Diadema

O diadema, uma faixa ou coroa ornamental usada na cabeça como símbolo de realeza, aparece em diversas culturas e períodos históricos. A palavra deriva do grego διάδημα (diadēma), significando “aquilo que está amarrado ao redor”. No Antigo Testamento, o termo hebraico para diadema é נֵזֶר (nezer), que também pode se referir a uma coroa ou faixa sagrada.

No contexto bíblico, o diadema está associado principalmente a reis e outras figuras de autoridade. Era um símbolo de poder, dignidade e realeza. Em algumas passagens, o diadema é mencionado junto com outras insígnias reais, como o cetro e o manto (Ester 1:11). O uso do diadema enfatizava a posição elevada do rei e sua autoridade sobre o povo.

Em algumas traduções bíblicas, o termo “diadema” é usado para descrever a coroa do rei, enquanto em outras, a palavra “coroa” é usada indistintamente para ambos os objetos. No entanto, alguns estudiosos sugerem que o diadema poderia ser uma faixa de tecido ou metal usada sob ou sobre a coroa, servindo como um distintivo adicional de realeza.

No Novo Testamento, o diadema aparece principalmente no livro de Apocalipse, onde é usado para descrever a coroa do Cordeiro (Apocalipse 19:12) e de outros seres celestiais. Nesse contexto, o diadema simboliza a autoridade e o poder divinos.

Dárico

O dárico era uma moeda de ouro persa, cunhada pela primeira vez por Dario I no final do século VI a.C. A palavra “dárico” deriva do persa antigo darayaka, relacionado ao nome de Dario. A moeda se tornou um padrão monetário no Império Persa, circulando amplamente e sendo aceita em diversas regiões, incluindo aquelas mencionadas na Bíblia.

Embora a palavra “dárico” não apareça diretamente na Bíblia, a presença de moedas persas é historicamente plausível nos tempos do Antigo Testamento, especialmente durante o período do domínio persa sobre a região da Judeia após o exílio babilônico. É razoável supor que o dárico, como principal moeda persa, circulasse na região e fosse usado em transações comerciais.

A importância do dárico reside em seu papel como um dos primeiros sistemas monetários padronizados. Sua ampla aceitação facilitou o comércio e a economia no vasto Império Persa. A cunhagem do dárico demonstra a organização econômica e administrativa do império, contribuindo para sua estabilidade e poder.

Diamante

Diamante (יַהֲלֹם, yahalom; ἀδάμας, adamas), embora frequentemente traduzido como “diamante” em versões modernas da Bíblia, possui um significado e identificação incertos no contexto do Antigo Testamento. A palavra hebraica yahalom aparece na lista de pedras preciosas do peitoral do sumo sacerdote (Êxodo 28:18; 39:11) e na descrição do rei de Tiro (Ezequiel 28:13).

A identificação com o diamante moderno (carbono puro cristalizado) é problemática, pois o diamante era extremamente raro no antigo Oriente Próximo, e a tecnologia para lapidá-lo não era amplamente desenvolvida.

O termo grego adamas, usado na Septuaginta (tradução grega do Antigo Testamento) para traduzir yahalom e em outras obras da literatura grega antiga, referia-se a um material de extrema dureza, possivelmente o diamante, mas também outras pedras duras, como o coríndon ou até mesmo o aço.

Dada a incerteza, é mais provável que yahalom se referisse a outra pedra preciosa de alta dureza e valor, como um tipo de quartzo, cristal de rocha, topázio ou mesmo o já mencionado coríndon (variedade da qual fazem parte a safira e o rubi). A identificação exata permanece um ponto de debate entre estudiosos da Bíblia e da mineralogia antiga. O simbolismo associado à pedra, independentemente de sua identificação exata, permanece ligado à beleza, raridade, durabilidade e valor.

Dízimo

O dízimo, uma prática com raízes no Antigo Testamento, consistia na entrega de 10% da produção agrícola, e possivelmente de outros bens, para fins religiosos e sociais. A palavra “dízimo” traduz diferentes termos hebraicos e gregos, cada um com nuances específicas:

  • מַעַשֵׂר (ma’aser): Geralmente traduzido como “dízimo”, esse termo hebraico se refere à décima parte da produção agrícola destinada aos levitas e à manutenção do santuário (Números 18:21, 24).
  • עָשַׂר (asar): Verbo hebraico traduzido como “dizimar”, usado em Deuteronômio 14:22-27 para descrever a prática de separar o dízimo para celebrar festividades religiosas.
  • ἀποδεκαταω (apodekataō): Verbo grego traduzido como “dizimar”, usado no Novo Testamento em Mateus 23:23 e Lucas 11:42 para criticar a hipocrisia dos fariseus em relação ao dízimo.
  • δεκατοω (dekatoō): Verbo grego traduzido como “dizimar”, usado em Hebreus 7:5 para descrever a prática do dízimo no Antigo Testamento.
  • δεκατη (dekatē): Substantivo grego traduzido como “décima parte”, usado em Hebreus 7:4 para se referir ao dízimo dado a Melquisedeque por Abraão.

