Louis Cappel 

Louis Cappel ou Ludovicus Cappellus (1585 – 1658) foi um pioneiro tratamento puramente filológico e científico do texto da Bíblia e professor da Academia de Saumur.

Nasceu em uma família de huguenotes nobres refugiados em Sedan. Estudou hebraico e viajou pela Alemanha e Holanda antes de tornar-se professor em Saumur, onde foi colega de Amyraut.

Suas obras publicadas são:

“Arcanum Punctationis Revelatum”, publicado anonimamente por Thomas Erpenius, em Leiden, em 1624. Demonstrou conclusivamente que a vocalização do texto hebraico era algo tardio, bem como a escrita quadrada dos manuscritos massoréticos eram posteriores à escrita paleohebraica dos samaritanos.

“Critica Sacra”, impresso em Paris, em 1650. Demonstrou que o texto consonantal massorético teve uma transmissão praticamente sem erros, mas que as edições contemporâneas precisavam serem corrigidas comparando versões e pelo método conjectural. Assim, distinguiu entre os autógrafos e os textos atuais nas línguas originais.

Marie Dentière

Marie Dentière (n. 1495-d. c. 1561) reformadora, escritora e teóloga francesa.

Nascida na nobreza, na família d’Ennetières, deixou o convento agostiniano em Tournai e se juntou aos reformadores franceses em Estrasburgo em 1521. Casou-se com o huguenote Simon Robert e juntos acompanharam William Farel para o Valais suíço, onde Robert se tornou pastor.

Após tornar-se viúva, casou-se com Antoine Froment (n. 1509–d. 1581) em 1533 e mudou-se para Genebra em 1535. Na cidade, teria escrito um panfleto com a história da reforma genebrina. O casal estava entre os seguidores de João Calvino quando assumiu a liderança da Igreja Reformada no final de 1536.

Escreveu a Epistre tres utile, endereçada a Marguerite de Navarre, apareceu com o nome de um impressor falso em Genebra em 1539. A maioria das cópias foi confiscada e o impressor, Jean Girard, foi preso. Nessa epístola apresenta uma defesa das mulheres, inclusive o direito de as mulheres de interpretar e ensinar as Escrituras. Afirma os ensinamentos de Farel e Calvino sobre a salvação somente pela fé e rejeita a missa católica, o clero e o papado.

Dentière era mencionada casualmente como “a esposa de Froment” (uxor fromentis) na correspondência dos reformadores suíços.

Sarah Monod

Alexandrine Elisabeth Sarah Monod (1836 – 1912) foi uma diaconisa, filantropa e feminista evangélica francesa.

Nasceu em Lyon, filha de Hannah Honyman e Adolphe Monod, uma família pastoral huguenote aderente ao réveil. A quarta de sete filhos, Sarah era a mais ativa no ministério desde sua infância.

Depois das mortes dos pais, Sarah juntou-se às Diaconisas de Reuilly em Paris. Com as diaconisas, serviu cuidando dos feridos na Guerra Franco-Prussiana (1870-1871).

Monod passou a dirigir as Diaconisas de Reuilly. Expandiu a atuação ministerial com programas de reeducação prisional e da campanha pelo abolicionismo — o movimento a favor de liberar a prostituição.

Na época, as regulamentações governamentais penalizavam as mulheres e facilitava abusos, tráfico internacional e facilitava a escravidão das prostitutas. O movimento buscava o direito das mulheres de terem acesso a um respeito moral e a uma família estável. Para garantir esse direito, o movimento abolicionista buscava desenvolver a autonomia das mulheres, assegurando direitos de adquirir habilidades e trabalho. Defendiam também a isonomia jurídica e moral no casamento, o que dificultaria os casos extraconjugais dos homens, então protegidos legalmente pelo monopólio masculino sobre os bens e direitos das esposas.

Considerando que as mulheres não tinham acesso à decisão política, Monod articulou a causa feminina através da rede de evangélicos avivados na Europa Continental e no Império Britânico. Boa parte dessa pauta alcançou sucesso na virada do século XX.

Junto de outras líderes feministas (muitas delas evangélicas, como Julie Siegfried, Isabelle Bogelot e Emilie de Morsier), Monod organizou um congresso internacional de mulheres em Paris, com participantes das Américas e da África.

O Conseil national des femmes françaises foi fundado em 1901, com Monod eleita presidente. Esta organização feminista conseguia reunir e articular mulheres de diversas posições políticas e religiosas, desde socialistas como Louise Saumoneau e Elisabeth Renaud até ativistas do conservadorismo católico como Marie Maugeret. Marcou a transição de uma agenda assistencialista para uma proatividade participatória na esfera pública para abordar os problemas sociais.

