congregacional de Connecticut.

A hinódia evangélica anglo-saxã e, consequentemente, mundial é herança teólógica dos glassitas.

O avivamento continental e nas Ilhas Britânicas conduzido pelos irmãos Haldane foi outro legado. Sua simplificação doutrinária centrada na graça possibilitou a formação de congregações locais e denominações cujos critérios de membresia fossem somente a conversão pessoal, sem requistos burocráticos de um presbitério. Indiretamente, essa missiologia influenciou o ministério de Robert R. Kalley na Ilha da Madeira e no Brasil. A fundação e as atividades da Sociedade Bíblica foram também frutos de pessoas influenciadas pelos glassitas. Robert Haldane foi atuante na política editorial e nas edições e distribuição das Escrituras, além de ser o mentor de James “Diego” Thompson, pioneiro da distribuição da Bíblia na América Latina.

BIBLIOGRAFIA

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Avivamento Continental

O Avivamento Continental, Réveil genebrino, Risveglio italiano ou Erweckungsbewegung alemão são uma série de avivamentos entre evangélicos da Europa Continental durante o século XIX.

HISTÓRIA

O Avivamento Continental remonta de uma reação contra o racionalismo teológico dominante nos seminários e sistema paroquial protestante francófono e germânico no final do século XVIII e início do XIX.

Em Genebra, então uma república associada à Suíça, alguns jovens seminaristas protestantes reuniram-se entre 1802 e 1805 em um pequeno grupo de oração organizado pelo pai de um pastor morávio, Ami Bost.

Após um sermão do Pastor Moulinié sobre os costumes dos primeiros cristãos no final de novembro de 1812, alguns desses jovens — Guers, Empeytaz e Pyt — fundam a Sociedade dos Amigos com objetivo de ajudar os pobres e aflitos por todos os meios.

Nos anos próximos à queda de Napoleão, visitantes estrangeiros como a baronesa Barbara von Krüdener, os britânicos Richard Wilcox, Robert Haldane, Henry Drummond e Charles Cook visitaram Genebra e reacenderam um interesse por reuniões privadas de oração, cânticos de hinos (na época só se cantavam salmos) e leitura da Bíblia.

Os estudos bíblicos conduzidos por Robert Haldane por alguns meses focaram na exposição de Romanos de um modo que muitos seminaristas jamais tinham visto. Sua ênfase era na justificação e na conversão pessoal.

O movimento de 1817 foi chamado pejorativamente de momiers (“murmuradores”) e se expandiu rapidamente pelas regiões vizinhas de Genebra. Nas décadas de 1830 e 1840 houve outra onda de avivamento na Suíça.

Na França, várias regiões foram alcançadas pelo Réveil. Em Paris seu centro foi a Chapelle Taitbout onde se reunia numerosos membros da alta burguesia e da nobreza, como a filha da Madame de Stael.

O ex-soldado Félix Neff, o “Apóstolo dos Alpes”, pregou em áreas montanhosas na fronteira da França, Suíça e Piemonte. Nessa região, Neff fez missões entre os valdenses. A emancipação dos valdenses e a consequente liberdade de culto, primeiro no Reino Sardo-Piemontês e depois para toda a Itália, levou à propagação do Risveglio entre os italianos.

No vale do Reno o movimento atingiu reformados, unidos e luteranos de língua alemã na Alemanha, Suíça e Alsácia, muitos deles já participando de um avivamento entre pietistas desde o final do século XVIII. O avivamento fundiu-se com o ministério social e espiritual de J.F. Oberlin. De modo similar, a família de pregadores Krummacher em Wuppertal influenciaram o oeste da Alemanha. Na Saxônia, o Castelo de Hermsdorf foi um centro liderado por Heinrich Ludwig Burggraf zu Dohna, neto do líder morávio Nikolaus Ludwig von Zinzendorf. O ministro Johann Christoph Blumhardt e seu filho Christoph Friedrich Blumhardt promoveram um ministério de cura divina, expulsão de demônios e reforma social entre os povos de língua alemã. Christoph Friedrich também buscou na esfera política concretizar os mandados do Reino de tratar os mais necessitados enquanto se esperava o segundo advento.

Nos Países-Baixos o movimento foi liderado por Willem Bilderdijk, Willem de Clercq, os judeus convertidos Isaac da Costa e Abraham Capadose. Mais tarde influenciaria a Abraham Kuyper.

Na Europa Oriental o movimento ganhou corpo entre alemães bálticos e do Volga. Na Finlândia russa ocorreu o Herännäisyys, avivamento liderado pelo camponês Paavo Ruotsalainen. A Escandinávia foi impactada por um forte movimento de igrejas livres e movimentos neo-pietistas que incorporaram outros movimentos nativos de renovação. Teve impacto social e político tão grande que a moderna socialdemocracia nórdica em parte é fruto do avivamento das igrejas livres.

O movimento passou por severas críticas e perseguições pelas igrejas estabelecidas. Na Suíça, o Venerável Conselho de Pastores de Genebra expulsou ou recusou a ordenar pastores associados ao movimento e similares ações aconteceram em outros cantões. Protestantes racionalistas e mais tarde os liberais viam como excessivos as manifestações piedosas dos avivamentos bem como seu conteúdo teológico como incompatíveis à luz da razão. Na França, intelectuais católicos e conservadores como Louis de Bonald, Joseph de Maistre e Lamennais direcionaram um ataque cerrado contra o avivamento, considerando-o como mais uma expressão revolucionária a ser contida.

TEOLOGIA

Embora teologicamente reenfatizasse muito das teologias calvinista, luterana, pietista e anabatista, o Avivamento Continental tinha suas próprias nuances.