No Antigo Testamento, o dízimo servia para o sustento dos levitas, que não possuíam terras (Números 18:21-24), para a realização de festividades religiosas (Deuteronômio 14:22-27) e para a assistência aos pobres (Deuteronômio 14:28-29). Além do dízimo, as primícias, ou seja, os primeiros frutos da colheita, também eram ofertadas como forma de gratidão a Deus (Levítico 27:30; Deuteronômio 18:3-18; Êxodo 23:19; 1 Samuel 25:18; 2 Samuel 16:1–2).

Após o exílio, o dízimo ganhou força para sustentar as atividades religiosas e sociais. Aparece na obra pós-exílica de Crônicas, quando o rei Ezequias de Judá restabeleceu o dízimo como parte de suas reformas religiosas e reorganização sacerdotal (2 Crônicas 31:2-12). Em Neemias 10:32-39 e 12:44-45, o povo se compromete a retomar a prática do dízimo, reconhecendo sua importância para o funcionamento do Templo e o sustento dos levitas. No entanto, o texto especifica que os levitas seriam responsáveis por coletar os dízimos e levá-los ao Templo, diferindo da prática anterior.

O profeta Malaquias, por sua vez, denuncia o abuso do dízimo por parte dos sacerdotes e levitas, que se apropriavam de uma parte maior do que a devida (Malaquias 3:8-12). Essa crítica demonstra que a prática do dízimo, embora restaurada, enfrentava desafios e desvios de seu propósito original.

No Novo Testamento, Jesus critica a observância legalista do dízimo pelos fariseus, enfatizando a importância da justiça e da misericórdia (Mateus 23:23; Lucas 11:42).

Em geral, exegetas e teólogos reconhecem a importância da generosidade e doação na vida cristã, mas consideram que a prática do dízimo como descrita no Antigo Testamento não deve ser interpretada como vinculante aos cristãos de hoje. Embora o Antigo Testamento forneça um contexto histórico e princípios importantes sobre a doação, a atitude cristã em relação à generosidade baseia-s pelos ensinamentos de Jesus e pelas exortações de Paulo no Novo Testamento. Adicionalmente, o sacerdócio universal de todos os crentes e o fim do sacerdócio levítico tornaram impraticáveis a prática do dízimo bíblico em contextos contemporâneos. Em outras palavras, a ênfase não recai sobre a quantia específica de 10%, mas sim em uma atitude de generosidade e amor que se manifesta em doações voluntárias e proporcionais aos recursos de cada um.

A Reforma Radical, e em particular os anabatistas, rejeitou a prática do dízimo obrigatório. Influenciados por sua leitura do Novo Testamento e buscando uma separação radical da igreja estatal, eles argumentavam que a doação deveria ser voluntária, motivada pelo amor e pela generosidade, e não por uma lei imposta. Os anabatistas enfatizavam a importância da comunidade cristã como um corpo unido onde os bens eram compartilhados livremente entre os membros, de acordo com a necessidade de cada um. Essa visão contrastava com a prática do dízimo institucionalizado que sustentava a igreja oficial e seus líderes. A ênfase anabatista na doação voluntária e no compartilhamento comunitário refletia sua busca por uma igreja mais autêntica e centrada no exemplo de Cristo e da igreja primitiva.

BIBLIOGRAFIA

Köstenberger, Andreas and David A. Croteau. “Reconstructing a Biblical Model of Giving: A Discussion of Relevant Systematic Issues and New Testament Principles.” Bulletin for Biblical Research 16, no. 2 (2006): 237–60.

Köstenberger, Andreas and David A. Croteau. “ ‘Will a Man Rob God?’ (Malachi 3:8): A Study of Tithing in the Old and New Testaments.” Bulletin for Biblical Research 16, no. 1 (2006): 53–77.

Dinaítas

Dinaítas (דִּינָיֵא, dinayê; Διναῖοι, Dinaioi), termo que aparece em Esdras 4:9, designa um grupo de escribas que atuavam na corte do rei persa Artaxerxes. Esses escribas, provavelmente pertencentes à província de Dina na Assíria, se opuseram à reconstrução do templo em Jerusalém pelos judeus que haviam retornado do exílio (Ed 4:9-10).

Juntamente com outros povos e oficiais, os dinaítas enviaram uma carta a Artaxerxes, acusando os judeus de sedição e rebelião, e buscando interromper a obra do templo (Ed 4:11-16).

A intervenção dos dinaítas e seus aliados resultou na suspensão da reconstrução do templo por vários anos, até que a obra foi retomada sob o reinado de Dario I (Ed 6:1-12).

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