Zeraítas

Zeraítas é o nome de dois clãs familiares dos israleitas.

  1. Zeraítas descendente de Zerá, filho de Simeão, um dos doze filhos de Jacó (Nm 26:12-13; 1Cr 4:24).
  1. Zeraítas descendente de Zerá, gêmeo de Perez, é filho de Judá com Tamar, como relatado em Gênesis 38. Mencionados em Números 26, 1 Crônicas 2, 9 e Neemias 11. Acã, o guerreiro que tomou despojos de Jericó, era descendente deste Zerá , segundo Josué 7 e 1 Crônicas 2.

Zedequias

Zedequias, cujo nome original era Matanias, foi o último rei de Judá antes da destruição de Jerusalém pelos babilônios em 586 a.C. (2 Rs 24:17). Nomeado rei por Nabucodonosor II, Zedequias assumiu o trono aos 21 anos e reinou por 11 anos, marcados por instabilidade política e desobediência a Deus (2 Cr 36:11-12).

Apesar dos alertas do profeta Jeremias, Zedequias rebelou-se contra o domínio babilônico, o que culminou no cerco e na queda de Jerusalém (2 Rs 25:1-7; Jr 52:4-11). Após testemunhar a morte de seus filhos, Zedequias foi cegado e levado cativo para a Babilônia, cumprindo a profecia de Jeremias (Jr 39:6-7).

Tipologia das Misericórdias

Agostinho, em sua obra “A Cidade de Deus”, identifica sete perspectivas sobre a salvação que circulavam na Igreja primitiva. Ele as chama de “misericordi nostri” – “nossos compassivos” – por sua ênfase na misericórdia divina. Com exceção da visão de Orígenes, Agostinho não as condena como heréticas, mas as analisa e debate com respeito.

Essas visões, embora diversas, compartilham a crença na abrangência da salvação, diferindo quanto a quem seria salvo e como. Algumas defendem a salvação universal de todos os seres, incluindo o diabo (De Civitate Dei 21.17, 23), enquanto outras limitam a salvação aos humanos (De Civitate Dei 21.17, 23).

A intercessão dos santos (De Civitate Dei 21.18, 24; Enchiridion 29), a participação nos sacramentos (De Civitate Dei 21.19, 25) e a Eucaristia (De Civitate Dei 21.20, 25) também são apresentadas como meios de salvação. Outras perspectivas enfatizam a necessidade da fé e das obras (De Civitate Dei 21.21, 26; Defide et operibus 15; Enchiridion 18; De octo Dulcitii quaestionibus 1) ou das obras de misericórdia (De Civitate Dei 21.22, 27; Enchiridion 19-20).

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PerspectivaDescriçãoReferência Bíblica
Visão de OrígenesTodos os seres, incluindo o diabo e seus anjos, eventualmente seriam salvos após passarem por punições purgatórias.De Civitate Dei 21.17 e 21.23
Salvação para Todos os HumanosTodos os seres humanos, mas não os demônios, experimentarão a salvação após passarem por punições de durações variadas.De Civitate Dei 21.17 e 21.23
Intercessão dos SantosTodos os seres humanos, excluindo os demônios, seriam salvos por meio da intercessão dos santos no Dia do Juízo, poupando-os de qualquer punição no inferno.De Civitate Dei 21.18 e 21.24; Enchiridion 29 (112)
Participação nos SacramentosTodos que participam dos sacramentos cristãos, incluindo os hereges, alcançarão a salvação.De Civitate Dei 21.19 e 21.25
Eucaristia CatólicaTodos que participam da Eucaristia Católica serão salvos.De Civitate Dei 21.20 e 21.25
Fé e Obras CatólicasAqueles que permanecem na Igreja Católica (mantendo a fé católica) serão salvos, embora aqueles que viveram de maneira ímpia passem por punições temporárias.De Civitate Dei 21.21 e 21.26; Defide et operibus 15 (24-26); Enchiridion 18 (67-69); De octo Dulcitii quaestionibus 1
Obras de MisericórdiaAqueles que realizam obras de misericórdia serão salvos.De Civitate Dei 21.22 e 21.27; Enchiridion 19-20 (70-77)

Agostinho, em resposta, apresenta sua própria compreensão da salvação, baseada na graça divina e na predestinação. Ele reconhece a importância da misericórdia, mas a equilibra com a justiça e a soberania divinas. Sua análise das “misericordi nostri” revela a diversidade de pensamentos na Igreja primitiva e contribui para o debate sobre a salvação que perdura até hoje.

BIBLIOGRAFIA

  • Agostinho. A Cidade de Deus. De Civitate Dei XXI.17-25
  • Richard Bauckham, O Destino dos Mortos (1998), pp. 150-151.