Prisciliano de Ávila (c. 340–385) foi um teólogo e exegeta da Antiguidade Tardia, a primeira pessoa no ocidente a ser morta sob acusação de heresia.
Prisciliano nasceu em uma família nobre na região da Galécia, no que hoje corresponde à Galícia, Espanha. Recebeu uma educação ampla e optou por um estilo de vida ascético, sendo influenciado por correntes como o gnosticismo e o maniqueísmo, que privilegiavam o espiritual em detrimento do material. Como bispo de Ávila, Prisciliano defendeu práticas rigorosas de ascetismo, incluindo o vegetarianismo, a castidade e jejuns intensos. Enfatizava a piedade pessoal, a introspecção espiritual e a libertação da alma do mundo material. Também incentivava o estudo de textos apócrifos ao lado das escrituras canônicas, o que gerou controvérsias dentro da hierarquia eclesiástica.
As suas práticas e ensinamentos confrontaram-se com a doutrina oficial da Igreja, levando à sua acusação de heresia e magia. Foi condenado no Concílio de Saragoça, em 380, e, mais tarde, executado por ordem das autoridades romanas em 385, marcando a primeira execução de um cristão por heresia.
Durante séculos, Prisciliano foi visto predominantemente como um herege, e sua figura esteve associada a ameaças à ortodoxia. Contudo, estudos recentes têm revisitado suas obras e relatos de contemporâneos, permitindo uma compreensão mais detalhada de suas ideias e separando-as das acusações feitas por seus opositores. A pesquisa moderna contextualiza Prisciliano em meio às diversas correntes teológicas e dinâmicas políticas de sua época, reconhecendo a importância de seu foco na piedade individual e na preservação de textos cristãos antigos, incluindo escritos apócrifos.
Embora sua teologia continue a ser objeto de debate, alguns estudiosos o consideram um precursor de movimentos místicos e espirituais no cristianismo posterior. O estudo de sua vida e obra ainda levanta questões sobre as tensões entre inovação teológica e autoridade eclesiástica no período inicial do cristianismo.