O Avivamento Continental caracterizou-se pela insistência na leitura e na pregação da Bíblia, a qual era lida menos com interesse histórico e mais como uma comunicação existencial vinda de Deus. A doutrina de inspiração foi uma elaboração basilar desse movimento.

A centralidade doutrinária residia na salvação por meio do sacrifício de Cristo na cruz, insistindo na experiência de conversão do pecado e do novo nascimento. Por conversão significava passar de uma fé costumeira para uma fé ativa. A experiência de salvação perspassava as diferenças teológicas.

A amplitude da graça expressa pelo propósito, alcance da morte de Cristo levaram a uma reelaboração — por parte dos avivados de extração calvinista — da doutrina da expiação limitada. As transformações da natureza humana pela obra regeneradora do calvário alcançavam a humanidade pela graça comum. Assim, todo cristão convertido deveria contribuir para a divulgação do evangelho por meio de palavras e obras, anunciando a liberdade e a salvação já concedidas por Jesus Cristo em sua morte.

Entretanto, o avivamento não foi teologicamente uniforme. Dentre as tendências com suas respectivas ênfases, o historiador Émile Léonard distingue três grupos dentro do Avivamento francófono:

  • Um avivamento pietista, centrado na emoção e no acesso de cada cristão a uma relação pessoal com Jesus Cristo (Haldane, Empeytaz, Ami Bost e os metodistas).
  • Um avivamento ortodoxo, voltado para um retorno às afirmações doutrinárias fundamentais do cristianismo (César Malan, Félix Neff, Adolphe Monod, Louis Gaussen e Jean de Visme).
  • Um avivamento intelectual, de tendência liberal, com ênfase na cultura da Reforma e na humanidade de Cristo (Samuel Vincent, Louis-Ferdinand Fontanès, Timothée Colani e os membros da “Escola de Estrasburgo”).

PRIMITIVISMO
Em geral, a atitude romântica de buscar um retorno do cristianismo simples, movido pelo coração, do avivamento continental gerou formas de culto e eclesiológicas populares. Em várias ocorrências, os avivados eram liderados por pregadores leigos, cuja liberdade de pregar era somente pela ação do Espírito Santo. As ênfases em práticas cristãs primitivas — ósculo santo, uso de véu, diaconia — e em um biblicismo foram preservadas em várias denominações herdeiras desse movimento.

O réveil também teve várias manifestações carismáticas, principalmente na década de 1830. Ami Bost registra cura pela fé. Outras manifestações esporádicas incluíam cânticos espirituais e pregações espontâneas, falar em línguas e profecias. Como tais manifestações estavam acontecendo entre os irvingitas britânicos, foram enviados em 1835, os missionários Pierre Méjanel e Collings Manger Carré para visitar o movimento na Suíça. Bost visitou Irving e Henry Drummond em Albury em 1831.

Na área de Yverdon, Suíça, em 1832 o pastor Marc Louis Lardon (falecido c. 1834) liderou um avivamento. Lardon, depois de renunciar sua posição e membresia na Igreja Reformada estatal em 1827, encorajou sua congregação livre de Yverdon a buscar os dons do Espírito. Praticava expulsão de demônios, profecias e foi reconhecido como apóstolo. Um ano após sua morte seu movimento terminou.

Na Prússia em 1817 ocorreram várias manifestações carismáticas no grupo de oração organizado pelo militar Gustav von Below.

PERSONALIDADES

  • Henri-Louis Empaytaz
  • César Malan
  • Louis Gaussen
  • Ami Bost
  • Henri Pyt
  • Antoine Jean-Louis Galland
  • Adolphe Monod
  • Alexandre Vinet
  • Andrew Murray
  • Paolo Geymonat

LEGADOS EM DENOMINAÇÕES, MOVIMENTOS E INSTITUIÇÕES

  • A maioria dos avivados de Genebra saiu da igreja Reformada estatal em 1831 e fundou a Sociedade Evangélica, com sua própria “escola de pregadores” fundada em 1832.
  • Em 1848, os várias congregações dissidentes uniram-se para formar a Igreja Evangélica Livre.
  • No cantão de Vaud foi formada uma Igreja Livre Reformada.
  • Várias sociedades missionárias, como a de Basileia, enviaram missionários ao redor do globo.
  • Muitas assembleias livres se uniram em torno da eclesiologia defendida por John Nelson Darby, formando as Assemblée des frères larges e outros grupos menores.
  • Os Neutäufer (Fröhlichianer ou Nazarenos) resultaram da missão de Samuel Heinrich Fröhlich entre falantes do alemão, húngaro e línguas eslavas da Europa Central. Nos Estados Unidos estão reunidos em denominações com nomes de Apostolic Christian Churches e no Brasil nas Igrejas da Paz (na Amazônia) ou Igreja Evangélica Nazareno (não confundir com a Igreja do Nazareno) no centro-sul, principalmente entre descendentes de húngaros e sérvios.
  • Diversos grupos locais se uniram aos metodistas, batistas e quakers.
  • O movimento dos Irmãos Menonitas entre teuto-russos.
  • O movimento dos Stundistas na Rússia e Ucrânia, do qual emergiram o movimento dos Cristãos de Fé Evangélica, mais tarde organizados em batistas e pentecostais.
  • Alguns movimentos de renovação entre luteranos. No Brasil, várias organizações são herdeiras desses movimentos como a Igreja Evangélica Congregacional no Brasil, a Missão Evangélica União Cristã dentro da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil e a Igreja do Cristianismo Decidido.
  • Exército de Salvação.
  • A Cruz Vermelha.
  • A profissão de diaconisa e, posteriormente, as profissões de enfermagem e serviço social.

BIBLIOGRAFIA

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