Betume

Betume refere-se a substâncias betuminosas usadas na antiguidade. No Antigo Testamento, aparecem principalmente duas palavras hebraicas:

  1. חֵמָר (ḥemar): Refere-se a betume natural, uma substância viscosa e inflamável que aflora em certas regiões. É mencionado em Gênesis 11:3, onde é usado como argamassa na construção da Torre de Babel: “E disseram uns aos outros: Eia, façamos tijolos e queimemo-los bem. E foi-lhes o tijolo por pedra, e o betume 1 (ḥemar) por cal.” Em Gênesis 14:10, o vale de Sidim é descrito como cheio de poços de betume (ḥemar). Em Êxodo 2:3, a mãe de Moisés usa betume (ḥemar) e piche (זֶפֶת, zefet) para calafetar a cesta em que coloca o bebê.  
  2. זֶפֶת (zefet): Traduzido como “piche”, refere-se a uma substância resinosa, possivelmente obtida da destilação de madeira ou de outros materiais orgânicos, ou a uma forma processada de betume. Além de Êxodo 2:3, zefet é mencionado em Isaías 34:9, onde os ribeiros de Edom serão transformados em piche (zefet) ardente como parte do juízo divino.

A Septuaginta traduz ḥemar como ἄσφαλτος (ásphaltos) e zefet normalmente como πίσσα (píssa), que significa “piche”. Em Gênesis 11:3, a Vulgata usa bitumen.

No Novo Testamento, a palavra ἄσφαλτος (ásphaltos) aparece apenas em fontes extrabíblicas da época para se referir ao betume, e não é usada nas escrituras canônicas do Novo Testamento.

Natron

Natron (do grego νίτρον, nítron, derivado do hebraico נֶתֶר, neter) refere-se, em contextos bíblicos e antigos, principalmente ao carbonato de sódio decahidratado, um sal natural encontrado em depósitos em regiões áridas. Diferencia-se do sal de cozinha comum (cloreto de sódio).

Embora a palavra moderna “natron” especifique o composto decahidratado, o termo bíblico neter e seu equivalente grego nitron podem ter abrangido uma gama mais ampla de sais alcalinos, incluindo o carbonato de sódio anidro e outros minerais relacionados.

Algumas traduções antigas, como a versão de João Ferreira de Almeida, traduziram erroneamente neter como “salitre” em Provérbios 25:20 e Jeremias 2:22. Essa tradução imprecisa gerou a confusão, pois o nitrato de potássio (salitre verdadeiro) não reage com vinagre da forma descrita em Provérbios, nem é conhecido por suas propriedades de limpeza da maneira mencionada em Jeremias.

No Antigo Testamento, neter é mencionado em apenas dois versículos. Provérbios 25:20 compara o cantar canções para um coração aflito com o efeito de vinagre sobre neter, uma reação efervescente que sugere incompatibilidade ou agravamento da situação. Jeremias 2:22 usa neter no contexto da purificação: “Ainda que te laves com neter, e amontoes potassa, a tua iniquidade estará gravada diante de mim, diz o Senhor DEUS”. Aqui, neter representa um agente de limpeza potente, mas insuficiente para remover a culpa moral.

A Septuaginta traduz neter como νίτρον (nítron). Não há menção explícita de nitron no Novo Testamento grego canônico.

O natron tinha diversos usos na antiguidade, incluindo a fabricação de vidro, a preservação de alimentos (especialmente na mumificação egípcia), a limpeza e, possivelmente, usos medicinais. A referência em Jeremias sugere seu uso como um detergente forte.

Argila

Argila (חֹמֶר, ḥōmer, em hebraico; πηλός, pēlos, em grego) é um material terroso abundantemente mencionado na Bíblia, tanto em sentido literal quanto metafórico.