Sob sua liderança, o movimento avançou juridicamente nas novas as pautas. Estavam em prioridade dar às mulheres casadas o controle sobre seus salários, regulamentação do trabalho feminino, responsabilização da autoridade parental e políticas de reeducação para menores infratores.

Para garantir educação, oportunidades e ambiente moral, fundou pouco antes de sua morte,com Camille Vernes, o ramo francês da Associação Cristã das Moças, a Union chrétienne des jeunes filles.

Como autora, escreveu biografias (de seu pai e da diaconisa Malvesin), um devocional (oração e culto), além de traduções de literatura feminista cristã.

Devido à sua austeridade e influência, a jornalista Jane Misme dizia que Sarah se vestia como uma Quaker e que era a “papisa do protestantismo”.

Foi homenageada com um logradouro em seu nome em Paris, próximo ao Hospital das Diaconisas de Reuilly.

BIBLIOGRAFIA

Cadier-Rey, Gabrielle. “Autour d’un centenaire Sarah Monod.” Bulletin de la Société de l’Histoire du Protestantisme Français (1903-2015) (2012): 771-792.

Poujol, Geneviève. Un féminisme sous tutelle: les protestantes françaises, 1810-1960. Paris: les Éditions de Paris, 2003.

Louis Dallière

Louis Dallière (1897–1976) foi um ministro reformado pentecostal francês. Foi pioneiro nas relações ecumênicas e na busca do renovo da Igreja universal pela obra do Espírito Santo.

Dallière nasceu em Chicago, filho de um pai católico banqueiro e e de mãe anglicana. Foi batizado enquanto criança na Église Réformée de France (ERF) em Nice em 1901. Ele experimentou a conversão em 1910 e passou por uma segunda conversão em 1915, acompanhada por um chamado ao ministério. Estudou na Faculté de théologie protestant em Paris em 1915-1921. Em 1921 casou-se com Caroline Boegner, filha de Alfred Boegner, líder da Sociedade Missionária Evangélica de Paris (SMEP).

Depois de estudar teologia e filosofia em Paris e Harvard, pastoreu uma igreja reformada em Charmes, na região de Ardèche, de 1925 a 1962. Em 1932-1933, lecionou na Faculdade de Teologia de Montpellier.

No verão de 1932 foi para a Inglaterra para investigar o movimento pentecostal. Após sua adesão, passou a promover um movimento de reavivamento pentecostal entre os reformados..Ele foi bem recebido pela Igreja Livre, mas não pelos liberais nem no Movimento dos Irmãos.

Em 1930 Dallière tornou-se líder do Movimento Pentecostal em Charmes. Fez parte de uma rede da Resistência durante a Segunda Guerra Mundial, e foi reconhecido pelo Yad Vashem como “justo entre as nações” em 1990. Em 1946 ele prestou homenagem a Wilfrid Monod, que fundou os Veilleurs (A Ordem dos Vigilantes), e criou a Union de prière de Charmes (Comunidade de Oração dos Charmes). Louis Dallière fundou o “Cours Isaac Homel” (Isaac Homel College), um estabelecimento de ensino secundário que funcionou até 1975.

BIBLIOGRAFIA
https://museeprotestant.org/en/notice/le-pasteur-louis-dalliere-1897-1976-reforme-pentecotiste/

Bost,Jacques. “Le mouvement de Pentecôte en Ardèche”,In La vie des Eglises protestantes dans la vallée de la Drôme, Paris, 1977, p. 241-242

Bundy, David. “L’émergence d’un théologien pentecôtisant: les écrits de Louis Dallière de 1922 à 1932”, Hokhma, Croire Publications, Paris, 1988, Numéro 38, p. 23-51.

Bundy, David.“Dallière, Louis”, in: Brill’s Encyclopedia of Global Pentecostalism Online, Edited by: Michael Wilkinson, Connie Au, Jörg Haustein, Todd M. Johnson. http://dx.doi.org/10.1163/2589-3807_EGPO_COM_038226

Fath, Sébastien.”Baptistes et Pentecôtistes en France, une histoire parallèle ? Le baptisme, une culture d’accueil du pentecôtisme (1820-1950)”, Bulletin de la SHPF, Société de l’histoire du protestantisme français, Paris, juillet-auût -Setembro de 2000, Tomo 146, p. 523-567

Lovsky, Fadiey. “La pensée théologique de Louis Dallière”, Etudes Théologiques et Religieuses, Institut de théologie protestante de Montpellier, 1978/2, p. 171-190

Plet, Philippe.”Dallière Louis”, Encyclopédie du Protestantisme, PUF, Paris, 2006, p. 299.

Serr, Jacques; Lovsky, Fadiey, “Le pasteur Louis Dallière”, Union de prière, 2013 .