Jade

Assim como a turquesa, a palavra “jade” não aparece nos textos originais hebraicos ou gregos da Bíblia, nem em traduções clássicas como a Septuaginta e a Vulgata. Não há um termo hebraico ou grego bíblico que corresponda diretamente ao que hoje conhecemos como jade, seja a jadeíta ou a nefrita. A presença de “jade” em algumas traduções modernas da Bíblia é resultado de interpretações e tentativas de identificar pedras preciosas mencionadas nos textos originais com minerais conhecidos atualmente.

Essas identificações são, muitas vezes, especulativas e carecem de consenso entre os estudiosos. Nenhum dos termos hebraicos usualmente traduzidos como jaspe, ônix, sardônio, etc., é considerado equivalente ao jade. Portanto, a associação do jade com a Bíblia é um anacronismo, resultante da aplicação de terminologia mineralógica moderna a textos antigos que utilizavam uma nomenclatura e classificação de pedras preciosas diferente da nossa. Não há evidências textuais ou arqueológicas sólidas que sustentem a presença ou o uso significativo de jade no antigo Israel ou no mundo bíblico em geral.

Jaspe

Jaspe (יָשְׁפֵה, yashfeh, em hebraico; ἴασπις, íaspis, em grego) é uma pedra preciosa mencionada tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Em Êxodo 28:20 e 39:13, yashfeh é a última pedra da quarta fileira do peitoral do sumo sacerdote, representando uma das doze tribos de Israel. Ezequiel 28:13 também lista yashfeh entre as pedras preciosas que adornavam o rei de Tiro. A Septuaginta traduz consistentemente yashfeh como ἴασπις (íaspis). No Novo Testamento, o jaspe aparece em Apocalipse. Em Apocalipse 4:3, aquele que está sentado no trono é descrito com a aparência de jaspe (ἴασπις) e sardônio (σάρδιον, sárdion), sugerindo brilho e cores variadas. Em Apocalipse 21:11, a luz da Nova Jerusalém é comparada ao brilho de uma pedra de jaspe (ἴασπις), cristalina. A cidade e seus muros também são descritos como sendo de jaspe (Apocalipse 21:18-19). O jaspe, na mineralogia moderna, é uma variedade opaca de calcedônia, frequentemente apresentando diversas cores e padrões. No entanto, o ἴασπις (íaspis) bíblico, especialmente no contexto de Apocalipse, pode ter se referido a uma pedra mais translúcida, possivelmente um tipo de calcedônia cristalina ou até mesmo diamante, devido à ênfase no seu brilho e pureza. A descrição em Apocalipse sugere uma pedra de grande beleza e luminosidade, simbolizando a glória divina e a santidade da Nova Jerusalém. Portanto, embora o termo yashfeh/íaspis seja geralmente traduzido como “jaspe”, seu significado exato, especialmente no contexto apocalíptico, pode abranger uma gama de pedras preciosas de grande brilho e beleza.

Turquesa

A palavra “turquesa”, embora designe um mineral específico conhecido por sua cor azul-esverdeada, não aparece explicitamente nas versões hebraicas ou gregas originais da Bíblia, nem nas traduções mais antigas, como a Septuaginta ou a Vulgata. A presença da turquesa em contextos bíblicos depende da interpretação e tradução de termos hebraicos que designam pedras preciosas cuja identificação exata é incerta. Algumas traduções modernas, em Êxodo 28:18 e 39:11, usam “turquesa” para traduzir a palavra hebraica נֹפֶךְ (nofekh), que tradicionalmente é mais associada a pedras vermelhas, como granada ou rubi (como visto na discussão sobre “carbúnculo”). A Septuaginta traduz nofekh como ἄνθραξ (anthrax, “carvão”). Outras traduções, no mesmo contexto do peitoral do sumo sacerdote, optam por termos como “esmeralda”, tornando a identificação ainda mais ambígua. A associação com a turquesa é, portanto, uma interpretação moderna e minoritária, baseada em possíveis conexões arqueológicas e comerciais entre o antigo Israel e regiões produtoras de turquesa, como o Sinai. Contudo, não há evidência textual direta, seja no hebraico bíblico, no grego da Septuaginta ou em outras fontes antigas, que sustente de forma inequívoca a presença da turquesa como uma das pedras do peitoral ou em outras passagens bíblicas. A maioria dos estudiosos e traduções tradicionais favorece outras gemas para nofekh.

Carbúnculo

Carbúnculo, derivado do latim carbunculus (pequeno carvão), é um termo arcaico usado em algumas traduções da Bíblia para se referir a uma pedra preciosa de cor vermelha brilhante.

No Antigo Testamento, o termo geralmente traduz a palavra hebraica נֹפֶךְ (nofekh) ou, menos frequentemente, בָּרֶקֶת (bareqet). Em Êxodo 28:17 e 39:10, nofekh é a terceira pedra da primeira fileira do peitoral do sumo sacerdote. Ezequiel 28:13 também inclui nofekh na lista de pedras preciosas do rei de Tiro.

A Septuaginta traduz nofekh como ἄνθραξ (anthrax), literalmente “carvão”, reforçando a associação com a cor vermelha intensa. Bareqet, por outro lado, aparece em Êxodo 28:17 como a primeira pedra da segunda fileira do peitoral, e é traduzida na Septuaginta como σμάραγδος (smáragdos), geralmente associado à esmeralda, embora a identificação exata seja incerta. A Vulgata usa carbunculus para traduzir tanto nofekh quanto bareqet em alguns contextos. A identificação mineralógica precisa dessas pedras é complexa.

O “carbúnculo” bíblico, portanto, não se refere a um mineral específico, mas provavelmente a várias gemas vermelhas, como granada (especialmente piropo), rubi ou espinélio vermelho. O elemento crucial é a cor vermelha intensa, semelhante a um carvão em brasa, que simbolizava beleza, raridade e valor, tornando-o apropriado para adornar o sumo sacerdote e figuras de autoridade. Não há menção direta de “carbúnculo” no Novo Testamento grego.

Sardônia

A sardônia (em hebraico, אֹדֶם, ‘odem, e em grego, σάρδιον, sárdion, em algumas versões, e σαρδόνυξ, sardónyx, em outras) é uma pedra preciosa mencionada na Bíblia, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.

Em Êxodo 28:17 e 39:10, ‘odem é a primeira pedra da primeira fileira do peitoral do sumo sacerdote, representando uma das doze tribos de Israel. A identificação precisa de ‘odem é debatida, com algumas traduções optando por “rubi” ou “cornalina”. A Septuaginta traduz como σάρδιον (sárdion), uma pedra geralmente avermelhada. Em Ezequiel 28:13, ‘odem também aparece entre as pedras preciosas que adornavam o rei de Tiro.

No Novo Testamento, Apocalipse 4:3 apresenta aquele que está sentado no trono com a aparência de jaspe e de σαρδίῳ (sárdion), novamente sugerindo uma tonalidade avermelhada. Já em Apocalipse 21:20, a quinta camada dos fundamentos da Nova Jerusalém é descrita como σαρδόνυξ (sardónyx), que é uma variedade de ônix com camadas vermelhas e brancas. A distinção entre σάρδιον e σαρδόνυξ nem sempre é clara nos textos antigos, e ambas podem se referir a variedades de calcedônia com tons avermelhados.