William Perkins

William Perkins (1558–1602) foi um clérigo puritano inglês, cujo pensamento teológico moldou o puritanismo.

Nascido em Marston Jabbett, Warwickshire, Perkins estudou no Christ’s College, Cambridge, onde se tornou mestre e posteriormente fellow. Sua conversão ao puritanismo afetou sua vida e ministério. Perkins destacou-se como um pregador e um escritor prolífico, produzindo obras que abordavam desde a doutrina da predestinação até a aplicação prática da fé na vida cotidiana.

A teologia de Perkins tinha foco na justificação pela fé e na importância da santificação. Enfatizava a necessidade de um exame rigoroso da consciência e a busca constante pela certeza da salvação. Seus escritos sobre a “arte de profetizar” (pregação) influenciaram gerações de pregadores puritanos, promovendo um estilo de pregação claro, metódico e aplicado à vida dos ouvintes. Perkins também desenvolveu uma teologia do pacto, que delineava a relação entre Deus e a humanidade em termos de alianças.

Hosana

Hosana (ὡσαννά, hōsaná; הוֹשַׁעְנָא, hoshana), uma interjeição encontrada nos evangelhos sinópticos e em João, que no hebraico significa “salva, rogamos” ou “salva agora”.

Originalmente, era uma súplica por ajuda, encontrada em Salmos 118:25, parte do Hallel (הַלֵּל), uma coleção de salmos recitada durante as festas, incluindo a Festa dos Tabernáculos (סֻכּוֹת, Sukkot). No Novo Testamento, especificamente na entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, “hosana” evoluiu para uma aclamação messiânica, expressando reconhecimento de Jesus como o Messias esperado. A multidão, ao citar Salmos 118:26 (“Bendito o que vem em nome do Senhor”), aplicou a súplica de salvação a Jesus, reconhecendo-o como o “Filho de Davi”. Essa transformação da súplica em aclamação reflete a expectativa messiância de um libertador, e a aplicação do termo a Jesus sinaliza a crença de que ele era o cumprimento dessa esperança.

A frase “hosana nas alturas” sugere uma invocação divina, reconhecendo a origem celestial da salvação. A utilização de “hosana” nos relatos evangélicos sublinha a tensão entre a expectativa popular de um Messias político e a missão de Jesus, que transcendia as expectativas terrenas.

Entrada Triunfal

A Entrada Triunfal, evento crucial no ministério de Jesus, marca seu ápice ao chegar a Jerusalém, conforme narrado nos Evangelhos (Mateus 21:1–11; Marcos 11:1–11; Lucas 19:28–40; João 12:12–19), inaugurando a Paixão. Os relatos compartilham elementos como Jesus montado em um jumento, a multidão estendendo vestes e ramos, e aclamações entusiásticas.

Em Marcos, o jumento não montado, possivelmente aludindo a Zc 9:9, simboliza um uso sagrado, e a ausência de títulos messiânicos pode refletir o “segredo messiânico” do evangelho, sugerindo que a multidão não compreendia plenamente a identidade de Jesus. A conclusão de Marcos, com Jesus entrando no templo e saindo, destaca a cronologia sobre convenções narrativas.

Mateus enfatiza o cumprimento de Zc 9:9, com uma paráfrase que se desvia do texto hebraico e da Septuaginta para focar na humildade de Jesus. A menção de dois animais, um jumento e um jumentinho, interpreta o paralelismo de Zc 9:9, embora discutível. O papel destacado das multidões, ambivalentes quanto a Jesus, reflete a complexidade da resposta judaica.

Lucas identifica a multidão como discípulos, diferenciando-os dos que rejeitam Jesus. A paz, tema central, ecoa profecias anteriores e contrasta com a destruição de Jerusalém, prevista por Jesus por não reconhecê-lo como rei.

João posiciona a paráfrase de Zc 9:9 após as aclamações, indicando que a compreensão da profecia ocorreu após a glorificação de Jesus. A multidão, atraída pelo milagre da ressurreição de Lázaro, aclama Jesus como Rei de Israel.

O pano de fundo do Antigo Testamento, especialmente Zc 9:9, molda a compreensão da entrada triunfal, com temas de realeza, paz e julgamento. Gênesis 49:11, 2 Reis 9:1–13 e Salmos 118:25–26 fornecem outros paralelos.

No contexto greco-romano, a entrada triunfal ecoa celebrações de heróis vitoriosos, com elementos como vitória prévia, entrada cerimonial, aclamações e entrada no templo.

A historicidade do evento, apesar das diferenças nos Evangelhos, é defendida por múltiplos testemunhos, coerência narrativa e plausibilidade no contexto do Antigo Testamento.

Teologicamente, a entrada triunfal revela a chegada do reino e do rei a Jerusalém, um prelúdio irônico da crucificação, cumprindo profecias de julgamento e redenção. A tensão entre aceitação e rejeição permite explorar a glória paradoxal de Jesus ao abraçar a cruz.

Elyon

Em hebraico, עֶלְיוֹן (Elyon), traduzido frequentemente como “Altíssimo”, refere-se a uma designação divina presente em diversos textos bíblicos, com nuances contextuais significativas.

Em Gênesis 14:18-20, Melquisedeque, sacerdote de El-Elyon (אֵל עֶלְיוֹן, embora em português haja uma assonância, as consoantes inicias são distintas em hebraico), abençoa Abrão, identificando El-Elyon como criador dos céus e da terra. Este trecho, juntamente com Salmo 76:2, sugere uma conexão entre Elyon e Sião. A equivalência de Elyon com Yahweh é observada em outros locais bíblicos, enquanto fontes externas, como Filo de Biblos citado por Eusébio, indicam Elioun (grego hupsistos) como uma divindade fenícia, e um deus chamado Elyn aparece ao lado de El em um tratado aramaico do século VIII a.C. de Sefire, na Síria.

Em Deuteronômio 32:8-9, a Septuaginta e os Manuscritos do Mar Morto revelam que Elyon distribuiu as nações, estabelecendo fronteiras de acordo com o número dos filhos de Deus, reservando Javé como herança de Jacó. O Texto Massorético, possivelmente por desconforto com essa teologia menos monoteísta, substitui “filhos de Deus” por “filhos de Israel”, refletindo uma alteração antipoliteísta. Salmos 73:11 e 107:11 expressam dúvidas sobre o conhecimento de El e Elyon, enquanto Salmos 18:13 e 21:7 associam Elyon a Yahweh, destacando sua voz e amor constante. Salmo 47:2 proclama Yahweh, o Elyon, como rei sobre toda a terra.

Salmo 82:6 apresenta os deuses como “filhos do Altíssimo”, sugerindo uma tradição onde Javé, embora filho de Elyon (possivelmente El), assume o papel de governante das nações. A imagem de Javé como deus da tempestade, presente no Salmo 18, mescla características de El e Baal, indicando uma sincretismo religioso. A designação “Elyon” parece referir-se a El, o presidente da assembleia divina, tanto em Ugarite quanto no Salmo 82, embora a tradição posterior tenha tendido a identificar Elyon com Javé.

Epiousios

O termo grego epiousios, encontrado exclusivamente em Mateus 6:11 e Lucas 11:3, possui significado desconhecido, sendo um hapax legômena.

Traduzido de forma variada como “suficiente”, “necessário”, “diário”, “hoje” ou “cotidiano”, epiousios não encontra paralelo na literatura grega existente, diferentemente de kathimeriná (cotidiano) e semeron (hoje).

Talvez fosse um regionalismo do grego palestiniano, refletindo uma expressão local não documentada em outros contextos.