No Antigo Testamento, ḥōmer refere-se à argila em si, ao barro, e também ao material usado para fazer tijolos (Êxodo 1:14; 5:7-19) e cerâmica (Isaías 29:16; 45:9; Jeremias 18:1-6). A criação do homem a partir do “pó da terra” (עָפָר מִן־הָאֲדָמָה, ‘afar min-ha’adamah) em Gênesis 2:7, embora não use explicitamente a palavra ḥōmer, sugere a ideia da argila como material primordial moldado por Deus. A fragilidade e a maleabilidade da argila são frequentemente usadas como metáforas da condição humana em relação a Deus, o oleiro (Jó 4:19; 10:9; 33:6; Isaías 64:8). Em Jeremias 18, a visita do profeta a uma olaria ilustra o poder soberano de Deus sobre Israel, comparado ao oleiro que molda e remolda a argila (ḥōmer) conforme sua vontade.

No Novo Testamento, πηλός (pēlos) aparece em contextos similares. Em João 9:6-15, Jesus cura um cego de nascença fazendo lodo (pēlos) com saliva e terra, aplicando-o aos olhos do homem. Romanos 9:20-21 usa a analogia do oleiro e da argila (pēlos) para falar da soberania de Deus na escolha e no destino dos seres humanos.

Alabastro

Alabastro (ἀλάβαστρον, alabastron, em grego) é um termo que, na Bíblia, se refere a um tipo de pedra, geralmente um carbonato de cálcio (alabastro calcítico ou “ônix egípcio”), embora o termo moderno também possa se referir a um sulfato de cálcio (alabastro gipsita). O alabastro bíblico é mais associado a vasos ou frascos, sem alças, usados para armazenar perfumes e óleos preciosos.

A menção mais famosa do alabastro na Bíblia encontra-se nos Evangelhos Sinópticos (Mateus 26:7; Marcos 14:3; Lucas 7:37) e em João 12:3. Uma mulher, identificada em João como Maria, irmã de Lázaro, unge Jesus com um perfume caríssimo (nardo puro) contido em um vaso de alabastro (alabastron). O ato de quebrar o vaso para derramar o perfume simboliza um gesto de devoção extrema e sacrifício. O termo grego ἀλάβαστρον (alabastron) refere-se mais especificamente ao recipiente do que ao material em si, mas, por associação, passou a designar a pedra comumente usada para fabricá-lo.

Não há um termo hebraico específico no Antigo Testamento que corresponda diretamente ao alabastro. As referências bíblicas ao alabastro estão concentradas no Novo Testamento, e estão intrinsecamente ligadas ao episódio da unção de Jesus, simbolizando um ato de adoração, generosidade e preparação para seu sepultamento. O material, valorizado por sua beleza e capacidade de preservar óleos perfumados, reforça a ideia de preciosidade e sacrifício presentes no gesto da mulher.

Estanho

O estanho (בְּדִיל, bedil, em hebraico; κασσίτερος, kassíteros, em grego) é um metal mencionado algumas vezes na Bíblia, principalmente no Antigo Testamento. Em alguns contextos simboliza impureza a ser removida.

Em Números 31:22, o estanho (bedil) é listado entre os metais (juntamente com ouro, prata, cobre, ferro e chumbo) que os israelitas capturaram dos midianitas e que deveriam ser purificados pelo fogo. Isaías 1:25 usa o estanho (bedil) como uma metáfora para impurezas que Deus removerá de Jerusalém: “Farei volver contra ti a minha mão, e purificarei como com potassa a tua escória, e tirar-te-ei todo o estanho (bedil)”. Ezequiel menciona o estanho (bedil) em dois contextos. Em Ezequiel 22:18, 20, o estanho é parte de uma liga de metais inferiores (junto com cobre, ferro, chumbo e prata), representando a impureza e a corrupção de Israel, que será fundida no fogo da ira divina. Em Ezequiel 27:12, Tiro é descrita comerciando com Társis, obtendo, entre outras mercadorias, prata, ferro, estanho (bedil) e chumbo. A principal função do estanho na antiguidade era a produção de bronze, uma liga de cobre e estanho, mais dura e resistente que o cobre puro. A menção do estanho em Números 31:22, juntamente com outros metais, sugere sua importância na metalurgia da época. A palavra grega κασσίτερος (kassíteros) aparece na Septuaginta em passagens correspondentes aos textos hebraicos que mencionam bedil.

Não há referências diretas ao estanho no Novo Testamento.