Etanim

Etanim, o sétimo mês do calendário religioso judaico e o primeiro do calendário civil, corresponde ao período entre setembro e outubro, marcando o início do outono no hemisfério norte. É um mês de grande significado para o povo de Israel, associado a eventos importantes e festas religiosas. Em 1 Reis 8:2, lemos que Salomão reuniu todos os homens de Israel no mês de Etanim para a dedicação do Templo em Jerusalém, culminando com a chegada da Arca da Aliança à sua nova morada.

Etanim também marca a celebração de três festas importantes: Rosh Hashaná (Ano Novo), Yom Kipur (Dia do Perdão) e Sucot (Festa dos Tabernáculos). Essas festas convocam o povo à reflexão, ao arrependimento e à ação de graças, marcando um período de renovação espiritual e de reconciliação com Deus.

Após o exílio babilônico, Etanim passou a ser chamado de Tishri, mas sua importância no calendário judaico permaneceu.

Elul

Elul, o sexto mês do calendário religioso judaico e o décimo segundo do calendário civil, corresponde ao período entre agosto e setembro, marcando o fim do verão no hemisfério norte. Após o exílio babilônico, o nome “Elul” substituiu a antiga designação numérica “sexto mês”. É um mês de preparação para as festas de Rosh Hashaná (Ano Novo) e Yom Kipur (Dia do Perdão), um período de introspecção e arrependimento.

Em Elul, Moisés subiu ao Monte Sinai pela segunda vez para receber as segundas tábuas da Lei (Êx 34:27), após o episódio do bezerro de ouro. Essa associação confere a Elul um caráter de reconciliação e renovação da aliança com Deus. É um mês propício para a teshuvá, o retorno a Deus por meio do arrependimento e da emenda dos caminhos. Tradicionalmente, durante Elul, os judeus intensificam as orações, o estudo da Torá e as práticas de caridade, buscando purificar o coração e se preparar para o julgamento divino no ano que se inicia.

El-Betel

Betel, que significa “Casa de El” ou “Casa de Deus”, além da localidade seria também uma divindade cultuada em diversas culturas do antigo Oriente Médio.

Textos assírios, aquemênidas e helenísticos mencionam Betel como um deus ou um aspecto de uma divindade, associado à proteção e à benção. Em alguns casos, Betel aparece vinculado a outros deuses, como Anat-Betel, indicando uma possível função como consorte ou manifestação complementar. O culto a Betel parece ter se intensificado durante o Império Neobabilônico, com evidências em textos egípcios e papiros aramaicos. Nesses documentos, surgem variantes do nome divino, como Eshembethel (“Nome de Betel”) e Ḥerembethel (“Santuário de Betel”). Na comunidade israelita de Elefantina, Betel aparece em nomes teofóricos como “Ashim-Bethel” e “Herem-Bethel”. Sanchuniathon (em uma citação de Filon de Biblos por Eusébio) descreve Betel como um irmão dos irmãos El, Ashera, Astarte, Baaltis, Dagon e um deus identificado com o Atlas grego.

Na Bíblia Hebraica, o termo “Betel” gera debate se as referências se dirigem a um deus ou a um lugar. Em Jeremias 48:13, a menção a “Betel, sua confiança” pode ser interpretada como uma alusão ao deus Betel ou à cidade de Betel como metáfora para a apostasia. A maioria dos estudiosos, no entanto, considera Betel como um topônimo, com base em passagens como Gênesis 28:19 e 35:1-7, que narram a experiência de Jacó no local.